REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792120687
RESUMO
O voleibol de alto rendimento utiliza dados estatísticos como ferramenta para análise do desempenho individual e coletivo, possibilitando a identificação de características relacionadas ao rendimento das atletas durante a competição. O presente estudo teve como objetivo analisar os dados estatísticos de desempenho individual e sua relação com a classificação coletiva para a próxima fase da Superliga Feminina de Voleibol 2025/2026. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa e delineamento documental, realizada a partir dos dados oficiais disponibilizados pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Foram analisadas as 20 primeiras atletas dos rankings de ataque, bloqueio, saque e maiores pontuadoras, relacionando seus resultados à classificação das respectivas equipes na fase classificatória. Os dados foram organizados e processados por meio de estatística descritiva, utilizando frequências e porcentagens. Os resultados demonstraram que 76,25% dos registros individuais analisados corresponderam a atletas de equipes classificadas entre as oito primeiras posições. No ataque, 85% das atletas analisadas pertenciam às oito primeiras equipes, enquanto no bloqueio e no saque esse percentual foi de 75% e, entre as maiores pontuadoras, de 70%. Conclui-se que houve maior concentração de registros de destaque individual em atletas pertencentes às equipes classificadas para a próxima fase, embora também tenham sido identificados desempenhos individuais expressivos em equipes não classificadas, demonstrando que o destaque individual não esteve restrito às equipes mais bem posicionadas.
Palavras-chave: Voleibol; Desempenho esportivo; Estatística; Superliga Feminina; Desempenho individual.
ABSTRACT
High-performance volleyball uses statistical data as a tool for analyzing individual and team performance, enabling the identification of characteristics related to athletes’ performance throughout a competition. The present study aimed to analyze statistical data on individual performance and its relationship with team qualification for the next stage of the 2025/2026 Brazilian Women’s Volleyball Superliga. This descriptive study adopted a quantitative approach and a documentary research design, based on official data provided by the Brazilian Volleyball Confederation (CBV). The top 20 athletes in the attack, block, serve, and top scorer rankings were analyzed, and their results were related to the standings of their respective teams in the regular season. The data were organized and processed using descriptive statistics, using frequencies and percentages. The results showed that 76.25% of the individual records analyzed corresponded to athletes from teams ranked among the top eight positions. In attack, 85% of the athletes analyzed belonged to the top eight teams, while this percentage was 75% for both blocking and serving and 70% among the top scorers. It was concluded that there was a greater concentration of outstanding individual performances among athletes from teams that qualified for the next stage. However, notable individual performances were also identified among athletes from teams that did not qualify, demonstrating that individual excellence was not restricted to the highest-ranked teams
Keywords: Volleyball; Sports performance; Statistics; Brazilian Women’s Superliga; Individual performance.
1. INTRODUÇÃO
Estudos na área da análise de desempenho esportivo apontam que a utilização de dados estatísticos contribui para a compreensão do comportamento das equipes e dos atletas durante o jogo (Hughes, 2004; Marcelino et al., 2010). No voleibol, a análise das ações realizadas durante as partidas permite observar diferentes aspectos relacionados ao rendimento esportivo. Marcelino et al. (2010), ao analisarem ações realizadas em sets de voleibol masculino de alto rendimento, identificaram diferenças no desempenho das ações de ataque, bloqueio, saque, defesa, levantamento e recepção entre equipes vencedoras e perdedoras. Dessa forma, a análise dos indicadores de rendimento permite identificar diferenças nas ações de jogo e contribuir para a compreensão do desempenho esportivo (Marcelino et al., 2010).
A análise estatística das ações de jogo também pode fornecer informações relacionadas ao desempenho técnico-tático no voleibol. Marques Junior (2015) aborda a análise quantitativa das ações de jogo como subsídio para o treinamento técnico-tático, demonstrando a possibilidade de utilização das informações obtidas durante as partidas para a compreensão do desempenho na modalidade. Dessa maneira, a análise quantitativa possibilita observar de forma sistematizada as diferentes ações realizadas durante o jogo (Marques Junior, 2015).
Para a coleta e organização dessas informações, diferentes recursos podem ser utilizados na análise do voleibol. Barili et al. (2018) desenvolveram o Volley Scout Pro aplicativo destinado à realização de registros estatísticos de equipes de voleibol. A utilização desse tipo de ferramenta possibilita sistematizar informações provenientes das ações realizadas durante as partidas, contribuindo para a organização dos dados utilizados na análise do desempenho (Barili et al., 2018).
Entre as ações que podem ser utilizadas para a análise do desempenho no voleibol estão o ataque, o bloqueio e o saque. Marcelino, Mesquita e Afonso (2008), ao analisarem as ações terminais no voleibol, investigaram a contribuição do ataque, do saque e do bloqueio para a classificação das equipes na Liga Mundial de 2005. Os autores observaram a relação entre o desempenho nessas ações e a posição alcançada pelas equipes na competição, demonstrando a possibilidade de relacionar indicadores individuais das ações de jogo com resultados coletivos (Marcelino; Mesquita; Afonso, 2008).
No voleibol feminino, Campos et al. (2014) analisaram indicadores de desempenho nas ligas brasileira e italiana, considerando fatores como local da partida, resultado do jogo e número do set. Entre as ações investigadas estavam fundamentos relacionados ao ataque, saque e bloqueio, permitindo identificar diferenças nos indicadores de desempenho de acordo com o resultado das partidas. O estudo reforça a utilização das ações de jogo como elementos para a análise do rendimento no voleibol feminino de alto nível (Campos et al., 2014).
No cenário nacional, a Superliga Brasileira de Voleibol constitui o contexto competitivo analisado neste estudo. Souza (2020), ao investigar as ações de saque, ataque e bloqueio em diferentes fases da Superliga Brasileira Masculina de Voleibol, analisou possíveis diferenças na eficácia desses fundamentos entre os períodos da competição. Dessa maneira, a utilização de dados provenientes das partidas possibilita analisar diferentes características do desempenho esportivo ao longo de uma competição (Souza, 2020).
A análise conjunta dos fundamentos e dos resultados coletivos também permite ampliar a compreensão do desempenho no voleibol. Marcelino, Mesquita e Afonso (2008) relacionaram as ações de ataque, saque e bloqueio com a classificação das equipes, enquanto Campos et al. (2014) analisaram indicadores de desempenho considerando, entre outros fatores, o resultado das partidas no voleibol feminino. Esses estudos demonstram diferentes possibilidades de utilização dos dados estatísticos para investigar o desempenho esportivo e sua relação com os resultados obtidos pelas equipes (Marcelino; Mesquita; Afonso, 2008; Campos et al., 2014).
Portanto, o presente estudo justifica-se pela relevância de fornecer subsídios científicos e práticos para estudantes, pesquisadores e treinadores da modalidade, visto que a literatura ainda necessita de análises comparativas integradas entre as categorias do voleibol nacional a nível acadêmico, já que nesse nível de desempenho na modalidade, a análise estatística de jogos é essencial, porém muitos dos resultados ficam somente restrito a comissão técnica ou em publicações em sites com tempo moderado. Assim, o trabalho tem como objetivo analisar os dados estatísticos de desempenho individual que resultaram em classificação coletiva para a próxima fase da competição, em equipes femininas de voleibol disponibilizados pela CBV na Superliga 2025/2026.
2. MÉTODOS
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de caráter descritivo, com abordagem quantitativa e delineamento de pesquisa documental, utilizando os dados estatísticos oficiais de desempenho das atletas e equipes participantes da Superliga Brasileira de Voleibol 2025/2026 no naipe feminino.
Por se tratar de uma investigação estruturada a partir de informações oficiais de domínio público, este trabalho não apresentou características que necessitassem de avaliação e aprovação no Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos.
A base de dados utilizada para o levantamento das informações foi o site oficial da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), especificamente as seções destinadas ao gerenciamento de estatísticas e à tabela de classificação da Superliga série A. Os critérios de inclusão definidos para a pesquisa foram estipulados pelos pesquisadores deste trabalho, onde foi considerado para coleta e análise dos dados somente o naipe feminino e as vinte primeiras atletas no ranking, dos oito dados apresentados, foi utilizado somente quatro deles, sendo eles: Ataque, bloqueio, saque e maior pontuadora. Essa escolha foi por critérios dos pesquisadores com embasamento técnico e estatístico.
A partir dos critérios estabelecidos, foram analisados os dados referentes ao percentual de aproveitamento no ataque, ao número de bloqueios e saques bem-sucedidos e à pontuação acumulada pelas atletas ao longo da competição. Esses indicadores foram utilizados para caracterizar o desempenho individual das jogadoras e possibilitar a análise comparativa entre as atletas selecionadas no ranking da Superliga Feminina Série A.
No que diz respeito à coleta e análise dos dados, os números individuais de desempenho por fundamento e a classificação final das equipes foram transpostos diretamente do ambiente virtual oficial para uma planilha Excel. A partir desse banco de dados, as informações foram organizadas e processadas por meio de estatística descritiva, utilizando frequências e porcentagens. Esse procedimento estatístico permitiu analisar o rendimento técnico individual das atletas em relação ao desempenho coletivo e à posição final de suas respectivas equipes na tabela da competição.
3. RESULTADOS
A Tabela 1 apresenta o aproveitamento no ataque e os pontos de bloqueio das atletas, permitindo comparar o rendimento individual e entre os clubes.
Tabela 1. Dados estatísticos quantitativos dos fundamentos de ataque e bloqueio
Atletas/Clubes | ATAQUE (%) | Classificação 1° fase | Atletas/Clubes | BLOQUEIO | Classificação |
Júlia K./Gerdau | 58,4% | 2° | Luzia/Paulistano | 97 | 10° |
Adenizia/Dentil Praia | 55,1% | 4° | Júlia K./Gerdau | 97 | 2° |
Diana/Sesi Vôlei | 52,0% | 5° | Mayane/Sesi Vôlei | 78 | 5° |
Mayhara/Osasco S. C. | 51,6% | 3° | Adenizia/Dentil Praia | 72 | 4° |
Luzia/Paulistano | 50,9% | 10° | Diana/Sesi Vôlei | 62 | 5° |
Lorena/Sesc Flamengo | 50,2% | 1° | Lívia/Brasília Vôlei | 59 | 9° |
Lívia/Brasília Vôlei | 50% | 9° | Saraelen/Batavo | 59 | 8° |
Andressa/Sancor Vôlei | 50% | 7° | Lara/Fluminense | 57 | 6° |
Mayany/SESI Vôlei | 50% | 5° | Ariane/Fluminense | 54 | 6° |
Lara/Fluminense | 49,2% | 6° | Thaisa/Gerdau | 54 | 2° |
Thaisa/Gerdau | 48,9% | 2° | Larissa/Osasco S. C. | 54 | 3° |
Saraelen/Batavo | 48,7% | 8° | Lanna/Paulistano | 50 | 10° |
Wank/Sesc Flamengo | 48,4% | 1° | Kirov/Sesc Flamengo | 50 | 1° |
Cugno/Osasco S. C. | 48,4% | 3° | Lays/Fluminense | 49 | 6° |
Maria/Gerdau | 46,1% | 2° | Lorena/Sesc Flamengo | 49 | 1° |
Johanson/Gerdau | 44,4% | 2° | Rebeca/Tijuca Tênis | 44 | 11° |
Lanna/Paulistano | 43,6% | 10° | Mayhara/Osasco S. C. | 43 | 3° |
Caffrey/Dentil Praia | 43,4% | 4° | Sarah/Brasília Vôlei | 43 | 9° |
Caitie/Osasco S. C. | 41,6% | 3° | Wank/Sesc Flamengo | 42 | 1° |
Jaque/Sancor Seguros | 41,4% | 7° | Fran/Sancor Seguros | 41 | 7° |
Fonte: Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), dados organizados pelas autoras (2026).
Em relação à porcentagem geral apresentada na tabela 1, os maiores valores foram observados nas equipes Flamengo e Gerdau, ambas com 55%. Na sequência, encontram-se Dentil e Paulistano, com 40%, seguidas por SESI Bauru, Osasco e Fluminense, com 35%. A equipe Sancor apresentou 30%, enquanto Tijuca registrou 25%. Os menores percentuais foram identificados nas equipes Brasília e Batavo, ambas com 20%. De modo geral, 76,25% das atletas ficaram entre as oito primeiras posições.
Quanto ao percentual de ataque também apresentada na tabela 1, a equipe Gerdau apresentou o maior valor, com 20%, seguida por Osasco, com 15%. As equipes Dentil, SESI Bauru, Paulistano, Flamengo e Sancor registraram 10% cada. Os menores percentuais foram observados em Brasília, Fluminense e Batavo, com 5% cada. Em relação à classificação, 85% das atletas ficaram entre as oito primeiras posições, sendo o Paulistano e o Brasília os times que não ficaram entre as oito, representando os outros 15%.
A Tabela 2 a seguir apresenta os dados estatísticos referentes ao desempenho das atletas nas ações de saque e pontuação. São considerados os saques efetivos que resultaram em pontos e a identificação das atletas com maior pontuação na competição.
No percentual de bloqueio apresentado na tabela 1, as equipes Fluminense e Flamengo apresentaram os maiores valores, com 15% cada. Em seguida, Paulistano, Gerdau, SESI Bauru, Brasília e Osasco registraram 10%. As equipes Dentil, Batavo, Tijuca e Sancor apresentaram os menores percentuais, com 5% cada. Quanto à classificação, 75% das atletas ficaram entre as oito primeiras posições, Paulistano, Brasília e Tijuca foram os únicos times nos quais não alcançaram as oito primeiras posições, representando assim 25%.
Em relação ao percentual de saque apresentado na tabela 2, a equipe Flamengo apresentou o maior valor, com 20%, seguida por Dentil, com 15%. As equipes Paulistano, Gerdau, SESI Bauru, Fluminense, Sancor e Tijuca registraram 10% cada. O menor percentual foi observado na equipe Renasce, com 5%. Em relação à classificação, 75% das atletas ficaram entre as oito primeiras posições, Paulistano, Tijuca e Renasce não alcançaram as oito melhores posições, representando 25%.
A análise dos dados estatísticos da fase classificatória da Superliga Feminina de Voleibol 2025/2026 permitiu observar o desempenho individual das atletas nos fundamentos de ataque, bloqueio e saque, além da pontuação total, relacionando esses resultados com a classificação de suas respectivas equipes.
Tabela 2. Dados estatísticos quantitativos do fundamento de saque e de maior pontuador
Atletas/Clubes | SAQUE | Classificação | Atletas/Clubes | MAIOR PONTUADOR | Classificação |
Wank/Sesc Flamengo | 26 | 1° | Wank/Sesc Flamengo | 424 | 1° |
Jheovana/Paulistano | 25 | 10° | Cugno/Osasco S. C. | 415 | 3° |
Caffrey/Dentil Praia | 22 | 4° | Ariane/Fluminense | 408 | 6° |
Thaisa/Gerdau | 22 | 2° | Jaque/Sancor Seguros | 353 | 7° |
Diana/Sesi Vôlei | 22 | 5° | Ariele/Tijuca Tênis | 347 | 11° |
Ariane/Fluminense | 21 | 6° | Jheovana/Paulistano | 332 | 10° |
Dani Lins/Sesi Vôlei | 20 | 5° | Tainara/Sesc Flamengo | 317 | 1° |
Bruna/Sancor Seguros | 20 | 7° | Johnson/Gerdau | 309 | 2° |
Rebeca/Tijuca Tênis | 19 | 11° | Camilly S./Renasce | 305 | 12° |
Júlia K./Gerdau | 17 | 2° | Caitie/Osasco S. C. | 303 | 3° |
Laura/Renasce | 15 | 12° | Paula/Tijuca Tênis | 296 | 11° |
Aline/Paulistano | 15 | 10° | Caffrey/Dentil Praia | 295 | 4° |
Tainara/Sesc Flamengo | 15 | 1° | Julia K./Gerdau | 277 | 2° |
Karina/Sesc Flamengo | 15 | 1° | Luzia/Paulistano | 275 | 10° |
Macris/Dentil Praia | 15 | 4° | Karen/Brasília | 269 | 9° |
Adenizia/Dentil Praia | 15 | 4° | Adenizia/Dentil Praia | 259 | 4° |
Amanda/Fluminense | 15 | 6° | Gabiru/Batavo | 247 | 8° |
Jaque/Sancor Seguros | 15 | 7° | Saraelen/Batavo | 247 | 8° |
Paula/Tijuca Tênis | 13 | 11° | Thaisa/Gerdau | 234 | 2° |
Giovana/Sesc Flamengo | 13 | 1° | Bruna/Sesi Vôlei | 232 | 5° |
Fonte: Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), dados organizados pelas autoras (2026).
4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A partir das informações apresentadas nas Tabelas 1 e 2, foi possível identificar a distribuição das atletas entre os clubes participantes e verificar a presença de atletas com destaque individual em equipes que alcançaram ou não as oito primeiras posições da competição.
Em relação à porcentagem geral apresentada nas Tabelas 1 e 2, os maiores valores foram observados nas equipes Flamengo e Gerdau, ambas com 13,75%. Na sequência, encontram-se Dentil e Paulistano, com 10% cada, seguidas por SESI Bauru, Osasco e Fluminense, com 8,75% cada. A equipe Sancor apresentou 7,5%, enquanto Tijuca registrou 6,25%. Os menores percentuais foram identificados nas equipes Brasília e Batavo, com 5% cada, e Renasce, com 2,5%.
De modo geral, 76,25% dos registros individuais analisados corresponderam a atletas de equipes que ficaram entre as oito primeiras posições da fase classificatória. Esse resultado demonstra que, entre os dados analisados no presente estudo, houve maior concentração de registros de destaque individual em atletas pertencentes às equipes que alcançaram as oito primeiras colocações. Entretanto, também foram identificadas atletas com resultados individuais expressivos em equipes que não obtiveram essa classificação, demonstrando que o destaque individual em determinado fundamento não esteve restrito às equipes mais bem classificadas.
4.1. Ataque
Quanto ao percentual de ataque apresentado na Tabela 1, a equipe Gerdau apresentou o maior valor, com 20%, seguida por Osasco, com 15%. As equipes Dentil, SESI Bauru, Paulistano, Flamengo e Sancor registraram 10% cada. Os menores percentuais foram observados em Brasília, Fluminense e Batavo, com 5% cada. Em relação à classificação, 85% das atletas pertenciam a equipes que ficaram entre as oito primeiras posições, enquanto Paulistano e Brasília representaram os outros 15%.
Ao observar os resultados individuais desse fundamento, Júlia Kudiess, do Gerdau Minas, apresentou o maior percentual de ataque, com 58,4%, seguida por Adenizia, do Dentil Praia, com 55,1%, e Diana, do SESI Vôlei, com 52%. As respectivas equipes terminaram a fase classificatória na segunda, quarta e quinta colocações. Esses resultados demonstram, dentro dos dados analisados, a presença de atletas com destaque individual no ataque em equipes que alcançaram as primeiras posições da competição.
Contudo, ao comparar os dados de ataque com o ranking de maiores pontuadoras apresentado na Tabela 2, observa-se que o maior percentual de ataque não corresponde necessariamente à maior pontuação individual da competição. Embora Júlia Kudiess tenha apresentado 58,4% de aproveitamento no ataque, a maior pontuadora da fase classificatória foi Simone Lee, do SESC RJ Flamengo, com 424 pontos. Nesse sentido, a análise conjunta dos diferentes fundamentos permite observar diferentes aspectos do desempenho individual das atletas. Souza (2020), ao investigar as ações de saque, ataque e bloqueio em diferentes fases da Superliga Brasileira Masculina de Voleibol, também analisou a eficácia desses fundamentos durante a competição.
Luzia Nezzo também apresentou 50,9% de aproveitamento no ataque e registrou 275 pontos no ranking das maiores pontuadoras. Dessa forma, mesmo pertencendo a uma equipe que terminou fora das oito primeiras posições, a atleta apresentou resultados expressivos em diferentes fundamentos.
4.2. Bloqueio
Em relação ao bloqueio, as equipes Fluminense e Flamengo apresentaram os maiores percentuais de participação entre as atletas analisadas, com 15% cada. Em seguida, Paulistano, Gerdau, SESI Bauru, Brasília e Osasco registraram 10% cada. As equipes Dentil, Batavo, Tijuca e Sancor apresentaram 5% cada. Quanto à classificação, 75% das atletas pertenciam a equipes que ficaram entre as oito primeiras posições, enquanto Paulistano, Brasília e Tijuca representaram os outros 25%.
Entre os resultados individuais do bloqueio, destacaram-se Luzia Nezzo, do Paulistano Barueri, e Júlia Kudiess, do Gerdau Minas, que apresentaram 97 pontos de bloqueio cada. Ao comparar Luzia e Júlia, observa-se que atletas com o mesmo resultado individual no bloqueio podem pertencer a equipes com classificações bastante distintas e apesar de apresentarem a mesma pontuação nesse fundamento, suas equipes terminaram a primeira fase em posições distintas, com o Gerdau Minas na segunda colocação e o Paulistano Barueri na décima. Assim, dentro dos resultados analisados neste estudo, o destaque individual em determinado fundamento não correspondeu necessariamente à posição coletiva da equipe.
Posteriormente, Luzia Nezzo foi convocada para integrar a Seleção Brasileira Feminina na preparação para a Liga das Nações de 2026 (CBV, 2026). Entretanto, não é possível estabelecer uma relação causal entre seus resultados estatísticos na Superliga e a convocação, uma vez que a fonte oficial não estabelece essa associação. Dessa maneira, pode-se afirmar apenas que a atleta apresentou destaque estatístico durante a fase classificatória analisada e, posteriormente, esteve entre as atletas convocadas pela Seleção Brasileira.
4.3. Saque
Em relação ao saque apresentado na Tabela 2, o Flamengo apresentou o maior percentual de participação, com 20%, seguido pelo Dentil, com 15%. Paulistano, Gerdau, SESI Bauru, Fluminense, Sancor e Tijuca registraram 10% cada, enquanto Renasce apresentou 5%. Em relação à classificação, 75% das atletas pertenciam a equipes que ficaram entre as oito primeiras posições, enquanto Paulistano, Tijuca e Renasce representaram os outros 25%.
Entre os resultados individuais desse fundamento, Simone Lee, do SESC RJ Flamengo, apresentou 26 pontos de saque, seguida por Jheovana, do Paulistano Barueri, com 25. Na sequência, Caffrey, do Dentil Praia, Thaisa, do Gerdau, e Diana, do SESI Vôlei, registraram 22 pontos cada. Ao relacionar esses resultados com a classificação coletiva, observa-se que Simone Lee integrou a equipe que terminou a fase classificatória na primeira colocação, enquanto Jheovana, apesar da diferença de apenas um ponto de saque, pertencia ao Paulistano Barueri, décimo colocado. Assim como observado no bloqueio, os resultados encontrados demonstram que atletas com desempenhos individuais próximos em determinado fundamento podem pertencer a equipes com posições distintas na classificação.
4.4. Maiores Pontuadoras
Na análise do ranking de maiores pontuadoras, a equipe Gerdau apresentou o maior percentual de participação entre as 20 primeiras atletas, com 15%. Na sequência, Flamengo, Osasco, Tijuca, Paulistano, Dentil e Batavo registraram 10% cada. As equipes Fluminense, Sancor, Renasce, Brasília e SESI Bauru apresentaram 5% cada. Quanto à classificação coletiva, 70% das atletas pertenciam a equipes que ficaram entre as oito primeiras posições, enquanto as demais representaram 30%.
Entre os resultados individuais desse ranking, Simone Lee, do SESC RJ Flamengo, encerrou a fase classificatória com 424 pontos, seguida por Cugno, do Osasco, com 415 pontos, e Ariane, do Fluminense, com 408 pontos. As três atletas pertenciam a equipes que alcançaram as oito primeiras posições da competição.
No caso de Simone Lee, além dos 424 pontos registrados, a atleta apresentou 26 pontos de saque e integrou o SESC RJ Flamengo, equipe que terminou a fase classificatória na primeira colocação. Esses resultados demonstram seu destaque esportivo durante o período analisado. Além da avaliação técnico-tática, o desempenho esportivo também pode ser discutido em relação à imagem profissional do atleta. Arai, Ko e Ross (2014), ao desenvolverem o Model of Athlete Brand Image (MABI), estabeleceram três dimensões para a imagem de marca do atleta: desempenho esportivo, aparência atrativa e estilo de vida comercializável. Dessa maneira, o desempenho esportivo constitui uma das dimensões relacionadas à construção da imagem de marca do atleta (Arai; Ko; Ross, 2014).
Ao comparar os resultados de Simone Lee e Luzia Nezzo, observa-se que ambas apresentaram destaque estatístico durante a fase classificatória, porém em contextos coletivos distintos. Simone Lee registrou 424 pontos e 26 pontos de saque, enquanto sua equipe terminou na primeira colocação. Luzia Nezzo, por sua vez, apresentou 97 pontos de bloqueio, 50,9% de aproveitamento no ataque e 275 pontos no ranking das maiores pontuadoras, embora sua equipe tenha terminado na décima colocação. Dessa forma, os resultados encontrados demonstram diferentes relações entre o desempenho individual das atletas e a classificação coletiva de suas respectivas equipes.
A aproximação desses resultados com Arai, Ko e Ross (2014) permite discutir o desempenho esportivo também como um dos componentes da imagem de marca do atleta. Entretanto, não é possível afirmar, a partir dos dados desta pesquisa, que os resultados estatísticos tenham proporcionado patrocínios, maior visibilidade ou convocações às atletas analisadas. O que a literatura permite afirmar é que o desempenho esportivo constitui uma das dimensões do modelo de imagem de marca proposto por Arai, Ko e Ross (2014).
Além dos resultados técnicos observados, estudos realizados com atletas de voleibol demonstram a importância de considerar as demandas de treinamento e recuperação ao longo de uma temporada competitiva. Debien et al. (2018), ao acompanharem jogadores profissionais brasileiros durante uma temporada, analisaram a carga interna de treinamento, o estado de recuperação e o desempenho físico, identificando variações dessas medidas ao longo dos diferentes períodos da temporada.
Noce et al. (2011), ao investigarem uma equipe feminina de voleibol de alto rendimento participante da Superliga, analisaram os níveis de estresse e recuperação durante períodos de treinamento e recuperação. Andrade et al. (2021), por sua vez, analisaram a carga de treinamento e o estado de recuperação de jogadores de voleibol em diferentes períodos de uma temporada competitiva, demonstrando variações nessas medidas ao longo da temporada.
Entretanto, a presente pesquisa não avaliou carga de treinamento, fadiga ou estado de recuperação das atletas. Dessa forma, não é possível estabelecer relação direta entre essas variáveis e os resultados estatísticos encontrados nas Tabelas 1 e 2. Os estudos citados são utilizados para contextualizar aspectos relacionados às demandas de treinamento e recuperação presentes no voleibol de alto rendimento, e não para explicar as causas dos resultados individuais encontrados nesta pesquisa.
Uma limitação encontrada durante a realização deste estudo esteve relacionada à disponibilidade dos dados estatísticos oficiais da competição. As informações utilizadas foram coletadas a partir dos dados disponibilizados pela Confederação Brasileira de Voleibol durante o período analisado; entretanto, parte dessas informações deixou de permanecer disponível posteriormente no ambiente virtual. Além disso, a pesquisa foi delimitada aos dados estatísticos disponíveis referentes à fase classificatória e aos fundamentos selecionados, não permitindo analisar outras variáveis que podem estar relacionadas ao desempenho das atletas.
Para estudos futuros, sugere-se ampliar a análise para diferentes momentos da competição, comparando os resultados da fase classificatória com as fases eliminatórias. Também podem ser realizadas pesquisas por meio da observação direta das partidas e do registro das ações de jogo, possibilitando a construção de um banco de dados próprio e independente da permanência das informações nas plataformas oficiais. A inclusão de outras variáveis relacionadas ao desempenho em ações de jogo, também poderá contribuir para ampliar a compreensão da relação entre rendimento individual e desempenho coletivo no voleibol de alto rendimento.
5. CONCLUSÃO
Portanto, os resultados apresentados demonstram que a maior parte dos registros de destaque individual nos fundamentos analisados correspondeu a atletas pertencentes a equipes que alcançaram as oito primeiras posições da fase classificatória da Superliga Feminina 2025/2026. Entretanto, também foram identificadas atletas com resultados expressivos em equipes que não obtiveram essa classificação, como Luzia Nezzo, do Paulistano Barueri. Dessa forma, a análise conjunta dos dados estatísticos individuais e da classificação das equipes permite observar diferenças entre o desempenho individual e coletivo durante a competição.
Nesse contexto, a utilização de dados estatísticos apresenta relevância para a área da Educação Física, especialmente no acompanhamento e na compreensão do desempenho esportivo. A análise de indicadores como ataque, bloqueio, saque e pontuação pode contribuir para a identificação das características de desempenho das atletas, auxiliando profissionais de Educação Física e equipes técnicas no acompanhamento do rendimento e na avaliação das demandas específicas do voleibol. Dessa forma, o uso da estatística de desempenho individual constitui uma ferramenta complementar à avaliação profissional, contribuindo para uma análise mais sistematizada do desempenho coletivo e para o desenvolvimento de estratégias relacionadas ao treinamento e à preparação esportiva.
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1 Acadêmica do curso de Educação Física, Centro Universitário Fundação Assis Gurgacz.
2 Acadêmica do curso de Educação Física, Centro Universitário Fundação Assis Gurgacz.
3 Orientadora. Possui mestrado em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Estadual de Maringá (UEM). Possui graduação em Educação Física (Licenciatura e Bacharel) e especialização em Docência no Ensino Superior pelo Centro Universitário Assis Gurgacz (2010). Atualmente é docente do Centro Universitário Assis Gurgacz e professora de educação física e de iniciação ao voleibol pela Secretaria de Educação do Paraná. Atua principalmente nos seguintes temas: voleibol, desempenho motor, treinamento esportivo e educação física escolar.