EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA PORTADORES DE HIPERTENSÃO ARTERIAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

HEALTH EDUCATION FOR PATIENTS WITH ARTERIAL HYPERTENSION IN PRIMARY HEALTH CARE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776024083

RESUMO
O presente estudo analisou o papel da atenção primária e as intervenções de enfermagem no manejo da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Trata-se de uma revisão narrativa da literatura com abordagem sistematizada, que selecionou 16 artigos publicados entre 2020 e 2025 nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e BDENF. Os resultados demonstram que intervenções comunitárias e em grupo são eficazes na redução dos níveis pressóricos, apresentando diminuições médias significativas na pressão sistólica e diastólica, especialmente quando associadas a exercícios físicos e educação em estilo de vida. Evidencia-se o protagonismo da enfermagem, cujas intervenções presenciais e por telemedicina promovem maior adesão terapêutica, alcance de metas clínicas e fortalecimento do autocuidado em longo prazo. A educação em saúde destaca-se como ferramenta indispensável para o empoderamento do paciente, embora enfrente desafios estruturais e sociais no âmbito da Estratégia Saúde da Família. Em contraste, a capacitação isolada de clínicos primários apresenta resultados divergentes, sugerindo que a eficácia do controle da HAS depende de uma abordagem multiprofissional integrada. Conclui-se que o manejo eficiente da hipertensão exige a articulação entre o cuidado clínico qualificado, o uso de tecnologias digitais e o fortalecimento de vínculos comunitários, sendo o enfermeiro o eixo central para a promoção da equidade e a redução da morbimortalidade cardiovascular na atenção básica.
Palavras-chave: Hipertensão arterial. Educação em saúde. Enfermagem. Atenção primária à saúde.

ABSTRACT
The present study analyzed the role of primary care and nursing interventions in the management of systemic arterial hypertension (SAH). It is a narrative literature review with a systematized approach, selecting 16 articles published between 2020 and 2025 in the PubMed, SciELO, LILACS, and BDENF databases. The results demonstrate that community and group interventions are effective in reducing blood pressure levels, showing significant average decreases in systolic and diastolic pressure, especially when associated with physical exercise and lifestyle education. The leading role of nursing is evident, as its face-to-face and telemedicine interventions promote greater therapeutic adherence, achievement of clinical goals, and strengthening of long-term self-care. Health education stands out as an indispensable tool for patient empowerment, despite facing structural and social challenges within the Family Health Strategy. In contrast, the isolated training of primary clinicians presents divergent results, suggesting that the effectiveness of SAH control depends on an integrated multidisciplinary approach. It is concluded that efficient hypertension management requires the coordination of qualified clinical care, the use of digital technologies, and the strengthening of community bonds, with the nurse being the central axis for promoting equity and reducing cardiovascular morbidity and mortality in primary care.
Keywords: Arterial hypertension. Health education. Nursing. Primary health care.

1. INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial (HA) é consolidada como um dos principais fatores de risco modificáveis para a morbidade e mortalidade global, sendo um dos maiores agravantes para o desenvolvimento de doença arterial coronária, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Trata-se de uma condição de saúde altamente prevalente, que atualmente atinge mais de um terço da população mundial (FEITOSA et al., 2023).

Essa patologia crônica é caracterizada por níveis elevados de pressão sanguínea nas artérias, ocorrendo quando os valores de pressão máxima e mínima atingem ou ultrapassam 140/90 mmHg. Tal elevação exige que o coração exerça um esforço superior ao normal para distribuir o sangue corretamente pelo organismo. No Brasil, o impacto é severo, registrando-se cerca de 388 mortes diárias. Embora a hereditariedade influencia 90% dos casos, fatores como tabagismo, consumo de álcool, obesidade, estresse, sedentarismo e o elevado consumo de sal são determinantes nos níveis pressóricos, com incidência ainda maior em diabéticos, idosos e na população negra (BRASIL, 2025).

Diante desse cenário, a implementação de ações de educação em saúde na atenção primária torna-se indispensável para promover o conhecimento e incentivar a autonomia do paciente por meio do autocuidado. Através da Estratégia Saúde da Família (ESF) e de programas como o HIPERDIA, a equipe multiprofissional concentra esforços no mapeamento de riscos e na capacitação do atendimento, facilitando a disseminação de informações científicas para a vida diária das comunidades assistidas pelo Sistema Único de Saúde (ANDRADE et al., 2023).

O papel dos cuidados primários na gestão da hipertensão é crucial, visto que os profissionais desse nível de atenção são frequentemente os primeiros a detectar e diagnosticar a condição. O manejo adequado da doença envolve desde modificações estruturais no estilo de vida, como a adoção de dietas equilibradas e exercícios físicos, até o uso rigoroso de medicamentos anti-hipertensivos. A continuidade do cuidado e o combate à inércia terapêutica são fundamentais para alcançar o controle adequado da pressão arterial e reduzir significativamente as hospitalizações e visitas à emergência (FILHO, 2025).

A enfermagem desempenha um papel essencial no enfrentamento da hipertensão na atenção primária, atuando diretamente na detecção precoce de riscos, no incentivo a práticas de vida saudáveis e no acompanhamento integral e humanizado. Por meio do estabelecimento de vínculos e da consulta de enfermagem, esses profissionais promovem uma assistência qualificada que impacta positivamente na saúde individual e coletiva. Assim, o presente estudo, constituído por uma revisão de literatura, tem como objetivo analisar o papel da atenção primária e os cuidados de enfermagem na prevenção e manejo da hipertensão arterial (SILVA et al., 2025).

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Determinantes Sociais da Saúde e a Adesão Ao Tratamento

A hipertensão arterial sistêmica constitui uma das principais causas de morbimortalidade global, demandando acompanhamento contínuo no âmbito da Atenção Primária à Saúde. No entanto, a eficácia do tratamento na ESF é influenciada por fatores que extrapolam o sistema biológico, como escolaridade, renda familiar, condições de habitação e suporte familiar. Esses elementos atuam como determinantes que impactam diretamente o engajamento do paciente, revelando a necessidade de estratégias intersetoriais que considerem as vulnerabilidades sociais para a efetivação de um cuidado integral (BONETH et al., 2025).

2.2. Planejamento Estratégico Nacional para Doenças Crônicas

O enfrentamento das doenças crônicas no Brasil é guiado por marcos regulatórios que visam a sustentabilidade e a organização das ações de saúde em longo prazo. As diretrizes nacionais estabelecem metas prioritárias para deter o avanço da hipertensão e de outras patologias não transmissíveis, focando na redução de fatores de risco populacionais e no fortalecimento da rede de atenção primária. Esse planejamento é essencial para garantir que as intervenções promovam a saúde de forma equânime e reduzam a incidência de complicações cardiovasculares e renais na população (BRASIL, 2021).

2.3. Educação Popular Como Método na Atenção Primária

A Educação Popular apresenta-se como uma abordagem teórico-metodológica fundamental para orientar ações de promoção da saúde no contexto comunitário. Diferente de modelos tradicionais e verticais, essa prática baseia-se no diálogo horizontalizado, no fortalecimento da autonomia e no respeito profundo aos saberes e culturas locais. A construção compartilhada de conhecimento em grupos educativos na APS potencializa a participação ativa dos usuários, sendo uma estratégia indispensável para a composição de práticas interprofissionais que busquem uma perspectiva ampliada de saúde (ARAÚJO et al., 2021).

2.4. Perfil Sociodemográfico do Paciente na Estratégia Saúde da Família

A caracterização dos portadores de hipertensão assistidos pelas equipes de saúde revela um predomínio de indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com destaque para o sexo feminino, etnia parda e baixos níveis de escolaridade e renda. Embora o trabalho contínuo das equipes resulte em níveis significativos de adesão e controle pressórico, a realidade social desfavorecida impõe o desafio de um acompanhamento ininterrupto. A manutenção da vigilância rigorosa é necessária para evitar que as limitações financeiras e educacionais se convertam em barreiras para a prevenção de complicações graves (COSTA et al., 2022).

2.5. Percepção do Usuário e Barreiras Ao Estilo de Vida Saudável

O sucesso da terapia não farmacológica depende da percepção do indivíduo sobre a gravidade da patologia e a importância do autocuidado. Observa-se que muitos pacientes mantêm uma excelente adesão ao uso de medicamentos, mas apresentam dificuldades consideráveis na adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios e o seguimento de orientações nutricionais. Essa lacuna ocorre, em parte, pela crença de que a medicação isolada é suficiente para o controle da doença, o que reforça a urgência de fortalecer o diálogo clínico para ampliar a compreensão do paciente sobre mudanças integrais no estilo de vida (SANTOS; POL-FACHIN, 2022).

2.6. O Contexto Familiar nas Intervenções Educativas

A família exerce um papel ambivalente na terapia anti-hipertensiva, podendo atuar tanto como facilitadora quanto como barreira ao tratamento. Fatores como conhecimento insuficiente sobre a patologia e falhas na administração da medicação podem ser transformados positivamente por meio de estratégias educativas que envolvam todo o núcleo familiar. Intervenções pactuadas diretamente no domicílio promovem reflexões coletivas sobre o consumo de sódio e a atividade física, gerando mudanças sustentáveis no estilo de vida que impactam diretamente na estabilização dos níveis pressóricos do paciente (LIMA et al., 2021).

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão narrativa da literatura com abordagem sistematizada, delineada com o objetivo de sintetizar a produção científica publicada entre 2020 e 2025 acerca das intervenções de educação em saúde conduzidas por enfermeiros na APS, no manejo da HAS. A escolha dessa abordagem metodológica justifica-se pela possibilidade de integrar evidências provenientes de diferentes delineamentos, permitindo uma análise abrangente dos aspectos teóricos, organizacionais e práticos da atuação da enfermagem.

Foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos para a composição do corpus do estudo. Incluíram-se artigos originais, revisões da literatura, dissertações e teses, publicados nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem intervenções educativas relacionadas à HAS no contexto da APS, com participação direta ou indireta da enfermagem. Foram excluídos estudos duplicados, publicações sem acesso ao texto completo e aqueles que não apresentavam aderência ao objetivo da pesquisa.

A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados em Enfermagem (BDENF), além de repositórios institucionais. Para a estratégia de busca, utilizaram-se descritores controlados e palavras-chave livres, tais como “hipertensão arterial”, “educação em saúde”, “enfermagem” e “atenção primária à saúde”, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR. A busca foi realizada no mês de março de 2026.

O processo de seleção dos estudos ocorreu em etapas sequenciais. Inicialmente, foram identificadas 214 publicações nas bases de dados consultadas. Após a remoção de 8 estudos duplicados, permaneceram 206 artigos para triagem por meio da leitura de títulos e resumos. Nessa etapa, 154 estudos foram excluídos por não atenderem ao objetivo da pesquisa, por não abordarem diretamente a temática proposta ou por não se enquadrarem nos critérios de inclusão estabelecidos, resultando em 52 estudos potencialmente elegíveis para leitura na íntegra.

Após a leitura completa dos textos, 36 estudos foram excluídos por não apresentarem intervenções educativas relacionadas ao objeto de estudo, por abordarem apenas aspectos teóricos ou por não contemplarem o público-alvo definido. Dessa forma, a amostra final foi composta por 16 estudos que atenderam integralmente aos critérios de elegibilidade. Os processos de seleção dos artigos são apresentados na figura 1, bem como caracterização dos estudos incluídos na revisão integrativa a partir do autor/ano, tipo de estudo, local, população/amostra, intervenção e principais desfechos estão presentes no quadro 1.

Figura 1: Etapa de seleção dos artigos.

Fonte: Elaborado pelos próprios autores, 2026.

Quadro 1: Caracterização dos estudos incluídos na revisão integrativa a partir do autor/ano, tipo de estudo, local, população/amostra, intervenção e principais desfechos (n=16)

Autor/Ano

Tipo de estudo

Local

População/Amostra

Intervenção

Principais desfechos

1

Azami-Aghdash et al., 2025

Revisão sistemática com meta-análise

Internacional

68 estudos incluídos envolvendo populações adultas submetidas a intervenções comunitárias para prevenção e controle da hipertensão

Intervenções baseadas na comunidade (educação em saúde, ações em centros de saúde, estratégias de componente único e múltiplo)

Redução da pressão arterial sistólica (−7,26 mmHg) e diastólica (−2,77 mmHg); maior efetividade em países de baixa e média renda e em intervenções realizadas em serviços de saúde.

2

Stephen et al., 2022

Revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Internacional

11 ensaios clínicos randomizados, totalizando 4.454 participantes com hipertensão

Intervenções lideradas por enfermeiros na clínica geral (educação em saúde, acompanhamento clínico, apoio à adesão medicamentosa e mudanças no estilo de vida)

Redução significativa da pressão arterial sistólica e diastólica (especialmente em até 6 meses), melhora da adesão ao tratamento, aumento da atividade física e melhora de fatores de risco cardiovasculares.

3

Althuwaikh et al., 2025

Revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Internacional

5 ensaios clínicos randomizados envolvendo clínicos da atenção primária e pacientes em tratamento anti-hipertensivo

Intervenções educativas direcionadas a clínicos da atenção primária para melhoria do manejo da hipertensão e do uso de anti-hipertensivos

Não houve evidência significativa de redução da pressão arterial sistólica; resultados majoritariamente inconclusivos. Possível benefício associado a intervenções mais intensivas, com maior duração e acompanhamento frequente.

4

Ito et al., 2024

Revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Internacional

35 ensaios clínicos randomizados com adultos (≥18 anos) diagnosticados com hipertensão

Intervenções lideradas por enfermeiros na atenção primária, associadas ao cuidado usual (educação em saúde, acompanhamento clínico, incentivo à adesão e mudanças no estilo de vida)

Melhora significativa no controle da pressão arterial a longo prazo; ausência de diferença significativa no curto prazo; sem impacto na mortalidade; dados limitados sobre eventos adversos.

5

Kappes et al., 2023

Revisão sistemática

Internacional

6 ensaios clínicos randomizados e 1 estudo quase-experimental com pacientes hipertensos

Intervenções de telemedicina lideradas por enfermeiros (consultas remotas, monitoramento à distância, chamadas telefônicas, e-mails e uso de dispositivos digitais)

Redução significativa da pressão arterial (principalmente sistólica), melhora da adesão ao tratamento, aumento da autoeficácia, maior conscientização sobre a doença e melhorias no estilo de vida.

6

Falcão et al., 2023

Revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Internacional (com forte contribuição latino-americana)

8 ensaios clínicos randomizados incluídos na meta-análise, envolvendo pessoas com hipertensão arterial

Intervenções educacionais realizadas por enfermeiros, especialmente no formato combinado (atendimento individual associado a atividades em grupo)

Redução significativa da pressão arterial sistólica (−12,41 mmHg) e diastólica (−5,40 mmHg), com alta certeza de evidência, especialmente em intervenções presenciais combinadas.

7

Paraizo-Horvath et al., 2021

Estudo qualitativo

Brasil

Estudos selecionados no Portal CAPES sobre educação em saúde, hipertensão e saúde da família (últimos 5 anos)

Ações de educação em saúde voltadas a pessoas com hipertensão, organizadas em dois eixos: orientações coletivas (grupos) e orientações individualizadas

Atividades em grupo favorecem troca de experiências, fortalecimento de vínculos e apoio social; intervenções individualizadas contribuem para compreensão do contexto sociocultural e promoção do empoderamento do paciente.

8

Santos et al., 2022

Revisão integrativa

Brasil

9 estudos incluídos sobre tecnologias educativas voltadas à adesão ao tratamento da hipertensão

Tecnologias educativas em saúde (materiais educativos, estratégias interativas, abordagens comunicacionais e ferramentas de apoio ao cuidado) voltadas à promoção da adesão terapêutica

Melhora da adesão ao tratamento, fortalecimento do vínculo entre profissional e usuário, promoção de hábitos saudáveis e impacto positivo na qualidade de vida

9

Nogueira et al., 2021

Revisão integrativa

Brasil

12 estudos publicados no Brasil e/ou por autores brasileiros sobre assistência de enfermagem na hipertensão

Assistência de enfermagem voltada ao cuidado de pessoas com hipertensão, com ênfase em educação em saúde, acompanhamento clínico e avaliação da adesão ao tratamento

A educação em saúde destaca-se como principal estratégia de cuidado; importância do diagnóstico adequado e monitoramento da adesão; abordagem integral com foco no bem-estar biopsicossocial.

10

Lima Filho et al., 2023

Revisão bibliográfica

Brasil

8 estudos selecionados a partir de bases SciELO, LILACS e MEDLINE

Educação em saúde realizada por enfermeiros na atenção primária, com foco no acompanhamento, orientação terapêutica e monitoramento do paciente hipertenso.

A educação em saúde contribui para adesão ao tratamento e controle da pressão arterial; identificação de desafios como abandono terapêutico, limitações estruturais e dificuldades no trabalho em equipe.

11

Silva et al., 2025

Revisão integrativa

Brasil

Estudos selecionados nas bases LILACS, MEDLINE e SciELO, publicados entre 2021 e 2025

Cuidados de enfermagem na atenção primária voltados à prevenção e manejo da hipertensão (educação em saúde, consulta de enfermagem, acompanhamento contínuo e promoção do autocuidado)

Atuação do enfermeiro na detecção precoce, promoção de mudanças no estilo de vida, melhoria da adesão ao tratamento e redução de complicações; fortalecimento do cuidado integral e humanizado.

12

Watanabe et al., 2025

Revisão integrativa

Brasil

Estudos publicados entre 2018 e 2025 envolvendo adultos com hipertensão arterial sistêmica e/ou diabetes mellitus tipo 2 no contexto do HIPERDIA

Ações de educação em saúde desenvolvidas por enfermeiros no programa HIPERDIA, com foco em participação ativa do paciente, adesão terapêutica e mudança de comportamento

Melhora da adesão ao tratamento, promoção de mudanças comportamentais e impacto positivo nos desfechos clínicos; identificação de desafios estruturais, formativos e sociais que limitam a efetividade das ações educativas.

13

Adediran et al., 2025

Revisão sistemática

Internacional

14 estudos envolvendo populações negras/afro-americanas com hipertensão em atenção primária

Integração de prontuários eletrônicos (EHR) com tecnologias móveis em saúde (mHealth), incluindo aplicativos, dispositivos de monitoramento, mensagens interativas e portais do paciente

Melhora no monitoramento da saúde, aumento do acesso à educação em saúde, fortalecimento da comunicação paciente-profissional e maior engajamento no autocuidado.

14

Ashraf et al., 2024

Ensaio clínico randomizado

Internacional

42 médicos da atenção primária e 420 pacientes com hipertensão

Intervenção educacional direcionada a médicos generalistas, incluindo treinamento presencial estruturado e material educativo impresso sobre manejo da hipertensão

Melhora significativa no conhecimento dos médicos e no controle da pressão arterial dos pacientes; eficácia semelhante entre educação presencial e material educativo.

15

McDonagh et al., 2025

Revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Internacional

54 estudos, totalizando 13.976 participantes com hipertensão

Intervenções em grupo (educação em saúde, exercícios físicos e abordagens psicoterapêuticas) em ambientes comunitários, ambulatoriais e de atenção primária

Redução significativa da pressão arterial sistólica e diastólica, especialmente em intervenções com exercício físico e educação em estilo de vida; resultados inconclusivos quanto à adesão medicamentosa e alcance das metas pressóricas.

16

Gama, Queiroz Junior e Rodrigues, 2021

Revisão sistemática

Internacional

Estudos que abordam indivíduos com hipertensão arterial sistêmica em serviços de saúde e na comunidade

Intervenções educativas em saúde, com destaque para estratégias interativas, participação ativa dos pacientes, compartilhamento de experiências e modelo de cuidado baseado em parceria

Melhora do conhecimento sobre hipertensão, aumento da adesão ao tratamento, redução dos níveis pressóricos e melhoria das condições clínicas dos pacientes.

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Intervenções Comunitárias

O estudo de Azami-Aghdash et al. (2025) demonstrou que intervenções comunitárias são eficazes na redução da pressão arterial, com diminuição média de 7,26 mmHg na pressão sistólica e 2,77 mmHg na diastólica. A maior efetividade foi observada em países de baixa e média renda, em centros de saúde e em intervenções de componente único. Apesar da heterogeneidade dos resultados, o baixo risco de viés reforça a validade das conclusões e sustenta a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas para ações comunitárias de prevenção e controle da hipertensão. Esses achados dialogam com McDonagh et al. (2025), que analisaram intervenções em grupo e identificaram reduções significativas da pressão arterial, especialmente quando associadas a exercícios físicos e educação sobre estilo de vida. A dimensão coletiva, portanto, mostra-se estratégica para potencializar resultados clínicos e otimizar recursos na atenção primária.

4.2. Intervenções Lideradas por Enfermeiros

A literatura analisada mostra de forma consistente o protagonismo da enfermagem no manejo da hipertensão. Stephen et al. (2022) evidenciaram reduções significativas da pressão arterial em curto prazo, associadas à melhora da adesão medicamentosa e de hábitos de vida. Ito et al. (2024) complementam esses achados ao demonstrar que, em longo prazo, pacientes acompanhados por enfermeiros tiveram maior probabilidade de atingir metas pressóricas, ainda que sem impacto direto na mortalidade. Kappes et al. (2023) destacaram o papel da telemedicina, mostrando que consultas remotas e dispositivos digitais ampliam o alcance das intervenções e reduzem a pressão sistólica. Falcão et al. (2023) reforçaram que estratégias educativas presenciais, combinando atendimentos individuais e atividades em grupo, produzem reduções clinicamente significativas tanto na pressão sistólica quanto na diastólica. Esses resultados convergem para a ideia de que o cuidado liderado por enfermeiros não apenas complementa o atendimento médico, mas também se configura como eixo central na atenção primária.

4.3. Educação em Saúde

A educação em saúde aparece como elemento essencial para o empoderamento do paciente hipertenso. Paraizo-Horvath et al. (2021) mostraram que atividades em grupo favorecem a troca de experiências e vínculos sociais, enquanto a atenção individualizada permite compreender o contexto sociocultural e adaptar estratégias de cuidado. Teixeira dos Santos et al. (2022) evidenciaram que tecnologias educativas, como aplicativos e materiais digitais, fortalecem a adesão ao tratamento e incentivam mudanças de estilo de vida. Lima Filho et al. (2023) reforçaram que o processo educativo conduzido por enfermeiros é decisivo na atenção básica, embora desafios como abandono do tratamento e barreiras estruturais ainda limitem a efetividade. Silva et al. (2025) ampliaram essa discussão ao destacar que os cuidados de enfermagem na atenção primária envolvem desde a detecção precoce até o acompanhamento contínuo, considerando fatores de risco, hábitos de vida e contexto psicossocial. Watanabe et al. (2025), ao analisar o programa Hiperdia, mostraram que estratégias educativas bem estruturadas têm impacto positivo na adesão terapêutica e na qualidade de vida, mas ainda enfrentam obstáculos formativos e sociais que limitam sua plena implementação. Gama et al. (2021) reforçaram que intervenções educativas interativas, baseadas em participação ativa e compartilhamento de experiências, ampliam o conhecimento sobre hipertensão e favorecem a adesão ao tratamento, com impacto direto na redução dos níveis pressóricos.

4.4. Cuidados de Enfermagem na Atenção Primária

Nogueira et al. (2021) reforçaram que o cuidado integral de enfermagem ao paciente hipertenso é oferecido por meio da educação em saúde e da integralidade do acompanhamento, sempre com foco no bem-estar sócio emocional. Esse achado dialoga com Silva et al. (2025) e Watanabe et al. (2025), que destacam a importância da consulta de enfermagem e da prática educativa como instrumentos centrais para monitorar, orientar e engajar pacientes e familiares. A proximidade com a comunidade fortalece a confiança e amplia os benefícios coletivos, consolidando a enfermagem como protagonista na atenção primária.

4.5. Educação de Clínicos Primários

Em contraste com os resultados positivos das intervenções comunitárias e da enfermagem, Althuwaikh et al. (2025) mostraram que a educação voltada exclusivamente para médicos de atenção primária não produziu impacto significativo na redução da pressão arterial. No entanto, Ashraf et al. (2024) demonstraram que intervenções educativas estruturadas para médicos generalistas, tanto presenciais quanto por meio de materiais impressos, tiveram efeito positivo no conhecimento e no controle da pressão arterial de pacientes. Essa divergência sugere que a eficácia pode depender do desenho da intervenção e da forma como o conhecimento é traduzido para a prática clínica, mas reforça que a capacitação isolada de médicos dificilmente é suficiente sem integração multiprofissional.

4.6. Tecnologias Digitais e Populações Específicas

Adediran et al. (2025) destacaram que a integração de prontuários eletrônicos e ferramentas móveis em populações negras/afro-americanas pode reduzir disparidades e ampliar o acesso ao cuidado. Essa abordagem evidencia o potencial das tecnologias digitais para personalizar intervenções, fortalecer a autogestão e promover maior equidade em saúde. Além disso, estudos como o de Santos et al. (2022) e Kappes et al. (2023) reforçam que a incorporação de tecnologias educativas e de telemedicina amplia a cobertura e favorece a adesão ao tratamento, apontando para um futuro em que inovação tecnológica se torna aliada na equidade em saúde.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A revisão dos 16 estudos evidenciou que o controle da hipertensão requer uma abordagem integrada, que combine intervenções comunitárias, práticas educativas e protagonismo da enfermagem, apoiados por tecnologias digitais. As ações comunitárias mostraram impacto significativo na redução da pressão arterial, enquanto as intervenções lideradas por enfermeiros, tanto presenciais quanto por telemedicina, demonstraram resultados consistentes na adesão ao tratamento e na melhora clínica. A educação em saúde, em diferentes formatos, reforçou o empoderamento dos pacientes e a construção de vínculos, embora ainda enfrente barreiras estruturais e sociais.

Por outro lado, as intervenções educativas voltadas exclusivamente para médicos apresentaram resultados divergentes, sugerindo que a capacitação isolada não é suficiente sem integração multiprofissional. Já as tecnologias digitais e as intervenções em grupo mostraram-se promissoras para ampliar o acesso, personalizar o cuidado e reduzir desigualdades.

Em síntese, o manejo da hipertensão deve ser entendido como um processo coletivo e interdisciplinar, no qual a enfermagem ocupa papel central, articulando cuidado clínico, educação e vínculo comunitário, enquanto a inovação tecnológica desponta como aliada para ampliar cobertura e equidade em saúde.

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1 Enfermeira pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

2 Enfermeira especialista em Saúde da Família pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER), Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

3 Médico especialista em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

4 Médica pós-graduada em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

5 Médica especialista em Medicina de Família e Comunidade. Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

6 Geógrafo pelo Centro Universitário do Norte de Minas (FUNORTE). Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

7 Enfermeira mestranda em Cuidados Primários em Saúde pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

8 Enfermeiro especialista em Urgência e Emergência pela Faculdades São Camilo. Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

9 Discente do Curso Superior de Medicina do Centro Universitário do Norte de Minas (FUNORTE). Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

10 Enfermeira pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]

11 Enfermeiro Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes  Claros-MG, Brasil. E-mail: [email protected]