IMPACTOS DO DIAGNÓSTICO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO CONTEXTO FAMILIAR

IMPACTS OF AN AUTISM SPECTRUM DISORDER DIAGNOSIS IN THE FAMILY CONTEXT

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781205661

RESUMO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que repercute não apenas no indivíduo diagnosticado, mas também em todo o contexto familiar. O presente estudo teve como objetivo analisar os impactos psicológicos e sociais do diagnóstico de TEA no contexto familiar. Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura, de abordagem descritiva, realizada a partir de buscas nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), com aplicação de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Ao final do processo, foram selecionados 18 estudos para compor a amostra. Os resultados evidenciaram que o diagnóstico do TEA provoca impactos significativos, com predominância de repercussões psicológicas, como ansiedade, estresse, sofrimento emocional e sobrecarga nos cuidadores. No âmbito social, destacaram-se mudanças na dinâmica familiar, reorganização da rotina, dificuldades financeiras e limitações no suporte social. Observou-se ainda que os impactos psicológicos e sociais estão inter-relacionados, sendo potencializados pela ausência de apoio adequado. Conclui-se que o diagnóstico do TEA representa um evento crítico para as famílias, exigindo estratégias de suporte que contemplem tanto aspectos emocionais quanto sociais, a fim de promover melhor adaptação e qualidade de vida.
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Família; Impactos psicossociais.

ABSTRACT
Autism Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental condition that affects not only the diagnosed individual but also the entire family context. This study aimed to analyze the psychological and social impacts of an ASD diagnosis within the family environment. It is an Integrative Literature Review with a descriptive approach, conducted through searches in the National Library of Medicine (PubMed), Virtual Health Library (VHL) and Scientific Electronic Library Online (SciELO), applying previously defined inclusion and exclusion criteria. At the end of the process, 18 studies were selected to compose the sample. The results showed that the diagnosis of ASD generates significant impacts, with a predominance of psychological repercussions such as anxiety, stress, emotional distress, and caregiver burden. In the social domain, changes in family dynamics, routine reorganization, financial difficulties, and limited social support were highlighted. It was also observed that psychological and social impacts are interrelated and intensified by the lack of adequate support. It is concluded that an ASD diagnosis represents a critical event for families, requiring support strategies that address both emotional and social aspects in order to promote better adaptation and quality of life.
Keywords: Autism Spectrum Disorder; Family; Psychosocial impacts.

INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits na comunicação social e pela presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, com manifestações que variam em intensidade e nível de comprometimento funcional, conforme descrito por Passos e Kishimoto (2022). Nas últimas décadas, o aumento na identificação de casos tem ampliado o interesse científico sobre o tema, especialmente no que se refere às repercussões do diagnóstico no contexto familiar.

Nesse sentido, Martins, Santos e Lima (2022), destacam que pais de crianças com TEA apresentam níveis elevados de estresse quando comparados a outros grupos, enquanto Eapen et al. (2023) reforçam que o impacto do transtorno ultrapassa o indivíduo, afetando diretamente a dinâmica e o equilíbrio emocional da família.

Diante desse cenário, torna-se relevante compreender de que forma o diagnóstico do TEA impacta psicologicamente e socialmente as famílias, uma vez que essas repercussões influenciam a adaptação familiar e o cuidado ao indivíduo diagnosticado. Passos e Kishimoto (2022) evidenciam que os efeitos do transtorno se estendem a todo o núcleo familiar, incluindo irmãos e outros membros, ampliando a complexidade das relações. De forma complementar, Silva et al. (2024) apontam que os cuidadores frequentemente apresentam sobrecarga emocional significativa, associada às demandas contínuas de cuidado e às dificuldades enfrentadas no cotidiano.

Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo geral analisar os impactos psicológicos e sociais do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista no contextofamiliar.

Como objetivos específicos, busca-se identificar as principais repercussões emocionais vivenciadas pelos familiares, descrever as alterações sociais decorrentes do diagnóstico e compreender a inter-relação entre esses fatores.

A relevância da pesquisa está relacionada à necessidade de ampliar a compreensão sobre as demandas familiares, uma vez que, conforme destacam Zwaigenbaum et al. (2023), a qualidade do suporte oferecido pelos serviços de saúde influencia diretamente o processo de adaptação das famílias. Além disso, Costa et al. (2025) ressaltam que fatores como suporte social e condições socioeconômicas desempenham papel central na experiência vivenciada pelos cuidadores.

MÉTODO

A presente pesquisa caracteriza-se como uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), de abordagem descritiva. Esse método tem como finalidade reunir, analisar e sintetizar resultados de estudos científicos acerca de uma temática específica, possibilitando uma compreensão ampla e sistematizada do fenômeno investigado. Além disso, permite a inclusão de pesquisas com diferentes delineamentos metodológicos, favorecendo a integração de evidências provenientes de múltiplas abordagens.

Metodologicamente, a revisão integrativa possibilita a organização, avaliação e síntese do conhecimento produzido sobre determinado tema, contribuindo para a identificação de evidências científicas relevantes, lacunas na literatura e perspectivas para futuras investigações. Dessa forma, esse método mostrou-se adequado para analisar os impactos psicológicos e sociais do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista no contexto familiar, permitindo uma visão abrangente dos achados disponíveis na literatura científica.

O trajeto do estudo seguiu etapas sistematizadas, tais como, definição do tema e elaboração da questão norteadora; estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; busca e seleção dos estudos nas bases de dados; leitura crítica dos artigos selecionados; extração e organização dos dados; análise e categorização dos resultados; e, por fim, síntese e apresentação dos achados.

A questão norteadora desta revisão foi: “Quais são os impactos psicológicos e sociais do diagnóstico de autismo no contexto familiar?”. Para responder a essa questão, foram realizadas buscas nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), por serem largamente utilizadas na área da saúde e apresentarem relevância científica.

Foram utilizados Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus correspondentes em inglês, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, sendo eles: “Transtorno do Espectro Autista”, “Autism Spectrum Disorder”; “Família”, “Family”; “Diagnóstico”, “Diagnosis”; “Impacto Psicológico”, “Psychological Impact”; e “Impacto Social”, “Social Impact”.

Os critérios de inclusão contemplaram artigos disponíveis na íntegra, de forma gratuita, nos idiomas português e inglês, publicados entre 2020 e 2025, que apresentassem relação direta com a temática proposta, abordassem os impactos psicológicos e sociais do Transtorno do Espectro Autista no contexto familiar, incluíssem discussões sobre o diagnóstico do TEA e respondessem à questão norteadora. Foram excluídos estudos duplicados, artigos que não atendessem aos critérios de inclusão estabelecidos e publicações indisponíveis na íntegra.

Após a aplicação dos critérios estabelecidos, procedeu-se à busca e seleção dos estudos, por meio da leitura dos títulos e resumos, seguida da leitura na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis. Ao final desse processo, a amostra desta revisão foi composta por 18 estudos, que atenderam aos critérios previamente definidos.

A extração dos dados foi realizada por meio de um instrumento elaborado pelas autoras, contendo informações como autores, ano de publicação, título do estudo, país de origem, periódico e principais resultados relacionados à questão de pesquisa. Posteriormente, os dados foram organizados em quadros sintéticos, com o objetivo de facilitar a visualização e comparação das informações.

O fluxograma evidencia o processo sistemático de seleção dos estudos, iniciando com a identificação de 989 registros nas bases PubMed, SciELO e Portal CAPES. Após aplicação dos critérios de inclusão, procedeu-se à triagem por títulos e resumos, resultando na exclusão de estudos que não respondiam à questão norteadora. Ao final, 18 estudos compuseram a amostra.

Figura 1 – Fluxograma do processo de identificação, seleção e inclusão dos estudos na Revisão Integrativa da Literatura.

Fonte: Dados de pesquisa, 2026.

Na etapa de análise, os estudos foram categorizados emLduas categorias temáticas = 434) principais: impactos psicológicos e impactos sociais do diagnóstico do Transtorno do

Espectro Autista no contexto familiar. Essa categorização possibilitou a identificação de padrões e tendências na literatura analisada, contribuindo para uma interpretaçãoecrítica re-sistematizada dos achados, etapas finais do método. (n= 18)

RESULTADOS

No Quadro 1, observa-se que dos 18 estudos selecionados, houve predominância de delineamentos qualitativos, correspondendo a 26,6% (n=4) adostrestudos, seguidos apelos o la Duplicidad estudos quantitativos, com 26,6% (n=4). Também foram identificados estudos observacionais (20%; n=3), além de revisões de literatura e outros delineamentos metodológicos, evidenciando a diversidade de abordagens utilizadas na investigação dos impactos do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista no contexto familiar.

Em relação à origem dos estudos, os Estados Unidos apresentaram maior representatividade, com 26,6% (n=4) das publicações, seguidos pelo Brasil, com 20% (n=3). Os demais estudos distribuem-se entre países europeus e outras regiões, demonstrando o caráter internacional da temática. Quanto aos periódicos, não houve concentração significativa em uma única revista, com ocorrência única para a maioria dos periódicos analisados, indicando dispersão das publicações na área.

Quadro 1 – Caracterização geral dos artigos selecionados para compor a RIL

Autor(es)/Ano

Título

Idioma/País

Periódico

Tipo de Estudo

AGUIAR, L.; PONDÉ, M. (2020)

Autism: impact of the diagnosis in the parents (Autismo: impacto do diagnóstico nos pais)

Inglês/Português – Brasil

Jornal Brasileiro de Psiquiatria

Estudo qualitativo narrativo

ALMEIDA, R. S. (2023)

Sobrecarga materna: um olhar para as cuidadoras das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA)

Português – Brasil

Revista Pesquisa e Extensão em Saúde

Estudo descritivo

BATTANTA, M. et al. (2024)

Autism spectrum: parents' perspectives reflecting the different needs of different families

Inglês – Suíça

BMC Pediatrics

Estudo quantitativo

BUCHWALD, A. et al. (2025)

Factors predicting parenting stress in the autism spectrum disorder context: a network analysis approach

Inglês – Nova Zelândia

PLOS One

Estudo observacional transversal

CAPPE, É. et al. (2025)

Parental involvement and adjustment during the diagnostic evaluation of autism spectrum disorder

Inglês – França

L'Encéphale

Estudo quantitativo comparativo

FERRARA, M. et al. (2023)

Parents-children co-regulation as therapeutic variable in autism spectrum disorders

Inglês – Itália

Clinica Terapêutica

Revisão de literatura

GAIATO, M. H. B. et al. (2022)

Transtorno do Espectro Autista: diagnóstico e compreensão da temática pelos responsáveis

Português – Brasil

Revista Contexto & Saúde

Estudo descritivo transversal

JACOBS, A. et al. (2020)

Hoe ouders en hulpverleners een diagnose autismespectrumstoornis ervaren

Holandês – Bélgica

Tijdschrift voor Psychiatrie

Estudo qualitativo

MAGALHÃES, R. et al. (2021)

Vivências de familiares de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista

Português – Brasil

Revista Gaúcha de Enfermagem

Estudo qualitativo

MARTINS, M. V. B. S.; SANTOS, J. K. M.; LIMA, J. A. (2022)

O impacto do diagnóstico do transtorno do espectro autista na vida familiar

Português – Brasil

Revista Científica Multidisciplinar

Estudo descritivo

MCALLISTER, J.; MCFAYDEN, T.; HARROP, C. (2025)

Reports of echolalia and related behaviors in autism

Inglês – EUA

Autism Research

Estudo observacional quantitativo

MONTEIRO, S. et al. (2020)

Autism spectrum disorder: a systematic review about nutritional interventions

Inglês/Português – Brasil

Revista Paulista de Pediatria

Revisão sistemática

MYERS, S. et al. (2021)

Family-centered care: how close do we get when talking to parents of children undergoing diagnosis for autism spectrum disorders?

Inglês – EUA

Journal of Autism and Developmental Disorders

Estudo de método misto

PASSOS, B. C.; KISHIMOTO, M. S. C. (2022)

O impacto do diagnóstico do transtorno do espectro autista na família e relações familiares

Português – Brasil

Revista Mundo Acadêmico

Estudo qualitativo

PORTES, J. R. M. et al. (2022)

Percepção parental sobre o filho com autismo: implicações familiares e sociais

Português – Brasil

Psicologia em Revista

Estudo qualitativo

SILVA, E. P. C. (2021)

Os impactos do diagnóstico do transtorno do espectro autista na família

Português – Brasil

Revista Científica de Psicologia e Saúde

Estudo qualitativo

SOARES, S. et al. (2020)

Transtorno do Espectro Autista (TEA): conhecimento e sobrecarga dos pais

Português – Brasil

Revista Saúde e Desenvolvimento Humano

Estudo quantitativo

Fonte: Dados de pesquisa, 2026.

Observa-se que, entre os impactos psicológicos identificados nos estudos analisados, a ansiedade apresentou maior frequência (75%; n=12), seguida pelo estresse e sofrimento emocional (37,5%; n=6 cada), sobrecarga emocional (31,2%; n=5) e negação (18,7%; n=3). Em relação aos impactos sociais, destacaram-se a reorganização familiar (31,2%; n=5), as mudanças familiares e a falta de suporte (25%; n=4 cada), as dificuldades financeiras (18,7%; n=3) e o estigma (6,2%; n=1), conforme apresentado no Quadro 2.

Quadro 2 – Categorização dos estudos selecionados na pesquisa.

Categorias

Subcategorias

Autor(es)/Ano

n

%

Impactos Psicológicos

Ansiedade

AGUIAR, L.; PONDÉ, M. (2020);
ALMEIDA, R. S. (2023);
BUCHWALD, A. et al. (2025);
CAPPE, É. et al. (2025);
GAIATO, M. H. B. et al. (2022);
JACOBS, A. et al. (2020);
MAGALHÃES, R. et al. (2021);
MARTINS, M. V. B. S.;
SANTOS, J. K. M.; LIMA, J. A. (2022);
MYERS, S. et al. (2021);
PASSOS, B. C.; KISHIMOTO, M. S. C. (2022);
SILVA, E. P. C. (2021);
SOARES, S. et al. (2020).

12

75%

Estresse

AGUIAR, L.; PONDÉ, M. (2020);
ALMEIDA, R. S. (2023);
BUCHWALD, A. et al. (2025);
FERRARA, M. et al. (2023);
MYERS, S. et al. (2021);
SOARES, S. et al. (2020).

6

37,5%

Sofrimento emocional

AGUIAR, L.; PONDÉ, M. (2020);
GAIATO, M. H. B. et al. (2022);
JACOBS, A. et al. (2020);
MAGALHÃES, R. et al. (2021);
PASSOS, B. C.; KISHIMOTO, M. S. C. (2022);
SILVA, E. P. C. (2021).

6

37,5%

Negação

GAIATO, M. H. B. et al. (2022);
JACOBS, A. et al. (2020);
MARTINS, M. V. B. S.; SANTOS, J. K. M.;
LIMA, J. A. (2022).

3

18,7%

Sobrecarga emocional

ALMEIDA, R. S. (2023);
BUCHWALD, A. et al. (2025);
FERRARA, M. et al. (2023);
PORTES, J. R. M. et al. (2022);
SOARES, S. et al. (2020).

5

31,2%

Impactos Sociais

Mudanças familiares

MAGALHÃES, R. et al. (2021);
MARTINS, M. V. B. S.;
SANTOS, J. K. M.; LIMA, J. A. (2022);
PASSOS, B. C.; KISHIMOTO, M. S. C. (2022);
PORTES, J. R. M. et al. (2022).

4

25%

Estigma

PORTES, J. R. M. et al. (2022).

1

6,2%

Dificuldades financeiras

ALMEIDA, R. S. (2023);
BATTANTA, M. et al. (2024);
PASSOS, B. C.; KISHIMOTO, M. S. C. (2022).

3

18,7%

Falta de suporte

BATTANTA, M. et al. (2024);
CAPPE, É. et al. (2025);
MYERS, S. et al. (2021);
PORTES, J. R. M. et al. (2022).

4

25%

Reorganização familiar

MAGALHÃES, R. et al. (2021);
MARTINS, M. V. B. S.; SANTOS, J. K. M.;
LIMA, J. A. (2022);
MONTEIRO, S. et al. (2020);
PASSOS, B. C.; KISHIMOTO, M. S. C. (2022);
SILVA, E. P. C. (2021).

5

31,2%

Fonte: Dados de pesquisa, 2026.

DISCUSSÃO

Os achados desta revisão evidenciam que o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) exerce impactos significativos no contexto familiar, com predominância de repercussões psicológicas sobre as sociais. Esse resultado não é casual, mas reflete uma tendência consolidada na literatura, que compreende o diagnóstico como um evento crítico, capaz de desencadear respostas emocionais intensas e prolongadas nos cuidadores.

Nesse sentido, estudos como os de Aguiar e Pondé (2020), Soares et al. (2020), Passos e Kishimoto (2022), Martins, Santos e Lima (2022) e Silva (2021) apontam que o diagnóstico está frequentemente associado a sentimentos de ansiedade, estresse e sofrimento emocional, reforçando a ideia de que a família vivencia um processo semelhante ao de luto simbólico, marcado pela quebra de expectativas em relação ao desenvolvimento da criança. Além dos estudos selecionados nesta revisão, autores como Hayes e Watson destacam elevados níveis de estresse parental em famílias de crianças com TEA quando comparadas a outras condições do desenvolvimento.

Além disso, a predominância da ansiedade entre os impactos psicológicos sugere que o diagnóstico não representa um evento pontual, mas o início de um processo contínuo de incertezas. Estudos como os de Buchwald et al. (2025), Cappe et al. (2025), Jacobs et al. (2020) e Portes et al. (2022) reforçam que fatores como a gravidade dos sintomas da criança, dificuldades de adaptação familiar e ausência de suporte social influenciam diretamente o ajustamento parental, ampliando o sofrimento emocional. Além dos estudos selecionados nesta revisão, Portes et al. (2022) e Silva (2021) destacam que o TEA impõe demandas constantes à família, exigindo adaptação contínua e reestruturação das dinâmicas familiares.

Outro ponto relevante diz respeito à sobrecarga emocional, identificada em diversos estudos, como Soares et al. (2020), Gaiato et al. (2022), Almeida (2023) e Ferrara et al. (2023). Essa sobrecarga não se limita ao impacto inicial do diagnóstico, mas se mantém ao longo do tempo, sendo alimentada por fatores como dificuldades no acesso a serviços especializados, exigências de cuidado contínuo e limitações no suporte institucional.

Myers et al. (2021) complementam essa análise ao evidenciar falhas na comunicação entre profissionais de saúde e familiares durante o processo diagnóstico, o que contribui para intensificar sentimentos de insegurança e frustração. Ferrara et al. (2023) também destacam que a relação entre pais e filhos no contexto do TEA sofre impactos importantes diante das demandas contínuas de cuidado e regulação emocional.

No âmbito social, embora menos frequentes, os impactos identificados revelam mudanças estruturais relevantes na dinâmica familiar. Magalhães et al. (2021), Monteiro et al. (2020), Passos e Kishimoto (2022) e Martins, Santos e Lima (2022) destacam a necessidade de reorganização da rotina e redistribuição de papéis familiares, o que frequentemente implica renúncias profissionais, redução da vida social e maior isolamento.

Esse achado é consistente com Pinto (2020) e Portes et al. (2022), que apontam o estigma social e as dificuldades nas relações interpessoais como fatores que contribuem para o afastamento das famílias de seus círculos sociais, intensificando o isolamento e dificultando o acesso ao suporte.

Apesar disso, um ponto crítico emerge da análise: a menor frequência dos impactos sociais nos estudos não necessariamente indica menor relevância, mas possivelmente reflete uma lacuna na literatura, que tende a priorizar aspectos emocionais em detrimento das dimensões estruturais e socioeconômicas. Battanta et al. (2024) evidenciam que dificuldades financeiras e ausência de suporte social são elementos centrais na experiência das famílias, ainda que sub-representados nas pesquisas.

Outro aspecto que merece destaque é a interdependência entre os impactos psicológicos e sociais. Os dados indicam que fatores como estigma, falta de suporte e dificuldades financeiras atuam como amplificadores do sofrimento emocional, configurando um ciclo de vulnerabilidade. Além dos estudos selecionados nesta revisão, Faria et al. (2025) demonstram que os efeitos do TEA se estendem a todo o núcleo familiar, incluindo irmãos, afetando múltiplas dimensões da vida cotidiana. Vilanova et al. (2022) também evidenciam que o TEA afeta significativamente a qualidade de vida psicossocial das famílias, especialmente nos aspectos emocionais e sociais.

Adicionalmente, os resultados evidenciam a importância do suporte social e institucional como elemento mediador dos impactos do diagnóstico. Cappe et al. (2025), Myers et al. (2021) e Portes et al. (2022) apontam que famílias que recebem acompanhamento adequado apresentam maior capacidade de adaptação e menor sobrecarga emocional. Esse achado reforça a necessidade de abordagens centradas na família, conforme discutido na literatura internacional, que defende intervenções integradas e suporte contínuo aos cuidadores.

Outro aspecto que mereceu aprofundamento referiu-se à heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, evidenciada no Quadro 1, no qual se observa a distribuição relativamente equilibrada entre delineamentos qualitativos, quantitativos e observacionais. Essa diversidade metodológica, embora enriqueça a compreensão do fenômeno, também impõe limites à comparabilidade dos resultados, uma vez que diferentes abordagens capturam dimensões distintas da experiência familiar.

Estudos qualitativos, como os de Magalhães et al. (2021), Faria et al. (2025) e Jacobs et al. (2020), tendem a aprofundar a compreensão subjetiva do sofrimento e das estratégias de enfrentamento, enquanto investigações quantitativas, como Battanta et al. (2024), Soares et al. (2020) e Richards, Almeida (2023) enfatizam a mensuração de variáveis como estresse, preocupações parentais e sobrecarga. Além dos estudos selecionados nesta revisão, Martins, Santos e Lima (2022) apontam a necessidade de integração crítica dos achados em revisões integrativas.

Além disso, a distribuição geográfica dos estudos, com predominância de países como Estados Unidos e Brasil, sugere que a produção científica sobre o tema está concentrada em contextos específicos, o que levanta questionamentos sobre a generalização dos resultados para outras realidades socioculturais. Essa concentração pode influenciar diretamente a forma como os impactos do diagnóstico são percebidos e enfrentados, especialmente em relação ao acesso a serviços de saúde, suporte institucional e políticas públicas.

Estudos como os de Myers et al. (2021) indicam que sistemas de saúde mais estruturados tendem a oferecer maior suporte às famílias, reduzindo parcialmente os impactos negativos, enquanto contextos com menor suporte ampliam a sobrecarga familiar. Nesse sentido, seus achados não devem ser interpretados como universais, mas sim como reflexo de um recorte da literatura, o que evidencia a necessidade de ampliação das pesquisas em contextos menos representados e com diferentes níveis de suporte social.

Observa-se que os achados desta revisão convergem para a compreensão do diagnóstico do TEA como um evento multifacetado, cujos impactos ultrapassam o indivíduo e atingem todo o sistema familiar. A predominância dos impactos psicológicos não deve obscurecer a relevância dos fatores sociais, uma vez que ambos se encontram interligados e se potencializam mutuamente. Dessa forma, torna-se fundamental que políticas públicas e práticas assistenciais considerem essa complexidade, promovendo estratégias que integrem suporte emocional, social e estrutural às famílias.

CONCLUSÃO

O presente estudo alcançou seu objetivo ao analisar os impactos psicológicos e sociais do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista no contexto familiar, evidenciando que esse processo repercute de forma significativa na dinâmica e no bem-estar das famílias. Os achados confirmam que os impactos psicológicos, especialmente ansiedade, estresse e sobrecarga emocional, são mais frequentes e intensos, enquanto os impactos sociais, embora menos evidenciados, manifestam-se por meio de mudanças na rotina, reorganização familiar, dificuldades financeiras e limitações no suporte social.

A hipótese inicial de que o diagnóstico do TEA provoca repercussões relevantes no contexto familiar foi confirmada, destacando-se que essas repercussões não ocorrem de forma isolada, mas inter-relacionada, sendo os fatores sociais importantes moduladores do sofrimento psicológico. Dessa forma, compreende-se que o impacto do diagnóstico ultrapassa o indivíduo, afetando todo o núcleo familiar e exigindo adaptações contínuas.

Entretanto, o estudo apresenta limitações relacionadas à heterogeneidade metodológica dos trabalhos incluídos, à possível restrição geográfica das pesquisas analisadas e à predominância de estudos com maior enfoque nos aspectos psicológicos em detrimento dos sociais, o que pode influenciar a amplitude da interpretação dos resultados. Além disso, a dependência de estudos secundários limita a profundidade da análise em contextos específicos.

Diante disso, sugere-se que pesquisas futuras ampliem a investigação sobre os impactos sociais do diagnóstico, explorem diferentes contextos socioculturais e utilizem abordagens metodológicas mais integradas, capazes de captar de forma mais abrangente a complexidade das experiências familiares. Também se faz necessária a produção de estudos que subsidiem estratégias de intervenção e políticas públicas voltadas ao suporte efetivo às famílias de pessoas com TEA.

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1 Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Patos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

2 Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Patos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

3 Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Patos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

4 Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Patos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

5 Discente do curso de Medicina do Centro Universitário de Patos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

6 Docente Doutora e Pós-Doutora em Promoção da Saúde. Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa. Docente no Centro Universitário de Patos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8327-9147.