DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL COMO COADJUVANTE NO TRATAMENTO DE PÓS-OPERATÓRIO DE MASTECTOMIA TOTAL

MANUAL LYMPHATIC DRAINAGE AS AN ADJUNCT IN THE POSTOPERATIVE TREATMENT OF TOTAL MASTECTOMY

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778561547

RESUMO
Introdução: A mastectomia radical, um procedimento cirúrgico historicamente empregado no tratamento dessa doença, foi por muito tempo, a abordagem padrão para casos mais avançados de câncer de mama. Objetivo: avaliar a eficácia da drenagem linfática manual como coadjuvante no tratamento de pós-operatório de mastectomia radical. Materiais e Método: As buscas foram realizadas nas bases de dados Google Acadêmico, PEDro, PubMed e LILACS, abrangendo o período de 2020 a 2025. Foram incluídos ensaios clínicos, revisões sistemáticas e estudos observacionais que abordassem a drenagem linfática manual em pacientes com linfedema pós-mastectomia. Resultados: Os resultados demonstraram que, a drenagem linfática manual é benéfica e significativa na redução do linfedema. Contribuição Científica: Esta pesquisa irá contribuir para esclarecer que a drenagem linfática manual é importante para melhorar a condição, reduzindo o volume do membro, aliviando a dor e elevando a autoestima da paciente. Conclusão: a drenagem linfática manual deve ser considerada uma intervenção complementar dentro de um protocolo terapêutico multidisciplinar, contribuindo para o manejo global do linfedema e para o bem-estar de mulheres em reabilitação pós-mastectomia. 
Palavras-chave: Drenagem linfática manual; Linfedema; Mastectomia; Fisioterapia; Câncer de mama.

ABSTRACT
Introduction: Radical mastectomy, a surgical procedure historically used in the treatment of this disease, was for a long time the standard approach for more advanced cases of breast cancer. Objective: To evaluate the effectiveness of manual lymphatic drainage as an adjunct in the postoperative treatment of radical mastectomy. Materials and Methods: Searches were conducted in the Google Scholar, PEDro, PubMed, and LILACS databases, covering the period from 2020 to 2025. Clinical trials, systematic reviews, and observational studies addressing manual lymphatic drainage in patients with post-mastectomy lymphedema were included. Results: The results demonstrated that manual lymphatic drainage is beneficial and significant in reducing lymphedema. Scientific Contribution: This research will contribute to clarifying that manual lymphatic drainage is important for improving the condition, reducing limb volume, relieving pain, and increasing the patient's self-esteem. Conclusion: Manual lymphatic drainage should be considered a complementary intervention within a multidisciplinary therapeutic protocol, contributing to the overall management of lymphedema and the well-being of women in post-mastectomy rehabilitation.
Keywords: Manual lymphatic drainage; Lymphedema; Mastectomy; Physiotherapy; Breast cancer.

1. INTRODUÇÃO

O câncer de mama é uma neoplasia maligna que se desenvolve no tecido glandular dos seios, sendo uma das principais causas de doenças e morte entre mulheres globalmente. Esse câncer tem apresentado aumento na incidência, refletindo alterações no estilo de vida, hábitos reprodutivos e avanços na detecção precoce. Lopes et al. (2024). De acordo com o INCA (2024), esse câncer teve cerca de 2,3 milhões de novos casos projetados para 2022.

Apesar dos progressos feitos nos tratamentos, várias pacientes ainda necessitam optar pela mastectomia radical associada à linfadenectomia axilar como parte da estratégia terapêutica. Apesar de essa intervenção ser efetiva no controle do tumor, pode gerar complicações crônicas, como o linfedema do membro superior, uma condição que impacta a funcionalidade, a estética corporal e a qualidade de vida das sobreviventes (Rafn et al., 2024).

Conforme Lopes et al. (2024), a mastectomia radical é uma intervenção cirúrgica que tem sido empregada ao longo do tempo no tratamento do câncer de mama. Consiste na remoção extensa da mama afetada e das estruturas e tecidos adjacentes, sendo essa opção cirúrgica fundamentada em uma avaliação multidisciplinar do perfil tumoral, das características individuais da paciente e da presença de outras comorbidades.

Com base nesses fatos, elaborou-se a seguinte pergunta: De que forma a drenagem linfática manual é coadjuvante no tratamento de pós-operatório de mastectomia radical? De certa forma, esse procedimento pode causar dor, restrição nos movimentos dos braços ou ombros, redução da força muscular, sensação de formigamento, inchaço (edema) e acúmulo de líquido na região (seroma). (Coelho et al., 2021).

Segundo Soares e Silva (2023), além do linfedema, outras complicações são esperadas após a cirurgia, tais como diminuição da capacidade de distensibilidade do tecido subcutâneo e redução da amplitude de movimento de todo o membro envolvido; acarretando alterações físicas e mentais, o que dificulta a interação social dessas mulheres. Nesse sentido, a presente pesquisa se justifica pela importância da realização da drenagem linfática manual pelo fisioterapeuta no manejo dessas pacientes, podendo diminuir a dor e recuperar a integridade funcional do movimento, além da melhora na qualidade de vida.

De acordo com Liang et al. (2020), aproximadamente 15% a 20% dos pacientes enfrentam complicações no pós-operatório de mastectomia. Nesse cenário, a fisioterapia desempenha um papel crucial na reabilitação, empregando técnicas como a drenagem linfática, que utiliza movimentos específicos para estimular o bombeamento na pele, favorecendo o fluxo e a reabsorção linfática.

O objetivo geral da pesquisa foi avaliar a eficácia da drenagem linfática manual como coadjuvante no tratamento do pós-operatório de mastectomia radical. Portanto, foram delineados os seguintes objetivos específicos: Compreender as alterações funcionais ocorridas após a mastectomia radical; diferenciar os benefícios da drenagem linfática manual dos outros tratamentos existentes; descrever a importância da realização da drenagem linfática manual logo após o procedimento cirúrgico.

Tendo em vista as especificidades de Nascimento e Prado (2023), a fisioterapia tem um impacto significativo no processo de recuperação pós-operatória em casos de câncer de mama. Seu objetivo é não apenas promover a reabilitação física e a ampliação da autonomia nas tarefas diárias, mas também escutar e compreender as limitações e demandas das pacientes, oferecer suporte técnico e emocional, além de fortalecer a autoestima.

O câncer de mama é uma doença que afeta mulheres em todo o mundo e se caracteriza pela multiplicação de células anormais devido a alterações no DNA celular, formando um tumor na região mamária. Quando diagnosticado precocemente, o tratamento pode ser bem-sucedido; entretanto, em casos mais avançados, pode haver progressão para metástase, comprometendo outros órgãos e levando ao óbito (INCA, 2021).

A causalidade da doença é um fator indefinido, várias pesquisas sugerem ser uma questão multifatorial, com correlações significativas na idade jovem, histórico familiar, genética e medo de recorrência. Apesar da causa da neoplasia de mama ser desconhecida, podemos identificar fatores de risco em nível comunitário, como contato com hormônios femininos endógenos e exógenos, relacionados com mutações familiares de alta penetrância, que são o BRCA1 e BRCA2 (Saunders, 2022; Casaubon et al.,2020; Tao et al., 2023).

Por outro lado, Leite (2021) caracteriza que quanto ao panorama de sobrevida, assim como a maioria das doenças, essa enfermidade possui um melhor prognóstico quanto mais precoce for seu diagnóstico, com interferências quantitativas do desenvolvimento de tratamentos de saúde direcionados a ela, ou seja, quanto mais recursos tecnológicos e medicamentosos possuir os centros de tratamento, maiores são as chances de as pacientes evoluírem para a regressão das células cancerosas e, posteriormente, para a cura.

Dentro desta concepção, Burstein et al. (2021) pontuam que fatores relacionados ao ambiente e ao estilo de vida desempenham papel fundamental na determinação dos riscos. Entre os principais influenciadores estão o consumo de álcool, obesidade, sedentarismo e dietas ricas em gorduras saturadas, todos associados ao aumento das chances de desenvolvimento do câncer de mama. A pesquisa sobre os impactos ambientais continua em evolução, explorando a hipótese de que a interação entre fatores genéticos e ambientais pode ser um elemento central na origem e progressão da doença.

Conforme indicado por Domingues et al. (2021), para controlar esta doença é necessária a detecção precoce, em que as lesões permanecem confinadas às células e ao tecido mamário, com dimensão máxima de 3 cm, o que permite a utilização de intervenções terapêuticas menos destrutivas e com maior probabilidade de cura. Mulheres com lesões suspeitas devem ser investigadas o quanto antes com exames como mamografia, ultrassonografia ou biópsia e tratamento adequado se confirmado.

Segundo Barzaman et al. (2020), representa uma heterogeneidade clínica e molecular significativa, manifestando-se em diversos subtipos com características biológicas distintas e padrões variados de comportamento clínico. A complexidade da doença é evidenciada pela diversidade de apresentações e prognósticos, bem como pela evolução das estratégias de diagnóstico e tratamento.

A técnica de mastectomia radical tem sido progressivamente substituída por abordagens menos invasivas, como a mastectomia radical modificada e a mastectomia parcial, exemplificada pela tumorectomia (também conhecida como cirurgia conservadora da mama), geralmente realizada em conjunto com radioterapia. Desenvolvida por Bernard Fisher e colaboradores, a mastectomia radical modificada consiste na remoção da mama e dos linfonodos axilares, preservando a musculatura peitoral maior. (Zhang et al., 2021).

Thomas et al. (2023) afirmam que a mastectomia radical é um procedimento cirúrgico que tem sido historicamente utilizado no tratamento do câncer de mama. Este tipo de cirurgia envolve a remoção extensa da mama afetada, bem como de tecidos e estruturas adjacentes, e foi desenvolvida para tratar casos avançados de câncer mamário com a intenção de reduzir o risco de recidiva local e melhorar o prognóstico global dos pacientes.

A indicação para a mastectomia radical é geralmente considerada em casos de câncer de mama localmente avançado ou quando há comprometimento extenso dos linfonodos axilares que não pode ser adequadamente manejado por técnicas menos invasivas. Em algumas situações, a mastectomia radical é também indicada quando há contraindicações para a radioterapia ou quando há necessidade de tratamento cirúrgico em mamas muito volumosas com múltiplas lesões (Barzaman et al., 2020).

Um dos tratamentos eficazes para o linfedema é a drenagem linfática manual. Essa técnica tem como finalidade estimular o fluxo da linfa e acelerar o transporte nos vasos e ductos linfáticos, utilizando movimentos que reproduzem o bombeamento fisiológico natural. Trata-se de uma massagem direcionada ao sistema linfático, que ajuda a recolher o líquido intersticial não reabsorvido pelos capilares sanguíneos, promovendo um funcionamento mais eficiente desse sistema.

É conveniente destacar que esse líquido é filtrado pelos linfonodos e então reintegrado ao sistema circulatório sanguíneo. Os principais benefícios dessa técnica incluem a melhora da hidratação e nutrição celular, aceleração da cicatrização de ferimentos, reabsorção de hematomas e equimoses, redução da retenção de líquidos, fortalecimento do sistema imunológico, desintoxicação do organismo, estimulação da circulação sanguínea, combate à celulite e promoção do relaxamento corporal. (Ozolins et al., 2020).

Para compreender a técnica de drenagem linfática manual (DLM), é essencial entender, inicialmente, o funcionamento do sistema linfático. Esse sistema é formado por linfonodos, vasos linfáticos e órgãos linfoides, como as tonsilas, o baço, o timo e as amígdalas, que são fundamentais para a defesa do organismo. Sua principal função é drenar o excesso de líquidos e proteínas plasmáticas que escapam dos capilares sanguíneos, retornando-os ao sistema circulatório. Esse processo evita o acúmulo de fluidos nos tecidos e, consequentemente, previne o surgimento de edemas (Roza, 2021).

2. MATERIAIS E MÉTODO

Este estudo constitui uma revisão integrativa de literatura.A coleta de dados bibliográficos ocorreu entre os meses de março a maio de 2026, em bases de dados científicas reconhecidas como: SciELO (Scientific Electronic Library Online); PubMed/MEDLINE (National Library of Medicine); LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde); Google Scholar (Google Acadêmico).

Foram utilizados descritores controlados em português e inglês, combinados com operadores booleanos (AND, OR), tais como: "Drenagem linfática manual", "Linfedema", "Mastectomia", "Fisioterapia”, "Câncer de mama”. O estudo assumiu caráter descritivo-exploratório; para selecionar os artigos, primeiramente, procedeu-se à leitura do título e do resumo; em seguida, os artigos pré-selecionados foram lidos na íntegra para avaliação da sua compatibilidade com os critérios de inclusão previamente estabelecidos para o estudo.

Os critérios de inclusão foram estudos que abordassem a drenagem linfática manual aplicada em pacientes submetidas à mastectomia radical para tratamento do câncer de mama, apresentassem qualquer delineamento metodológico, incluindo ensaios clínicos, revisões sistemáticas e estudos observacionais, estivessem disponíveis na íntegra em português, inglês ou espanhol, tivessem sido publicados entre 2020 e 2024.Os critérios de exclusão foram trabalhos duplicados, artigos de opinião, editoriais e estudos com baixa relevância metodológica.

Com base no objetivo desta revisão integrativa e em seus critérios de seleção, a análise completa dos textos culminou em uma amostra final composta por 9 estudos que abordam, de forma geral, a mastectomia, que é um procedimento cirúrgico realizado em pacientes acometidos por câncer de mama. Após a filtragem, considerando apenas publicações dos últimos cinco anos, restaram 24 estudos, analisados inicialmente por título e resumo.

Figura 1 - Fluxograma das etapas da pesquisa

Fonte: Elaborado pela autora (2026

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise desses trabalhos evidenciou que a atuação fisioterapêutica no pós-operatório de mastectomia contribui de maneira decisiva para a reabilitação de pacientes com linfedema. Os resultados apontaram que, além das melhorias físicas, os estudos destacaram avanços no bem-estar emocional e na reinserção social das pacientes, o que reforça a importância da atuação fisioterapêutica desde as fases iniciais do tratamento. A Tabela 1 sintetiza os principais resultados da revisão, destacando os benefícios da DLM no tratamento do operatório de mastectomia total.

Tabela 1 - Principais achados sobre a fisioterapia pós-mastectomia

AUTORES/ANO

PRINCIPAIS ACHADOS

BASE DE DADOS

Roca et al. (2021)

Foi possível observar o aumento da ADM para flexão anterior e abdução do ombro. Sobre a perimetria, não houve linfedema. A respeito da qualidade de vida, avaliava-se aumento na classificação do questionário FACT-B+4, de 128 para 144, sendo a avaliação final próxima do limite de pontuação máxima, que é 148.

Braz. J. Hea. Rev

Prado et al. (2020)

Atualmente, a drenagem linfática manual é um mecanismo muito usado em pacientes pós-cirúrgicos, procedimento também muito utilizado em pacientes que fizeram a mastectomia total. A mastectomia é um procedimento cirúrgico realizado em pacientes acometidos por câncer de mama, ela pode ser parcial ou total

Revista de Psicologia

Marques e Silva, (2020)

Reforça que a técnica deve ser realizada por profissionais capacitados, sendo eficaz na prevenção e tratamento de linfedema

Scire Salut.

Coelho (2021)

Pode-se observar que a fisioterapia é bem avaliada para todas as pacientes que realizaram a mastectomia, sendo de extrema importância no pós-operatório, evitando complicações como linfedema e diminuindo a amplitude de movimento.

Revista CPAQV - Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, 

Domingues et al. (2021)

Intervenções fisioterapêuticas, como drenagem linfática manual, exercícios de fortalecimento muscular e terapias compressivas, são eficazes na prevenção e controle do linfedema. Conclui-se que a fisioterapia desempenha um papel crucial no manejo pós-operatório, promovendo bem-estar e prevenindo complicações.

Fisioterapia Brasil,

Naughton, et al. (2020)

A qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) foi avaliada utilizando o questionário Functional Assessment of Cancer Therapy–Breast plus 4 lymphedema items (FACT-B+4). Uma análise de regressão longitudinal de modelo misto, ajustada para variáveis demográficas e clínicas importantes, examinou a QVRS das participantes por grupo de intervenção e presença de linfedema.

Revista Eletrônica Acervo Científico | ISSN

Monteiro (2020)

De acordo com as revisões avaliadas no artigo, determinou-se que, apesar da efetividade da DLM como terapêutica isolada em mulheres mastectomizadas, os seus efeitos no tratamento são melhores quando há associação a outras técnicas.

Revista Liberum accessum

Debiasi (2023)

A DLM tem benefícios notáveis quando se trata da melhora do quadro de edema das pacientes mastectomizadas, embora eles ressaltem que a técnica é mais aprimorada quando em combinação com outras terapias.

Anais do 21º Encontro Científico Cultural Interinstitucional,

Martins et al. (2022)

Os autores descrevem que, no decorrer do estudo, certifica-se de que a DLM é, de fato, de suma importância para o tratamento pós-mastectomia, melhorando o fluxo linfático e reduzindo os efeitos do linfedema.

Revista Científica do Centro Universitário de Jales (Unijales),

Fonte: Elaborado pelas autoras (2026)

O acompanhamento fisioterapêutico é essencial tanto no período pré-operatório quanto, sobretudo, no pós-operatório, para mulheres que vivenciam intensas mudanças físicas e funcionais decorrentes do câncer de mama. A atuação da fisioterapia é indispensável na preservação e recuperação das funções comprometidas, além de contribuir significativamente para o restabelecimento da autoestima da paciente.

Em conformidade, o estudo conduzido por Roca (2021) conceitua que, dessa forma, a fisioterapia torna-se parte integrante do tratamento oncológico, sendo fundamental que o profissional busque constante atualização e aprimoramento técnico a fim de proporcionar uma reabilitação mais eficaz e voltada à reintegração da paciente às suas atividades diárias.

A drenagem linfática manual (DLM) tem sido amplamente reconhecida como intervenção essencial no manejo do linfedema pós-mastectomia. Segundo Prado et al. (2020), a drenagem linfática manual, ao facilitar o deslocamento da linfa pelos vasos linfáticos, contribui para a reabsorção do líquido intersticial acumulado e para a redução do edema.

A drenagem linfática manual é uma prática terapêutica amplamente valorizada na fisioterapia, sobretudo no acompanhamento de pacientes pós-mastectomia. Trata-se de uma técnica baseada em manobras específicas de massagem, projetadas para estimular o sistema linfático e acelerar o fluxo da linfa em direção aos gânglios linfáticos. Este processo auxilia na redução de edemas e na recuperação tecidual, proporcionando melhorias significativas ao paciente. (Silva et al., 2023).

A técnica também acelera o processo de cicatrização, em virtude da melhora da oxigenação tecidual e da nutrição celular, além de estimular a resposta imunológica, potencializando a produção e o transporte de linfócitos. Ademais, contribui para a reabsorção de hematomas e equimoses, bem como para a redução de processos inflamatórios e a prevenção de complicações secundárias no pós-operatório. Quando aplicada de forma adequada por profissionais qualificados, a DLM revela-se um recurso seguro e eficaz na recuperação funcional (Marques; Silva, 2020).

De acordo com o estudo de Coelho (2021), realizado por meio de entrevistas com 20 mulheres que passaram por mastectomia, os resultados apontaram que, no pós-operatório, 50% delas realizaram fisioterapia, enquanto as outras 50% não o fizeram. Entre as que aderiram à fisioterapia, foi destacado que a prática no início do tratamento foi essencial, contribuindo significativamente para a melhora da funcionalidade do lado afetado.

De modo convergente, Martins et al. (2022) corroboram a eficácia da DLM ao observarem uma redução notável do linfedema, associada à melhora da mobilidade do membro superior e do bem-estar geral das pacientes. Diferentemente de Debiasi e Marengon (2023), que enfatizam a qualidade de vida de forma global, Martins et al. (2022) direcionam a análise para a funcionalidade, sugerindo que a DLM contribui significativamente para a recuperação da autonomia e das atividades de vida diária.

Souza e Ataide (2020), por sua vez, reforçam esses achados ao confirmarem que a DLM reduz de maneira significativa o linfedema, sendo amplamente recomendada para mulheres no período pós-mastectomia. Os autores enfatizam o caráter terapêutico e preventivo da técnica, ao apontarem que sua aplicação regular pode minimizar complicações futuras associadas à progressão do linfedema, como fibrose e limitações funcionais.

Monteiro e Almeida (2020) e Santos (2022) também destacam a importância da drenagem linfática manual para reduzir o linfedema. Eles recomendam que essa técnica seja usada como parte fundamental do tratamento fisioterapêutico para mulheres que passaram por mastectomia. Esses autores enfatizam a necessidade de incluir a drenagem linfática manual em protocolos de tratamento bem estruturados.

A realização de uma mastectomia pode levar a uma complicação chamada linfedema, que afeta diretamente a qualidade de vida da mulher. De acordo com um estudo feito por Naughton et al. (2020), as mulheres que passaram por uma mastectomia e desenvolveram linfedema apresentam uma piora significativa na sua qualidade de vida, especialmente no que diz respeito ao bem-estar funcional. Isso significa que essas mulheres têm uma diminuição na capacidade de realizar atividades físicas e sociais devido ao linfedema.

O linfedema é uma das complicações mais frequentes em mulheres submetidas à mastectomia, e é caracterizado pelo acúmulo de líquido linfático nos tecidos, como resultado do comprometimento do sistema linfático após a remoção de linfonodos durante a cirurgia (Domingues et al.,2021). Estudos indicam que entre 20% e 40% das mulheres que passaram pela mastectomia desenvolvem linfedema, o que afeta gravemente a qualidade de vida dessas pacientes, causando dor, inchaço e restrição funcional, além de impactar suas atividades diárias.

Esses efeitos contribuem para a melhora da mobilidade, o alívio de dores e a preservação das capacidades funcionais do indivíduo. Além disso, seu impacto vai além do físico, auxiliando na reeducação postural, na promoção da autoestima e no equilíbrio emocional das pacientes. Contudo, é importante considerar contraindicações como infecções, tromboses, hipertensão não controlada e neoplasias malignas, que demandam atenção profissional antes da aplicação da técnica.

Estudos recentes, como o realizado por Ozolins (2020), mostram que a fisioterapia pode trazer benefícios importantes para as pacientes. Por exemplo, essa técnica ajuda a melhorar a hidratação e a nutrição das células, acelera a cicatrização, reduz a retenção de líquidos e ainda promove o relaxamento corporal. Quando fisioterapeutas realizam intervenções, como exercícios de mobilidade e drenagem linfática, elas podem ajudar a melhorar a funcionalidade e a reduzir a dor. Além disso, o suporte psicológico oferecido pelos fisioterapeutas desempenha um papel fundamental no enfrentamento das mudanças corporais e na redução de sintomas relacionados à ansiedade e à depressão.

Em resumo, de acordo com Rocha e Silva (2024), a fisioterapia após uma mastectomia é essencial para a recuperação e a qualidade de vida das pacientes. As principais abordagens incluem a drenagem linfática manual e o uso de bandagens compressivas para minimizar o inchaço. Também são realizados exercícios pendulares, isométricos e isotônicos, que visam aumentar a amplitude dos movimentos e fortalecer a musculatura. Essas técnicas são fundamentais para ajudar as pacientes a se recuperarem melhor e a terem uma vida mais saudável.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme apresentado na literatura analisada, a drenagem linfática manual (DLM) é reconhecida como um método terapêutico eficaz no manejo do linfedema após a mastectomia. As pesquisas revisadas apontam que essa técnica contribui para a diminuição do edema, melhora da mobilidade articular e alívio dos sintomas físicos, impactando de forma positiva a qualidade de vida das pacientes.

A diminuição da tensão nos tecidos contribui para uma maior amplitude de movimento e ajuda a prevenir retrações e aderências cicatriciais, impactando positivamente na realização das atividades diárias e na qualidade de vida. Outros benefícios fisiológicos da DLM incluem a melhoria do retorno dos fluidos intersticiais ao sistema circulatório, reduzindo o acúmulo que origina o linfedema.

Quando aplicada por fisioterapeutas devidamente capacitados, essa técnica não apenas promove a reabilitação física, mas também fortalece o bem-estar emocional e social das pacientes, unindo rigor científico e uma abordagem humanizada no tratamento. Ressalta-se, assim, a relevância do tratamento fisioterapêutico na melhoria da qualidade de vida, prevenção de complicações relacionadas ao tratamento oncológico e recuperação da autonomia feminina após o câncer de mama.

Além disso, a técnica acelera o processo de cicatrização, ao melhorar tanto a oxigenação dos tecidos quanto a nutrição celular. A DLM também estimula a resposta imunológica, favorecendo a produção e o transporte de linfócitos. Paralelamente, contribui para a reabsorção de hematomas e equimoses, minimiza processos inflamatórios e previne complicações pós-operatórias. Com base nesses achados, conclui-se que a drenagem linfática manual é uma ferramenta fundamental no âmbito da fisioterapia oncológica, desempenhando um papel crucial no cuidado integral das mulheres submetidas à mastectomia.

Contudo, cabe destacar como limitação deste estudo a reduzida quantidade de participantes, o que restringe a generalização dos resultados obtidos. Nesse sentido, recomenda-se que futuras pesquisas sejam realizadas com amostras mais amplas e métodos mais robustos, para fortalecer as evidências sobre a eficácia da drenagem linfática manual na reabilitação de pacientes pós-mastectomia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARZAMAN K, et al. Breast cancer: Biology, biomarkers, and treatments. Int Immunopharmacol. 2020 Jul; 84:106535. doi: 10.1016/j.intimp.2020.106535. Epub 2020 Apr 29. PMID: 32361569. DOI: 10.1016/j.intimp.2020.106535.Acesso em: 12 de março de 2026.

BRAVO, B. S., Lopes, A. B. B., Tijolin, M. B., Nunes, P. L. P., Lenhani, T., Junior, S. F. D., & Ceranto, D. de C. F. B. (2021). Câncer de mama: uma revisão de literatura/ Breast cancer: a literature review.Brazilian Journal of Health Review, 4(3), 14254–14264.0.34119/bjhrv4n3-357.

BURSTEIN, H. J. et al. Customizing local and systemic therapies for women with early breast cancer: the St. Gallen International Consensus Guidelines for treatment of early breast cancer 2021. Annals of Oncology, v. 32, n. 10, p. 1216–1235, 1 out. 202. Doi: 10.1016/j.annonc.2021.06.023.

CASAUBON JT, et al. Breast-Specific Sensuality and Appearance Satisfaction: Comparison of Breast-Conserving Surgery and Nipple-Sparing Mastectomy. J Am Coll Surg, 2020; 230(6): 990-998. Doi: 10.1016/j.jamcollsurg.2020.02.048. Epub 2020 Apr 6. PMID: 32272205.

CHAVES, Lais Carneiro da Cunha, et al. Os impactos da mastectomia na autoestima das mulheres com câncer de mama / The impacts of mastectomy on the self-esteem of women with breast cancer. Brazilian Journal of Health Review. vol. 04 n°2, 2021.

COELHO, C. N., Oliveira, E. S., Fernandes, S., & Artuzo, T. (2021). A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NO PÓS-OPERATÓRIO DE MASTECTOMIA. Revista CPAQV - Centro de pesquisas avançadas em qualidade de vida, 13(3). Disponível em: https://doi.org/10.36692/v13n3-17.

DEBIASI, A. A.; MARENGON, L. A. Efeitos da drenagem linfática manual no tratamento de linfedema pós-mastectomia. Anais do 21º Encontro Científico Cultural Interinstitucional, [s.] l.], 2023.

DOMINGUES, Aline Cristina et al. Terapia complexa descongestiva no tratamento de linfedema pós-mastectomia. Fisioterapia Brasil, v. 22, n. 2, p. 272-289, 2021. DOI: https://doi.org/10.33233/fb.v22i2.4323. Acesso em: 12 de abril de 2026.

FRANCO, P. et al. Terapia descongestiva completa para linfedema relacionado ao câncer de mama: efeitos no volume do braço e na qualidade de vida. Medicine (Baltimore), v. 99, n. 31, e23192, 2021.

LEITE, G. C.; RUHNKE, B. F.; VALEJO, F. A. M. Correlação entre tempo de diagnóstico, tratamento e sobrevida em pacientes com câncer de mama: uma revisão de literatura. Colloquium Vitae. ISSN: 1984-6436, v. 13, n. 1, p. 12–16, 17 mar. 2021.

LIANG, M.; CHEN, Q.; PENG, K.; DENG, L.; HE, L.; HOU, Y.; LI, L. Drenagem linfática manual para linfedema em pacientes após cirurgia de câncer de mama: uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados. Medicine, 2020, v. 99, n. 49, e23192.

LOPES, J.V. et al. Impacto do câncer de mama e qualidade de vida de mulheres sobreviventes. Revista Brasileira de Enfermagem, v.71, n.6, p.2916-2921, 2018. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0081. Acesso em:15 de abril 2026,

MARQUES TML da S, Silva AG. Anatomia e fisiologia do sistema linfático: processo de formação de edema e técnica de drenagem linfática. Scire Salut. 2020;10(1):1–9.

MARTINS, J. F. N. et al. Drenagem linfática no tratamento de mulheres mastectomizadas radicalmente. XII 54-69. ed. Revista Científica do Centro Universitário de Jales (Unijales), 2022.

MONTEIRO, E. M. O.; ALMEIDA, K. S. Drenagem linfática no tratamento de linfedema em mulheres mastectomizadas. Revista Liberum accessum, v. 6, n. 1, p. 1-12, 2020.

NAUGHTON MJ, et al. Health-related quality of life outcomes for the LEAP study-CALGB 70305 (Alliance): A lymphedema prevention intervention trial for newly diagnosed breast cancer patients. Cancer, 2021; 127(2): 300–309

Nascimento, M. L. B., & Prado, T. M. S. (2023). A IMPORTÂNCIA DA Fisioterapia no tratamento em mulheres com câncer de mama. Reabilitação: Uma Revisão Integrativa. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação9(11), 662–672. https://doi.org/10.51891/rease.v9i11.12399

OZOLINS, B. C.; MENDES, A. F. G.; PINTO, L. P.; et al. Os benefícios da drenagem linfática pós-mastectomia. Revista Multidisciplinar e de Psicologia. Out, 2020. Disponível em: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/2720/4357.

PEREIRA, P. S.; et al. Atuação da fisioterapia no pós-operatório de mastectomia total. Revista FT. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.11113818.

PRADO, AS et al.Os Benefícios da Drenagem Linfática Pós Mastectomia/The benefits of lymphatic drainage after mastectomy.ID online. Revista de Psicologia, v. 14, n. 52, p. 362-373, 2020.

RAFΝ, B. S.; CHRISTENSEN, J.; LARSEN, A.; BLOOMQUIST, K. Vigilância prospectiva para linfedema de braço relacionado ao câncer de mama: uma revisão sistemática e meta-análise. Journal of Clinical Oncology, 2022, v. 40, n. 9, p. 1009–1026. Disponível em: https://doi.org/10.1200/JCO.21.02528. Acesso em: 20 março. 2026

ROCA, L. G. V.et al. (2021). Intervenção fisioterapêutica na qualidade de vida de uma paciente mastectomizada: um estudo de caso/Physiotherapeutic intervention in the quality of life of a mastectomized patient: a case study.Braz. J. Hea. Rev.[Internet],4(6), 2021. Acesso em: 19 out. 2025.

ROCHA, Alessandra De Jesus Mota; Lemos, Giovana Bergheme Franciscon De; Ribeiro, Rachel Trinchão Schneiberg Kalid. Fototerapia Pós-Mastectomia: Uma Revisão Sistemática. Revista Brasileira De Cancerologia, [s.l.], v. 65, n. 1, p. 1-7, 15 Jul. 2019.

ROZA, T.A. A Drenagem Linfática manual aplicada em gestantes. Revista Estética em Movimento, v. 1, n. 1, 2020.Disponivel em: https://revista.fumec.br/index.php/esteticaemmovimento/article/view/6504/3167.Acesso em:23 de março 2026.

SANTOS, K. dos; SALEME, A. P. de F.; KOKUDAI, R. L. N. Drenagem linfática manual em linfedema pós-mastectomia: uma revisão de literatura. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, [S. l.], v. 8, n. 1, Jul. 2023. Disponível em: https://revista.unipacto.com.br/index.php/multidisciplinar/article/view/1128. Acesso em: 1 26 feve. 2026.

SAUNDERS CM. Breast surgery: a narrative review. Med J Aust. 2022 Sep 5;217(5):262-267. doi: 10.5694/mja2.51678. Epub 2022 Aug 21. PMID: 35988063; PMCID: PMC9541238.

SILVA, A. K. da; et al. Intervenções fisioterapêuticas utilizadas no pós-operatório de câncer de mama nas disfunções do ombro. Revista Fisioterapia & Terapia Manual, [S. l.], 2023

SOUZA, F.; SÁ, S. R. P.; LOPES, K. S. A fisioterapia em oncologia: abordagem fisioterapêutica na reabilitação de pós-mastectomia radical. Revista FT, [S. l.], 2024.

TAO F, et al. Prevalence and severity of anxiety and depression in Chinese patients with breast cancer: a systematic review and meta-analysis. Front Psychiatry, 2023; 14: 1080413.

TEIXEIRA, I. O resgate da autoestima: O desafio de superar as repercussões do tratamento cirúrgico do câncer de mama. Revista Brasileira de Sexualidade Humana, [S. l.], v. 18, n. 1, 2020. DOI: 10.35919/rbsh. v18i1.409.

ZHANG, Y. et al. Review of Breast Cancer Pathological Image Processing. BioMed Research International, v. 2021, p. 1–7, 20 set. 2021.


Artigo apresentado ao Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Santa Terezinha - CEST, para obtenção do grau de Bacharel em Fisioterapia. Orientador: Prof. Esp. Hyrllanny Pereira dos Santos. Docente do Centro Universitário Santa Terezinha - CEST. São Luís. Brasil

1 Graduando em Fisioterapia pelo Centro Universitário Santa Terezinha. São Luis. Brasil