REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787963324
RESUMO
A enfermagem é a força de trabalho majoritária e crucial para o funcionamento do sistema de saúde. Pesquisas que tracem o perfil da categoria sao de relevancia para compreensao da força de trabalho e desafios da categoria. Objetivo: Traçar o perfil demográfico, de formação e de vínculos profissionais da equipe de enfermagem no estado do Piauí. Métodos: Estudo retrospectivo, transversal, descritivo e analítico com abordagem quantitativa, realizado a partir de relatórios do banco de dados do Conselho Regional de Enfermagem (COREN-PI). O universo amostral abrangeu todos os profissionais registrados até dezembro de 2024. A coleta ocorreu entre junho e setembro de 2025, com análise em planilhas eletrônicas e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Foram identificados 41.999 profissionais ativos, distribuídos em 12.169 enfermeiros (28,9%), 26.603 técnicos (71,1%), 3.139 auxiliares e 88 atendentes. Observou-se predominância do sexo feminino (84,4% a 93,1% entre as classes) e uma força de trabalho jovem (média de idade entre 38 e 40 anos nas categorias principais), com tempo médio de inscrição de 8 anos. Evidenciou-se subnotificação significativa: mais de 85% dos registros não declararam raça, apenas 51,3% apresentaram vínculo ativo informado e foi localizado apenas um registro de especialidade. Foram contabilizadas 1.372 infrações, refletindo majoritariamente um caráter educativo. Conclusão: O perfil da enfermagem piauiense alinha-se ao cenário nacional, caracterizando-se por uma força de trabalho jovem, predominantemente feminina e com concentração de profissionais de nível técnico. As lacunas nos registros apontam para a necessidade de atualizações cadastrais obrigatórias, fundamentais para a formulação de políticas públicas eficazes e dimensionamento adequado no estado.
Palavras-chave: Perfil do Profissional de Enfermagem; Profissionais de Enfermagem; Pesquisa em Enfermagem.
ABSTRACT
Nursing constitutes the largest workforce and is crucial to the functioning of the healthcare system. Research outlining the profession's profile is relevant for understanding the workforce and the challenges it faces. Objective: To outline the demographic, educational, and professional employment profile of the nursing workforce in the state of Piauí. Methods: A retrospective, cross-sectional, descriptive, and analytical study using a quantitative approach, based on reports from the Regional Nursing Council (COREN-PI) database. The study population included all professionals registered up to December 2024. Data collection took place between June and September 2025; analysis was performed using spreadsheets, and the study was approved by the Research Ethics Committee. Results: A total of 41,999 active professionals were identified, comprising 12,169 registered nurses (28.9%), 26,603 nursing technicians (71.1%), 3,139 nursing auxiliaries, and 88 nursing attendants. A female predominance was observed (ranging from 84.4% to 93.1% across categories), alongside a young workforce (mean age between 38 and 40 years in the main categories) and an average registration tenure of 8 years. Significant under-reporting was evident: over 85% of records did not declare race, only 51.3% indicated an active employment status, and only one record of specialization was found. A total of 1,372 infractions were recorded, the majority of which were educational in nature. Conclusion: The profile of the nursing workforce in Piauí aligns with the national scenario, characterized by a young, predominantly female workforce with a concentration of technical-level professionals. Gaps in the records highlight the need for mandatory registration updates, which are essential for formulating effective public policies and ensuring appropriate workforce sizing in the state.
Keywords: Nursing Professional Profile; Nursing Professionals; Nursing Research.
INTRODUÇÃO
A enfermagem, pilar fundamental da saúde pública, tem um papel vital na promoção, prevenção e recuperação da saúde, sendo a força de trabalho majoritária e crucial para o funcionamento do sistema de saúde. É a principal força de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua atuação, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), é essencial para a efetividade do modelo de cuidado integral e humanizado. A enfermeira e o enfermeiro, por meio da consulta de enfermagem, da coordenação da equipe e da gestão do cuidado, desempenham um papel central na promoção da saúde, prevenção de doenças e acompanhamento de agravos, como as doenças crônicas não transmissíveis, que hoje representam a "tripla carga de doenças" no Brasil (OPAS, 2018) ( BRASIL, 2021).
O crescimento da profissão de enfermagem é uma tendência global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a enfermagem e a obstetrícia representam quase 50% de toda a força de trabalho em saúde. Países como a Noruega, apresentam um elevado número de enfermeiros por habitante (17,97 por mil habitantes), refletindo um investimento estratégico na atenção primária e na qualidade de vida de sua população. No Brasil, os dados são alarmantes. O país tem um déficit crônico de profissionais de enfermagem, com apenas cerca de 2,7 profissionais por 1.000 habitantes, uma proporção significativamente menor que a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (OMS, 2020).
Apesar de sua relevância, a profissão enfrenta desafios significativos. A disparidade de remuneração, a dupla ou tripla jornada de trabalho, o esgotamento profissional (burnout) e a necessidade de aprimoramento contínuo são questões centrais que precisam ser abordadas para garantir a sustentabilidade e a qualidade da assistência. A análise do perfil profissional, como a proposta neste estudo para o estado do Piauí, é uma ferramenta valiosa para entender essas realidades e propor soluções que alinhem a formação acadêmica com as demandas do mercado de trabalho e as necessidades de saúde da população (COFEN, 2017).
Compreender as características e os desafios desse grupo profissional é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes e a melhoria da qualidade da assistência prestada à população. Neste contexto, este estudo se propôs a traçar o perfil da enfermagem no estado do Piauí, buscando analisar suas particularidades demográficas e profissionais.
METODOLOGIA
Tratou-se de um estudo do tipo retrospectivo, transversal, descritivo, analítico de abordagem quantitativa realizado no Banco de dados do Conselho Estadual de Enfermagem. Sistemas de Informações que guardam os dados dos profissionais de Enfermagem do Estado. O universo amostral foi constituído por todos os profissionais registrados no COREN-PI até o ano de 2024. A coleta de dados foi realizada de junho a setembro de 2025.
Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o CAAE: 84833124.6.0000.5056 foram analisados os dados referentes ao sistema que integra os dados dos profissionais do estado. Foram levantadas informações quanto ao número de profissionais registrados por categoria profissional, profissionais ativos, infrações éticas e suas categorias. Foram analisados os dados por meio de planilhas excell a partir dos relatórios. Os dados foram coletados exclusivamente para este estudo.
RESULTADOS
A análise dos dados sobre o perfil da enfermagem piauiense apontou o número de profissionais ativos até dezembro de 2024 de 41.999 profissionais, sendo 12.169 enfermeiros, 26.603 técnicos, 3.139 auxiliares, 88 atendentes de enfermagem. Dos enfermeiros quanto ao sexo, 84,4% são do sexo feminino, 85,60% não autodeclaram raça, seguidos por 9,19% que se autodeclararam pardos. Quanto a inscrição secundária, 241 apresentaram registro e somente 1 com especialidade registrada. A média de idade dos profissionais foi de 38 anos e media do tempo de inscrição foi de 8 anos, conforme tabela 1.
Tabela 1. Número de Enfermeiros cadastrados no Conselho Regional de Enfermagem até dezembro de 2024 por percentual por sexo, raça, inscrição secundária e especialidade cadastrada. Teresina, Piauí, Brasil, 2025.
Nº DE ENF P/ SEXO | N° ENF/ RAÇA | % RAÇA | INSC. SECUNDÁRIA | ESPEC | MÉDIA IDADE/ INSCRIÇÃO | |
FEM | 10271 | AMARELO | 0.04% | OBSTÉTRA 1 | ||
MAS | 1896 | BRANCO | 4,19% | |||
NÃO INF | 2 | INDIGENA | 0,01% | 241 | 38/8 | |
PARDOS | 9,19% | |||||
PRETOS | 0,86% | |||||
NÃO DECLARO | 85,60% | |||||
TOTAL: 12.169 | ||||||
O número de profissionais Técnicos de Enfermagem registrados no COREN até 2024 foi de 26.603 profissionais, quanto ao sexo, 89,47% são do sexo feminino, 86,2% não declararam sua raça, seguido por pardos, 10%. Quanto a inscrição secundária, 284 apresentaram. A média de idade dos profissionais foi de 40 anos e media do tempo de inscrição foi de 8 anos, conforme tabela tabela 2.
Tabela 2. Número de Técnicos de Enfermagem cadastrados no Conselho Regional de Enfermagem até dezembro de 2024 por percentual por sexo, raça e inscrição secundária. Teresina, Piauí, Brasil, 2025.
Nº DE TÉCNICOS P/SEXO | RAÇA | N% | INSCRIÇÃO SECUNDÁRIA | MÉDIA IDADE/ INSCRIÇÃO | |
FEMININO | 23.802 | AMARELO | 0,08% | ||
MASCULINO | 2.798 | BRANCO | 2,57% | ||
NÃO DECLARADO | 3 | INDIGENA | 0,01% | 284 | 40/8 |
PARDOS | 10,00% | ||||
TOTAL: 26.603 | PRETOS | 1,1% | |||
NÃO DECLARA | 86,2% | ||||
Quanto ao número de Auxiliares de Enfermagem, os registros apontaram total de 3139 profissionais cadastrados. Quanto ao sexo, 90,9% são do sexo feminino, quanto a raça, 92,9% não declararam, seguidos de 5,15% que se declararam como pardos, 4 apresentaram inscrição secundária, o tempo médio de idade foi de 60 anos e tempo médio de inscrição 22, conforme tabela 3.
Tabela 3. Número de Auxiliares de Enfermagem cadastrados no Conselho Regional de Enfermagem até dezembro de 2024 por percentual por sexo, raça e inscrição secundária. Teresina, Piauí, Brasil, 2025.
Nº /DE AUXILIARES P/ SEXO | RAÇA | N% | INSCRIÇÃO SECUNDÁRIA | MÉDIA IDADE/ INSCRIÇÃO | |
FEMININO | 2.855 | AMARELO | 0,06% | ||
MASCULINO | 284 | BRANCO | 1,27% | ||
INDIGENA | 0,0% | 4 | 60/22 | ||
PARDOS | 5,15% | ||||
TOTAL: 3.139 | PRETOS | 1,01% | |||
NÃO DECLARA | 92,90% | ||||
Quanto ao número de Atendentes de Enfermagem, os registros apontaram total de 88 profissionais cadastrados. Quanto ao sexo, 93,1% são do sexo feminino, quanto a raça, 98,8% não declararam, seguidos de 1,12% que se declararam como pardos, nenhum apresentou inscrição secundária, o tempo médio de idade foi de 73 anos e tempo médio de inscrição 19, conforme tabela 4.
Tabela 4. Número de Atendentes de Enfermagem cadastrados no Conselho Regional de Enfermagem até dezembro de 2024 por percentual por sexo, raça e inscrição secundária. Teresina, Piauí, Brasil, 2025.
Nº /DE ATENDENTES P/SEXO | RAÇA | N% | INSCRIÇÃO SECUNDÁRIA | MÉDIA IDADE/ INSCRIÇÃO | |
FEMININO | 82 | AMARELO | 0,0% | ||
MASCULINO | 6 | BRANCO | 0,0% | ||
INDIGENA | 0,0% | 0 | 73/19 | ||
PARDOS | 1,12% | ||||
TOTAL: 88 | PRETOS | 0,0% | |||
NÃO DECLARA | 98,80% | ||||
Quanto a análise da empregabilidade e registro de duplicidade de vínculos dos profissionais de enfermagem os registros apontaram 51,30% dos profissionais com vínculo ativo informado e 1727 com duplicidade de vínculo empregatício, conforme tabela 5.
Tabela 5. Número de Profissionais de Enfermagem cadastrados no Conselho Regional de Enfermagem até dezembro de 2024 com vínculo empregatício. Teresina, Piauí, Brasil, 2025.
Nº DE DUPLICIDADE DE VINCULOS | Nº DE EMPREGADOS ATIVOS | % DE EMPREGADOS |
1727 | 21.556 | 51,30% |
47,20% |
O sistema apresentou 1.381 infrações, que após análise dos dados, 9 foram excluídas devido utilizadas como teste, restando total de 1372 infrações. Quanto a natureza das infrações, os processos administrativos foram 1.149, éticos disciplinares totalizaram 184, 22 infrações, 15
de denúncia ética e 2 de interdição ética. Das 22 infrações, 14 sanções ocasionaram multa, 1 suspensão e 1 advertência verbal.
Tabela 6. Dados de infrações éticas registradas no sistema COREN-PI de 2002 a 2024. Teresina, Piauí, Brasil, 2025.
INFRAÇÃO | Nº PROCESSOS |
PAD- UNIDADE DE FISCALIZAÇÃO | 1.149 |
ÉTICO DISIPLINAR | 184 |
INFRAÇÕES | 22 |
DENÚNCIA ÉTICA | 15 |
INTERDIÇÃO ÉTICA | 2 |
TOTAL | 1372 |
DISCUSSÃO
A enfermagem é a maior categoria profissional da saúde, essencial para a cobertura universal e o atendimento de qualidade. No entanto, o número de enfermeiros por habitante varia drasticamente ao redor do mundo, refletindo as diferenças socioeconômicas e os investimentos em saúde. Pesquisa realizada mundialmente, que retratou o número de médicos e enfermeiros por habitantes apontou a Noruega como país com maior número de enfermeiros por habitante: 17,97 profissionais para cada 1.000 habitantes. Essa alta proporção de profissionais indica elevado investimento em saúde, acesso e qualidade da assistência (OPAS, 2018).
No Brasil, embora exista cerca de 2 milhões de profissionais de enfermagem, conforme pesquisa realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP-Fiocruz) por encomenda do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que traçou o perfil da Enfermagem no Brasil em 2019, apontou que dos 1.804.535 profissionais de enfermagem, somente 20%, ou seja, 460 mil são enfermeiros, o que equivale a 2,17 enfermeiros para cada habitante (MACHADO, 2017).
Observa-se o perfil da enfermagem Piauiense segue o perfil da enfermagem no Brasil. Quanto ao percentual de profissionais, no Brasil, conforme a supracitada pesquisa, 77% são de nível técnico, com maior concentração desses profissionais nas Regiões Sudeste do Brasil. Neste estudo, 71,1% são de nível técnico e 28,9% de profissionais de nível superior, corroborando com estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística , que apontam as Regiões Norte e Nordeste com menor índice de Enfermeiros por 100 mil habitantes, como: Pará (76); Alagoas (101); Goiás (102), Amazonas (103), Piauí (112) e Maranhão (106) (IBGE, 2020).
Ainda, segundo IBGE (2020), essas regiões concentram os cinco municípios mais pobres do Brasil. Locais em que a renda média da população está abaixo de R$ 40 por mês. Os habitantes de Matões do Norte (MA), cidade que lidera essa lista, recebem R$ 27,17 por mês. Segunda colocada no ranking, Aroeiras do Itaim (PI) tem renda média de 30,48, seguida por Primeira Cruz (MA), com R$ 34,97.
O mesmo estudo aponta a participação dos enfermeiros vem aumentando ao longo dos anos; contudo, continua diminuta sua participação no interior da equipe, representando menos de 1/4 do total da Força de Trabalho da Enfermagem, ou seja, 23%. A pesquisadora coordenadora-geral do estudo ressalta número ínfimo de profissionais formados na área, para atender toda estrutura de assistência à saúde, supervisão e coordenação de todas as atividades de enfermagem no país. A pesquisa destaca a carência de enfermeiros no SUS (MACHADO, 2017)
Quanto ao sexo, este estudo seguiu o padrão do estudo brasileiro, que apontou 85,1% são de mulheres. Em todas as categorias, a equipe de enfermagem ainda é predominante feminina, acima de 85%, entretanto, desde o início da década de 90 vem ocorrendo uma tendencia a masculinização da categoria (MACHADO, 2017).
Quanto a faixa etária, ao considerar todas as classes, a media de idade prevaleceu entre 38-40 anos, sendo as classes de auxiliares e atendentes neste estudo, o que representa 0,7% com media de idade entre 60-73, também aproximando-se do estudo em que cerca de 37% estão entre a faixa etária dos 31-40 anos. Ainda, no estudo nacional, o contingente de enfermeiros apresenta 1/3, ou seja, 34,6% com idade entre 36 - 50 anos. A outra faixa etária com maior percentual (45%) é a entre 26 - 35 anos. Registram-se pouco mais de 2% aqueles que têm mais de 61 anos, o que significa dizer que a equipe de enfermagem é predominantemente jovem.
Ao relacionar a media do tempo de inscrição, o estudo apontou cerca de 92% apresentaram tempo médio de 8 anos de formação. No estudo nacional, 25,9% estão entre 6-10 anos o que pode se inferir que, conforme estudo nacional aponta, a maioria dos profissionais encontra-se na fase de “Pós- Formação Profissional” fase em que os profissionais buscam se qualificar para os serviços, especializando-se por meio de uma Pós-Graduação (enfermeiros) ou uma Pós formação (para os técnicos). Essa busca por especialização está diretamente associada à perspectiva de inserção no mercado de trabalho em funções de maior complexidade e destreza cognitiva.
Quanto a raça, cerca de 90% neste estudo não declararam, seguidos de pardos, no estudo nacional, 42,3% se declaram brancos e 41,5% se autodeclaram pardos e 11,5% pretos. Somados pardos e pretos estes percentuais atingem 53%, tornando-se o mais expressivo e dominante na composição de cor/raça da equipe. Quanto a especialistas cadastrados, o sistema apresentou somente 1 profissional o que reflete ausência dos dados atualizados, visto que estudo nacional aponta que cerca de 51% tem alguma especialização.
Quanto a empregabilidade, os dados mostraram divergência, visto que neste estudo, somente 51,30% mostraram-se ativos, diferente do estudo nacional que apontou 91,8% ativos. Essa discrepância reflete ausência de dados e atualização no sistema, visto que a pesquisa nacional utilizou instrumentos e questionários próprios para o levantamento amostral. Embora estudo nacional também destaque o problema da empregabilidade da categoria de enfermagem, apontando que cerca de 10,1% responderam ter experimentado a condição de ´desemprego´
nestes últimos 12 meses, ou seja, mais de 182 mil profissionais, destacando dificuldade de encontrar emprego na área.
Estudo nacional aborda que a maioria absoluta (83,1%) da equipe de enfermagem não atua em outro município. Apenas 10,4% afirmam trabalhar em outro município além daquele que reside, bem como, em sua maioria, declara ter apenas um emprego (63,7%); com 25,1% estão aqueles que têm dois empregos. Neste estudo, apenas 0,05% apresentaram inscrição secundária, o que não reflete numero de atividades e fidedignidade quanto a essas informações. Entretanto, estudo nacional alerta para uma problemática apontada por eles ao longo da pesquisa, ou seja, da concentração das oportunidades de emprego nas mãos de poucos. Por outro lado, é possível que essa informação não esteja retratando fidedignamente a realidade, uma vez que não declaram de fato quantos empregos/trabalhos tem.
As infrações éticas são regulamentadas pelo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (CEPE), fiscalizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e Conselhos Regionais (CORENs), conforme Resolução COFEN nº 564, de 06 de dezembro de 2017 (COFEN, 2017). Neste estudo, 1372 processos foram discriminados, sendo 13,4% ético disciplinar, quanto as penalidades, corroborando com demais estudos sobre infrações, destaca-se tendencia a um caráter mais educativo e não-punitivo das condenações aplicadas pelos Conselhos Regionais de Enfermagem. Ausência de dados que discriminem infrações por categoria e detalhamento limitaram o estudo neste sentido (MARTINEZ WD et al., 2024).
Limitações do estudo
Ausência de dados quanto a raça, especialidade cadastrada prevaleceu neste estudo. Os dados refletiram que somente 51,30% estão com vínculo empregatício, o que pode inferir falta de atualização cadastral. Ausência de dados que discriminem infrações por categoria e detalhamento limitaram este estudo.
Contribuição para a pratica
A analise do perfil profissional contriuira para açoes integradas diretas para melhoria dos sistemas de informações quanto ao real perfil dos profissionais, para melhor fiscalização do conselho quanto a atuaçao, vinculos empregaticios e sobrecarga. E indiretas, para possiveis melhorias da categoria, entre associaçoes de classe, conselhos e entidades civis para aprimoramento/criação de politicas publicas direcionadas ao mercado de trabalho para prevenção de adoecimentos a adequação ao mercado.
CONLUSÃO
Embora estudo corrobore com estudo nacional de maior categoria na saúde, a força de trabalho ainda é diminuta de enfermeiros, 28,9% para gerenciamento adequado e melhoria da qualidade assistencial. A enfermagem vem tendendo a masculinização na profissão, mas ainda com significativa presença feminina 85,1%. A media de idade entre 38-40 anos aponta uma enfermagem predominantemente jovem, com tempo médio de formação de 8 anos, na fase de pós formação profissional. Ausência de dados quanto a raça, especialidade cadastrada prevaleceu neste estudo. Os dados refletiram que somente 51,30% estão com vínculo empregatício. Ausência de dados que discriminem infrações por categoria e detalhamento limitaram este estudo. Sugere-se disparadores de atualização cadastral anual obrigatório para analise fiel dos dados, além da inclusão de informações para perfil mais fidedigno conforme estudo nacional realizado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil, 2021-2030. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. 118 p.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN Nº 0564/2017: Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília (DF): COFEN; 2017 [citado 2023 Jul 3]. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html» http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html
MACHADO, MARIA HELENA (COORD.). Perfil da enfermagem no Brasil: relatório final: Brasil / coordenado por Maria Helena Machado. — Rio de Janeiro : NERHUS - DAPS - ENSP/Fiocruz, 2017. 748 p
MARTINEZ WD, BONIFÁCIO NA, MICHELIN AF, SAKAMOTO SR, FARIA JI, ANDRÉ JC Infrações éticas cometidas por profissionais de enfermagem acolhidas pela comissão de ética de enfermagem: revisão integrativa. Acta Paul Enferm 37: eAPE02954, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2024AR00295
OECD (2021), Estudos da OCDE sobre os Sistemas de Saúde: Brasil 2021, OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/f2b7ee85-pt.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Ampliação do papel dos enfermeiros na atenção primária à saúde. Washington, D.C.: OPAS, 2018. 40 p.
1 Doutora em Enfermagem (Universidade Federal do Piauí). Professora de Ensino Basico/Tecnico MEDIOTEC/ PRONATEC, Graduação e Pos-Graduação em Enfermagem. Enfermeira Intensivista do Hospital de Urgência de Teresina. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4954-5584.
2 Enfermeira (Centro de Ensino Unificado do Piauí).
3 Enfermeira. (Universidade Federal do Piauí) Especialista em Prevenção e Controle das Infecções Hospitalares (NOVAFAPI); Docência Superior ( UNINTER); em Educação na Saúde para Preceptores do SUS ( Hospital Sírio-Libanês); Em Terapia Intensiva (AMIB/ ABENTI); em Nefrologia Multidisciplinar ( UFMA); em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente (Hospital Sírio-Libanês). Atualmente é Enfermeira Plantonista da Prefeitura Municipal de Teresina. ORCID: http://orcid.org/0009-0000-9112-6757.
4 Enfermeira (UNINOVAFAPI). ossui especialização em Terapia Intensiva pela Faculdade NOVAFAPI, especialização em Enfermagem em Saúde do Trabalhador pela Faculdade Integrada Jacarepaguá e em Auditoria pela Faculdade Integrada Jacarepaguá. Atua na área de Clínica Médica, Saúde do Trabalhador, Auditoria e Terapia Intensiva. Supervisora do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí. E-mail: ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0144-7763.
5 Mestre em Engenharia Elétrica(UFPI).Professor do Instiituto Federal do Piauí. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4016-2800.
6 Doutor em Enfermagem (UFPR).Presidente do Coren-PI (Gestão 20242026), Diretor Administrativo da Neoclínica e Diretor da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Empreendedores (SOBEE) ORCID: http://orcid.org/0000-0003-3632-9820.
7 Doutora em Ciências (FIOCRUZ). Gerente de Enfermagem da UTI 4 do Hospital de Urgências de Teresina Professor Zenon Rocha- HUT e enfermeira plantonista do Hospital José Vieira Gomes, em Alto Longá - PI. Conselheira Regional Triênio 2024-2026 do Conselho Regional de Enfermagem do Piauí - COREN - PI. Docente da Faculdade UNINASSAU. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.