REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785524530
RESUMO
A depressão pós-parto (DPP) está entre os transtornos mentais perinatais mais predominantes em todo o mundo e é reconhecida como um sintoma significativo do transtorno depressivo maior, representando uma prevalência global de 13 a 30%. Este artigo revisa as evidências científicas sobre as estratégias não farmacológicas utilizadas no manejo da DPP e seus impactos na saúde mental materna. O estudo teve como objetivo identificar e analisar as intervenções não farmacológicas mais eficazes para reduzir os sintomas depressivos e promover o bem-estar das puérperas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme as recomendações do PRISMA, com busca nas bases Biblioteca Virtual em Saúde e MEDLINE/PubMed, utilizando descritores relacionados à saúde mental, depressão pós-parto, intervenções e saúde materna. Foram incluídos 27 estudos publicados entre 2021 e 2026, cujos dados foram organizados e analisados por similaridade temática. Os resultados demonstraram que intervenções psicológicas, especialmente a terapia cognitivo-comportamental e a terapia interpessoal, associadas a práticas baseadas em mindfulness, programas de atividade física, tecnologias digitais, telemedicina e estratégias de suporte social, reduziram significativamente os sintomas depressivos e ansiosos, fortaleceram o vínculo mãe-bebê e ampliaram o acesso ao cuidado. Conclui-se que as estratégias não farmacológicas constituem componentes essenciais da assistência à mulher com depressão pós-parto, embora ainda sejam necessários estudos com maior rigor metodológico e acompanhamento em longo prazo para fortalecer as recomendações clínicas baseadas em evidências.
Palavras-chave: Depressão pós-parto; Intervenção; Saúde mental.
ABSTRACT
Postpartum depression (PPD) is among the most prevalent perinatal mental disorders worldwide and is recognized as a significant manifestation of major depressive disorder, with a global prevalence ranging from 13% to 30%. This article reviews scientific evidence regarding non-pharmacological strategies used in the management of PPD and their impact on maternal mental health. The study aimed to identify and analyze the most effective non-pharmacological interventions for reducing depressive symptoms and promoting the well-being of women in the postpartum period. This is an integrative literature review conducted in accordance with PRISMA guidelines, involving searches of the Virtual Health Library (VHL) and MEDLINE/PubMed databases using descriptors related to mental health, postpartum depression, interventions, and maternal health. Twenty-seven studies published between 2021 and 2026 were included, and their data were organized and analyzed based on thematic similarity. The results demonstrated that psychological interventions—particularly cognitive-behavioral therapy and interpersonal therapy—combined with mindfulness-based practices, physical activity programs, digital technologies, telemedicine, and social support strategies, significantly reduced depressive and anxiety symptoms, strengthened the mother-infant bond, and expanded access to care. It is concluded that non-pharmacological strategies are essential components of care for women with postpartum depression, although further studies with greater methodological rigor and long-term follow-up are needed to strengthen evidence-based clinical recommendations.
Keywords: Postpartum depression; Intervention; Mental health.
1. INTRODUÇÃO
A maternidade é um momento de profundas transformações na vida de uma mulher, mas para algumas mães, esse período pode ser marcado por uma luta silenciosa e muitas vezes invisível: a Depressão Pós-Parto (DPP). Essa condição está entre os transtornos mentais perinatais mais prevalentes em todo o mundo e é reconhecida como um sintoma significativo do transtorno depressivo maior, geralmente surgindo durante a gravidez ou nas primeiras semanas após o parto. A prevalência mundial de depressão perinatal é estimada entre 13% e 30%, com taxas mais elevadas em países de renda média e baixa (HUA et al., 2025).
Embora as causas exatas da DPP não sejam totalmente compreendidas, entende-se como uma condição multicausal, tendo como principais fatores de risco a depressão durante a gestação, a cesariana de emergência, estresse constante no cuidado filial, manifestações psiquiátricas ansiosas pré-natais e suporte social inadequado. Em mulheres com história de DPP, há 25% de risco de recorrência na gestação subsequente. A DPP também pode estar associada a fatores físicos, emocionais, estilo e qualidade de vida, além de histórico de outros transtornos mentais. O não tratamento da DPP pode acarretar repercussões duradouras para a saúde materna, comprometer o vínculo mãe-bebê e influenciar negativamente o desenvolvimento infantil (QIN et al., 2026; HUA et al., 2025).
Diante desse cenário, diferentes estratégias não farmacológicas têm sido propostas para o manejo da DPP, incluindo intervenções psicológicas, programas baseados em mindfulness, prática de atividade física, suporte social e tecnologias digitais em saúde. Essas abordagens vêm demonstrando resultados promissores na redução dos sintomas depressivos e na promoção da saúde mental materna. Entretanto, a diversidade dos protocolos empregados, a heterogeneidade metodológica dos estudos e a escassez de evidências sobre seus efeitos em longo prazo dificultam a consolidação de recomendações clínicas consistentes (BRANQUINHO et al., 2021; HUA et al., 2025; QIN et al., 2026).
Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo revisar as evidências científicas acerca das estratégias não farmacológicas utilizadas no manejo da depressão pós-parto e seus impactos sobre a saúde mental materna.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
A depressão pós-parto (DPP) é um dos transtornos mentais perinatais mais prevalentes e representa um importante problema de saúde pública devido à sua elevada frequência e às repercussões sobre a saúde da mulher, da criança e da família. Trata-se de um episódio depressivo que geralmente se manifesta durante a gestação ou nas primeiras semanas após o parto, caracterizado por sintomas como tristeza persistente, anedonia, fadiga, alterações do sono e do apetite, sentimentos de culpa, baixa autoestima, ansiedade e dificuldade no estabelecimento do vínculo materno-infantil. Estima-se que a prevalência mundial da depressão perinatal varie entre 13% e 30%, sendo mais elevada em países de baixa e média renda, onde fatores socioeconômicos e limitações no acesso aos serviços de saúde contribuem para o aumento da vulnerabilidade materna (HUA et al., 2025).
A etiologia da DPP é considerada multifatorial, envolvendo a interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Entre os principais fatores de risco descritos na literatura destacam-se a ocorrência de depressão durante a gestação, histórico pessoal ou familiar de transtornos psiquiátricos, sintomas ansiosos no período pré-natal, cesariana de emergência, complicações obstétricas, estresse relacionado aos cuidados com o recém-nascido, baixa qualidade de vida e suporte social insuficiente. Além disso, as intensas alterações hormonais decorrentes do término da gestação, especialmente a rápida redução dos níveis de estrogênio e progesterona após o parto, estão entre os principais mecanismos biológicos envolvidos na fisiopatologia da doença. Mulheres com histórico prévio de depressão pós-parto apresentam risco aumentado de recorrência em gestações subsequentes, reforçando a necessidade de acompanhamento precoce durante o pré-natal e o puerpério (QIN et al., 2026; HUA et al., 2025).
Os impactos da DPP ultrapassam o sofrimento psicológico materno e podem comprometer significativamente a saúde da mãe-bebê. Quando não tratada, a doença está associada à pior qualidade da interação materno-infantil, prejuízo no desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental da criança, redução da prática do aleitamento materno, maior ocorrência de conflitos familiares e comprometimento da qualidade de vida da mulher. Diante dessas repercussões, o diagnóstico precoce e a implementação de estratégias terapêuticas efetivas tornam-se fundamentais para minimizar os efeitos da doença e promover melhores desfechos para mães e filhos (QIN et al., 2026; HUA et al., 2025).
As intervenções psicológicas são amplamente reconhecidas como uma das principais estratégias não farmacológicas para o manejo da depressão pós-parto, devido à sua eficácia na redução dos sintomas depressivos e ansiosos e na promoção da saúde mental materna. Entre as abordagens mais empregadas destacam-se a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia Interpessoal (TIP) e outras modalidades psicoterapêuticas, como intervenções baseadas em mindfulness, que podem ser ofertadas nos formatos individual, grupal ou híbrido, conforme as necessidades e preferências das puérperas. Além de favorecerem a remissão dos sintomas, essas intervenções contribuem para ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental e fortalecer a adesão ao tratamento, sendo consideradas componentes essenciais da assistência integral às mulheres no período pós-parto (BRANQUINHO et al., 2021; LONG et al., 2023; BRANQUINHO et al., 2023; HUA et al., 2025; QIN et al., 2026).
Além das psicoterapias tradicionais, programas baseados em mindfulness têm recebido crescente atenção como estratégia complementar para o manejo da DPP. Programas estruturados fundamentados nessa abordagem têm sido amplamente investigados na literatura, demonstrando potencial para reduzir sintomas de depressão e ansiedade, além de favorecer o bem-estar psicológico materno. Evidências recentes também indicam que seus benefícios podem ser observados tanto em curto quanto em longo prazo, reforçando sua relevância como componente complementar da assistência em saúde mental às puérperas (LONG et al., 2023; LIU et al., 2025; HUA et al., 2025).
A atividade física também tem sido amplamente investigada como estratégia complementar no manejo da depressão pós-parto. Diferentes modalidades, como exercícios supervisionados, caminhada, yoga e programas de exercícios mistos, têm sido investigadas quanto à sua capacidade de reduzir os sintomas depressivos, favorecendo ainda a recuperação física e emocional das puérperas. Além de apresentar boa aceitabilidade, essas intervenções constituem alternativas acessíveis e de baixo custo, reforçando seu potencial para integrar as estratégias de cuidado à saúde mental no período pós-parto (MARCONCIN et al., 2021; PENTLAND et al., 2022; WANG et al., 2024; SHUAI et al., 2024).
Paralelamente às intervenções individuais, estratégias fundamentadas no suporte social e na participação comunitária desempenham papel relevante na assistência às mulheres com DPP. Nesse contexto, o apoio familiar, o apoio de pares, as visitas domiciliares e as ações de educação em saúde têm sido amplamente descritos como estratégias capazes de ampliar o acesso ao cuidado e promover melhores desfechos em saúde mental. Destacam-se, ainda, as intervenções conduzidas por enfermeiros e as estratégias comunitárias, que favorecem a interação social, o compartilhamento de experiências e o fortalecimento do vínculo entre as puérperas, contribuindo para uma assistência mais humanizada e integral (TABB et al., 2022; NORAZMAN; LEE, 2024; VAN LIESHOUT et al., 2022; YANG et al., 2025; BIND et al., 2025).
A expansão das tecnologias digitais em saúde tem ampliado as possibilidades de assistência às mulheres com depressão pós-parto, permitindo a oferta de intervenções remotas, híbridas e personalizadas. A efetividade dessas estratégias depende da adequação das intervenções às características individuais das puérperas, uma vez que preferências em relação ao tratamento, barreiras de acesso aos serviços de saúde e fatores culturais e socioeconômicos influenciam diretamente a adesão terapêutica. Dessa forma, a incorporação de ferramentas digitais representa uma alternativa promissora para ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade (BRANQUINHO et al., 2023; NORAZMAN; LEE, 2024; ANSAARI et al., 2025; DAEHN et al., 2025).
Apesar do crescente número de estudos sobre estratégias não farmacológicas para o manejo da DPP, ainda existem limitações relacionadas à heterogeneidade metodológica, à diversidade dos protocolos empregados e à escassez de evidências sobre os efeitos em longo prazo. Essas lacunas dificultam a consolidação de recomendações clínicas baseadas em evidências e reforçam a necessidade de sínteses atualizadas que permitam identificar as intervenções mais promissoras para a promoção da saúde mental materna (BRANQUINHO et al., 2021; HUA et al., 2025; QIN et al., 2026).
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, cujo método consiste na busca, avaliação crítica e síntese abrangente das evidências científicas disponíveis sobre uma determinada temática. Este delineamento permite uma análise aprofundada da produção do conhecimento, a identificação de lacunas na literatura corrente e o fornecimento de subsídios teóricos e práticos para direcionar ações de intervenção na atenção à saúde e a proposição de futuras investigações.
O desenvolvimento desta pesquisa respeitou rigorosamente os preceitos éticos e legais estabelecidos pela Lei nº 9.610/1988, que rege os direitos autorais, garantindo o devido crédito e citação a todos os autores dos estudos incluídos.
Para assegurar o rigor operacional e a reprodutibilidade do estudo, elaborou-se um protocolo de pesquisa estruturado em seis etapas metodológicas consecutivas. Na primeira fase, definiu-se o problema de pesquisa por meio da formulação da pergunta norteadora: "Quais são as estratégias não farmacológicas evidenciadas pela literatura científica para o manejo da depressão pós-parto e suas repercussões na saúde mental materna?". Para a construção dessa linha de questionamento, utilizou-se a estratégia PICO, adaptada para o escopo desta revisão (Tabela 1), que diz respeito ao acrônimo das letras referentes às palavras: população (P), intervenção (I), comparação (C) e desfecho ou resultado (O). Salienta-se que o componente "C" (Comparação) não foi aplicado por não se tratar de uma investigação voltada a ensaios clínicos comparativos diretos.
Tabela 1. Aplicação da estratégia PICO para o estudo.
Acrônimo | Definição | Aplicação |
P | Population | Mulheres no período pós-parto |
I | Intervention | Estratégias não farmacológicas de manejo |
C | Comparison | Não aplicável |
O | Outcome | Manejo da depressão pós-parto |
Fonte: Autores, 2026.
A segunda etapa pautou-se nas recomendações internacionais do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), empregando seu checklist para nortear o fluxo de seleção. A busca bibliográfica foi conduzida nas principais bases de dados indexadas na área da saúde por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e MEDLINE, utilizando o motor de busca/plataforma PubMed. A pesquisa deu-se a partir da combinação de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e seus correspondentes na língua inglesa (Medical Subject Headings - MeSH), associados em bloco único por meio do operador booleano “AND”, configurando a seguinte estratégia de busca: Mental health AND Postpartum depression AND Interventions AND Maternal health. Esta coleta foi realizada no mês de Julho de 2026.
Aos critérios de inclusão, estabeleceram-se: artigos originais que abordassem diretamente o uso ou a eficácia de intervenções não farmacológicas para a depressão pós-parto; estudos clínicos randomizados, revisão sistemática e meta-análise; publicados no período de 2021 a 2026; e nos idiomas português ou inglês. Foram adotados como critérios de exclusão: publicações que não respondiam ao objeto de estudo; artigos em duplicidade; teses, dissertações, livros, capítulos, revisões narrativas e demais formatos de literatura não original.
A terceira etapa constituiu-se no levantamento e extração das informações das pesquisas selecionadas. Para tanto, utilizou-se um instrumento descritivo de coleta previamente elaborado, contendo os seguintes elementos essenciais: autoria, ano de publicação, periódico, país de realização do estudo, população estudada, desenho metodológico e principais desfechos/estratégias não farmacológicas identificadas. Na quarta fase, os artigos recuperados foram submetidos a um processo rigoroso de triagem. Inicialmente, realizou-se a leitura detalhada dos títulos e resumos para filtrar os manuscritos elegíveis e remover as duplicatas. Na sequência, os 78 artigos pré-selecionados foram lidos na íntegra para a aplicação definitiva dos critérios de inclusão e exclusão, garantindo a elegibilidade da pesquisa. O corpo final de artigos elegíveis foram catalogados e organizados de forma sistemática com o auxílio do programa Microsoft Excel® (Figura 1).
Figura 1. Fluxograma com as etapas de busca da revisão integrativa.
Os resultados obtidos foram agrupados por similaridade de conteúdo, seguindo as diretrizes da Análise Temática para a construção de categorias conceituais que refletissem os diferentes tipos de intervenções não farmacológicas encontrados (psicoterapia, práticas integrativas, suporte social, entre outras). Por fim, a 5ª fase procedeu-se à interpretação crítica dos dados confrontando-os com o referencial teórico pertinente, culminando na síntese descritiva e visual das evidências que compõem este artigo, a qual estabelece a 6ª fase desta pesquisa.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Foram incluídos neste estudo 27 artigos que versam sobre as estratégias não farmacológicas para o manejo da depressão pós-parto e suas implicações na saúde mental materna (Quadro 1). Os estudos que compõem a amostra desta revisão foram recuperados a partir das buscas sistematizadas realizadas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS - Coleção Completa) e na Medline (via PubMed).
Todos os artigos selecionados tiveram como população-alvo e colaboradores mulheres no período puerperal diagnosticadas ou com sintomatologia sugestiva de depressão pós-parto. Os dados extraídos revelaram um panorama diversificado de intervenções que demonstraram eficácia clínica na redução dos escores de depressão e no fortalecimento do bem-estar psicológico materno, os quais foram detalhadamente catalogados e organizados a seguir.
Quadro 1. Quadro sinóptico dos artigos selecionados para compor o estudo integrativo.
Nº | Autoria/ Ano/ Periódico/País | Tipo de Estudo | População Estudada | Intervenção | Desfechos |
01 | Qin et al. / 2026 / J Transtorno Afetivo / EUA | Revisão sistemática e metanálise em rede | Mulheres com depressão pós-parto | Intervenções psicológicas | Ansiedade e depressão: TCC-O reduziu ansiedade a curto prazo; IPT obteve melhor eficácia para depressão a curto prazo. Sem melhorias a longo prazo. |
02 | Bind et al. / 2025 / Br J Psychiatry / Reino Unido | Ensaio clínico randomizado controlado (ECR) | Mães com sintomas de DPP | Intervenção comunitária de canto presencial | Eficácia clínica, custo-efetividade e implementação: redução sustentada de sintomas depressivos a longo prazo. Alta adesão, aceitabilidade e viabilidade. Demonstrou ser custo-efetiva para os sistemas de saúde. |
03 | Hua et al. / 2025 / BMC Psychiatry / Reino Unido | Revisão sistemática e meta-análise | Mulheres com depressão perinatal (gestantes e puérperas) | Intervenções psicológicas (IBM, TCC, TIP, AC, TSP) | Eficácia clínica e impacto de variáveis: intervenções psicológicas aliviaram eficazmente a depressão perinatal. IBM, TCC e AC foram eficazes; TSP não funcionou. Abordagens individuais em contextos não clínicos foram mais benéficas. Terapeutas treinados não especialistas alcançam resultados similares a especialistas. |
04 | Daehn et al. / 2025 / Geburtshilfe Frauenheilkd / Alemanha | Estudo qualitativo e desenvolvimento tecnológico | Mães com histórico ou fase aguda de DPP e parteiras | Intervenção digital baseada em smartphone | Desenvolvimento e viabilidade do app: identificou barreiras (medo de estigma) e necessidades (unidades curtas, foco em autocuidado e relação mãe-filho). O design final obteve avaliação altamente positiva em conteúdo, usabilidade e potencial inovador para mitigar a lacuna de tratamento. |
05 | Yang et al. / 2025 / Psychiatry Res / Irlanda | Ensaio clínico randomizado controlado | Mulheres no pós-parto com sintomas elevados de depressão. | Programa Pensando Saudável digital com auxílio de enfermeira | Eficácia clínica e viabilidade digital: redução significativa dos sintomas de depressão materna após a intervenção e no acompanhamento. Apresentou melhoria expressiva no vínculo mãe-bebê e na percepção de suporte social. O auxílio ativo de enfermeiras facilitou a aceitabilidade e viabilidade do app móvel. |
06 | Liu et al. / 2025 / Int J Ment Health Nurs / Austrália | Revisão sistemática e meta-análise | Mulheres no pós-parto | Intervenções online baseadas em mindfulness | Eficácia clínica e moderação: melhora significativa nos sintomas de depressão no pós-parto, tanto a curto prazo quanto a longo prazo, e na ansiedade. Os sintomas de estresse não tiveram mudança significativa. Intervenções por mensagens de texto, formatos online presenciais, suporte de pesquisadores e duração de 5 a 8 semanas foram mais eficazes. |
07 | Ansaari et al. / 2025 / J Reprod Infant Psychol / Reino Unido | Revisão sistemática e meta-análise | Gestantes e puérperas com depressão perinatal /DPP | Intervenções em saúde mental: Presenciais versus Digitais | Comparação de eficácia clínica: intervenções psicológicas são eficazes para a DPP. As intervenções digitais demonstraram um tamanho de efeito médio maior em comparação com as presenciais. Observou-se alta heterogeneidade, indicando a necessidade de adaptar as modalidades de acordo com as necessidades e preferências individuais. |
08 | Norazman & Lee / 2024 / Womens Health (Lond) / Estados Unidos | Revisão narrativa | Mulheres no período perinatal (gestantes e puérperas) | Intervenções de apoio social | Eficácia e impacto do suporte social: o apoio social possui papel promissor na prevenção e redução dos sintomas de DPP, contornando barreiras financeiras ou de efeitos colaterais medicamentosos. Destaca-se a eficácia de intervenções educativas na alta hospitalar conduzidas por enfermeiros experientes e visitas domiciliares, além do apoio de pares e adaptações culturais. |
09 | Sushmitha G et al. / 2024 / Cureus / Estados Unidos | Revisão narrativa | Mulheres no período perinatal (gestantes e puérperas) | Intervenções não farmacológicas globais | Mapeamento de eficácia e lacunas globais: as intervenções não farmacológicas são alternativas promissoras que reduzem sintomas depressivos e de ansiedade, além de fortalecerem o vínculo mãe-bebê. Contudo, há escassez de dados robustos a longo prazo e sérias barreiras de acesso e estigma em países de baixa e média renda, exigindo a inclusão de políticas públicas integradas e suporte familiar (incluindo cônjuges) |
10 | Wang et al. / 2024 / Int J Gynaecol Obstet / Estados Unidos | Revisão sistemática e metanálise em rede Bayesiana | Mulheres com depressão pós-parto | Intervenções baseadas em exercícios físicos com duração mínima de 4 semanas. | Eficácia clínica e classificação de exercícios: O exercício físico reduziu significativamente os sintomas depressivos. Isoladamente, caminhar com carrinho de bebê, ioga e exercícios mistos supervisionados foram eficazes vs. cuidado usual. Na análise comparativa indireta, caminhar com carrinho de bebê apresentou a maior tendência de melhor desempenho, embora as diferenças entre modalidades não fossem estatisticamente significativas. Qualidade da evidência (GRADE) foi de muito baixa a moderada. |
11 | Long et al. / 2023 / Compr Psychiatry / Estados Unidos | Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados | Mulheres no período perinatal com depressão e ansiedade clínica e subclínica | Intervenção Baseada em Mindfulness (MBI) vs. Grupos Controle. | Eficácia clínica e fatores moderadores: A MBI mostrou-se superior aos controles no alívio de sintomas depressivos e ansiosos. O benefício na depressão foi estável e persistente a longo prazo até o pós-parto, mas a manutenção na redução da ansiedade foi menos conclusiva. Os efeitos foram moderados pela gravidade prévia dos sintomas e pelo nível de ganho em atenção plena. Notavelmente, o impacto foi significativamente maior em gestantes/puérperas de países de baixa e média renda, onde o acesso aos serviços tradicionais de saúde mental é restrito |
12 | Branquinho et al. / 2023 / J Reprod Infant Psychol / Reino Unido | Estudo transversal quantitativo | Mulheres portuguesas no pós-parto com sintomas depressivos clinicamente relevantes | Avaliação de aceitabilidade e preferências para intervenção psicológica mista | Aceitabilidade e preferências estruturais: A maioria considerou o formato misto útil e viável, relatando significativamente mais vantagens do que desvantagens. Maior aceitabilidade foi associada a mulheres casadas, empregadas, com bebês mais novos e sintomas menos graves; maior escolaridade aumentou a disponibilidade. Quanto à estrutura, a maioria preferiu divisão igualitária, com sessões presenciais de 45–60 min e online de 30–45 min. Um terço preferiu proporção de 75% presencial e 25% online |
13 | Tabb et al. / 2022 / Front Psychiatry / Suíça | Revisão de escopo | Mulheres no período perinatal | Programas de visitas domiciliares focados em mitigar estressores da parentalidade e oferecer suporte em saúde mental perinatal vs. cuidados usuais. | Eficácia clínica e janelas de oportunidade: Os programas de visitas domiciliares mostraram-se eficazes no tratamento, manejo e redução dos impactos da depressão perinatal. Quase a totalidade das pesquisas respaldou seus achados em escalas validadas. Contudo, a análise comparativa apontou uma importante nuance temporal: a eficácia das visitas iniciadas tardiamente no pós-parto demonstrou ser menos previsível/consistente do que as intervenções estruturadas que começam preventivamente ainda no período pré-natal |
14 | Liu et al. / 2022 / Worldviews Evid Based Nurs / Estados Unidos | Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados | Mulheres no período pós-parto diagnosticadas ou com sintomas de depressão pós-parto | Intervenções baseadas em telemedicina vs. Grupos de controle/cuidados usuais | Eficácia clínica: A meta-análise comprovou que a telemedicina é uma abordagem eficaz para o tratamento da depressão pós-parto (DPP). Além da remissão dos sintomas depressivos, o suporte via telessaúde apresentou impactos positivos significativos na redução da ansiedade concomitante e na melhora do comprometimento funcional cotidiano das puérperas. |
15 | Pentland et al. / 2022 / J Womens Health (Larchmt) / Estados Unidos | Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados | Mulheres no período pós-parto com depressão de intensidade leve a moderada | Programas de caminhada como única ou principal modalidade de exercício aeróbico | Eficácia clínica e parâmetros de prescrição: A caminhada promoveu reduções clinicamente significativas nas pontuações médias da escala EPDS |
16 | Marconcin et al. / 2021 / Biology (Basel) / Suíça | Revisão sistemática de meta-análise e análise exploratória agrupada. | Mulheres no período pós-parto avaliadas em meta-análises anteriores de ECRs | Exercício físico praticado durante a gestação e/ou pós-parto vs. Abordagens de controle tradicionais | Eficácia clínica comparativa superior: O estudo revelou um efeito moderado e estatisticamente significativo do exercício na redução de sintomas depressivos no pós-parto |
17 | Branquinho et al. / 2021 / J Affect Disord / Holanda | Revisão sistemática de revisões sistemáticas e meta-análises | Mulheres adultas no período perinatal | Diferentes modalidades de intervenções psicológicas estruturadas vs. Grupos de controle | Eficácia clínica e padrão-ouro terapêutico: A síntese confirmou a eficácia consistente das intervenções psicológicas na redução dos sintomas depressivos perinatais, demonstrando benefícios sustentados tanto a curto quanto a longo prazo. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) consolidou-se como a abordagem com maior embasamento científico e eficácia, independentemente do formato de aplicação. Como limitação, o estudo aponta que as revisões incluídas apresentaram baixa qualidade metodológica pelo AMSTAR-2, sugerindo a necessidade de produções científicas futuras mais rigorosas e voltadas para TCC de terceira onda. |
18 | Latendresse et al. / 2021 / J Midwifery Womens Health / Estados Unidos | Estudo piloto observacional de viabilidade e resultados preliminares. | Gestantes e puérperas com sintomas ou alto risco para depressão perinatal | Intervenção cognitivo-comportamental em grupo baseada em mindfulness (MBI-TCC), facilitada por videoconferência | Viabilidade e eficácia preliminar: O formato digital por telessaúde provou-se altamente viável, obtendo adesão de 70% das mulheres em pelo menos 5 das 8 sessões programadas. As trajetórias aferidas pela escala EPDS mostraram-se promissoras, demonstrando declínio linear nos escores de sintomas depressivos entre as mulheres que já manifestavam a condição e estabilidade clínica preventiva entre as participantes assintomáticas, mas categorizadas como de alto risco. Aponta o potencial da telessaúde para contornar barreiras geográficas e logísticas de acesso. |
19 | Van Lieshout et al. / 2022 / Can J Psychiatry / Canadá | Ensaio clínico randomizado controlado | Mães residentes em Ontário (Canadá) | 9 sessões semanais de 2 horas de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) em grupo presencial para DPP, ministradas por duas enfermeiras de saúde pública com pouca ou nenhuma formação psiquiátrica prévia, associadas ao tratamento usual (TU) vs. Apenas o tratamento usual (TU; controle) | Eficácia clínica sustentada e viabilidade de delegação de tarefas: No pós-tratamento imediato (T2), o grupo experimental teve redução significativa nos escores da EPDS |
20 | Massoudi et al. / 2023 / BMC Women's Health / Reino Unido | Revisão sistemática qualitativa e metassíntese temática | Mulheres no pós-parto que receberam tratamento profissional para DPP | Experiências subjetivas com Terapia Cognitivo-Comportamental (5 estudos) ou visitas domiciliares de suporte psicossocial | Percepção subjetiva e centralidade na paciente: A síntese identificou dois temas centrais: "Circunstâncias e expectativas" e "Experiências do tratamento". O estabelecimento de uma sólida relação de confiança com o profissional de saúde emergiu como o pilar mais crítico para o sucesso, independentemente do modelo de tratamento. As mães expressaram o desejo de autonomia para escolher o tipo e formato das sessões, relataram alta satisfação com o suporte profissional e enfatizaram que as intervenções melhoraram o seu bem-estar emocional e a qualidade do vínculo com o bebê. Nível de confiança metodológica avaliado via sistema GRADE-CERQual. |
21 | Shuai et al. / 2024 / BMC Public Health / Reino Unido | Revisão sistemática e metanálise em rede de ensaios clínicos randomizados | Mulheres no período perinatal (gestantes e puérperas) avaliadas em ensaios clínicos randomizados | Diferentes modalidades e estratégias estruturadas de intervenção com atividade física e terapias integradas vs. Grupos de controle. | Hierarquia de eficácia clínica (SUCRA): A metanálise em rede estabeleceu que o treinamento integrado mental e físico (MAP), combinando mente e corpo, obteve o melhor desempenho na mitigação da depressão perinatal. O estudo conclui validando as modalidades, mas ressalta que o maior desafio clínico prático reside em encontrar estratégias para incentivar a adesão e a constância das pacientes na rotina. |
22 | Luo et al. / 2024 / Alpha Psychiatry / Turquia | Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados | Pacientes com depressão pós-parto | Intervenção telepsicológica remota (via internet) conduzida e mediada por enfermeiros vs. Atendimento e cuidados de rotina tradicionais. | Eficácia da telessaúde conduzida pela enfermagem: A meta-análise demonstrou que a intervenção telepsicológica remota conduzida por enfermeiros alivia de forma significativa a depressão materna quando comparada ao grupo de controle usual. O estudo conclui validando o forte valor de aplicação clínica e a eficácia das intervenções lideradas pela enfermagem por meio digital. |
23 | Petruzzi et al. / 2026 / Women's Health Issues / Estados Unidos | Revisão sistemática com síntese narrativa. | Gestantes e/ou puérperas inseridas em contextos de saúde perinatal nos EUA | Intervenções focadas em saúde mental perinatal e/ou uso de substâncias que incluíssem obrigatoriamente a integração de um assistente social na equipe multidisciplinar. | Redução de agravos e eficácia do cuidado integrado: A revisão mapeou que os assistentes sociais atuavam em consultórios de obstetrícia e ginecologia. Os achados consolidam o assistente social como profissional essencial na triagem, no encaminhamento e na aplicação prática de cuidados integrados de saúde comportamental. |
24 | Pan et al. / 2025 / Healthcare / Suíça | Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados | Puérperas acometidas por depressão pós-parto | Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) em modalidade inteiramente online (via websites dedicados ou salas de videoconferência no Zoom) vs. Grupos de controle ou cuidados usuais. | Eficácia digital comprovada e refinamento de parâmetros: A meta-análise confirmou que a TCC online é altamente eficaz na redução dos sintomas de depressão pós-parto. A análise de subgrupos extraiu critérios terapêuticos cruciais: a intervenção obteve melhorias estatisticamente mais significativas quando a duração total do programa foi de 9 semanas ou mais, o número de sessões foi limitado a 12 ou menos, e quando foram utilizadas plataformas estruturadas. O acompanhamento profissional contínuo mostrou-se um fator decisivo para o sucesso. O estudo conclui recomendando fortemente a TCC online e destaca que a participação ativa de enfermeiros no suporte a essas plataformas pode expandir drasticamente o acesso populacional a tratamentos baseados em evidências. |
25 | Wang et al. / 2026 / BMC Public Health / Reino Unido | Revisão sistemática, metanálise em rede bayesiana e modelagem dose-resposta de ensaios clínicos randomizados | Mulheres no período pós-parto | Programas estruturados de atividade física com duração mínima de 4 semanas, categorizados por modalidades vs. Cuidados habituais, lista de espera ou controles passivos | Eficácia global e parametrização dose-resposta: A AF geral reduziu expressivamente sintomas depressivos. Na análise de rede, os formatos multicomponente e mente-corpo foram os mais eficazes contra a depressão. As intervenções mente-corpo superaram a atividade aeróbica isolada no controle da ansiedade. A modelagem dose-resposta identificou não linearidade, demonstrando que os benefícios atingem o ápice em volumes semanais moderados: maior melhora depressiva entre 370 e 680 minutos MET/semana e de qualidade de vida entre 540 e 720 minutos MET/semana. Os subgrupos apontaram maior eficácia clínica em rotinas com 3 ou menos sessões por semana. |
26 | Dixit et al. / 2025 / Journal of Medical Internet Research (JMIR) / Estados Unidos | Ensaio clínico de fase 3, pivotal, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo | Puérperas com diagnóstico confirmado de depressão pós-parto e escore inicial na escala EPDS | Uso do aplicativo móvel terapêutico digital MamaLift Plus vs. Aplicativo de controle com a mesma interface gráfica, mas sem os módulos de terapia cognitiva. | Superioridade clínica expressiva e segurança: O desfecho primário demonstraram que 86,3% das puérperas que utilizaram o MamaLift Plus alcançaram uma melhora clinicamente significativa de 4 pontos na escala EPDS ao final das 8 semanas, em comparação com apenas 23,9% no braço de controle. No quesito segurança, o perfil foi excelente e equivalente, registrando-se apenas 2,1% de eventos adversos na intervenção e 4,3% no controle. Conclui-se que a intervenção digital autoguiada baseada em evidências promove uma melhora robusta nos sintomas de DPP e é uma ferramenta eficaz para superar barreiras tradicionais de acesso. |
27 | Arakawa et al. / 2025 / Psychological Medicine / Japão | Estudo de acompanhamento de longo prazo de um ensaio clínico randomizado controlado com análise de mediação. | Puérperas originalmente randomizadas | Acesso a serviços de consulta de saúde móvel (mHealth) gratuitos e ilimitados com profissionais de saúde, desde a inscrição gestacional até o 4º mês pós-parto vs. Grupo de cuidados usuais. | Efeito preventivo duradouro e mecanismo de mediação: Aos 12 meses pós-parto, as participantes do grupo mHealth apresentaram um risco significativamente menor de manifestar sintomas depressivos elevados em comparação ao grupo controle. A análise de mediação estatística revelou um mecanismo psicossocial vital: a redução dos sentimentos de solidão aferida aos 3 meses pós-parto foi diretamente responsável por mediar aproximadamente 20% do efeito total positivo da intervenção na prevenção da depressão tardia. Conclui-se que o acolhimento precoce por mHealth quebra o isolamento materno inicial e sustenta a proteção psicológica até o final do primeiro ano de vida do lactente. |
Fonte: Autores, 2026.
4.1. Intervenções Psicológicas
A crescente compreensão dos impactos da depressão pós-parto sobre a saúde materna, o desenvolvimento infantil e a dinâmica familiar tem impulsionado a busca por estratégias terapêuticas capazes de promover melhora clínica sem expor a mãe e lactente aos potenciais efeitos adversos da farmacoterapia. Nesse contexto, as intervenções psicológicas consolidaram-se como a principal abordagem não farmacológica para mulheres com depressão pós-parto leve a moderada, sendo recomendadas como tratamento de primeira linha em diferentes diretrizes internacionais.
A literatura recente demonstra que os benefícios das intervenções psicológicas são consistentes em diferentes contextos culturais, modelos assistenciais e níveis de atenção à saúde (BRANQUINHO et al., 2021; HUA et al., 2025; LENG et al., 2026; COUCH et al., 2025). Revisões sistemáticas e meta-análises recentes demonstram redução significativa dos sintomas depressivos em comparação aos cuidados habituais, reforçando a efetividade dessas estratégias.
Entre todas as modalidades estudadas, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) permanece como a intervenção psicológica mais amplamente investigada na depressão pós-parto. Sua eficácia decorre da modificação de padrões disfuncionais de pensamento, do desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e da promoção de mudanças comportamentais capazes de reduzir a ruminação, aumentar a percepção de autoeficácia materna e favorecer a adaptação às novas demandas impostas pela maternidade.
Além da técnica em si, evidências recentes sugerem que fatores relacionados à implementação também influenciam os resultados. Intervenções individualizadas e realizadas em ambientes comunitários tendem a apresentar maior adesão e melhores desfechos clínicos quando comparadas a modelos exclusivamente hospitalares.
Outro aspecto relevante refere-se à possibilidade de profissionais não especialistas, adequadamente treinados e supervisionados, conduzirem intervenções psicológicas eficazes. Essa característica amplia o potencial de implementação dessas estratégias em sistemas públicos de saúde e em regiões com escassez de especialistas.
A terapia interpessoal (TIP) também tem apresentado resultados promissores. Diferentemente da TCC, concentra-se na resolução de conflitos interpessoais, nas transições de papéis sociais e no fortalecimento das redes de apoio, fatores intimamente relacionados ao período pós-parto. Meta-análises recentes indicam que essa abordagem apresenta elevado potencial para redução dos sintomas depressivos, especialmente quando as dificuldades relacionais constituem importante fator desencadeante do adoecimento.
Ademais, as evidências sugerem que tanto a TCC quanto a TIP representam intervenções eficazes para o manejo não farmacológico da depressão pós-parto. A escolha da abordagem deve considerar as características individuais da mulher, a disponibilidade de recursos assistenciais e o contexto psicossocial no qual está inserida, favorecendo um cuidado centrado na paciente e baseado nas melhores evidências disponíveis.
4.2. Mindfulness, Intervenções em Grupo, Implementação Clínica e Análise Crítica das Evidências
Além das abordagens psicoterápicas tradicionais, intervenções baseadas em mindfulness têm recebido crescente atenção como estratégia complementar para o manejo da depressão pós-parto. A fundamentação dessa modalidade reside no desenvolvimento da atenção plena, da regulação emocional e da redução dos processos de ruminação cognitiva.
As evidências mais recentes demonstram que programas estruturados de mindfulness promovem redução significativa dos sintomas depressivos e ansiosos, embora exista heterogeneidade entre os estudos quanto ao formato, duração e intensidade das intervenções.
As intervenções em grupo também apresentam benefícios relevantes ao favorecerem o compartilhamento de experiências, a redução do isolamento social e o fortalecimento da rede de apoio, contribuindo para maior adesão ao tratamento.
Diversos estudos indicam ainda que intervenções conduzidas por enfermeiros, parteiras e outros profissionais previamente treinados podem alcançar resultados clínicos importantes quando supervisionadas adequadamente, ampliando o acesso ao cuidado em saúde mental.
Apesar da robustez das evidências, persistem limitações metodológicas, como diferenças nos critérios diagnósticos, instrumentos de avaliação, tempo de seguimento e protocolos terapêuticos, dificultando comparações diretas entre os estudos.
Em síntese, as intervenções psicológicas permanecem como a estratégia não farmacológica com maior sustentação científica para a depressão pós-parto. A seleção da modalidade terapêutica deve considerar as necessidades individuais, o contexto psicossocial e os recursos disponíveis, promovendo um cuidado centrado na mulher e baseado em evidências.
4.3. Intervenções Digitais e Expansão do Acesso Ao Cuidado
O avanço das tecnologias digitais têm promovido transformações significativas na assistência à saúde mental perinatal, especialmente diante das barreiras frequentemente enfrentadas por mulheres no período pós-parto.
As evidências recentes apontam que programas digitais estruturados, especialmente aqueles baseados em terapia cognitivo-comportamental e acompanhados por profissionais, reduzem sintomas depressivos e ansiosos e favorecem a adesão ao tratamento. Aplicativos terapêuticos, serviços de mHealth e atendimentos por videoconferência ampliam o acesso, possibilitam monitoramento contínuo e mostram potencial para complementar o cuidado presencial.
Apesar dos resultados promissores, permanecem desafios relacionados à adesão, exclusão digital e heterogeneidade dos protocolos. Em conjunto, os estudos indicam que o modelo híbrido representa uma perspectiva promissora para o cuidado em saúde mental materna.
4.4. Atividade Física e o Apoio Social
A literatura demonstra que a atividade física constitui uma das estratégias complementares mais consistentes para o manejo da depressão pós-parto. Revisões sistemáticas e meta-análises apontam benefícios da caminhada, exercícios aeróbicos e programas supervisionados, associados à redução dos sintomas depressivos e melhora da qualidade de vida (BRANQUINHO et al., 2021; HUA et al., 2025; LENG et al., 2026; COUCH et al., 2025).
Visitas domiciliares, grupos de mães e intervenções comunitárias reduzem o isolamento, fortalecem o vínculo com os serviços de saúde e aumentam a adesão ao tratamento. O programa SHAPER-PND reforça o potencial terapêutico de intervenções coletivas baseadas em artes para promover bem-estar emocional e vínculo materno.
Assim, as evidências indicam que intervenções psicológicas, tecnologias digitais, atividade física e fortalecimento da rede de apoio possuem efeitos complementares e devem ser integrados em modelos de cuidado centrados na mulher. Contudo, ainda são necessários estudos de longo prazo e maior padronização metodológica.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
5.1. Considerações Finais, Implicações Clínicas e Perspectivas Futuras
Os estudos analisados evidenciam que o manejo não farmacológico da depressão pós-parto representa uma abordagem eficaz e cada vez mais consolidada para a promoção da saúde mental materna. A síntese das evidências demonstra que diferentes modalidades terapêuticas, incluindo intervenções psicológicas, tecnologias digitais, atividade física e estratégias de apoio psicossocial, apresentam efeitos complementares na redução dos sintomas depressivos, favorecendo não apenas a recuperação clínica da mulher, mas também o fortalecimento do vínculo mãe-bebê, da funcionalidade familiar e da qualidade de vida durante o puerpério.
As evidências sugerem que a efetividade dessas intervenções está relacionada à sua capacidade de responder às múltiplas dimensões envolvidas na depressão pós-parto. Enquanto a terapia cognitivo-comportamental, a terapia interpessoal e as práticas baseadas em mindfulness atuam diretamente sobre os aspectos emocionais e cognitivos da doença, intervenções digitais ampliam o acesso ao cuidado, especialmente em populações com limitações geográficas, econômicas ou sociais. Da mesma forma, programas de atividade física, visitas domiciliares, grupos de apoio e intervenções comunitárias contribuem para reduzir o isolamento social, fortalecer a rede de suporte e favorecer maior adesão ao tratamento.
Sob a perspectiva clínica, os resultados reforçam que a escolha da estratégia terapêutica deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, as preferências da mulher, a presença de fatores de risco psicossociais, sua rede de apoio e a disponibilidade dos serviços de saúde. A literatura indica que modelos integrados de assistência, capazes de combinar diferentes modalidades de intervenção, apresentam maior potencial para promover recuperação sustentada e prevenir recorrências, em comparação à utilização isolada de uma única abordagem (BRANQUINHO et al., 2021; HUA et al., 2025; LENG et al., 2026; COUCH et al., 2025).
No âmbito da saúde pública, os achados desta revisão destacam a importância da incorporação sistemática do rastreamento precoce da depressão pós-parto nos serviços de atenção primária e de saúde materno-infantil. Além disso, a capacitação de equipes multiprofissionais, o fortalecimento das redes comunitárias de apoio e a expansão de programas digitais de saúde mental representam estratégias promissoras para ampliar o acesso ao tratamento, sobretudo em regiões com escassez de profissionais especializados.
Apesar dos avanços observados, persistem importantes lacunas na literatura científica. A heterogeneidade dos protocolos terapêuticos, a diversidade dos instrumentos utilizados para avaliação dos desfechos, o predomínio de estudos com curto período de seguimento e a limitada padronização das intervenções dificultam comparações diretas entre os estudos e restringem a elaboração de recomendações universais. Dessa forma, futuras pesquisas deverão priorizar ensaios clínicos multicêntricos, acompanhamento em longo prazo, análises de custo-efetividade e investigações que contemplem populações socialmente vulneráveis, permitindo maior aplicabilidade dos resultados à prática clínica.
Portanto, as evidências disponíveis permitem concluir que as intervenções não farmacológicas constituem um componente essencial do cuidado à mulher com depressão pós-parto. Quando implementadas de forma precoce, integrada e centrada na paciente, essas estratégias apresentam potencial para reduzir significativamente os sintomas depressivos, favorecer o bem-estar materno, fortalecer o desenvolvimento infantil e contribuir para melhores desfechos familiares. Assim, a consolidação de modelos assistenciais que integrem intervenções psicológicas, recursos tecnológicos, atividade física e suporte psicossocial representa um importante caminho para a qualificação da atenção à saúde mental materna.
6. CONCLUSÃO
As evidências analisadas indicam que as estratégias não farmacológicas desempenham papel relevante no manejo da depressão pós-parto, com efeitos positivos na redução dos sintomas depressivos e ansiosos, na promoção da saúde mental materna e no fortalecimento do vínculo mãe-bebê. Entre as intervenções com maior consistência científica destacam-se as terapias psicológicas, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental, as práticas baseadas em mindfulness, os programas de atividade física, as intervenções digitais e por telemedicina, além das estratégias de suporte social e das visitas domiciliares, que demonstraram eficácia, boa aceitabilidade e potencial para ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental.
Entretanto, permanecem limitações relacionadas à heterogeneidade metodológica dos estudos, à escassez de evidências sobre os efeitos em longo prazo e à necessidade de adaptar essas intervenções aos diferentes contextos socioculturais e sistemas de saúde. Assim, recomenda-se o fortalecimento de políticas públicas voltadas à identificação precoce da depressão pós-parto e à incorporação de estratégias não farmacológicas na assistência materna, associado à capacitação das equipes multiprofissionais e ao desenvolvimento de estudos com maior rigor metodológico, a fim de subsidiar práticas clínicas baseadas em evidências e centradas nas necessidades das mulheres.
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1 Graduanda em Medicina, Afya Centro Universitário UNIMA (AFYA MACEIÓ), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0006-1098-8042
2 Graduanda em Medicina, Afya Centro Universitário UNIMA (AFYA MACEIÓ), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0007-0259-9466
3 Graduanda em Medicina, Afya Centro Universitário UNIMA (AFYA MACEIÓ), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0001-2278-1675
4 Graduanda em Medicina, Afya Centro Universitário UNIMA (AFYA MACEIÓ), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0004-4115-9840
5 Graduanda em Medicina, Afya Centro Universitário UNIMA (AFYA MACEIÓ), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0004-8961-6430
6 Graduanda em Medicina, Afya Centro Universitário UNIMA (AFYA MACEIÓ), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0006-9776-2686
7 Graduanda em Medicina, Afya Centro Universitário UNIMA (AFYA MACEIÓ), Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0000-9696-4223