ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO FRENTE À PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA: ESTRATÉGIAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

THE ROLE OF THE NURSE IN CARDIOPULMONARY ARREST: STRATEGIES BASED ON SCIENTIFIC EVIDENCE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781719918

RESUMO
A parada cardiorrespiratória (PCR) demanda resposta imediata e atuação qualificada do enfermeiro para garantir a sobrevida do paciente. Este estudo objetivou identificar, na literatura científica, as principais estratégias utilizadas pelo enfermeiro na assistência ao paciente em PCR. Realizou-se uma revisão integrativa nas bases BVS, LILACS e Google Acadêmico, entre 2020 e 2025, utilizando descritores relacionados à Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), o Processo de Enfermagem e Reanimação Cardiopulmonar. Dos 3.914 estudos encontrados, 17 atenderam aos critérios de inclusão. A maioria abordou o contexto intra-hospitalar (76,47%), voltado ao conhecimento técnico do enfermeiro, enquanto poucos trataram do pré-hospitalar (17,65%), com ênfase na estabilização do paciente. Observou-se escassez de estudos que relacionem o Processo de Enfermagem às condutas de reanimação e ausência de referência às taxonomias NANDA-I, NIC e NOC. Conclui-se que o enfermeiro é elemento central na PCR, sendo essencial o aprimoramento técnico, científico e emocional para uma assistência segura e humanizada. 
Palavras-chave: Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE); Processo de Enfermagem (PE); Urgência e Emergência; Assistência de Enfermagem; Enfermagem de Emergência; Reanimação Cardiopulmonar.

ABSTRACT
Cardiorespiratory arrest (CRA) requires an immediate response and qualified nursing performance to ensure patient survival. This study aimed to identify, in the scientific literature, the main strategies used by nurses in the care of patients experiencing CRA. An integrative review was conducted in the BVS, LILACS, and Google Scholar databases, covering the years 2020 to 2025, using descriptors related to Systematization of Nursing Care, Nursing Process and Cardiopulmonary Resuscitation. Among 3,914 studies retrieved, 17 met the inclusion criteria. Most addressed the in-hospital context (76.47%), focusing on the nurse’s technical knowledge, while a smaller portion discussed the pre-hospital setting (17.65%), emphasizing patient stabilization. Few studies associated the Nursing Process with resuscitation practices, and none mentioned the NANDA-I, NIC, or NOC taxonomies. It is concluded that nurses play a central role during CRA, and technical, scientific, and emotional improvement is essential for safe and humanized care. 
Keywords: Systematization of Nursing Care; Nursing Process; Urgency and Emergency; Nursing Care; Emergency Nursing; Cardiopulmonary Resuscitation (CPR).

1. INTRODUÇÃO

A parada cardiorrespiratória (PCR) caracteriza-se pela interrupção simultânea das funções cardíacas e respiratórias. Trata-se de uma emergência médica de alta gravidade e com significativa taxa de mortalidade. Em 2023, as internações decorrentes desse tipo de quadro totalizaram 641.980 casos, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), o que exige intervenção hospitalar imediata por meio da reanimação cardiopulmonar (RCP) (AGÊNCIA BRASIL, 2024).

A interrupção súbita do sistema cardiovascular impede a oxigenação tecidual em decorrência da cessação do fluxo sanguíneo. Evidências indicam que, a cada dez minutos sem assistência adequada, o risco de o paciente evoluir para sequelas neurológicas ou óbito aumenta em aproximadamente 10% (XAVIER et al., 2025).

O reconhecimento rápido e preciso de uma PCR é de extrema importância, assim como a identificação de suas causas. Nesse contexto, devem-se considerar as causas potencialmente reversíveis, conhecidas como os 5 “H” — hipovolemia, hipóxia, hidrogênio (acidose), hipo/hipercalemia e hipotermia — e os 5 “T” — tamponamento cardíaco, tromboembolismo pulmonar, trombose coronariana, tensão no tórax (pneumotórax) e toxinas (AHA, 2020).

A identificação desses fatores é essencial para a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem que atenda às necessidades do paciente e priorize respostas efetivas no processo saúde-doença, com base em conhecimento científico. Para tanto, utilizam-se as taxonomias da Associação Norte-Americana de Diagnósticos de Enfermagem (NANDA), da Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC) e da Classificação dos Resultados de Enfermagem (NOC), com ênfase na manutenção do equilíbrio hemodinâmico conforme o quadro clínico (JOHNSON et al., 2012).

Dessa forma, o enfermeiro deve manter-se atento aos principais sinais clínicos apresentados pelas vítimas de PCR, tais como apneia ou respiração do tipo gasping, inconsciência, ausência de resposta a estímulos dolorosos e ausência de pulso central (SILVA et al., 2021).

O reconhecimento da PCR requer do enfermeiro conhecimento teórico e prático, aliado à capacidade de julgamento clínico e à tomada de decisão fundamentada em evidências científicas. Compete a esse profissional reunir informações e materiais necessários para a prestação da assistência imediata e qualificada, além de desenvolver ações educativas voltadas à capacitação contínua da equipe de enfermagem (XAVIER, 2025).

Com base nessas considerações, o presente estudo tem como objetivo identificar, na literatura científica, as principais estratégias utilizadas pelo profissional de enfermagem para garantir uma assistência eficaz e segura ao paciente vítima de parada cardiorrespiratória (PCR).

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão da literatura científica, integrativa, que teve como objetivo identificar, em produções acadêmicas, as principais estratégias utilizadas pelo enfermeiro na assistência ao paciente em parada cardiorrespiratória (PCR), com base em evidências científicas.

Para a construção da questão norteadora, empregou-se o acrónimo PCC, no qual P representa a População, C o Conceito e C o Contexto. Assim, definiu-se:P (População): enfermeiros; C (Conceito): reanimação cardiopulmonar; C (Contexto): competência e atuação profissional.

A partir dessa estrutura, formulou-se a seguinte questão de pesquisa: Quais são as competências e estratégias do enfermeiro frente à reanimação cardiopulmonar, segundo a literatura científica?

A coleta dos artigos foi realizada entre setembro e outubro de 2025. O levantamento dos dados ocorreu por meio de buscas nas seguintes bases eletrônicas: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Acadêmico e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS).

Na busca avançada, foram empregados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Assistência de enfermagem”, Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE)”, “Enfermagem de Emergência”, “Processo de Enfermagem” e “Reanimação Cardiopulmonar (RCP)”, combinados às palavras-chave “Urgência e Emergência” mediante o uso dos operadores booleanos AND e OR.

Assim foram realizados três cruzamentos principais entre os descritores e palavras-chave:

  • Cruzamento 1: “Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE)” AND “RCP” AND “Urgência e Emergência”;

  • Cruzamento 2: “SAE” AND “RCP” AND “Competência do Enfermeiro”; ● Cruzamento 3: “Enfermagem de Emergência” AND “RCP” AND “Processo de Enfermagem”

Observou-se que o operador OR não retornou resultados relevantes nas bases consultadas, conforme demonstrado no Quadro 1.

Quadro 1 - Resultado dos cruzamentos dos descritores, palavras-chave e operadores booleanos empregados na pesquisa bibliográfica.

CRUZAMENTO 1

Base de dado

Descritores/palavras-chave

Total

BVS

“assistência de enfermagem” AND “RCP” AND “urgência e emergência”.

137

GOOGLE

ACADÊMICO

“assistência de enfermagem” AND “RCP” AND “urgência e emergência”

643

LILACS

“assistência de enfermagem” AND “RCP” AND “urgência e emergência”

27

CRUZAMENTO 2

GOOGLE ACADÊMICO

“sae” AND “rcp” AND “competência do enfermeiro”

11

CRUZAMENTO 3

BVS

“enfermagem de emergência” AND “RCP” AND “processo de enfermagem”

23

LILACS

“enfermagem de emergência” AND “RCP” AND “processo de enfermagem”

13

GOOGLE ACADÊMICO

“enfermagem de emergência” AND “RCP” AND “processo de enfermagem”

3.060

Fonte: Autores, 2025

Foram inicialmente identificados 3.914 estudos. Após a aplicação dos critérios de inclusão — artigos publicados em língua portuguesa e no período de 2020 a 2025 —, obteve-se um total de 2.033 publicações.

Em seguida, realizou-se a leitura dos títulos e resumos, o que resultou na seleção de 50 estudos. Após a leitura na íntegra, permaneceram 24 artigos, dos quais 7 foram excluídos, totalizando 17 estudos elegíveis para análise. As exclusões decorreram da duplicidade de registros, incompletude dos textos ou restrição de acesso às publicações.

Na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), foram encontrados 160 artigos, porém, após a aplicação dos filtros e exclusão por incompatibilidade temática, duplicidade e texto incompleto, nenhum estudo foi selecionado.

Na base LILACS, identificaram-se 40 estudos, dos quais apenas um atendeu plenamente aos critérios de inclusão e exclusão.

No Google Acadêmico, foram localizados 3.714 trabalhos, e, após a exclusão por incompatibilidade temática, duplicidade e indisponibilidade do texto completo, 16 artigos foram aprovados.

Esses resultados encontram-se representados no fluxograma da Figura 1, que ilustra o processo de identificação, seleção e elegibilidade dos estudos incluídos na revisão.

Figura 1 - Fluxograma do processo de identificação, seleção e elegibilidade dos estudos incluídos na revisão da literatura.

Fonte: Autoria própria, 2025.

3. RESULTADOS

Dentre os 17 artigos que compõem a amostra final, observou-se que 29,41% foram publicados em 2025, 5,88% em 2024, 11,76% em 2023, 23,53% em 2022, 23,53% em 2021 e 5,88% em 2020. O perfil das publicações encontradas nas bases de dados pôde ser agrupado em dois contextos distintos de atuação da enfermagem: o intra-hospitalar e o pré-hospitalar, como mostrado no Quadro 2.

Os estudos enquadrados no contexto intra-hospitalar (76,47%) tiveram como principal enfoque a avaliação do conhecimento técnico do enfermeiro diante da parada cardiorrespiratória (PCR), destacando a importância da tomada de decisão rápida e embasada em evidências. Já os artigos voltados ao contexto pré-hospitalar (17,65%) abordaram as condutas de enfermagem aplicadas antes da chegada ao ambiente hospitalar, com o objetivo de manter a estabilidade hemodinâmica do paciente até a sua transferência para a unidade de emergência.

Durante a análise, observou-se ainda que poucos estudos mencionaram o Processo de Enfermagem (PE) como instrumento norteador da assistência, o que pode favorecer a ocorrência de danos e eventos adversos em diferentes cenários de cuidado. Ademais, constatou-se a ausência de referência às taxonomias NANDA-I, NIC e NOC, ferramentas essenciais para a padronização e qualificação da assistência de enfermagem durante e após a reanimação cardiopulmonar (JONHSON et al., 2012).

Quadro 2 - Distribuição dos artigos selecionados segundo ano de publicação e contexto de atuação da enfermagem frente à parada cardiorrespiratória.

ANO DE PUBLICAÇÃO E AUTORES

TÍTULO DO ARTIGO

OBJETIVO DO ESTUDO

SILVA et al., 2025

A importância do enfermeiro na execução da RCP de qualidade no atendimento pré-hospitalar: revisão de literatura

Analisar a importância do enfermeiro na execução da Reanimação Cardiopulmonar (RCP) de qualidade no atendimento pré-hospitalar.

FERREIRA et al., 2025

Atuação do Enfermeiro frente a urgências e emergências cardiológicas no SAMU: uma revisão integrativa da literatura

Analisar a atuação do enfermeiro diante de urgências e emergências cardiológicas no SAMU.

MARCELINO et al., 2025

Assistência de enfermagem em situações de parada cardiorrespiratória pré-hospitalar

Identificar os principais cuidados de enfermagem na parada cardiorrespiratória no âmbito pré hospitalar.

SANTOS et al., 2025

O enfermeiro na abordagem assistencial em parada cardiorrespiratória: capacitação e atualização em serviços de urgência e emergência.

Analisar o enfermeiro na abordagem assistencial em parada cardiorrespiratória: capacitação e atualização em serviços de urgência e emergência.

XAVIER et al., 2025

Protagonismo do Enfermeiro nas intervenções em situações de parada cardiorrespiratória

Analisar a atuação do enfermeiro frente à parada cardiorrespiratória (PCR) destacando sua importância na identificação precoce, condução de manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) e organização da equipe de enfermagem durante situações de emergência.

COSTA et al., 2024

A contribuição do enfermeiro na parada cardiorrespiratória no contexto da urgência e emergência em ambiente intra-hospitalar.

Pesquisar e analisar na literatura sobre a atuação do profissional enfermeiro em situações de atendimento às vítimas de PCR em ambiente intra-hospitalar.

RAMOS et al., 2023

A atuação do enfermeiro frente a uma parada cardiorrespiratória em pacientes adultos no ambiente intra-hospitalar

Definição, avaliação e manejo em PCR; entender o papel do enfermeiro em uma parada cardiorrespiratória; conhecer as dificuldades enfrentadas pela equipe de enfermagem em relação a PCR.

RIOS e NOGUEIRA., 2023

Conhecimento da equipe de enfermagem sobre reanimação cardiopulmonar antes e após capacitação

Avaliar o conhecimento dos profissionais da equipe de enfermagem no atendimento à parada cardiorrespiratória e comparar antes e após a capacitação.

CHAGAS et al.,. 2022

Ações e decisões da enfermagem na reanimação cardiopulmonar (RCP)

Identificar quais ações e decisões a serem tomadas e o conhecimento do enfermeiro diante de uma PCR.

RABELLO et al., 2022

Conhecimento dos profissionais de enfermagem acerca da parada cardiorrespiratória

Identificar as evidências científicas acerca do conhecimento dos profissionais de enfermagem na parada cardiorrespiratória em ambiente hospitalar.

COSTA, et al., 2022

Desafios encontrados pela equipe de enfermagem na execução de protocolos de reanimação cardiorrespiratória no serviço de pronto atendimento

Verificar o nível de conhecimento teórico e prático da equipe de enfermagem, no setor de urgência e emergência de uma unidade de pronto atendimento 24h, tendo como base as diretrizes da American Heart Association.

CHAGAS e NETO, 2022

Retenção de conhecimento sobre reanimação cardiopulmonar pela equipe de enfermagem em hospital referência em cardiologia

Avaliar a retenção de conhecimento da equipe de enfermagem após treinamento de reanimação cardiopulmonar em um hospital referência em cardiologia.

SILVA et al., 2021

Avaliação das habilidades técnicas da equipe de enfermagem no atendimento da parada cardiorrespiratória

Avaliar o conhecimento e as habilidades técnicas da equipe de enfermagem quanto a reanimação cardiopulmonar.

NASCIMENTO et al., 2021

Competência clínica em enfermagem para ressuscitação cardiopulmonar de alta qualidade: revisão integrativa da literatura.

Identificar as evidências científicas disponíveis na literatura sobre as habilidades necessárias ao desenvolvimento de competência clínica em suporte Básico de Vida para Enfermagem.

BENETTI et al., 2021

Desafios enfrentados pelos enfermeiros frente à parada cardiorrespiratória em um hospital de urgência e emergência

Identificar os principais fatores que interferem na assistência de qualidade da RCP na percepção dos enfermeiros em um Hospital de Urgência e Emergência.

FARIAS et al., 2021

O conhecimento dos profissionais de enfermagem frente à parada cardiorrespiratória na emergência

Discorrer sobre a importância dos conhecimentos dos profissionais de enfermagem frente a uma situação de parada cardiorrespiratória na emergência.

CARVALHO et al., 2020

Conhecimento de enfermeiros intervencionistas em urgência frente à parada cardiorrespiratória

Descrever o conhecimento dos profissionais enfermeiros intervencionistas em urgência a respeito da abordagem e condutas frente a parada cardiorrespiratória (PCR) e traçar o perfil dos profissionais.

Fonte: Autores, 2025.

4. DISCUSSÃO

Considerando que este estudo teve como objetivo identificar, na literatura científica, as principais estratégias utilizadas pelo profissional de enfermagem para garantir uma assistência eficaz e segura ao paciente vítima de parada cardiorrespiratória (PCR), a discussão dos resultados da revisão integrativa permitiu analisar as diferentes perspectivas encontradas entre os estudos selecionados. A metodologia adotada, fundamentada no acrônimo PCC (População, Conceito e Contexto), possibilitou compreender o papel do enfermeiro no manejo da PCR, tanto em contextos intra-hospitalares quanto pré-hospitalares.

A maioria dos autores apresenta consenso ao destacar que o enfermeiro, como líder da equipe de enfermagem, exerce papel essencial de coordenação e tomada de decisão durante e após a ocorrência da PCR. Grande parte das pesquisas ressalta a importância do julgamento clínico equilibrado, em que a racionalidade técnica se combina ao controle emocional, assegurando uma atuação segura e eficiente em situações emergenciais (SANTOS et al., 2025).

Diversos estudos apontam que a atenção vigilante do enfermeiro no acompanhamento das condições clínicas dos pacientes é uma atitude indispensável na prática profissional, pois possibilita a identificação precoce de sinais de deterioração e o planejamento de intervenções preventivas antes da instalação da parada cardiorrespiratória (COSTA et al., 2024). Entre essas medidas preventivas, destacam-se a verificação do carrinho de emergência e a preparação e checagem dos materiais de intubação orotraqueal, procedimentos fundamentais para garantir uma resposta rápida e segura (XAVIER et al., 2025).

Após a ocorrência da PCR, os estudos convergem ao descrever as principais condutas do enfermeiro durante a reanimação cardiopulmonar, como a execução das compressões torácicas de alta qualidade, a realização da desfibrilação em ritmos chocáveis, a obtenção de acesso venoso periférico, a administração de drogas vasoativas, o monitoramento hemodinâmico e o controle dos sinais vitais (XAVIER et al., 2025).

Entretanto, observa-se uma lacuna de conhecimento quanto aos aspectos farmacológicos da assistência. Poucos estudos exploram o domínio teórico do enfermeiro sobre interações medicamentosas, efeitos adversos e reações sistêmicas dos fármacos utilizados na RCP, o que levanta questionamentos sobre a execução de condutas de forma automatizada, sem reflexão crítica (XAVIER et al., 2025).

Outra limitação evidenciada refere-se à insuficiência de conhecimento sobre os ciclos da RCP, a carga elétrica adequada para desfibrilação e as condutas subsequentes ao choque, aspectos que podem gerar insegurança profissional e comprometer a qualidade da assistência prestada (RAMOS et al., 2023).

Nos cenários pré-hospitalares, os estudos indicam que o enfermeiro segue protocolos semelhantes aos do ambiente hospitalar; contudo, o objetivo principal é manter a estabilidade do paciente até a chegada à unidade de referência. Essa atuação requer habilidades específicas, como tomada de decisão rápida, comunicação efetiva e execução de procedimentos em condições adversas (FERREIRA et al., 2025).

Pesquisas complementares ressaltam ainda que, no ambiente extra-hospitalar, o enfermeiro deve priorizar sua própria segurança e a segurança da vítima, visto que fatores como instabilidade do terreno, falta de estrutura adequada e exposição a riscos físicos podem comprometer a eficácia das manobras de RCP (MARCELINO et al., 2025).

Além das dificuldades técnicas, os estudos destacam barreiras físicas e psicológicas, como o cansaço da equipe, ambientes ruidosos, falta de informações clínicas e tempo reduzido para tomada de decisão, fatores que exigem do enfermeiro resiliência emocional e liderança efetiva (MARCELINO et al., 2025).

De acordo com a American Heart Association (AHA, 2020), as diretrizes para o manejo da PCR diferenciam-se entre os contextos pré-hospitalar e intra-hospitalar, mas compartilham o mesmo propósito: reduzir o tempo de resposta e otimizar o prognóstico neurológico. Ambas as cadeias de sobrevivência incluem etapas que vão desde o reconhecimento precoce da PCR, passando pela RCP de alta qualidade, desfibrilação precoce e cuidados pós-parada, até a recuperação e reabilitação do paciente.

Contudo, mesmo diante dessas diretrizes consolidadas, verificou-se que poucos estudos abordam o papel do enfermeiro no apoio emocional aos familiares de pacientes acometidos por PCR, tampouco especificam estratégias interdisciplinares para o manejo dessa dimensão do cuidado (SANTOS et al., 2025).

Diante do exposto, diversos autores apontam que a carência de materiais, falhas em equipamentos e conflitos de interesse durante a tomada de decisão ainda representam desafios significativos para a atuação do enfermeiro nas situações de emergência (RAMOS et al., 2023). Assim, superar essas dificuldades exige investimento institucional em recursos materiais e humanos, bem como capacitação contínua e treinamentos periódicos, medidas essenciais para fortalecer a prática profissional e garantir a excelência na assistência ao paciente em parada cardiorrespiratória.

5. CONCLUSÃO

A presente revisão integrativa permitiu identificar as principais estratégias adotadas pelo enfermeiro diante da parada cardiorrespiratória (PCR) e compreender os desafios enfrentados em diferentes contextos de atuação. Entre os 17 artigos analisados, verificou-se predominância de estudos voltados ao ambiente intra-hospitalar (76,47%), com ênfase na avaliação do conhecimento técnico e na execução das condutas durante a PCR, enquanto apenas 17,65% abordaram o contexto pré-hospitalar, destacando a importância das intervenções para estabilização do paciente antes da chegada ao hospital.

Constatou-se ainda uma lacuna significativa quanto à utilização do Processo de Enfermagem (PE) e das taxonomias NANDA-I, NIC e NOC como instrumentos de sistematização do cuidado, o que demonstra fragilidade na abordagem científica e metodológica da assistência. Observou-se que muitos estudos se restringem à descrição de condutas técnicas, sem aprofundar discussões sobre o cuidado integral, emocional e educativo exercido pelo enfermeiro.

A literatura reforça que o enfermeiro, como líder da equipe de enfermagem, desempenha papel essencial na condução das intervenções de RCP, devendo aliar conhecimento técnico-científico, julgamento clínico e estabilidade emocional para assegurar uma assistência segura e eficaz. Contudo, a carência de domínio teórico sobre ciclos de RCP, interações medicamentosas e cuidados pós-parada revela a necessidade de maior investimento em capacitação profissional, tanto na formação acadêmica quanto na educação continuada.

Além disso, a análise evidenciou superficialidade e repetição de argumentos em parte dos estudos, indicando que a temática ainda carece de aprofundamento teórico e metodológico. Poucos autores abordaram o suporte emocional e a escuta ativa como componentes do cuidado de enfermagem, evidenciando uma lacuna formativa importante, visto que essas competências são essenciais na assistência humanizada ao paciente e à família.

As diretrizes da American Heart Association (AHA) destacam que as condutas de enfermagem variam entre os cenários intra-hospitalar e pré-hospitalar, mas compartilham o mesmo propósito: otimizar o tempo de resposta e minimizar o dano neurológico. Entretanto, os resultados desta revisão sugerem que o conhecimento dessas diretrizes ainda é limitado entre os profissionais, especialmente no que se refere à aplicação prática e à tomada de decisão clínica.

Conclui-se, portanto, que o enfermeiro é peça central no manejo da parada cardiorrespiratória, atuando desde a prevenção até os cuidados pós-PCR. Para que sua atuação seja realmente eficaz, é indispensável o alinhamento entre competência técnica, preparo emocional e embasamento científico sólido, associado ao fortalecimento da formação profissional, treinamentos regulares e à valorização da prática baseada em evidências, assegurando, assim, um cuidado integral, seguro e humanizado.

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Artigo apresentado como requisito para a conclusão do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Potiguar (UNP). 2025. Orientadora: Profa. Esp. Raissa Lopes Pinheiro Enock.

1 Acadêmica do curso de Enfermagem da Universidade Potiguar (UNP). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Acadêmica do curso de Enfermagem da Universidade Potiguar (UNP). E-mail:  [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Acadêmico do curso de Enfermagem da Universidade Potiguar (UNP). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Acadêmica do curso de Enfermagem da Universidade Potiguar (UNP). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail