REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/784348482
RESUMO
A humanização do cuidado em saúde tem se consolidado como um componente essencial na assistência pediátrica, especialmente por meio de intervenções lúdicas que contribuem para o bem-estar emocional das crianças hospitalizadas. Este estudo tem como objetivo relatar a experiência de participação no projeto de extensão “SÓRISO: O Brincar Humanizando a Internação Hospitalar”, destacando suas contribuições para a humanização do cuidado e para a formação médica. Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, baseado na vivência de um acadêmico de medicina ao longo de aproximadamente um ano e meio de atuação em enfermaria pediátrica. As atividades incluíram visitas periódicas com intervenções lúdicas, ações temáticas em datas comemorativas, reuniões de planejamento e participação em atividades formativas. Observou-se que as intervenções contribuíram para a redução da ansiedade e do medo das crianças, além de favorecer a criação de vínculos afetivos com pacientes e familiares. A experiência também proporcionou o desenvolvimento de competências fundamentais para a prática médica, como empatia, comunicação e observação clínica. Conclui-se que a palhaçoterapia representa uma estratégia relevante para a promoção da humanização hospitalar e para o fortalecimento da formação médica centrada no cuidado integral ao paciente.
Palavras-chave: Palhaçoterapia; Humanização hospitalar; Pediatria; Relato de experiência; Educação médica.
ABSTRACT
Humanization of healthcare has become an essential component of pediatric care, particularly through playful interventions that promote the emotional well-being of hospitalized children. This study aims to report the experience of participating in the extension project “SÓRISO: Playing to Humanize Hospitalization”, highlighting its contributions to the humanization of care and medical education. This is a descriptive experience report based on the experience of a medical student over approximately one and a half years of practice in a pediatric ward. The activities included regular visits involving playful interventions, themed events on commemorative dates, planning meetings, and participation in educational activities. The interventions were found to reduce children's anxiety and fear while fostering emotional bonds with patients and their families. The experience also contributed to the development of essential competencies for medical practice, including empathy, communication, and clinical observation. It is concluded that clown therapy is a valuable strategy for promoting the humanization of hospital care and strengthening medical education focused on comprehensive, patient-centered care.
Keywords: Clown therapy; Humanization of hospital care; Pediatrics; Experience report; Medical education.
1. INTRODUÇÃO
A prática de utilizar palhaços em ambientes hospitalares remonta ao início do século XX, com o primeiro registro documentado em 1908, em uma enfermaria pediátrica em Londres. No entanto, a formalização e popularização dessa abordagem terapêutica ocorreram principalmente a partir das décadas de 1970 e 1980, impulsionadas por iniciativas como as de Patch Adams, fundador do Gesundheit Institute, e Michael Christensen, criador da Big Apple Circus Clown Care Unit. No Brasil, a introdução da palhaçoterapia ocorreu em 1991, quando Wellington Nogueira, após atuar na Clown Care Unit em Nova York, fundou a organização Doutores da Alegria, responsável por difundir essa prática no país e estimular o desenvolvimento de projetos semelhantes e de pesquisas acadêmicas na área (CATAPAN; OLIVEIRA; ROTTA, 2019).
Inspirado nos princípios defendidos por Patch Adams, segundo os quais “comprimidos aliviam a dor, mas apenas o amor alivia o sofrimento”, surgiu o projeto “SÓRISO: O Brincar Humanizando a Internação Hospitalar”, uma iniciativa de acadêmicos de medicina da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), em Canoas – RS. O projeto tem como objetivo promover a humanização do ambiente hospitalar por meio de atividades lúdicas, incluindo musicoterapia e palhaçoterapia, buscando proporcionar acolhimento, alegria, empatia e momentos de descontração aos pacientes internados. Criado há cerca de doze anos, o projeto baseia-se na ideia de que o riso possui potencial terapêutico e pode contribuir para o bem-estar físico e emocional dos indivíduos (LOPES-JÚNIOR et al., 2020).
Além disso, o momento da brincadeira constitui uma importante oportunidade para o desenvolvimento infantil. Por meio do brincar, a criança aprende, experimenta o mundo, explora possibilidades, estabelece relações sociais, desenvolve autonomia e organiza suas emoções. Nesse contexto, a palhaçoterapia apresenta benefícios não apenas para os pacientes, mas também para os profissionais de saúde e estudantes envolvidos, incentivando uma visão mais humanizada do cuidado e estimulando a percepção do paciente como um indivíduo em sua totalidade, e não apenas como portador de uma doença (CATAPAN; OLIVEIRA; ROTTA, 2019).
Nesse sentido, observa-se, em nível global, a expansão de iniciativas voltadas à humanização da assistência hospitalar, como aquelas que incorporam práticas lúdicas e artísticas no cuidado em saúde. Essas ações buscam fortalecer as relações entre profissionais de saúde e pacientes, resgatando valores como solidariedade, empatia, colaboração e respeito à diversidade. Assim, a presença de palhaços em hospitais surge como uma estratégia capaz de integrar uma abordagem de cuidado mais holística e humanizada, centrada não apenas nos sintomas físicos, mas também nas dimensões emocionais e sociais do paciente (LOPES-JÚNIOR et al., 2020).
A palhaçoterapia, conforme descrito por Dionigi et al., consiste na utilização de técnicas circenses e artísticas com o objetivo de melhorar o humor e o estado emocional dos pacientes, atendendo também a necessidades subjetivas que frequentemente não são expressas em queixas médicas formais. Embora o uso do humor na medicina tenha raízes históricas que remontam à Antiguidade, com registros associados à tradição hipocrática, sua valorização contemporânea surge como uma forma de questionar o modelo biomédico tradicional, frequentemente centrado exclusivamente na patologia (DIONIGI et al., 2016).
Transtornos mentais, como depressão e ansiedade, apresentam elevada prevalência em nível global e figuram entre as principais causas de incapacidade. Estimativas recentes indicam prevalências de aproximadamente 3.153 casos de depressão e 4.802 casos de ansiedade por 100.000 pessoas em todo o mundo, afetando também cerca de 15% a 20% das crianças e adolescentes. Além disso, a pandemia de COVID-19 contribuiu para um aumento significativo desses transtornos. Embora os medicamentos psiquiátricos possam auxiliar no controle dos sintomas, frequentemente estão associados a efeitos adversos e custos elevados, especialmente em populações vulneráveis, como crianças e idosos, o que tem incentivado a busca por abordagens complementares e não farmacológicas (ZHANG et al., 2023).
Entre essas abordagens, destaca-se a terapia do humor, considerada uma forma de medicina complementar e alternativa (CAM), que busca promover o bem-estar físico e emocional dos indivíduos. Essa terapia pode incluir diferentes atividades, como leitura de conteúdos humorísticos, exibição de vídeos cômicos e apresentações realizadas por palhaços hospitalares. Diversas teorias procuram explicar o fenômeno do humor, entre elas a teoria da superioridade, baseada em relações de competição; a teoria do alívio, que associa o riso à liberação de tensão emocional; e a teoria da incongruência, que interpreta o humor como resultado da resolução de discrepâncias cognitivas inesperadas (DIONIGI et al., 2016).
A literatura científica destaca que fatores como bem-estar psicológico, autoconfiança e suporte emocional exercem influência significativa nos processos de recuperação e resposta ao tratamento, possivelmente relacionados a efeitos positivos sobre a resposta imunológica do organismo. No contexto hospitalar, procedimentos diagnósticos e terapêuticos podem gerar sobrecarga emocional e física, especialmente em crianças e adolescentes internados. Dessa forma, torna-se fundamental desenvolver estratégias que auxiliem esses pacientes a lidar com a hospitalização e com os sintomas associados à doença e ao tratamento (LOPES-JÚNIOR et al., 2020).
Diversas revisões sistemáticas e meta-análises têm investigado os efeitos da atuação de palhaços hospitalares no contexto pediátrico. Os resultados sugerem que essas intervenções podem contribuir significativamente para a redução do estresse e da ansiedade em crianças hospitalizadas ou submetidas a procedimentos invasivos e cirurgias de menor porte, além de proporcionar benefícios emocionais também aos seus familiares, especialmente aos pais. Contudo, tais resultados devem ser interpretados com cautela, considerando possíveis limitações metodológicas e variações na qualidade das evidências disponíveis (ZHANG et al., 2023).
Os palhaços hospitalares, inseridos em programas de palhaçoterapia, utilizam diferentes estratégias artísticas e interativas, como música, improvisação, mágica, malabarismo, contação de histórias e uso de marionetes, para promover entretenimento e favorecer estados emocionais positivos nos pacientes. Essas intervenções também podem facilitar a interação entre crianças e seus familiares, contribuindo para a construção de um ambiente hospitalar mais acolhedor e esperançoso. Dessa forma, a palhaçoterapia tem se consolidado como uma estratégia complementar relevante para a promoção do cuidado humanizado em saúde, apoiando o bem-estar emocional e psicológico dos pacientes e potencialmente contribuindo para sua recuperação (CATAPAN; OLIVEIRA; ROTTA, 2019).
2. OBJETIVOS
2.1. Objetivo Geral
Relatar a experiência de participação no projeto de extensão “SÓRISO: O Brincar Humanizando a Internação Hospitalar”, destacando suas contribuições para a humanização do cuidado em saúde no contexto pediátrico e para a formação médica, especialmente no desenvolvimento de competências como empatia, comunicação e sensibilidade diante do sofrimento humano.
2.2. Objetivos Específicos
Descrever o processo de ingresso, formação e atividades desenvolvidas no projeto, incluindo a capacitação em palhaçaria hospitalar e as intervenções lúdicas realizadas na enfermaria pediátrica;
Analisar os impactos das intervenções lúdicas no ambiente hospitalar e no bem-estar emocional das crianças hospitalizadas e seus familiares;
Refletir sobre as contribuições da experiência para a formação médica, considerando o desenvolvimento de habilidades relacionadas à humanização do cuidado, comunicação, observação clínica e compreensão integral do paciente.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, baseado na vivência de um acadêmico de medicina participante do projeto de extensão “SÓRISO: O Brincar Humanizando a Internação Hospitalar”, desenvolvido por estudantes da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), no município de Canoas, Rio Grande do Sul.
A experiência foi realizada ao longo de aproximadamente um ano e meio, compreendendo desde o processo seletivo até a participação ativa nas atividades do projeto. Inicialmente, o ingresso ocorreu por meio de entrevista individual, seguida de um curso de formação em palhaçaria hospitalar, no qual foram abordados aspectos relacionados à rotina hospitalar, ética, comunicação e abordagem de pacientes pediátricos.
As atividades práticas consistiram em visitas periódicas à enfermaria pediátrica de um hospital da região, realizadas em grupo, com o objetivo de promover a humanização do ambiente hospitalar por meio de intervenções lúdicas. Durante as visitas, foram utilizadas estratégias como música, improvisação, brincadeiras, uso de fantasias e interação direta com as crianças e seus acompanhantes, sempre respeitando as condições clínicas e emocionais dos pacientes.
Além das visitas regulares, foram realizadas ações temáticas em datas comemorativas, como Dia das Crianças, Natal, Páscoa e Dia das Mães, visando ampliar o impacto emocional positivo das intervenções. Paralelamente, ocorreram reuniões periódicas de planejamento e avaliação das atividades, bem como participação em palestras com especialistas, abordando temas relevantes para a atuação no contexto pediátrico.
A coleta de informações para o relato baseou-se na observação participante e na memória descritiva das vivências ao longo do período de atuação no projeto. A análise foi realizada de forma reflexiva e qualitativa, buscando identificar os principais aprendizados, desafios e contribuições da experiência para a formação médica e para a humanização do cuidado em saúde.
4. RELATO DE EXPERIÊNCIA
A participação no projeto “SÓRISO: O Brincar Humanizando a Internação Hospitalar” representou uma etapa marcante em minha trajetória acadêmica e pessoal. Ao ingressar no curso de Medicina após os 40 anos, eu não possuía experiência prévia com o ambiente hospitalar, o que tornava o primeiro contato com esse cenário naturalmente desafiador. Nesse contexto, o projeto se configurou como uma porta de entrada humanizada para a vivência hospitalar, permitindo que eu me aproximasse gradualmente da realidade das enfermarias, especialmente do setor pediátrico. Mais do que compreender a dinâmica institucional, a experiência possibilitou perceber o hospital para além de um espaço técnico de tratamento, reconhecendo-o também como um ambiente permeado por emoções, fragilidades e necessidades afetivas tanto das crianças quanto de seus familiares.
Destaca-se que a participação no referido projeto de extensão ocorreu no Hospital Universitário de Canoas, vinculado à ULBRA, no período de agosto de 2023 a dezembro de 2024, com carga horária total de 100 horas, conforme comprovado por certificados (Figuras 1 e 2).
Além disso, o projeto contribuiu significativamente para o desenvolvimento de habilidades fundamentais para a prática médica, como empatia, comunicação e sensibilidade diante do sofrimento humano. A interação com crianças hospitalizadas evidenciou a importância do cuidado integral, que envolve não apenas intervenções clínicas, mas também a promoção do bem-estar emocional e psicológico. Dessa forma, o brincar se revelou uma ferramenta terapêutica potente, capaz de amenizar a ansiedade e o medo frequentemente associados à hospitalização infantil, reforçando a relevância da humanização na prática médica contemporânea.
Figura 1. Certificado de participação no projeto de extensão “Projeto Sorriso: o brincar humanizando a internação hospitalar” – no período 2024/01.
Figura 2. Certificado de participação no projeto de extensão “Projeto Sorriso: o brincar humanizando a internação hospitalar” – no período 2024/02.
O processo seletivo para ingressar no projeto incluiu uma entrevista individual, na qual os candidatos deveriam apresentar suas motivações para participar da iniciativa e de que maneira poderiam contribuir para as atividades desenvolvidas. Durante esse momento, busquei destacar minha afinidade com o universo infantil e minha disposição em colaborar com a proposta de humanização hospitalar. Como parte do relato pessoal apresentado à banca avaliadora, mencionei minhas experiências de convivência com meus sete afilhados, com os quais sempre mantive uma relação próxima e afetiva.
Essa vivência prévia com crianças contribuiu para que eu desenvolvesse espontaneamente habilidades relacionadas ao brincar, à criatividade e à comunicação em linguagem acessível ao público infantil. Argumentei que tais experiências poderiam ser úteis nas atividades do projeto, sobretudo na construção de vínculos com as crianças hospitalizadas. A entrevista, portanto, representou não apenas um momento de avaliação, mas também uma oportunidade de refletir sobre o papel da ludicidade como instrumento de cuidado e acolhimento no contexto hospitalar.
Após a aprovação no processo seletivo, os novos integrantes participaram de um curso de formação voltado à atuação como palhaços hospitalares. Essa etapa formativa foi essencial para preparar os estudantes para o ambiente hospitalar e para as especificidades do contato com crianças em situação de internação. Durante o curso, foram abordados temas relacionados à rotina hospitalar, às normas institucionais e às condutas adequadas dentro da enfermaria pediátrica.
Destaca-se que a participação nessa formação foi realizada em agosto de 2023, sendo posteriormente certificada, conforme apresentado nas Figura 3 e 4, as quais comprovam a realização do curso de palhaçaria voltado à humanização no ambiente hospitalar.
Figura 3. Certificado de participação no Curso de Palhaçaria Hospitalar.
Além disso, recebemos orientações claras sobre como nos portar diante das crianças e de seus acompanhantes, incluindo o respeito ao momento clínico de cada paciente, a necessidade de observar sinais de desconforto e a importância de respeitar limites individuais. Também foram discutidas situações em que a intervenção lúdica poderia não ser apropriada, como em momentos de procedimentos médicos ou quando a criança demonstrasse indisposição para interação. Dessa forma, o treinamento buscou equilibrar o caráter espontâneo da palhaçaria com a responsabilidade ética e o respeito às condições clínicas e emocionais dos pacientes.
Figura 4. Participantes do Curso de Palhaçaria Hospitalar durante o encerramento da formação, exibindo seus certificados de conclusão.
Após a fase de capacitação, iniciaram-se as visitas regulares à enfermaria pediátrica do hospital. Essas visitas eram realizadas em grupo e tinham como objetivo proporcionar momentos de descontração, brincadeira e acolhimento às crianças internadas. Durante essas atividades, utilizávamos elementos característicos da palhaçaria, como figurinos, objetos lúdicos e interações improvisadas, sempre respeitando as orientações previamente aprendidas durante o curso de formação.
As Figuras 5, 6 e 7 ilustram diferentes momentos dessas visitas ao ambulatório pediátrico, nas quais os integrantes do projeto, caracterizados como palhaços hospitalares, realizam intervenções lúdicas junto às crianças. As imagens correspondem a dias distintos de atuação, com composições variadas da equipe, evidenciando a continuidade das ações e a participação ativa dos membros do projeto, incluindo o autor, ao longo das atividades desenvolvidas.
A presença do grupo frequentemente despertava curiosidade e entusiasmo nas crianças, que demonstravam interesse em participar das brincadeiras e interagir com os integrantes do projeto. Em muitos casos, observava-se uma mudança perceptível no ambiente da enfermaria, com a redução momentânea da tensão associada à hospitalização. Esses momentos evidenciavam o potencial transformador da ludicidade, capaz de criar espaços de alegria e leveza mesmo em um contexto marcado por preocupações com a saúde.
Figura 5 e 6. Integrantes do projeto caracterizados como palhaços hospitalares durante visita ao ambulatório pediátrico, promovendo atividades lúdicas com crianças internadas.
Nota: Imagem utilizada mediante autorização dos responsáveis legais.
Figura 7. Visita do grupo de palhaçaria hospitalar ao ambulatório pediátrico em momento de interação e acolhimento às crianças internadas.
Nota: Imagem utilizada mediante autorização dos responsáveis legais.
Entre as atividades desenvolvidas ao longo do período de participação no projeto, uma das mais marcantes foi a visita especial realizada em comemoração ao Dia das Crianças. Nessa ocasião, os integrantes do projeto utilizaram fantasias temáticas com o objetivo de tornar a experiência ainda mais divertida e envolvente para os pacientes. Na referida visita, optei por utilizar uma fantasia do personagem Shrek, o que gerou grande entusiasmo entre as crianças.
As Figuras 8 e 9 ilustram momentos dessa ação comemorativa, evidenciando os integrantes do projeto caracterizados com fantasias temáticas durante as visitas ao setor pediátrico, incluindo a participação do autor caracterizado como o personagem Shrek. As imagens demonstram a interação lúdica estabelecida com as crianças, bem como o ambiente de descontração proporcionado pela atividade.
A caracterização contribuiu para ampliar o impacto da atividade, estimulando interações espontâneas, pedidos de fotos e momentos de brincadeira coletiva. A reação positiva das crianças demonstrou como elementos simbólicos do universo infantil podem ser utilizados como ferramentas de aproximação e acolhimento. Essa experiência reforçou a importância da criatividade e da ludicidade como recursos capazes de transformar temporariamente o ambiente hospitalar em um espaço de imaginação e alegria.
Figura 8 e 9. Atividade lúdica realizada por membros do projeto durante ação especial do Dia das Crianças, com interação entre os participantes caracterizados e as crianças internadas.
Outra atividade significativa foi a visita realizada durante o período natalino. Nesse momento, buscou-se resgatar o simbolismo do Natal como uma época de esperança, solidariedade e renovação. A equipe organizou uma intervenção temática na enfermaria pediátrica, com elementos decorativos e interações voltadas à celebração da data.
As Figuras 10 e 11 ilustram momentos dessa ação, evidenciando os integrantes do projeto caracterizados com elementos natalinos durante as visitas ao setor pediátrico, promovendo interações lúdicas e acolhedoras com as crianças internadas. As imagens demonstram o ambiente de descontração e a aproximação estabelecida entre os participantes e os pacientes ao longo da atividade.
Para muitas crianças internadas, a hospitalização coincide com datas festivas importantes, o que pode gerar sentimentos de tristeza e frustração por estarem afastadas de suas rotinas e familiares. Nesse sentido, a visita natalina teve como objetivo amenizar essa sensação, proporcionando momentos de alegria e integração dentro do ambiente hospitalar. A experiência evidenciou a relevância de iniciativas que busquem manter vivas as referências afetivas e culturais das crianças, mesmo durante o período de internação.
Figura 10 e 11. Ação temática de Natal realizada por membros do projeto no ambiente hospitalar, com atividades voltadas à humanização e ao acolhimento das crianças.
Durante o período da Páscoa, também foi realizada uma visita temática organizada pelo projeto. Nessa ocasião, um dos integrantes caracterizou-se como o tradicional Coelho da Páscoa, o que despertou grande entusiasmo entre as crianças presentes na enfermaria pediátrica. A presença do personagem facilitou a criação de interações lúdicas e contribuiu para fortalecer o clima de celebração e descontração.
A Figura 12 ilustra um momento dessa ação temática, evidenciando os integrantes do projeto durante a visita ao setor pediátrico, incluindo a caracterização do Coelho da Páscoa e as interações realizadas com as crianças internadas. A imagem demonstra o ambiente de acolhimento e ludicidade promovido pela atividade, bem como a participação ativa dos membros do projeto ao longo da intervenção.
As atividades desenvolvidas incluíram brincadeiras, conversas e momentos de interação que buscavam estimular a imaginação e o sorriso das crianças hospitalizadas. Observou-se que essas iniciativas, ainda que simples, têm um impacto significativo na experiência de internação, pois rompem temporariamente com a rotina hospitalar e promovem momentos de alegria e acolhimento.
Figura 12. Integrantes do projeto durante visita temática de Páscoa ao setor pediátrico, com a presença do personagem Coelho da Páscoa e interação lúdica com as crianças internadas.
Uma das ações mais sensíveis promovidas pelo projeto foi a visita realizada em homenagem ao Dia das Mães. Diferentemente de outras intervenções focadas exclusivamente nas crianças, essa atividade buscou reconhecer também o papel fundamental das mães e acompanhantes que permanecem ao lado dos pacientes durante todo o período de internação.
Durante essa visita, foram realizadas interações voltadas às mães presentes na enfermaria, com gestos simbólicos de reconhecimento e valorização. A iniciativa evidenciou que o processo de hospitalização infantil envolve não apenas o paciente, mas também toda a rede familiar, especialmente as mães, que frequentemente assumem o papel de cuidadoras principais. Dessa forma, a ação reforçou a importância de considerar o cuidado de forma ampliada, incluindo também o suporte emocional aos familiares.
Paralelamente às visitas realizadas na enfermaria pediátrica, os integrantes do projeto participavam regularmente de reuniões de planejamento. Esses encontros tinham como objetivo discutir a organização das atividades, avaliar as visitas realizadas e propor novas estratégias para aprimorar as intervenções lúdicas no ambiente hospitalar.
As Figuras 13 e 14 ilustram momentos desses encontros, evidenciando a participação dos integrantes do projeto nas reuniões de planejamento, nas quais eram discutidas estratégias, compartilhadas experiências e organizadas as ações a serem desenvolvidas no ambiente hospitalar. As imagens demonstram o caráter colaborativo dessas reuniões e a importância do diálogo na construção das atividades propostas.
As reuniões também funcionavam como espaços de troca de experiências entre os participantes, permitindo que cada integrante compartilhasse percepções, desafios e aprendizados decorrentes das visitas. Esse processo coletivo de reflexão contribuía para o fortalecimento do grupo e para a construção contínua de práticas mais sensíveis e eficazes no contexto da humanização hospitalar.
Figuras 13 e 14. Reuniões de planejamento dos integrantes do projeto em momentos distintos, com discussão de estratégias, organização das atividades e troca de experiências relacionadas às intervenções no ambiente hospitalar.
Como parte da formação complementar oferecida pelo projeto, também foram promovidas palestras com profissionais e especialistas em diferentes áreas relacionadas ao cuidado infantil. Entre os temas abordados, destacaram-se discussões sobre transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo, e sobre estratégias adequadas de abordagem e comunicação com crianças que apresentam necessidades específicas.
A Figura 15 ilustra um momento da palestra realizada de forma online, abordando o tema do autismo, evidenciando a participação dos integrantes do projeto em atividades educativas voltadas ao aprimoramento do cuidado e da comunicação no contexto pediátrico.
Essas atividades ampliaram significativamente a compreensão dos participantes sobre a diversidade de perfis encontrados na enfermaria pediátrica. Ao proporcionar contato com conhecimentos especializados, as palestras contribuíram para uma atuação mais consciente, sensível e preparada diante das diferentes realidades clínicas e sociais das crianças atendidas. Assim, o projeto não apenas promoveu ações de humanização, mas também se consolidou como um espaço de aprendizado interdisciplinar dentro da formação médica.
Figura 15. Palestra online sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovida como atividade formativa do projeto, com participação dos integrantes.
Um aspecto particularmente marcante da participação no projeto foi a possibilidade de acompanhar algumas crianças ao longo de várias semanas consecutivas de internação. Diferentemente de interações pontuais, o retorno periódico à enfermaria pediátrica permitia reencontrar pacientes que já haviam sido visitados anteriormente, possibilitando a construção de pequenos vínculos afetivos. Nessas ocasiões, era possível observar mudanças progressivas no estado clínico e no comportamento das crianças, muitas vezes percebendo uma melhora no ânimo e na disposição para brincar e interagir. Esse acompanhamento contínuo permitia compreender de forma mais concreta o processo de recuperação dentro do ambiente hospitalar, evidenciando que, para além dos tratamentos médicos, o suporte emocional e os momentos de descontração também podem contribuir para o bem-estar do paciente pediátrico.
Entre as experiências mais gratificantes estavam os momentos em que encontrávamos leitos vazios e éramos informados pela equipe ou pelos acompanhantes de que determinada criança havia recebido alta hospitalar. Saber que aquele paciente havia se recuperado e retornado ao convívio familiar gerava um sentimento de alegria compartilhada entre os integrantes do projeto. Essas situações reforçavam a percepção de que, mesmo de forma indireta, as visitas lúdicas poderiam contribuir para tornar a experiência de internação menos traumática, transformando momentos de fragilidade em lembranças permeadas por cuidado, acolhimento e alegria.
Entretanto, nem todas as experiências vivenciadas ao longo do projeto foram marcadas por desfechos positivos. Em algumas ocasiões, ao retornar à enfermaria pediátrica em semanas subsequentes, percebia-se a ausência de determinadas crianças que haviam sido visitadas anteriormente. Em certos casos, ao buscar informações com a equipe assistencial, éramos informados de que o paciente havia evoluído para óbito. Diante dessa realidade, emergia um sentimento profundo de tristeza e impotência, especialmente por se tratar de crianças, cuja perda frequentemente provoca um impacto emocional significativo.
Esses momentos representaram um importante aprendizado dentro do processo de formação médica. A vivência do luto, mesmo de forma indireta, permitiu refletir sobre a complexidade do cuidado em saúde e sobre os limites da medicina diante da finitude da vida. Embora dolorosa, essa experiência contribuiu para o amadurecimento pessoal e profissional, reforçando a necessidade de desenvolver sensibilidade, empatia e equilíbrio emocional para lidar com situações de perda. Compreender que a morte também faz parte do ciclo da vida e da prática médica foi um aprendizado difícil, porém essencial para a construção de uma postura profissional mais humana e consciente.
O projeto “SÓRISO: O Brincar Humanizando a Internação Hospitalar” demonstrou, na prática, como iniciativas de humanização podem transformar a experiência de internação hospitalar, especialmente no contexto pediátrico. Durante as visitas, era possível observar que a interação lúdica frequentemente contribuía para reduzir a ansiedade e o medo das crianças, tornando-as mais receptivas ao ambiente e às pessoas ao seu redor. Além disso, esses momentos também impactavam positivamente os acompanhantes, que demonstravam maior tranquilidade ao perceberem seus filhos mais confortáveis.
Do ponto de vista da formação médica, a participação nesse tipo de iniciativa amplia a compreensão sobre o cuidado integral em saúde. A vivência prática evidenciou que aspectos emocionais, sociais e psicológicos influenciam diretamente a experiência do paciente durante a internação. Dessa forma, o projeto contribui para a formação de profissionais mais sensíveis às necessidades humanas, reforçando que a prática médica deve ir além da dimensão técnica, incorporando empatia, acolhimento e respeito à singularidade de cada paciente.
A participação no projeto evidenciou, de forma clara, o impacto das vivências práticas na formação médica, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de habilidades não técnicas. O contato com crianças hospitalizadas, seus familiares e a equipe de saúde permitiu compreender que o cuidado em saúde envolve não apenas o tratamento da doença, mas também a atenção aos aspectos emocionais e relacionais presentes no processo de adoecimento.
Além disso, a experiência contribuiu para o amadurecimento pessoal e profissional, ao expor situações que exigiram sensibilidade, escuta ativa e equilíbrio emocional, especialmente diante de contextos de sofrimento e perda. Nesse sentido, o projeto reforçou a importância de uma formação que integre conhecimento científico e postura humanizada, preparando o futuro médico para atuar de forma mais consciente e completa diante das diferentes realidades encontradas na prática clínica. Nesse processo de construção profissional, tornou-se também evidente o fortalecimento de motivações pessoais que antecederam o ingresso no curso de Medicina, especialmente no que se refere ao interesse pela área pediátrica.
Antes mesmo de ingressar no curso de Medicina, eu já possuía o desejo de atuar na área da pediatria, motivação que inicialmente estava mais relacionada ao cuidado com crianças do que à compreensão ampla da prática médica. Ao longo da graduação, especialmente durante a participação no projeto, essa inclinação não apenas se manteve, mas se fortaleceu de maneira concreta. O contato direto com as crianças hospitalizadas, bem como a observação de suas reações emocionais, medos e estratégias de enfrentamento diante da internação, contribuiu para consolidar a pediatria como uma escolha consciente para minha futura atuação profissional.
Um dos principais aprendizados práticos esteve relacionado à semiologia e ao exame físico pediátrico. Em diversas situações, ao entrar na enfermaria, era possível perceber que crianças mais retraídas ou assustadas demonstravam resistência inicial à aproximação direta. No entanto, após o estabelecimento de interação lúdica, por meio de brincadeiras, utilização de voz acolhedora e adaptação da comunicação ao universo infantil, muitas delas passavam a aceitar melhor a aproximação. Essa vivência demonstrou, na prática, que o exame físico em pediatria se inicia antes do contato físico, envolvendo observação cuidadosa e construção progressiva de vínculo. A literatura descreve que o brincar terapêutico durante experiências de cuidado em saúde é essencial, especialmente para crianças ansiosas ou expostas a situações estressantes, contribuindo para melhor adaptação ao ambiente hospitalar e maior colaboração durante os cuidados (Romito; Jewell; Jackson, 2021). Além disso, a observação cuidadosa e a adaptação progressiva da abordagem ao paciente são reconhecidas como elementos fundamentais para uma avaliação clínica eficaz em pediatria (Koopman; Fiore; Thiele, 2025).
Outro aspecto marcante foi a relação observada entre o estado emocional da criança e sua resposta clínica. Em algumas ocasiões, após momentos de brincadeira, era possível perceber crianças mais calmas, menos resistentes e mais colaborativas com procedimentos realizados pela equipe de saúde. Essa experiência reforçou, de forma prática, que fatores emocionais influenciam diretamente o comportamento e a resposta ao tratamento. Estudos demonstram que intervenções lúdicas em ambientes hospitalares pediátricos estão associadas à redução de dor, estresse e ansiedade, além de promover respostas fisiológicas mais estáveis, como diminuição da frequência cardíaca e dos níveis de ansiedade (Gjærde et al., 2021; Romito; Jewell; Jackson, 2021). Dessa forma, tornou-se evidente que o cuidado em saúde não deve estar restrito apenas à patologia, mas também ao sofrimento psíquico envolvido no processo de adoecimento.
A interação com os acompanhantes também proporcionou aprendizados relevantes para a prática clínica, especialmente no que se refere à comunicação médica. Frequentemente, os responsáveis demonstravam ansiedade, insegurança e exaustão emocional diante da hospitalização das crianças. Em algumas situações, ao realizar uma escuta acolhedora e utilizar linguagem simples e acessível, era possível observar redução da angústia apresentada. Esse tipo de abordagem está alinhado aos princípios do cuidado centrado na família, que reconhece o papel fundamental dos familiares como fonte de apoio emocional e como participantes ativos no processo terapêutico da criança (Romito; Jewell; Jackson, 2021). Assim, compreendi que orientar e acolher a família constitui parte essencial da conduta médica, sendo tão relevante quanto a prescrição terapêutica.
Além disso, a experiência contribuiu para o desenvolvimento do raciocínio clínico baseado na observação, habilidade amplamente valorizada na formação médica. Em diversos momentos, antes mesmo do acesso a informações formais da equipe, era possível levantar hipóteses sobre o estado clínico da criança a partir da observação de seu comportamento, nível de atividade e interação com o ambiente. Crianças mais apáticas, menos responsivas ou com menor interesse em brincar frequentemente despertavam maior atenção para possível agravamento do quadro clínico. A literatura destaca que a observação direta do comportamento e do desenvolvimento da criança constitui componente essencial da avaliação clínica e contribui para a identificação precoce de alterações clínicas relevantes (Koopman; Fiore; Thiele, 2025).
Por fim, as experiências relacionadas à alta hospitalar e ao óbito permitiram uma aproximação prática com conceitos estudados em patologia e ética médica. Acompanhar a recuperação de algumas crianças, percebendo sua melhora progressiva até a alta, possibilitou visualizar, na prática, a evolução clínica das doenças. Por outro lado, vivenciar situações de perda trouxe reflexões importantes sobre os limites da medicina e sobre o processo de morrer. Esses momentos exigiram não apenas compreensão teórica, mas também preparo emocional e sensibilidade, reforçando a importância de uma formação médica que integre conhecimento científico e sensibilidade humana diante da vida e da morte.
5. CONCLUSÃO
A participação no projeto “SÓRISO: O Brincar Humanizando a Internação Hospitalar” permitiu evidenciar, de forma prática, o impacto das intervenções lúdicas na humanização do cuidado pediátrico, contribuindo para a redução da ansiedade, fortalecimento de vínculos e promoção do bem-estar emocional de crianças hospitalizadas e seus familiares. As experiências vivenciadas demonstraram que o cuidado em saúde vai além das intervenções técnicas, envolvendo sensibilidade, escuta ativa e atenção às dimensões emocionais e relacionais presentes no processo de adoecimento.
Além disso, a vivência no projeto contribuiu significativamente para o desenvolvimento pessoal e profissional, favorecendo o aprimoramento de habilidades essenciais à formação médica, como empatia, comunicação e observação clínica. O contato contínuo com crianças, familiares e equipe multiprofissional possibilitou compreender a importância do cuidado integral e do olhar atento ao comportamento e às necessidades individuais dos pacientes.
Por fim, a experiência vivenciada fortaleceu motivações pessoais relacionadas ao interesse pela área pediátrica, consolidando a compreensão de que o cuidado com crianças exige não apenas domínio técnico, mas também empatia, criatividade e capacidade de comunicação. Dessa forma, o projeto reafirmou a relevância das práticas humanizadas no processo de formação médica, contribuindo para a construção de profissionais mais sensíveis, éticos e preparados para oferecer um cuidado centrado no paciente e em sua singularidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Bacharel em Direito pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), campus Torres. Acadêmico do 9º período do curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), campus Mossoró/RN. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. LATTES: http://lattes.cnpq.br/1572749029035905.
2 Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialização em Psicopedagogia (FVJ/CE). Mestrado e Doutorado em Ciência Animal pela UFERSA/RN. Professora Adjunta da Universidade do Estado do RN/UERN, na Faculdade de Ciências da Saúde/Curso de Medicina. Professora de ciências biológicas da rede pública de ensino. Atua na área da Elaboração do Trabalho Científico, Educação em Saúde e Epidemiologia. Líder do Grupo de Pesquisa: Grupo de Estudos em Saúde Coletiva (GESC)/UERN. Atuou como membro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão/CONSEPE/UERN. Atua como membro do Conselho Universitário. Ministra aulas na Residência Médica de Medicina de Família e Comunidade e Tocoginecologia. Integra o quadro de docente permanente do Mestrado Profissional em Biologia/PROFBIO/UERN. Orienta Projetos de Monitoria. Tutora do PET/Saúde Equidade. Colabora em Ligas Acadêmicas na área de Pesquisa. Coordena Projetos de Pesquisa, Iniciação Científica e de Extensão e tem experiência na área das Ciências Biológicas e da Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: Saúde Coletiva, Epidemiologia, Educação em Saúde, Ecologia, Metodologia da Pesquisa e Histologia. LATTES: http://lattes.cnpq.br/6722823537697591. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6590-5095.