ESTANDE E PRODUTIVIDADE DA SOJA EM FUNÇÃO DO TRATAMENTO DE SEMENTES INDUSTRIAL E ON-FARM

PLANT STAND AND YIELD OF SOYBEAN AS AFFECTED BY INDUSTRIAL AND ON-FARM SEED TREATMENT

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792102338

RESUMO
O tratamento de sementes já integra a rotina do estabelecimento das lavouras de soja no Brasil, e a escolha entre o tratamento industrial e o realizado na propriedade (on-farm) é uma decisão recorrente do produtor. Este estudo avaliou, em condições de campo, o desempenho de dois protocolos comerciais de tratamento de sementes de soja, industrial e on-farm, quanto ao estande de plantas e à produtividade de grãos. O experimento foi conduzido em Bebedouro, SP, na safra 2024/2025, com um único lote de sementes da cultivar M6410 IPRO (94% de germinação), em delineamento de blocos casualizados com cinco repetições e parcelas de 75 m². O estande foi avaliado aos 41 dias após a semeadura e a produtividade na colheita, com umidade corrigida para 13%. Os dados foram submetidos à análise de variância, com estimativa do intervalo de confiança para a diferença entre médias. Ambos os protocolos proporcionaram populações superiores a 300 mil plantas ha-1, sem diferença estatística entre si (p = 0,0557). O protocolo industrial resultou em produtividade de 4.117 kg ha-1 (68,62 sc ha-1), superior em 177,6 kg ha-1 (2,96 sc ha-1) à do protocolo on-farm (p = 0,0388), o que representou acréscimo de 4,5% e receita bruta adicional estimada de R$ 389,45 ha-1. Conclui-se que, nas condições avaliadas, o protocolo industrial proporcionou maior produtividade da soja, constituindo informação aplicada útil à tomada de decisão sobre o tratamento de sementes.
Palavras-chave: Glycine max; Tratamento de sementes; Estande de plantas; Produtividade de grãos; Análise econômica.

ABSTRACT
Seed treatment is already a routine step in establishing soybean crops in Brazil, and the choice between industrial treatment and treatment performed on the farm (on-farm) is a recurring decision for growers. This study evaluated, under field conditions, the performance of two commercial soybean seed treatment protocols, industrial and on-farm, regarding plant stand and grain yield. The experiment was carried out in Bebedouro, São Paulo State, Brazil, during the 2024/2025 growing season, using a single seed lot of cultivar M6410 IPRO (94% germination), in a randomized complete block design with five replications and 75 m² plots. Plant stand was evaluated 41 days after sowing, and grain yield was determined at harvest, with moisture adjusted to 13%. Data were subjected to analysis of variance, and the confidence interval for the difference between means was estimated. Both protocols resulted in populations above 300,000 plants ha⁻¹, with no statistical difference between them (p = 0.0557). The industrial protocol yielded 4,117 kg ha⁻¹ (68.62 bags ha⁻¹), 177.6 kg ha⁻¹ (2.96 bags ha⁻¹) more than the on-farm protocol (p = 0.0388), representing a 4.5% increase and an estimated additional gross revenue of R$ 389.45 ha⁻¹. Under the evaluated conditions, the industrial protocol provided higher soybean yield, offering applied information to support decision-making on seed treatment.
Keywords: Glycine max; Seed treatment; Plant stand; Grain yield; Economic analysis.

1. INTRODUÇÃO

A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma das principais culturas da agricultura brasileira, e sua produtividade depende, dentre outras variáveis, do adequado estabelecimento inicial da lavoura. A utilização de sementes de alta qualidade fisiológica e sanitária, associada a práticas que assegurem a proteção das plântulas nas fases iniciais, contribui para a formação de populações uniformes e para a expressão do potencial produtivo da cultivar. O tratamento de sementes consolidou-se como uma das principais estratégias para proteger sementes e plântulas contra patógenos e pragas iniciais, podendo incorporar ainda polímeros, pós secantes, inoculantes e outros insumos voltados à qualidade operacional da semeadura.

Na produção comercial, o tratamento pode ser realizado em sistemas industriais, que empregam equipamentos dedicados à dosagem controlada dos produtos e à homogeneização do recobrimento, ou diretamente na propriedade rural, em sistemas on-farm. Estudos de tecnologia de aplicação indicam que os sistemas industriais podem proporcionar maior assertividade de dose, melhor recobrimento e menor desprendimento de partículas, ao passo que o desempenho do tratamento on-farm depende mais fortemente da regulagem dos equipamentos, da sequência operacional e das condições de aplicação (Reis et al., 2023). Acompanhando essas vantagens operacionais, a adoção do tratamento industrial tem crescido no setor produtivo brasileiro, associada à precisão de dosagem, à segurança operacional e à agilidade no processo de semeadura (França-Neto et al., 2025).

A resposta agronômica ao tratamento de sementes resulta da combinação entre produtos, doses, tecnologia de aplicação, momento do tratamento e qualidade fisiológica do lote. Pereira et al. (2018), por exemplo, verificaram que a resposta à adição de bioestimulante variou conforme a tecnologia de tratamento empregada e a condição das sementes. Soma-se a isso a importância da inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica do nitrogênio, componente essencial da competitividade da soja brasileira (Hungria; Campo; Mendes, 2007), cuja eficiência depende da compatibilidade entre inoculantes e produtos fitossanitários (Pereira et al., 2010; Ferreira et al., 2013). Além disso, a elevada plasticidade fenotípica da soja permite à cultura compensar variações na população de plantas por meio de alterações no número de ramos e de vagens por planta (Balbinot Junior et al., 2018). Assim, diferenças no estande inicial não se traduzem necessariamente em diferenças proporcionais de produtividade, o que reforça a importância de acompanhar a avaliação dos protocolos de tratamento até a colheita.

Embora a qualidade do recobrimento e a precisão de dose dos diferentes sistemas de tratamento venham sendo caracterizadas em condições controladas, a tomada de decisão do produtor ocorre entre protocolos comerciais completos, que reúnem equipamento, formulações e aditivos. Avaliações conduzidas em campo, com mensuração do estande e da produtividade de grãos, oferecem, portanto, informação diretamente aplicável ao sistema produtivo. Partiu-se da hipótese de que o protocolo industrial, pela maior padronização do processo de aplicação, proporcionaria desempenho agronômico igual ou superior ao do protocolo on-farm. O objetivo deste estudo foi comparar, em condições de campo, o desempenho de dois protocolos comerciais de tratamento de sementes de soja, industrial e on-farm, quanto ao estande de plantas e à produtividade de grãos, estimando-se ainda o diferencial de receita bruta associado a cada protocolo.

2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1. Área Experimental e Condução da Cultura

O experimento foi conduzido na área experimental do IMESB-VC, em Bebedouro, SP (20°56'19'' S; 48°30'09'' W; 573 m de altitude), na safra 2024/2025. O solo da área é classificado como Latossolo Vermelho distroférrico de textura argilosa (Santos et al., 2018). A área era anteriormente cultivada com cana-de-açúcar, cujos restos culturais e soqueiras foram manejados por gradagem e subsolagem antes da implantação da soja, condição representativa das áreas de reforma de canavial frequentes na região.

A semeadura foi realizada em 20 de outubro de 2024, com semeadora-adubadora JUMIL de seis linhas, espaçamento de 0,50 m entre linhas e distribuição de 19 sementes m-1, o que corresponde a aproximadamente 380 mil sementes ha-1. Na semeadura, aplicaram-se 310,55 kg ha-1 do formulado NPK 04-20-20, conforme a regulagem da semeadora-adubadora e a recomendação adotada para a área.

Durante o ciclo da cultura (outubro de 2024 a fevereiro de 2025), a precipitação acumulada registrada pela estação meteorológica de referência de Bebedouro, SP, foi de aproximadamente 748 mm, com temperaturas médias entre 22 e 27 °C. As operações de manejo da parte aérea, incluindo dessecação, controle de plantas daninhas em pós-emergência, controle de percevejos e manejo de doenças foliares, foram realizadas de forma uniforme em toda a área experimental, de modo que os tratamentos diferiram exclusivamente quanto ao protocolo de tratamento de sementes.

2.2. Lote de Sementes e Protocolos de Tratamento

Utilizou-se um único lote comercial de sementes da cultivar M6410 IPRO para os dois protocolos, procedimento que elimina a variação associada à qualidade inicial das sementes e assegura que as diferenças observadas decorram dos protocolos avaliados. O lote apresentou 94% de germinação e 90% de primeira contagem de germinação, determinadas pelo teste padrão de germinação (Brasil, 2009), além de peneira 6,5 Long e massa de mil sementes de 165 g (Tabela 1).

Tabela 1. Caracterização do lote de sementes de soja utilizado no experimento

Característica

Valor

Cultivar

M6410 IPRO

Germinação

94%

Primeira contagem de germinação

90%

Peneira

6,5 Long

Massa de mil sementes

165 g

Fonte: elaborado pelos autores (2025)

Os dois protocolos avaliados correspondem a pacotes comerciais utilizados na região, cuja composição é apresentada na Tabela 2. No protocolo industrial, as sementes foram tratadas em equipamento MOMESSO, com tiametoxam (Cruiser 350 FS, 60 mL 100 kg-1 de sementes); fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol (Maxim Advanced, 100 mL 100 kg-1); fipronil + piraclostrobina + tiofanato-metílico (Amulet, 150 mL 100 kg-1); polímero (10 mL 100 kg-1); e pó secante à base de talco e silicatos micronizados (300 g 100 kg-1). No protocolo on-farm, as sementes foram tratadas em equipamento BANDEIRANTE, com fipronil + bifentrina (Terra Forte, 100 mL 100 kg-1); fludioxonil + metalaxil-M (Maxim XL, 100 mL 100 kg-1); e tiametoxam (Cruiser 350 FS, 60 mL 100 kg-1).

Tabela 2. Composição dos protocolos comerciais de tratamento de sementes avaliados

Componente

Protocolo industrial

Protocolo on-farm

Equipamento

MOMESSO

BANDEIRANTE

Inseticidas

tiametoxam; fipronil

tiametoxam; fipronil + bifentrina

Fungicidas

fludioxonil + metalaxil-M + tiabendazol; piraclostrobina + tiofanato-metílico

fludioxonil + metalaxil-M

Polímero

10 mL 100 kg-1

—

Pó secante

300 g 100 kg-1

—

Inoculante

SEMIA 5079 + SEMIA 5080

SEMIA 5079 + SEMIA 5080

Fonte: elaborado pelos autores (2025)

Nos dois protocolos, o tratamento e a inoculação foram realizados no dia da semeadura, com inoculante líquido contendo Bradyrhizobium japonicum (SEMIA 5079) e Bradyrhizobium diazoefficiens (SEMIA 5080), na dose comercial de 100 mL por 50 kg de sementes, coaplicado com a calda de cada protocolo nos respectivos equipamentos. Como o inoculante, a dose, o momento e a forma de aplicação foram os mesmos nos dois tratamentos, a inoculação não constituiu fonte de variação entre os protocolos.

2.3. Delineamento Experimental e Avaliações

Adotou-se o delineamento em blocos casualizados, com dois tratamentos e cinco repetições, totalizando dez parcelas, com os tratamentos sorteados dentro de cada bloco. Cada parcela, com 25 m de comprimento e 3,0 m de largura (75 m²), foi composta por seis linhas de semeadura, das quais as duas externas constituíram bordadura, restringindo-se as avaliações às quatro linhas centrais. As dimensões das parcelas conferem às avaliações boa representatividade das condições de lavoura comercial.

O estande de plantas foi avaliado em 30 de novembro de 2024, aos 41 dias após a semeadura, com as plantas entre os estádios V4 e V5, fase em que a população já se encontra estabelecida. Em cada parcela, foram realizadas cinco subamostragens de 5 m lineares, totalizando 25 m lineares avaliados por parcela. Os resultados foram expressos em plantas m-1 e convertidos em plantas ha-1.

A colheita foi realizada em 25 de fevereiro de 2025. Para a determinação da produtividade, colheram-se as quatro linhas centrais de cada parcela, descartando-se 0,5 m em cada extremidade, o que resultou em área útil de 48 m² por parcela. Os grãos foram pesados e o teor de água determinado em medidor digital de umidade, corrigindo-se a produtividade para 13% de umidade. Os resultados foram expressos em kg ha-1 e em sacas de 60 kg por hectare (sc ha-1).

2.4. Análise Estatística e Econômica

Os dados de estande e produtividade foram submetidos à análise de variância segundo o delineamento em blocos casualizados, com significância avaliada pelo teste F a 5% de probabilidade, utilizando-se o programa SISVAR (Ferreira, 2011). Previamente, verificaram-se a normalidade dos resíduos, pelo teste de Shapiro-Wilk, e a homogeneidade de variâncias, pelo teste de Bartlett, tendo sido atendidas ambas as pressuposições (p > 0,05). Por se tratar da comparação entre dois tratamentos, o teste F é conclusivo, dispensando testes de comparação múltipla de médias. Complementarmente, estimaram-se o coeficiente de variação (CV), o erro-padrão da média e o intervalo de confiança de 95% (IC95%) para a diferença entre as médias, o que permite avaliar não apenas a significância, mas também a magnitude e a precisão da diferença estimada.

Para a análise econômica, adotou-se como referência o preço médio de R$ 131,57 por saca de 60 kg, correspondente ao Indicador da Soja ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá em fevereiro de 2025, mês da colheita (Cepea, 2025). A produtividade de cada protocolo foi convertida em receita bruta por hectare, e a diferença entre eles foi utilizada para estimar o custo adicional máximo até o qual o protocolo de maior produtividade se mantém economicamente vantajoso.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Estande de Plantas

Os dois protocolos proporcionaram populações elevadas e próximas entre si, sendo 15,20 plantas m-1 (304 mil plantas ha-1) no protocolo industrial e 16,20 plantas m-1 (324 mil plantas ha-1) no protocolo on-farm, sem diferença estatística a 5% de probabilidade (F = 7,143; p = 0,0557) (Tabela 3).

Tabela 3. Estande de plantas de soja aos 41 dias após a semeadura em função do protocolo de tratamento de sementes

Protocolo

Plantas m-1

Plantas ha-1

Estabelecimento (%)

Industrial

15,20

304.000

80,0

On-farm

16,20

324.000

85,3

Nota: F = 7,143; p = 0,0557 (não significativo a 5%); CV = 3,77%; erro-padrão da média = 0,264 planta m-1; IC95% da diferença (industrial − on-farm) = −2,04 a +0,04 planta m-1. Estabelecimento calculado em relação às 19 sementes m-1 distribuídas.
Fonte: elaborado pelos autores (2025)

Considerando a distribuição de 19 sementes m-1, os estandes corresponderam a 80,0% e 85,3% de estabelecimento em campo nos protocolos industrial e on-farm, respectivamente. Esses valores refletem, além da germinação do lote determinada em laboratório (94%), as condições de semeadura e de emergência em campo.

Do ponto de vista agronômico, o fato de ambos os protocolos terem assegurado estande elevado e sem diferença estatística indica que nenhum dos pacotes comprometeu de forma diferenciada o estabelecimento da cultura, mesmo com a coaplicação do inoculante e de múltiplos produtos fitossanitários. Populações dessa magnitude são, ainda, passíveis de ajuste pela plasticidade fenotípica da soja, que modifica o número de ramos e de vagens por planta em resposta à densidade (Balbinot Junior et al., 2018), embora a magnitude dessa compensação dependa da cultivar e das condições ambientais (Vazquez; Carvalho; Borba, 2008).

3.2. Produtividade de Grãos

O protocolo industrial proporcionou produtividade de 4.117 kg ha-1 (68,62 sc ha-1), superior à do protocolo on-farm, de 3.940 kg ha-1 (65,66 sc ha-1), com diferença estatisticamente significativa (F = 9,178; p = 0,0388) (Tabela 4). A diferença de 177,6 kg ha-1 (2,96 sc ha-1) corresponde a acréscimo de 4,5% na produtividade. O intervalo de confiança de 95% para a diferença situou-se inteiramente acima de zero (0,25 a 5,67 sc ha-1), o que confirma a superioridade do protocolo industrial nas condições avaliadas. O coeficiente de variação de 2,30% evidencia alta precisão experimental (Pimentel-Gomes, 2009), conferindo robustez à diferença detectada.

Tabela 4. Produtividade de grãos de soja em função do protocolo de tratamento de sementes

Protocolo

kg ha-1

sc ha-1

Produtividade relativa (%)

Industrial

4.117

68,62

104,5

On-farm

3.940

65,66

100,0

Nota: F = 9,178; p = 0,0388 (significativo a 5%); CV = 2,30%; erro-padrão da média = 0,691 sc ha-1; IC95% da diferença (industrial − on-farm) = 0,25 a 5,67 sc ha-1. Produtividade corrigida para 13% de umidade.
Fonte: elaborado pelos autores (2025)

Ambos os protocolos resultaram em produtividades superiores a 65 sc ha-1, o que indica que o experimento foi conduzido em condições favoráveis à expressão do potencial produtivo da cultivar e confere relevância prática à diferença observada entre eles.

O protocolo on-farm apresentou estande numericamente superior, ao passo que o protocolo industrial alcançou maior produtividade. Esse resultado evidencia que a população inicial, isoladamente, não determina o rendimento final da soja, em consonância com a plasticidade da cultura, que permite às plantas ajustar sua arquitetura e a distribuição dos componentes de rendimento, de modo que pequenas diferenças no estande não se refletem diretamente na produtividade (Balbinot Junior et al., 2018).

A maior produtividade do protocolo industrial é coerente com as vantagens atribuídas a esse sistema pela literatura. Sistemas industriais tendem a proporcionar recobrimento mais uniforme, maior assertividade de dose e menor desprendimento de partículas (Reis et al., 2023), atributos favorecidos, no protocolo avaliado, pela presença de polímero e de pó secante. Além disso, o protocolo industrial reuniu espectro mais amplo de ingredientes ativos fungicidas, incluindo piraclostrobina, tiofanato-metílico e tiabendazol, o que pode ter contribuído para uma proteção sanitária mais abrangente de sementes e plântulas. Essas hipóteses, consistentes com a literatura, constituem caminhos promissores para investigações específicas sobre os mecanismos envolvidos.

O protocolo industrial, embora contenha maior número de ingredientes ativos fungicidas, não resultou em prejuízo produtivo, ao contrário, apresentou a maior produtividade. Considerando que a eficiência da inoculação depende da compatibilidade entre inoculantes e produtos fitossanitários (Pereira et al., 2010; Ferreira et al., 2013), esse resultado sugere que o pacote industrial avaliado foi compatível, na prática, com a inoculação realizada no dia da semeadura.

3.3. Análise Econômica

Considerando o preço de referência de R$ 131,57 por saca, a receita bruta estimada foi de R$ 9.028,33 ha-1 para o protocolo industrial e de R$ 8.638,89 ha-1 para o protocolo on-farm, com diferencial de R$ 389,45 ha-1 em favor do protocolo industrial (Tabela 5).

Tabela 5. Receita bruta estimada por hectare em função do protocolo de tratamento de sementes

Protocolo

Produtividade (sc ha-1)

Receita bruta (R$ ha-1)

Industrial

68,62

9.028,33

On-farm

65,66

8.638,89

Diferença

2,96

389,45

Nota: preço de referência de R$ 131,57 por saca de 60 kg (Cepea, 2025).
Fonte: elaborado pelos autores (2025)

Como os custos de cada pacote variam conforme fornecedor, região e escala de operação, o resultado foi expresso na forma de um limiar de viabilidade, aplicável a diferentes realidades produtivas; o protocolo industrial mantém-se economicamente vantajoso sempre que seu custo adicional em relação ao on-farm for inferior a R$ 389,45 ha-1. Considerando a densidade de semeadura empregada (380 mil sementes ha-1) e a massa de mil sementes do lote (165 g), o que corresponde a aproximadamente 62,7 kg de sementes ha-1, esse limiar equivale a cerca de R$ 621,00 por 100 kg de sementes tratadas. Esse indicador permite ao produtor ou técnico comparar diretamente o valor cotado para cada modalidade de tratamento com o retorno esperado em produtividade.

3.4. Contribuições e Abrangência dos Resultados

A principal contribuição do trabalho é a avaliação, em condições reais de campo e até a produtividade de grãos, de protocolos comerciais completos de tratamento de sementes, gerando informação diretamente aplicável à tomada de decisão no sistema produtivo. Os resultados referem-se às condições em que o experimento foi conduzido, e sua ampliação para outras safras, locais e cultivares, bem como a identificação da contribuição individual de cada componente dos protocolos por meio de delineamentos fatoriais, constituem desdobramentos naturais desta pesquisa.

4. CONCLUSÃO

Nas condições em que o experimento foi conduzido, o protocolo industrial de tratamento de sementes proporcionou produtividade de grãos de soja 4,5% superior à do protocolo on-farm, equivalente a 177,6 kg ha-1, sem diferença estatística no estande de plantas, que foi elevado nos dois protocolos. O diferencial produtivo corresponde a receita bruta adicional de R$ 389,45 ha-1, valor que estabelece o custo adicional máximo até o qual a adoção do protocolo industrial se mostra economicamente vantajosa. Esses resultados oferecem subsídio técnico e econômico à escolha da modalidade de tratamento de sementes na cultura da soja.

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