ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NA EXECUÇÃO DOS PROTOCOLOS DE SEGURANÇA DO PACIENTE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

THE ROLE OF NURSING IN IMPLEMENTING PATIENT SAFETY PROTOCOLS: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778371996

RESUMO
A segurança do paciente constitui como base e possui grande relevância quando se fala em assistência nos serviços de saúde. No cenário brasileiro, o Programa Nacional de Segurança ao paciente firma protocolos e medidas que objetivam a redução de riscos e de eventos adversos, demonstrando a importância do Enfermeiro em sua execução. Diante disso, objetiva-se no presente trabalho analisar como se dá a atuação da Enfermagem na Execução dos Protocolos da Política Nacional de Segurança do Paciente, com base na literatura científica. Trata-se de uma Revisão Integrativa (RI) de literatura de natureza qualitativa e exploratória fundamentada nas recomendações do protocolo Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA). O estudo foi conduzido no período de janeiro a abril de 2026 nas bases de dados BDENF, LILACS e MEDLINE, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e combinando descritores controlado com operadores booleanos, resultando em 19 artigos elencados nessa revisão após atenderem os critérios de elegibilidade. Por meio desse estudo foi possível compreender que a Enfermagem possui um papel relevante na assistência segura aos pacientes, pois é responsável pela maioria das ações assistenciais, programáticas e educativas e também por iniciativas pautadas na segurança do paciente e nas mais variadas áreas que abrangem a atenção, a gestão dos serviços e organização do cuidado, bem como que a implantação de protocolos de segurança ao paciente obteve avanços ao longo dos anos, mas ainda enfrenta entraves para sua efetivação. Dessa forma, conclui-se que o é importante o fortalecimento de ações institucionais que auxiliem na superação de eventuais fragilidades e que promovam a melhoria contínua e o aprendizado.
Palavras-chave: Enfermagem; Segurança do Paciente; Protocolos clínicos.

ABSTRACT
Patient safety is considered a foundation and has great relevance when it comes to care in health services. In the Brazilian scenario, the National Patient Safety Program establishes protocols and measures aimed at reducing risks and adverse events, demonstrating the importance of the Nurse in its implementation. Therefore, the objective of this study is to analyze how Nursing acts in the Implementation of the Protocols of the National Patient Safety Policy, based on the scientific literature. This is an Integrative Review (IR) of literature of a qualitative and exploratory nature, based on the recommendations of the Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA) protocol. The study was conducted from January to April 2026 in the BDENF, LILACS, and MEDLINE databases, through the Virtual Health Library (BVS), by combining controlled descriptors with Boolean operators, resulting in 19 articles listed in this review after meeting the eligibility criteria. Through this study, it was possible to understand that Nursing plays a relevant role in safe patient care, as it is responsible for most care, programmatic, and educational actions, as well as initiatives based on patient safety and in the various areas covering care, service management, and care organization. It was also found that the implementation of patient safety protocols has made progress over the years but still faces obstacles to its effectiveness. Thus, it is concluded that it is important to strengthen institutional actions that help overcome any weaknesses and promote continuous improvement and learning.
Keywords: Nursing; Patient Safety; Clinical Protocols.

1. INTRODUÇÃO

Esse estudo tem como objeto de pesquisa a atuação da Enfermagem na execução dos protocolos da Política Nacional de Segurança do Paciente e foi motivado pela observação dos pesquisadores, nos ambientes em que realizaram estágios supervisionados, da presença da política quanto a identificação correta, de Procedimento Operacionais Padrão (POP), em algumas instituições de saúde privadas, porém em outras públicas, não havia nem a identificação com pulseiras. Essa incoerência entre as instituições passou a causar indagação visto que a Política Nacional de Segurança do Paciente já existe a mais de 10 anos e que é instrumento mundial de mudança de indicadores de saúde e da prestação de um cuidado qualificado.

A Segurança do Paciente surge como um desafio e instigação para os profissionais, gestores e instituições e é uma temática discutida também no âmbito Nacional, ja que é vista como uma prioridade essencial na assistência e cuidados de saúde e como um instrumento para a redução na incidência de riscos assistenciais e eventos adversos. Nesse contexto, a Enfermagem possui um papel relevante na assistência segura aos pacientes, pois é responsável pela maioria das ações assistenciais, programáticas e educativas e também por iniciativas pautadas na segurança do paciente e nas mais variadas áreas que abrangem a atenção, a gestão dos serviços e organização do cuidado.

Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a importância do assunto como fator imprescindível para a preservação, cuidado e para a manutenção da saúde do paciente e recomenda que as políticas nacionais combinem estratégias e fortaleçam esse tipo de cultura com a finalidade de reduzir danos possivelmente evitáveis nos serviços de saúde (OLIVEIRA; SILVA, 2022). Sendo assim, o entendimento sobre os protocolos e sobre a cultura de segurança devem perpassar a teoria e precisa ser introduzido ao cotidiano, protegendo vidas, cessando os riscos e fortalecendo a confiança entre os profissionais de saúde e pacientes (SOUSA; MENDES, 2019).

As metas internacionais de Segurança do paciente possuem o intuito de reduzir os danos e funcionam como diretrizes no sentido de colaborar com a melhoria e com a garantia dos serviços prestados ao paciente. As principais metas são: identificação correta dos pacientes, a melhora na comunicação entre os profissionais no ambiente laboral, a melhora na segurança da prescrição, uso e administração de medicamentos, bem como a redução do risco de infecções e de danos decorrentes de quedas ou lesões por pressão. Tais metas fortalecem a importância de processos sistematizados, protocolos e um trabalho em equipe para reduzir as falhas na assistência ao paciente.

O Programa Nacional de Segurança ao Paciente (PNSP), foi instituído pela Portaria n. 529/2013 e possui como objetivo fomentar e amparar a instrumentalização de iniciativas direcionadas a segurança de todos os estabelecimentos de saúde do país, sejam eles públicos ou privados, auxiliando na prevenção e na redução de incidentes e de eventos adversos nos sistemas de saúde, na promoção de uma cultura de segurança e na qualificação do cuidado de todos os níveis de atenção (BRASIL, 2013).

O PNSP tem como principais linhas para atuação a RDC ANVISA Nº 36/2013, que institui ações obrigatórias na promoção da segurança do paciente nos serviços de saúde. A normativa estabelece a criação de um Núcleo de Segurança ao Paciente (NSP), a implantação de um Plano de Segurança ao Paciente (PSP), bem como a aplicação de protocolos básicos de segurança do paciente, a notificação de incidentes ou eventos adversos e o monitoramento de indicadores para a melhoria de qualidade.

Ainda, para complementar e direcionar a atuação e implementação da Segurança do Paciente são referidos as Portarias do ministério da Saúde n 1.377/2013 e 2.095/2013 que dispõem de estratégias e da implantação de protocolos que objetivam a redução de riscos e de eventos adversos por meio da padronização de práticas assistenciais que promovam a cultura segura dentro das instituições de saúde (BRASIL, 2013)

Nesse contexto, a Enfermagem atua como uma barreira fundamental e é responsável por atividades que operacionalizam as ações do PNSP como a administração de cuidados, implementação de protocolos de segurança, a notificação de incidentes e pela educação em saúde e cultura de segurança (VINCENT; AMALBERTI, 2016).

O Enfermeiro desempenha um papel essencial na prestação de cuidados e na assistência e é um dos principais responsáveis pela eficácia dos serviços e pela segurança do paciente, pois além de administrar medicamentos e tratamentos, esses profissionais tem como responsabilidade o monitoramento da condição dos pacientes, bem como, a identificação de possíveis complicações, com a finalidade de prevenir eventos adversos.

Portanto, em virtude da carência de trabalhos voltados a temática e da importância da discursão do tema, justifica-se o presente trabalho, no sentido de desenvolver uma consciência crítica e reflexiva gerando entendimento sobre os saberes fundamentais e necessários para o desenvolvimento de cuidados que propiciam a segurança do paciente, bem como, evidenciar os benefícios advindos da aplicação do protocolo e da atuação do Enfermeiro na consolidação da cultura de segurança nos serviços de saúde, especialmente no contexto do Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP).

Diante do exposto, entende-se a necessidade de aprofundar o entendimento sobre a temática, e com base nisso, surgiu a seguinte pergunta norteadora: Qual a Atuação da Enfermagem, de acordo com a literatura escrita, na Execução dos Protocolos da Política Nacional de Segurança do Paciente?

Para responder tal questionamento, este estudo tem como objetivo geral: analisar como se dá a atuação da Enfermagem na Execução dos Protocolos da Política Nacional de Segurança do Paciente. E sua relevância consiste na observância de como a Enfermagem vem tornando notória a cultura de segurança do Paciente, trazendo reflexos nos indicadores de saúde, com redução de incidentes e Eventos adversos, bem como uma cultura justa na condução dos erros. Pontuar ações e intervenções eficazes pela Equipe de Enfermagem sobre a temática pode fortalecer e levar outras instituições de saúde a adquirir um olhar mais cauteloso para esses pilares de uma assistência qualidade, pois trabalhando com o risco, é possível minimizar os eventos adversos nos serviços de saúde.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura (RI), de natureza qualitativa e exploratória. A RI é um método que permite a busca, a avaliação crítica e a síntese das evidências disponíveis sobre um tema delimitado, resultando em um panorama compreensivo da produção científica (WHITTEMORE; KNAFL, 2005). Para garantir o rigor e a transparência no relato do processo de busca e seleção, este estudo fundamenta-se nas recomendações do protocolo Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA).

A condução desta pesquisa percorre cinco etapas distintas: 1) identificação do problema e formulação da questão norteadora; 2) busca na literatura e amostragem; 3) avaliação dos dados; 4) análise crítica dos estudos incluídos; e 5) apresentação da síntese do conhecimento (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).

A questão norteadora foi estruturada a partir da estratégia PCC (População, Conceito e Contexto), adequada para revisões de escopo e integrativas de cunho qualitativo, sendo: P: Profissionais de Enfermagem; C: Atuação na execução de protocolos de segurança e C:Política Nacional de Segurança do Paciente (PNSP).

Dessa forma, a investigação busca responder à seguinte questão: "Qual a atuação da enfermagem na execução dos protocolos da Política Nacional de Segurança do Paciente?"

A coleta de dados ocorre de janeiro abril de 2026 por meio do acesso às bases de dados vinculadas à Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), tais como LILACS, BDENF e a plataforma MEDLINE. Para o levantamento bibliográfico, utilizam-se descritores controlados (DeCS/MeSH) combinados com operadores booleanos (AND/OR): "Segurança do Paciente", "Enfermagem" e "Protocolos".

Os critérios de inclusão compreendem artigos originais, disponíveis na íntegra, publicados nos últimos dez anos (2016-2026), nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordem diretamente a temática proposta. Excluem-se teses, dissertações, editoriais e estudos que não respondam à questão norteadora.

A análise dos dados é realizada de forma descritiva e comparativa, possibilitando a identificação de convergências e divergências entre as evidências encontradas. Os resultados são agrupados em categorias temáticas para discussão, com foco nas barreiras e avanços da atuação da enfermagem na consolidação da cultura de segurança, garantindo a integridade e a fidelidade às obras originais.

Figura 1. Organograma representando as etapas da metodologia da pesquisa.

Fonte: os autores, 2026.

3. RESULTADOS

A busca na base de dados vinculadas à Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), tais como LILACS, BDENF e a plataforma MEDLINE, resultou em 420 publicações, onde através da observação de critérios de elegibilidade permaneceram 185 artigos. Em seguida, houve uma etapa de triagem com a leitura de títulos e resumos, que permitiu a exclusão 130 estudos por não atenderem a questão norteadora, resultando em 55 artigos selecionados para leitura e destes apenas 19 incluídos.

Quadro 1. Síntese dos artigos encontrados na Revisão Integrativa.

Nº.

TÍTULO E ANO

MÉTODO

SÍNTESE

BASE

1

Eventos adversos e enfermagem (2018)

Qualitativo

Evidencia a atuação da enfermagem como barreira na prevenção de erros.

LILACS

2

Implementação da Política Nacional de Segurança do Paciente: desafios e perspectivas (2024)

Qualitativo

Aponta desafios estruturais.

BDENF

3

Práticas de enfermagem na segurança do paciente (2020)

Descritivo

Demonstra que através da avaliação de práticas a identificação do paciente ainda apresenta inúmeras falhas.

BDENF

4

Segurança do paciente: desafios e perspectivas (2019)

Qualitativo

Relata a importância da comunicação eficaz na redução de riscos adversos.

MEDLINE

5

Patient safety and nursing adherence to protocols (2019)

Quantitativo

Através da investigação dos impactos de protocolos concluiu-se que houve redução de eventos adversos.

MEDLINE

6

Eventos adversos hospitalares: análise e implicações (2020)

Quantitativo

Com base no estudo em contextos hospitalares ficou evidenciado a subnotificação de eventos.

LILACS

7

Sobrecarga de trabalho e segurança do paciente (2017)

Qualitativo

A sobrecarga compromete a segurança do paciente e a aplicação correta dos protocolos.

LILACS

8

Educação continuada e práticas seguras (2021)

Qualitativo

O treinamento e a educação continuada permitem a melhora no desempenho do profissional da enfermagem.

BDENF

9

Cultura punitiva e segurança do paciente (2019)

Qualitativo

Houve redução de notificações através da cultura de segurança punitiva.

BDENF

10

Segurança do paciente em unidades de terapia intensiva (2023)

Quantitativo

A adesão de protocolos de segurança na UTI reduz consideravelmente complicações.

MEDLINE

11

Comunicação em saúde e segurança do paciente (2020)

Qualitativo

As falhas de comunicação efetiva são muito frequentes.

LILACS

12

Atuação da enfermagem na segurança do paciente (2018)

Qualitativo

Ressalta a importância do papel da enfermagem no assistencialismo e segurança do paciente.

LILACS

13

Educação permanente e segurança do paciente (2018)

Quantitativo

A educação e capacitação melhora a adesão a protocolos de segurança.

MEDLINE

14

Protocolos de segurança do paciente na prática clínica (2022)

Qualitativo

Ainda há um distanciamento entre teoria e prática clínica.

BDENF

15

Desafios na implementação da segurança do paciente (2021)

Qualitativo

Identifica desafios assistenciais e destaca a falta de recursos como limitadora de práticas seguras.

BDENF

16

Segurança medicamentosa e atuação da enfermagem (2020)

Qualitativo

Avalia a segurança na administração de medicamentos e identifica erros relacionados.

MEDLINE

17

Protocolos assistenciais e segurança do paciente (2021)

Quantitativo

A padronização é eficaz na redução de erros e eventos adversos.

LILACS

18

Cultura organizacional e segurança do paciente em hospitais públicos (2019)

Qualitativo

A resistência institucional à mudança faz parte da cultura organizacional em hospitais públicos.

LILACS

19

Tecnologias em saúde e segurança do paciente (2022)

Quantitativo

O uso de tecnologias e sistemas eletrônicos aumentam a segurança ao paciente.

MEDLINE

Fonte: Os autores, 2026.

4. DISCUSSÃO

A análise possibilitou a organização em três categorias temáticas: 1) A atuação da enfermagem na execução dos protocolos de segurança ao paciente, 2) As principais barreiras na implantação de protocolos de segurança ao paciente. e 3) Avanços na consolidação da cultura de segurança ao paciente.

1) A Atuação da Enfermagem na Execução dos Protocolos de Segurança ao Paciente

Com base na literatura analisada é possível perceber que o Enfermeiro é o ponto central na instrumentalização de protocolos pertencentes a Política Nacional de Segurança ao Paciente (PNSP), já que atua de forma direta na execução de práticas cotidianas e relevantes nas instituições de saúde. O Enfermeiro no contexto hospitalar possui função primordial no cuidado de diversas situações e enfermidades, além disso, ele participa de diversas demandas que envolvem a gestão de pessoas, promovendo um ambiente seguro e acolhedor que revela o valor desse profissional para a execução dos protocolos voltados a segurança do paciente (NUNES, 2018).

A equipe de Enfermagem é quem media a maioria de ações assistenciais e pode ser uma barreira contra eventos adversos, atuando na identificação correta do paciente, administração medicamentosa segura, na prevenção de acidentes e quedas, utilização correta dos sistemas e da tecnologia, dentre outros (SILVA et al., 2018). Nesse sentido, Oliveira (2020), também ressalta a importância da aproximação contínua e da tomada de decisões assertiva para a melhor execução dos protocolos.

Ainda para Oliveira (2020), o enfermeiro ultrapassa o cumprimento de atividades de cunho técnico, assumindo atribuições e funções de supervisão, organização, mediação e liderança. De acordo com as diretrizes estabelecidas em normativas existentes os profissionais da enfermagem possuem relevância no que diz respeito a operacionalização de práticas no cotidiano e é imprescindível na execução de protocolos de segurança.

Em contrapartida, enfermeiro não pode ser visto apenas como o que executa tarefas padronizadas, mas como o profissional que integra os mais diversos setores, o responsável pelo fluxo de informações e o que gerencia o cuidado. Nesse sentido, a sua atuação contribui diretamente para a melhoria na qualidade e também com o incentivo de perfilhamento de comportamentos seguros (BARBOSA, 2020).

A importância do Enfermeiro no controle de quedas dentro dos serviços de saúde é significativa, tendo em vista que as quedas são comuns e podem causar grandes complicações, impactando no tempo em que o paciente fica internado e aumentando os custos do tratamento. O profissional da Enfermagem possui atuação direta em vários pontos, como: a avaliação de riscos, a implantação de medidas de prevenção, a orientação para o paciente e família, monitoramento, gestão de eventos e a articulação de trabalho em equipe (SOUSA; MENDES, 2019).

Ainda para Souza; Mendes (2019), a equipe de Enfermagem ainda atua no controle de Úlceras por pressão, que podem surgir especialmente em pacientes que possuem mobilidade reduzida. Esses profissionais assumem um papel muito importante e central na recuperação e segurança do paciente, além disso, estão envolvidos no processo de identificação, prevenção e tratamento.

A atuação do Enfermeiro também é decisiva no aumento da adesão a medidas preventivas e eficazes para a prevenção de infecções no ambiente como a higienização das mãos, antes e após o contato com o paciente. Sendo assim, o Enfermeiro além de executar a prática, também é capaz de promover mudanças comportamentais, ampliando a rede de prevenção (MARTINS, 2021).

Dessa forma, o Enfermeiro é fundamental para a garantia da segurança ao paciente em todas as fases de uma cirurgia, em especial os que atuam em centros cirúrgicos, pois, é um dos responsáveis pela visitação, condução do checklist cirúrgico, esterilização e controle dos materiais, comunicação efetiva, cuidados e registros (SILVA et al;. 2022).

Além disso, o profissional da Enfermagem também é peça fundamental na organização, transmissão e na validação de informações importantes, tendo em vista que, é o elemento central na transmissão de informações de forma clara, na utilização de métodos padronizados que evitam perdas durante a troca de plantão, e incentiva a cultura de segurança não punitiva (CARVALHO, 2020).

Portanto, diante da revisão de estudos é possível entender que a atuação da enfermagem é de fundamental importância e que envolve diversas técnicas e competências a serem desenvolvidas, que ultrapassam a conduta individual e depende de um conjunto de fatores que propiciam uma prática segura, eficiente e pautada na segurança do paciente.

2) As Principais Barreiras na Implantação de Protocolos de Segurança ao Paciente

Apesar do reconhecimento acerca da importância da atuação da Enfermagem análise dos estudos torna evidente a existência de barreiras associadas a implantação de protocolos de segurança ao paciente, em especial os relacionados a estrutura e a organização cultural nos serviços de saúde. Conforme Souza et al. (2017) e Lima e Colaboradores (2021), as fragilidades em termos de estrutura e organização podem ser vistas como um problema na consolidação de práticas assistenciais, à medida que limitam os profissionais da Enfermagem, como por exemplo: a sobrecarga, a indisponibilidade de materiais e o dimensionamento de pessoal inadequado, estresse, comunicação ineficaz e a falta de treinamento adequado, resultando em práticas inadequadas (CARVALHO et al., 2020).

A sobrecarga do profissional de Enfermagem é um fator que se destaca diante os problemas identificados e decorre da elevada demanda assistencial e do dimensionamento inadequado, comprometendo a execução e a adesão de protocolos voltados para a segurança. Essa realidade contradiz o proposto em normas e revela que somente a existência delas não assegura a aplicação (SOUZA; KAWAMOTO; OLIVEIRA, 2017).

É comum que em ambientes que possuem uma alta demanda assistencial fique comprometido o tempo utilizado para a conferência e administração de medicamentos, aumentando a chance de trocas de doses, erros de vias e horários de aplicação. Além disso, fatores como a distração de profissionais, falta de padronização, comunicação ineficaz e falha na dupla checagem podem comprometer a segurança do paciente (LIMA, 2021).

A higienização das mãos também envolve limitações culturais e estruturais, apesar de ser reconhecida como uma prática simples e essencial para a prevenção de infecções nos serviços de saúde, alguns fatores comportamentais, a resistência de profissionais, a falta da cultura institucional e o uso de luvas de forma inadequada (DUARTE et al., 2020).

Nesse contexto, a cirurgia segura é uma preocupação e pode ser considerada um protocolo de segurança essencial na redução de riscos durante e após a sua realização, mas ainda há uma série de impedimentos na implantação com segurança. Isso deve-se a fatores como: falhas na comunicação, pressa, falha durante a instrumentação e contagem de materiais e a falha no checklist de cirurgia segura (TEIXEIRA et al., 2019).

A prevenção do risco de quedas tem sido outro desafio significativo para a saúde pública, em especial para a população acima de 60 anos. A implementação de medidas preventivas e as ações da Enfermagem são muito importantes para promover a segurança do paciente. No entanto, apesar de sua relevância, ainda existem obstáculos para a efetividade dos protocolos. A falha na avaliação sistemática, a sobrecarga do Enfermeiro, ambientes físicos inadequados, baixa participação do paciente e família podem reduzir a segurança e aumentar danos decorrentes de quedas (DUARTE et al., 2020).

A indisponibilidade de materiais e a falta de estrutura também é um problema relevante e que necessita de atenção, pois limita a operacionalização e a padronização dos processos, tornando frágil a incorporação de práticas seguras. A falta de insumos básicos favorece o improviso e a incidência de diversos eventos adversos (LIMA, 2021).

Com relação a identificação correta do paciente, apresenta barreiras na conferência e sistematização de dados e na resistência de alguns profissionais. A ausência da implantação de protocolos que assegurem a cultura de segurança dentro dos serviços de saúde é de grande importância para redução de riscos ao paciente e para a promoção de qualidade assistencial (HEIDMANN et al., 2020).

Outro aspecto relevante e que pode ser elencado como a causa de acidentes e eventos adversos, é a imprecisão de informações entre a equipe, ou seja, comunicação ineficaz, o que pode afetar a continuidade do cuidado e resultar em situações que poderiam ser evitáveis. Dessa maneira, a comunicação acessível e de fácil compreensão contribui significativamente para o envolvimento do paciente no cuidado, identificação de possíveis riscos e para o fortalecimento da segurança (CARVALHO, 2020).

As barreiras à prevenção das Úlceras por Pressão possuem múltiplos fatores relacionados a condições de saúde dos pacientes, além disso, a falta de estratégias que visem melhoras as condições de saúde e promover a redução de lesões, muitas vezes não são aplicadas corretamente. Nesse sentido, a existência de lacunas na capacitação e treinamento do Enfermeiro é uma condição crítica e que impacta diretamente no cotidiano e na qualidade do atendimento ao paciente com esse problema (MENDES, 2018).

Ainda conforme Mendes (2018), a formação e a capacitação contínua dos profissionais da Enfermagem auxiliam na implementação de práticas baseadas em evidências científicas e com isso traz efetividade do cuidado. Sendo assim, o investimento em qualificação pode ser visto como uma forma de reduzir erros e pode trazer inúmeras melhorias para indicadores e para a cultura de segurança

Um dos principais entraves que necessitam de superação tanto pelas Instituições de Saúde (IS), quanto pelos profissionais da Enfermagem estão a falta de registros de Eventos Adversos (EA), isso ocorre pelo fato de muitas vezes o foco estar direcionado somente em identificar culpados e não em utilizar as falhas como forma de aprendizado para melhoria da assistência ao paciente. Para Santos (2019), a cultura punitiva pode ser considerada um dos principais problemas na cultura organizacional de instituições de saúde, à medida que acende um alerta no profissional e ocasiona a redução de notificações de EA, não permitindo a construção de dados e as modificações necessárias.

Dessa forma, apesar da existência de elementos normativos e do conhecimento sobre a importância de sua implementação para a segurança do paciente, ainda é possível observar a existência de barreiras que limitam a atuação do Enfermeiro. Sendo assim, é relevante que se adote uma abordagem sistêmica e que possua várias facetas, de modo que se consiga efetividade na realização de práticas seguras e de forma cotidiana.

Portanto, apesar do volume de publicações encontradas e estudadas é possível constatar algumas lacunas importantes como: a falta de estudos que avaliem o impacto para o paciente, que ultrapassem o enfoque somente na atuação do profissional da enfermagem e que demonstrem a importância de integrar as tecnologias as práticas eficazes.

3) Avanços na Consolidação da Cultura de Segurança ao Paciente

Apesar dos estudos ainda evidenciarem diversas dificuldades na implementação de protocolos de segurança ao paciente, é possível observar diversos avanços na consolidação da cultura de segurança ao paciente e elas representam um marco histórico no campo de assistência à saúde. Atualmente, a temática tem sido vista com maior importância e como prioridade mundial, através de diretrizes e normas nacionais e internacionais que possuem o intuito de redução de danos e EA (ALVES, 2019).

Além da implementação de políticas nacionais e internacionais, observa-se ainda a mudança de paradigma decorrentes de modelos que aos poucos estão sendo superados. O fortalecimento de uma cultura de segurança mais justa e menos punitiva, bem como a incorporação de novas tecnologias, a participação ativa do paciente e a inserção de uma educação continuada para o profissional tem sido essenciais para a superação de problemas e para a melhor adesão aos protocolos existentes (LIMA,2021).

Por conseguinte, alguns aspectos são fundamentais para a consolidação da cultura de segurança ao paciente e podem ser entendidos como um processo fluido e que atravessa inúmeras dimensões. A superação dos desafios ainda encontrados, provém de abordagens que se sustentam em evidencias e que perpassem o sistema, tornando de fato um ambiente seguro e propício para o cuidado (TEIXEIRA, 2019).

Nesse sentido, pode se compreender a consolidação da cultura de segurança como um processo de transição de modelos organizacionais ultrapassados para um modelo contínuo. A implantação deve ir além de meros dispositivos formais e passa a fazer parte da organização da prática assistencialista. De uma cultura de gestão e profissionais.

Diante do exposto, é possível observar que as publicações analisadas possuem diferentes abordagens, onde predominam os estudos qualitativos, quantitativos e descritivos. A diversidade de achados proporciona um entendimento mais crítico sobre a importância da temática estudada e de como cada aspecto contribui positivamente na efetividade de protocolos de segurança ao paciente.

Percebe-se que a maioria utilizou como lócus para o desenvolvimento das pesquisas unidades hospitalares, evidenciando as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que possuem maiores riscos e necessitam de cuidados proporcionais, possibilitando a investigação mais concreta sobre se a implementação dos protocolos assistenciais está em consonância com as políticas e normas estabelecidas para a segurança do paciente.

A análise também permitiu a identificação de divergências entre a literatura, onde os estudos qualitativos geralmente trataram sobre a distância entre teoria e prática, e os estudos quantitativos demonstraram efetividade na aplicação de protocolos de segurança. Diante disso, é possível perceber que os resultados geralmente são vinculados ao contexto organizacional dos locais estudados.

5. CONCLUSÃO

Através da realização dessa Revisão Integrativa de literatura foi possível compreender que a atuação do Enfermeiro é essencial para a efetivação dos protocolos da Política Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) e para a consolidação de uma prática assistencial mais segura e que seja fundamentada em evidências científicas.

Os profissionais da Enfermagem são o centro da posição estratégica e operacional do cuidado ao paciente e é responsável pela maioria das ações assistenciais, programáticas e educativas e também por iniciativas pautadas na segurança do paciente e nas mais variadas áreas que abrangem a atenção, a gestão dos serviços e organização do cuidado.

Em contrapartida, ficou evidenciado que, apesar da importância do tema e da existência de normas e diretrizes que orientam o cuidado para a segurança do paciente, ainda existem entraves que comprometem a implantação desses protocolos. Entre as principais barreiras associadas estão a sobrecarga do profissional, as falhas na identificação do paciente e na comunicação, a cultura institucional punitiva, a insuficiência de materiais para a realização de atividades, além da falta de capacitação.

Sob outra perspectiva, apesar da existência de diversas lacunas e de problemas para a implantação, foi possível observar alguns avanços importantes como a adoção de sistemas tecnológicos e a superação de alguns modelos punitivos, que de forma mais justa pode auxiliar no entendimento e na inovação de práticas nos serviços de saúde.

Portanto, foi possível concluir que a Enfermagem é indispensável na implantação de protocolos de segurança e na mediação de vários serviços assistenciais. Dessa forma, fica recomendado o fortalecimento de ações institucionais que auxiliem na superação de eventuais fragilidades e que promovam a melhoria contínua e o aprendizado.

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Trabalho apresentado como requisito parcial, para conclusão do curso de Graduação em Enfermagem do Centro Universitário Cesmac, sob a orientação do Profª Mestra Hulda Alves de Araújo Tenório.

1 Graduanda do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

2 Graduando do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

3 Professora Ma. do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.