REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779819290
RESUMO
O presente artigo visa contribuir para o debate das estratégias da psicologia na prevenção do álcool na adolescência, analisando a vulnerabilidade na infância e aos danos do uso abusivo de álcool na faixa etária de adolescentes entre 12 e 18 anos. A fundamentação teórica se baseia nas contribuições da Escola Inglesa de Psicanálise, destacando os conceitos de Melanie Klein sobre o mundo interno e a técnica do brincar, a Teoria do Apego de John Bowlby e o conceito de ambiente "suficientemente bom" de Donald Winnicott. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, com análise de produções científicas publicadas entre 2009 e 2021. Os resultados indicam que o uso do álcool na adolescência frequentemente atua como um mecanismo de regulação emocional para conflitos internos originados em falhas nos vínculos primários. Conclui-se que o papel do psicólogo é fundamental na identificação dessas lacunas afetivas e no fortalecimento do self, atuando como facilitador junto ao adolescente e sua família para a construção de trajetórias de uma vida mais saudável e integrada.
Palavras-chave: psicologia; escola Inglesa; uso de álcool; vínculos iniciais; adolescentes; prevenção.
ABSTRACT
This article aims to contribute to the debate on psychological strategies for alcohol prevention in adolescence, analyzing childhood vulnerability and the harms of alcohol abuse in adolescents aged 12 to 18. The theoretical framework is based on contributions from the English School of Psychoanalysis, highlighting Melanie Klein's concepts of the inner world and the technique of play, John Bowlby's Attachment Theory, and Donald Winnicott's concept of a "good enough" environment. Methodologically, this is qualitative bibliographic research, analyzing scientific publications from 2009 to 2021. The results indicate that alcohol use in adolescence frequently acts as an emotional regulation mechanism for internal conflicts originating from failures in primary bonds. It concludes that the psychologist's role is fundamental in identifying these affective gaps and strengthening the self, acting as a facilitator with the adolescent and their family to build pathways to a healthier and more integrated life.
Keywords: psychology; english school; alcohol use; early bonds; adolescents; prevention.
1. INTRODUÇÃO
São vários os motivos que podem levar os adolescentes a terem o hábito de ingerir bebidas alcoólicas, entender esse padrão de comportamento é de grande valor, assim como também inferir as consequências desse hábito no contexto do desenvolvimento e da saúde. Analisando essa questão não se deve levar em consideração apenas os motivos que levam os jovens ao consumo do álcool, mas também cogitar quais são os diversos elementos que proporcionam essa prática que podem ser os fatores sociais, emocionais e familiares (Carvalho; Machado; Carvalho e Soares, 2009).
O foco principal de tal concepção é discernir o papel da psicologia na prevenção desta questão, e para que isso ocorra vamos nos aprofundar nas contribuições teóricas dos psicanalistas britânicos, buscando luz para o entendimento do desenvolvimento emocional do jovem e assim conseguir responder a esta temática.
Por este motivo, foi pesquisado Ernest Jones, pois ele foi o fundador da Escola Inglesa, que se deu início em Londres no ano de 1919, dentro da Sociedade Psicanalítica Britânica, sua base teórica inicial é a de Sigmund Freud tanto que ele foi o seu biógrafo e posteriormente tornou-se embaixador da psicanálise no movimento psicanalítico internacional (Massi 2009).
O ponto central desta Escola foi a teórica Melanie Klein, a mesma tem um marco inaugural para essa corrente de pensamento que foi de grande valia para esse movimento.
Ela construiu sua teoria a partir de suas análises com Sándor Ferenczi, o mesmo que a incentivou a realizar observações em crianças, a relevância de tal investigação foi que anteriormente esses estudos nao eram feitos propriamente com as crianças, elas eram estudadas indiretamente, mas, não significa que não havia trabalhos realizados com essa faixa-etária, e sim que a autora iniciou algo mais específico, observando-as ao brincar e entendeu que assim acontecia da mesma forma como ocorre a associação livre nos adultos (Massi, 2009).
Seus fundamentos não somente seguiram as ideias freudianas, mas também se ampliaram profundamente no que se refere à compreensão do funcionamento da mente humana, foi colaborativa para que a psicanálise alcançasse pacientes que antes eram considerados não analisáveis, Klein, trouxe aporte para o desenvolvimento da teoria das relações de objeto, reformulação do conceito de ansiedade e introduziu o conceito de fantasia inconsciente como um elemento central do funcionamento psíquico entre outros (Salem, 2016).
Com isso, ela observou que a vida psíquica dos pequenos era muito precoce, diferente do que se tinha de conhecimento na época, até então se dava mais importância ao complexo de Édipo e às fases do desenvolvimento psicossexual mais tardias, ou seja, o trabalho que se tinha com crianças era superficial e menos interpretativo (Neves, 2017).
O autor acima, menciona que em 1920, ao analisar o público infantil Klein, começou a utilizar as técnicas lúdicas, claro que inspirada na observação de Freud sobre o brincar da criança com o carretel (ao observar seu neto brincando Freud entendeu que era a forma de ele lhe dar com a separação da mãe, jogando o carretel o fazendo sumir e puxando de volta o fazendo aparecer). Com isso, a teórica concluiu que os pequenos utilizam o lúdico para se expressar, é brincando que acontece a associação livre e os pequenos tratam suas expressões verbais como simbolismo de seus conflitos inconscientes.
Neves (2007), traz em seu artigo que a teórica citada compreende que a criança lida com sentimentos de amor e ódio, o qual ela chama de objetos internos, que são as primeiras trocas afetivas, pois a criança recebe cuidado, carinho, proteção da mãe (amor), e ao mesmo tempo sente fome, frio e sede (ódio) e desta forma é como se ela guardasse em si versões daqueles com quem ela tem maior contato. Enfim desde cedo se vive um constante movimento entre o medo da perda e o desejo de reparar seus vínculos, buscando equilíbrio no amor e na agressividade em suas primeiras relações.
Devido a tais estudos, evidencia-se que a partir destas contribuições foram fundados novos alicerces para a psicanálise e se teve um olhar voltado diretamente para a criança e que isso colabora para a constituição do sujeito.
Houve outros teóricos que trouxeram luz para a teoria da psique humana através de observações nos anos iniciais de um bebê, John Bowlby revolucionou a forma de se entender o desenvolvimento emocional com sua Teoria do Apego.
Em meados da década de 50, tinha-se a concepção de que o vínculo entre criança e mãe/cuidadora era sustentado através das necessidades de certos impulsos como o de satisfazer a fome do bebê. Essa ligação não era vista como uma relação afetuosa, mas como um relacionamento mais frio e biológico (Bowlby, 1990, 1997 apud Ramires; Schneider, 2010).
Os autores acima relatam que Bowlby (1990) ao acompanhar o sofrimento emocional das crianças separadas dos pais devido aos bombardeios na Segunda Guerra, mudou essa visão. Ele traz a constatação de que o vínculo afetivo é uma necessidade primária e inata que busca uma proximidade com os cuidadores e que sem eles a criança pode ter impactos profundos no seu desenvolvimento emocional, como ansiedade, insegurança e dificuldades nos relacionamentos ao longo da vida. A partir de então Bowlby implementa sua teoria e menciona que embora uma variedade de indivíduos demonstre comportamento de apego, o estabelecimento de um laço duradouro é restrito a muito poucos, e a teoria do apego ocupa-se de ambos os fenômenos.
A eficácia do vínculo na Teoria do Apego está intrinsecamente ligada ao cuidador, depende da sua capacidade em interpretar os sinais infantis e atendê-los adequadamente, ou seja, o relacionamento da mãe com o bebê deve ser baseado em amor e cuidados devido a ser exatamente nos primeiros anos de vida que o ser humano recebe base para ter um bom desenvolvimento emocional. Nada se equivale a perfeição e sim, ser presente ao ponto de transferir segurança. (Bowlby, 1990, 1997 apud Ramires; Schneider, 2010).
Refletindo sobre o mesmo autor, a responsividade na relação da mãe com bebê estabelece o que Bowlby (1990) chama de uma base segura, permitindo que o indivíduo estruture confiança, tenha uma autoimagem positiva, desenvolva competências sociais para interagir de forma acautelada em suas relações futuras. As omissões nesse vínculo poderão pesar em um adulto com privações afetivas, sentimentos inadequados como o não merecer ser cuidado e estar em alerta constante.
Diante deste cenário, evidencia-se que o âmbito em que o jovem está inserido atua diretamente na forma como ele se relaciona com o mundo. Uma vez que que ele não tem a intenção inicial de beber, o ambiente ao seu redor pode acabar estimulando esse comportamento e são vários os aspectos que podem contribuir para que ele tenha contato e inicie o consumo de bebidas alcoólicas. Uma criança que está em um âmbito disfuncional ela não consegue acalmar as próprias emoções podendo gerar um sentimento de desconforto intenso eterno. (Magalhães, 2021).
Os estudos do autor acima, mostra que os jovens podem beber porque é comum em festas, para serem aceitos, para fazerem parte de grupos ou apenas porque os amigos bebem, deixando evidente que nem sempre é uma escolha própria e sim uma influência de seus pares.
Ao analisar a Escola Inglesa, chega-se à conclusão de que o consumo do álcool pode surgir na tentativa de um jovem precisar preencher lacunas, tais falhas podem ter ocorrido lá nos seus anos iniciais. como a falta de vínculo e os conflitos internos.
Entre tantas contribuições é válido acrescentar mais um autor da Escola Britânica, Donald Winnicott. Ele foca em como o cuidado nos anos iniciais devem ser exercidos para que haja um bom desenvolvimento emocional.
Retrata-se de que é preciso ter um ambiente suficientemente bom para obter o amadurecimento emocional agradável. Refere-se aos cuidados maternos, toda criança passa pela fase de dependência absoluta, ou seja, ela precisa que troquem as roupas dela, que a alimentem, saciem a sua sede e que a auxiliem para ter um bom sono. Essas ações colaboram para que as suas emoções sejam reguladas. O ambiente deve ser adaptado a este bebê, para suprir suas necessidades de forma adequada, ele sentirá segurança e tende a desenvolver uma personalidade saudável (Rocco,2010).
Segundo Rocco (2010), o ambiente suficientemente bom não significa que a criança deve ter os seus suportes rápidos e antecipado, em momento algum suficientemente bom significa ser perfeito, longe disso, a criança se for atendida a todo momento poderá se adaptar demais ao ambiente (mãe), criando uma submissão. Tanto que nos primeiros momentos da vida o indivíduo não percebe a mãe como separada de si; ela é vivida como extensão do próprio corpo, sendo está a fase inicial do vínculo a partir do qual se constrói a base da existência psíquica e da continuidade do ser.
Embora haja o processo natural de amadurecimento biofísico, também deve-se ter em conta a construção do emocional do bebê. É esse ambiente que Winnicott relata que oferece o holding, ou seja, não basta segurar a criança, tem outras questões envolvidas como o cuidado, a previsibilidade, a proteção, o acolhimento ao tocar, ao olhar e saber quais são as necessidades da criança naquele momento. Ao segurar o bebê a mãe está atrelada a questões físicas e emocionais que proporcionam afeto, carinho, empatia, dando continuidade e segurança emocional. (Nascimento; Oliveira; Soares, 2020)
Ela (mãe suficientemente boa) protege o seu bebê de sustos e coincidências, ele é imaturo e não consegue entender o mundo, assim ela evita barulhos, mudanças bruscas ausências, pois sem ela ele não conseguiria se defender, isso evita ansiedade e desorganização. Ela fornece continuidade, por acreditar que o bebê é um se de direito próprio, ela não apressa o seu desenvolvimento, e assim capacita o bebê a apropriar-se do tempo, a ter o sentimento de um existir interno e pessoal (Winnicott, 1948/2000 apud Cambuí; Neme; Abrão, 2016, p. 132-133).
Portanto, parte-se destes relevantes referenciais teóricos os apontamentos que indicam de que forma a psicologia atua na prevenção do álcool na adolescência e partir disso, reforça-se o papel da psicanálise como ferramenta fundamental nesta problemática, levando em consideração a contribuição da Escola Inglesa.
Desta forma os autores usados neste trabalho ampliam a percepção do desenvolvimento emocional os quais estão envolvidos em como é a qualidade das primeiras relações vividas pelo bebê com o cuidador, com o ambiente e que dependendo de como for essa experiência esse bebê pode vir a ter enfrentamentos psíquicos, como o consumo inadequado de álcool.
Dalla Déa et al. (2004), ressalta que o papel do psicólogo está longe de ser um tradicional atendimento clínico, ele abrange um vasto campo da saúde pública e prevenção. O profissional que trabalha com precaução não precisa esperar o problema chegar até o seu consultório, ele vai até o problema, onde o jovem está nas Universidades, escolas, eventos.
A autora supracitada, menciona que o psicólogo atua como um tradutor, ele fala a linguagem do adolescente para que o mesmo entenda que a vontade de beber é uma vontade em ser aceito, uma insegurança, timidez ou qualquer problema relacionado a regulação emocional, principalmente nos anos iniciais.
Desta forma, a psicologia contribui fortalecendo a mente do adolescente, colabora para encontrarem segurança, autoestima fazendo com que o álcool não seja tão prazeroso. Fica evidente então, que o papel do psicólogo se torna central que deve atuar como um agente facilitador, intervindo de forma significativa nas demandas de conflitos proporcionando escuta ativa, identificação de das causas do problema e nas estratégias de enfrentamento mais saudável.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
O presente estudo consistirá em uma pesquisa de caráter essencialmente teórica, do modelo de revisão bibliográfica e de cunho qualitativo, Foram analisadas produções científicas publicadas no período de 2009 a 2021, incluindo artigos e obras literárias, com o objetivo de compreender os fatores relacionados ao consumo de álcool na adolescência de 12 a 17 anos e suas implicações. Serão considerados apenas estudos que dialoguem que com algum dos autores da escola inglesa de psicanálise tendo como palavra chave juventude, álcool, escola inglesa, adolescência, Winnicot, Melaine Klein. Artigos que não considerem as análises da escola inglesa de psicanalise para a presente analise não serão considerados.
Cavalcante e Oliveira (2020), compreendem como sendo de suma importância esse tipo de investigação literária, pois é uma sistematização do conhecimento científico e embasamento do pesquisador, desta forma preenche-se lacunas devido a uma maior compreensão de conceitos e possibilidades sólidas de uma fundamentação teórica para a realização de estudos e intervenções sociais. A revisão bibliográfica visa, portanto, contribuir para uma compreensão mais aprofundada do objeto de análise. Ela esclarece a temática e auxilia na formulação de sugestões de pesquisas.
Ainda segundo os autores, esse tipo de investigação compreende algumas fases, a saber: (i) examinar as obras e artigos já disponíveis; (ii) selecionar qual questão será investigada; (iii) elaborar um esboço inicial; (iv) pesquisar e escolher as fontes de informação; (v) ler atentamente, registrar as informações relevantes; (vi) estruturar tudo de maneira clara e redigir o documento final.
3. DESENVOLVIMENTO
Nos artigos analisados referentes a este tema, que é o da contribuição da Escola Inglesa em relação a compreensão e prevenção do consumo de álcool na adolescência., observa-se uma convergência entre os autores, isso é, que mesmo pesquisando trabalhos diferentes, chegou-se a uma conclusão semelhante. Ou seja, não se trata de um fator isolado que faz o jovem beber, mas, são alguns motivos que precisam ser compreendidos e dentre eles é viável elencar os fatores sociais, emocionais e familiares.
Estes fatores surgem de recorrente nos artigos, ou seja, eles são aspectos centrais para a compreensão da temática deste trabalho.
As produções acadêmicas de Magalhães Carvalho (2009) se assemelham no que se refere ao grupo de pares, pois eles têm um papel importante que chega a ser influente na conduta dos jovens, com isso, é possível que um adolescente beba para ter pertencimento a um determinado grupo, eles sentem a pressão social para serem aceitos. Portanto, há uma diferenciação entre esses dois artigos, Magalhães tem um olhar mais amplo, ele inclui outros aspectos além dos pares, pressão social e pertencimento. O autor tem uma visão voltada também para a cultura, onde o álcool é socialmente admitido e incentivado, além disso, é oferecido em festas e em vários outros ambientes.
Por muitas vezes as famílias ajudam a ser normalizado o consumo de bebidas etílicas, deixando o fácil acesso em reuniões, festas e até mesmo as oferecendo a eles, com isso conclui-se que ambas as dissertações convergem na questão familiar.
As dissertações pesquisadas voltam a ter concordância na questão familiar, ambos os trabalhos têm o entendimento que muitas vezes a família deixa de ter o papel de protetora facilitando, normalizando e estimulando o consumo de bebidas etílicas de forma direta com oferecendo a eles.
Voltando ao olhar para a psicanálise, nos estudos analisados no conceito do fator emocional, foi percebido que os anos iniciais da vida de uma pessoa exercem um poder sobre como ela pode se comportar posteriormente e dentro deste contexto pode ser que tais comportamentos se tornem de risco, podendo levar o jovem a se envolver com o álcool.
A partir da obra de Massi (2009) evidencia-se uma diferença dentro da psicanálise como o avanço dos estudos e observações feitas diretamente em crianças e o quanto elas têm de atividades psíquicas, e este ponto não era conhecido anteriormente. Se trata de que um bebê já sente emoções desde cedo, ele entende quando está sendo bem cuidado (o que é bom) e quando é negligenciado (o que é ruim) dividindo isso nesses dois eixos. Desde bem pequena esta criança desenvolve emoções como amar, sentir medo de que se tornam isso em experiências internas cheias de fantasias.
Com isso evidencia-se a proximidade dos diálogos presentes nos artigos no que se refere aos anos iniciais. Porém Ramires e Schineider (2010) revelam, que nas primeiras etapas o ser humano nasce com uma necessidade em fazer vínculos emocionais com seus cuidadores o que lhe irá garantir sobrevivência segurança, o cuidador atua como um refúgio seguro e a criança explora esse ambiente que a tornará em um adulto saudável.
Além da confluência em alguns pontos, pode-se entender-se que no artigo de Massi há discordância em alguns pontos em comparação ao anterior, pois, ele ressalta que o bebê vive emocionalmente as primeiras relações através de fantasias inconscientes e não apenas do vínculo real.
Neste contexto, embora a teoria do apego que não pode ser considerada uma teoria psicanalítica, mas que oferece grandes contribuições ao pensamento aqui proposto, dirá que os jovens que não têm uma base segura, o vínculo real, na verdade podem desenvolver, ansiedade, frustração, depressão, problemas com autoestima e com isso podem alimentar crenças de que eles não são dignos de amor, que não existem pessoas confiáveis. Devido a isso eles podem apresentar um comportamento de risco para se sentirem validados, assim, o consumo de álcool pode servir para uma regulação emocional.
Os condicionantes acima foram encontrados nos artigos analisados sobre a Escola Inglesa. O que foi notado alteração entre uma teoria ou outra dessa escola é o fato de que as teorias oferecem propostas distintas sobre como perceber e como o ser humano se comunica de forma diferente nos anos iniciais como: uma se refere ao que está na mente do bebê, como as fantasias, entre o bom e o mau. A outra com o vínculo afetivo entre o bebê e seu cuidador que é fundamental para o desenvolvimento infantil, já que afeta a capacidade do indivíduo de formar relacionamentos saudáveis ao longo da vida e o que traz no artigo escrito por Rocco (2010) se refere também a esses primeiros anos iniciais, porém, de forma que o ambiente deve ser suficientemente bom.
Isso significa que a mãe/cuidador fornece o necessário para que o bebê se desenvolva de forma suficientemente saudável. Não significa que deve ser perfeito e sim que a o ambiente responde prontamente às necessidades do bebê e, gradualmente, falha de forma leve e tolerável para que a criança lide com a realidade. Deste modo desenvolver-se-á um self autêntico.
Diante disso, vê-se que a psicanálise traz um apoio para a psicólogo, onde ele consegue entender seu papel de atuação na prevenção do uso de bebidas alcoólicas na adolescência , e não somente isso, compreende também como os jovens se desenvolvem biologicamente e emocionalmente, já que o profissional irá trabalhar com as causas emocionais, comportamentais e sociais destes, isso é ainda mais importante porque o consumo geralmente está ligado aos vínculos, à identidade e ao contexto social.
4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que o consumo do álcool na adolescência acontece devido há vários fatores. A psicologia tem um papel importante em entender este padrão de comportamento como também as consequências de tal atitude no contexto do desenvolvimento biológico e emocional dos mesmos. Considerando para além dos índices de prevalência de tal hábito na mocidade é preciso compreender que não é o foco saber quantos adolescentes estão bebendo, há motivações por de traz disso, e cogitar quais são os elementos que proporcionam essa prática é tarefa de um olhar clínico.
O psicólogo através de técnicas específicas poderá entender os gatilhos que implicam os fatores que levam os jovens ao abuso de bebidas etílicas, e segundo as pesquisas realizadas para este artigo são: os sociais, os emocionais e familiares.
Direcionar os púberes é uma incumbência complexa, pois nessa fase eles buscam vivências que possibilitam que eles exerçam o controle sobre sua própria existência, é um período marcado por ansiedade intensa pela formação da identidade frequentemente vivenciada por meio de experiências com seus pares.
O ponto alto desta investigação científica foi analisar a Escola Inglesa que demonstrou uma grande contribuição para com a psicologia apresentando a gênese do amadurecimento emocional nos anos iniciais. Ela conduziu um papel facilitador para os psicólogos na compreensão da problemática que se enfrentam no auxílio aos jovens de reestabelecer conexão com o próprio eu e com a sua subjetividade. A Escola inglesa também trouxe aporte para o psicologismo no sentido de auxiliar o jovem a contornar o sofrimento psíquico sem utilizar o álcool como ferramenta que colabora para a fuga dos seus problemas.
Desta forma, a atuação do profissional da mente humana, se faz fundamental no processo de readaptação desses jovens, o manejo clínico colabora na promoção de vínculos seguros, no fortalecimento da autoestima e no desenvolvimento de habilidades emocionais, a qual desenvolve nos púberes uma ressignificação e uma construção de trajetórias mais saudáveis. Entretanto, o acompanhamento terapêutico não se apresenta de maneira simples e rápida, variando conforme a condição específica.
Torna-se imperativo ao atender na clínica um jovem etilista as habilidades de domínio técnico, o qual mostrará o caminho certo para a integração necessária desse jovem a uma vida mais saudável. Muitas vezes é necessário a integração do apoio familiar ressignificando para eles aquilo que não foi possível nos anos iniciais, como o vínculo, a apego aumentando as chances de haver sucesso no tratamento psicológico como o holding.
Enfim, são grandes as chances de haver remissão do consumo do álcool com a psicoterapia onde o profissional esteja apto para receber as demandas, e assim proporcionando ao jovem a capacidade de ele tomar o controle de sua própria vida e posicionar-se diante dos seus pares sabendo dizer não dentro de um contexto social.
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1 Discente do curso de Psicologia da faculdade unipiaget. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Discente do curso de Psicologia da faculdade unipiaget. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Discente do curso de Psicologia da faculdade unipiaget. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
4 Orientador. Doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Docente na Faculdade UniPiaget. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.