ANÁLISE DO CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS SOBRE O MANEJO DE FERIDAS DOS PACIENTES ACOMPANHADOS NA ESF

ANALYSIS OF NURSES' KNOWLEDGE REGARDING WOUND MANAGEMENT OF PATIENTS FOLLOWED UP IN FAMILY HEALTH STRATEGY (FHS)

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793605785

RESUMO
Introdução: As feridas são alterações na integridade da pele que podem apresentar diferentes causas e graus de comprometimento tecidual, sendo classificadas como agudas ou crônicas, estas últimas caracterizadas pela dificuldade no processo de cicatrização mesmo diante de tratamento adequado. Objetivo: Analisar o conhecimento dos profissionais da enfermagem quanto à avaliação e cuidado das feridas de maior ocorrência nas Unidades de Estratégia de Saúde da Família. Método: Estudo quantitativo, transversal e descritivo com enfermeiros e técnicos das ESFs de um município do sul de Minas Gerais, que utilizou um questionário para avaliar o conhecimento sobre feridas e uso de protocolos. A amostra foi de 16 enfermeiros e 23 técnicos, com análise dos dados em Excel por tabelas e gráficos, garantindo sigilo, anonimato e cumprimento das normas éticas após aprovação do Comitê de Ética. Resultados: Participaram da pesquisa 38 profissionais de enfermagem, sendo 14 enfermeiros e 24 técnicos, atuantes em Estratégias de Saúde da Família de um município de médio porte do Sul de Minas Gerais. Inicialmente, foram identificados 52 profissionais elegíveis e, após recusas, obteve-se a amostra final. A úlcera venosa foi o tipo de ferida mais frequente (31%), seguida pelo pé diabético (28%). O Diabetes Mellitus foi a comorbidade mais citada (36%). Embora 52% dos participantes tenham relatado a existência de protocolo institucional para avaliação e tratamento de feridas, 36% afirmaram nunca utilizá-lo rotineiramente. Quanto à capacitação, 37% consideraram-se totalmente capacitados, enquanto 31% relataram necessidade de atualização profissional. Conclusão: O estudo permitiu identificar aspectos do conhecimento e da atuação dos profissionais de enfermagem no manejo de feridas, evidenciando a necessidade de aprimorar a utilização dos protocolos institucionais e a atualização profissional. Embora parte dos participantes se considere capacitada, os resultados apontam oportunidades de melhoria na assistência às pessoas com feridas na Estratégia de Saúde da Família.
Palavras-chave: Feridas; Enfermagem; Cicatrização; Cuidados de Enfermagem; Atenção Primária à Saúde.

ABSTRACT
Introduction: Wounds are alterations in skin integrity that may arise from various causes and involve differing degrees of tissue impairment. They are classified as either acute or chronic—the latter being characterized by a difficult healing process, even when appropriate treatment is provided. Objective: To analyze the knowledge of nursing professionals regarding the assessment and care of wounds most frequently encountered in Family Health Strategy (FHS) units. Method: A quantitative, cross-sectional, descriptive study was conducted with nurses and nursing technicians working in FHS units in a municipality in southern Minas Gerais. A questionnaire was used to assess their knowledge regarding wounds and the use of clinical protocols. The sample consisted of 16 nurses and 23 nursing technicians. Data were analyzed using Excel (via tables and charts), with strict adherence to confidentiality, anonymity, and ethical standards, following approval by the Research Ethics Committee. Results: A total of 38 nursing professionals—14 nurses and 24 nursing technicians—participated in the study; all were employed within Family Health Strategy units in a medium-sized municipality in southern Minas Gerais. Initially, 52 professionals were identified as eligible; after accounting for those who declined to participate, the final sample was established. Venous ulcers were the most common type of wound (31%), followed by diabetic foot ulcers (28%). Diabetes mellitus was the most frequently reported comorbidity (36%). Although 52% of the participants indicated the existence of an institutional protocol for wound assessment and treatment, 36% stated that they never use it as part of their routine practice. Regarding training, 37% considered themselves fully qualified, while 31% reported a need for professional development. Conclusion: The study identified aspects of the knowledge and practice of nursing professionals in wound management, highlighting the need to improve the use of institutional protocols and to pursue professional development. Although some participants consider themselves qualified, the results point to opportunities for improving care for individuals with wounds within the Family Health Strategy.
Keywords: wounds; nursing; woundhealing; nursingcare; Primary Health Care.

1. INTRODUÇÃO

A ferida pode ser classificada, ainda, conforme outros parâmetros, tais como tempo de duração. É aguda quando o tempo e as fases de cicatrização acontecem em um tempo previsto entre oito e doze semanas, a depender da extensão da ferida e da perda tecidual. Já as feridas consideradas crônicas são aquelas que, mesmo recebendo tratamento adequado, sofrem falha no processo cicatricial em quatro semanas. Essas feridas demandam intervenções específicas para que a cicatrização aconteça (Borges; Lima, 2024).

As feridas crônicas acometem cerca de 5 milhões de brasileiros e representam um importante desafio para o sistema de saúde, com implicações como tempo prolongado de tratamento, necessidade de múltiplos tipos de cobertura e aumento dos custos com insumos, tanto em ambiente hospitalar quanto domiciliar (Silva et al., 2023). Além dos impactos relacionados ao tratamento, essas lesões podem interferir diretamente na qualidade de vida dos pacientes, repercutindo no bem-estar físico, emocional e social e exigindo cuidados contínuos e acompanhamento sistemático.

Diante do cenário de feridas crônicas, a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel essencial como porta de entrada dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), promovendo ações territorializadas, integrais e contínuas. Nesse nível de atenção, destaca-se o acompanhamento de pacientes com feridas crônicas, considerando a necessidade de monitoramento sistemático, intervenções precoces e continuidade do cuidado (Azevedo, 2022). A ocorrência frequente dessas lesões nas Unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) demanda uma assistência qualificada, considerando as necessidades individuais dos usuários e as particularidades relacionadas ao processo de cicatrização.

Segundo Anjos (2022), a enfermagem desempenha um papel importantíssimo no que se refere ao bem-estar e ao cuidado de feridas dos pacientes nas Unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF). O enfermeiro detém autonomia para realizar o cuidado de feridas em geral, atuando de forma ativa na avaliação e evolução das lesões de cada paciente, desde as mais simples até as mais complexas, utilizando coberturas convencionais ou tecnológicas, conforme a necessidade apresentada. Nesse contexto, o conhecimento técnico-científico dos profissionais de enfermagem constitui um elemento fundamental para a avaliação adequada das lesões, definição das condutas e acompanhamento da evolução do paciente.

A atuação do enfermeiro no cuidado a pacientes com feridas é reconhecida como competência essencial, abrangendo ações de prevenção, avaliação, identificação precoce, prescrição de cuidados e acompanhamento da evolução das lesões. Compete ao profissional instituir condutas terapêuticas adequadas, com o objetivo de favorecer o processo de reparação tecidual, reduzir o tempo de cicatrização e minimizar possíveis complicações. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de conhecimento para o manejo integral de feridas, considerando a complexidade dessa demanda assistencial (Brasil, 2025).

Entretanto, a assistência aos pacientes com feridas pode ser influenciada por diferentes fatores, como a inadequada infraestrutura dos serviços de saúde, a escassez ou ausência de materiais e coberturas apropriadas, bem como a insuficiência de ações de educação permanente e continuada voltadas ao manejo das feridas. Soma-se a esses aspectos a influência de fatores intrínsecos e extrínsecos que interferem diretamente no processo cicatricial. Tais circunstâncias podem resultar no prolongamento do tempo de tratamento, aumento do risco de complicações e impacto negativo na qualidade de vida e no bem-estar do paciente.

Nesse cenário, a utilização de protocolos e a capacitação dos profissionais constituem aspectos relevantes para a organização da assistência e para a adoção de condutas fundamentadas em conhecimento técnico-científico. Estudos realizados em Minas Gerais evidenciam a relevância dessa temática. Cruz (2023), ao avaliar a prevalência de feridas crônicas em um município da região central de Minas Gerais, observou o impacto dessas lesões na saúde dos usuários e destacou o papel do enfermeiro na conduta assistencial. De forma semelhante, Costa et al. (2022), ao investigarem o conhecimento de enfermeiros da Zona da Mata Mineira sobre o tratamento de feridas crônicas na Atenção Primária à Saúde, apontaram a necessidade de capacitação continuada para fortalecer a avaliação, prevenção e intervenção diante desses agravos.

Além disso, torna-se essencial conhecer o perfil epidemiológico e clínico dos pacientes atendidos, considerando aspectos como condições de saúde, características sociodemográficas e contexto de moradia. A análise desses elementos pode contribuir para o planejamento da assistência, orientar a abordagem terapêutica, favorecer o manejo adequado das lesões e auxiliar na escolha de coberturas compatíveis com as necessidades individuais, promovendo um cuidado mais efetivo e integral (Silva, 2021).

Diante da frequência das feridas como demanda de cuidado na Atenção Primária e da necessidade de uma assistência qualificada, surge a necessidade de compreender como os profissionais de enfermagem estão preparados para realizar a avaliação e o cuidado dessas lesões. Nesse contexto, torna-se relevante investigar o conhecimento dos profissionais, os tipos de feridas de maior ocorrência e a utilização de protocolos nas Unidades de Estratégia de Saúde da Família. A compreensão desses aspectos pode contribuir para o reconhecimento de possíveis necessidades de capacitação e para o aprimoramento da assistência prestada aos usuários, fortalecendo práticas mais seguras e fundamentadas em evidências.

Portanto, o objetivo da pesquisa foi analisar o conhecimento dos profissionais da enfermagem quanto à avaliação e ao cuidado de feridas de maior ocorrência nas Unidades de Estratégia de Saúde da Família, bem como identificar os tipos de feridas mais frequentes e verificar a utilização de protocolos para o manejo dessas lesões.

2. METODOLOGIA

Quanto à abordagem metodológica, o presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa, descritiva e transversal. A abordagem quantitativa permite a obtenção e análise de dados numéricos relacionados ao fenômeno investigado. O caráter descritivo possibilita apresentar e caracterizar determinado fenômeno ou realidade, enquanto o delineamento transversal consiste na coleta de dados em um período específico, permitindo analisar o fenômeno em determinado momento. Segundo Bicalho et al. (2022), o estudo descritivo e transversal possibilita descrever e compreender características relacionadas ao fenômeno investigado em um contexto e período determinados.

A pesquisa foi realizada em 16 unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) de um município de médio porte localizado no Sul de Minas Gerais, com população aproximada de 80.000 habitantes. O público-alvo foi composto por profissionais de enfermagem atuantes nas unidades de ESF, sendo a população constituída por 19 enfermeiros e 33 técnicos de enfermagem. Considerando erro amostral de 10% e nível de confiança de 90%, a amostra foi composta por 16 enfermeiros e 25 técnicos de enfermagem, totalizando 41 participantes. Ao final da coleta de dados, participaram efetivamente da pesquisa 38 profissionais, sendo 14 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem.

Como critérios de inclusão, foram considerados profissionais de enfermagem que atuavam nas unidades de ESF e possuíam mais de quatro meses de experiência na função. Todos os profissionais elegíveis foram convidados a participar da pesquisa, sendo assegurado o direito de recusa. Foram excluídos os profissionais que se encontravam afastados de suas atividades no período da coleta por atestado médico, licença-maternidade ou férias.

A coleta de dados foi realizada presencialmente no mês de setembro de 2026, por meio de questionário elaborado pela própria pesquisadora. O instrumento foi composto por uma parte destinada à coleta de dados sociodemográficos e seis questões relacionadas ao tema investigado. Os dados obtidos foram analisados após o preenchimento do questionário, sendo interpretados e transcritos pela autora da pesquisa no item de resultados e discussão. Os dados numéricos foram tabulados por meio da ferramenta Excel e apresentados em tabelas e gráficos, a fim de facilitar a visualização, organização e compreensão dos resultados.

A pesquisa foi enviada para o Comitê de Ética do UNINCOR e aprovada com CAAE 00929826.0.0000.0295, nº do parecer 8.695.817. O estudo foi conduzido seguindo os princípios estabelecidos pelas Resoluções nº 466/2013, nº 510/2016 e nº 14/2024 (Brasil, 2013; Brasil, 2016; Brasil, 2024). Os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados apresentados a seguir descrevem o perfil sociodemográfico dos 14 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem participantes da pesquisa, atuantes nas 16 Estratégias de Saúde da Família (ESF) de um município de médio porte do Sul de Minas Gerais. Inicialmente, foram identificados 19 enfermeiros e 33 técnicos de enfermagem elegíveis para participação no estudo. Considerando o cálculo amostral com erro de 10%, estabeleceu-se uma amostra estimada de 16 enfermeiros e 25 técnicos de enfermagem, totalizando 41 profissionais. Durante o período de coleta de dados, devido às recusas, a amostra final obtida foi de 14 enfermeiros e 24 técnicos de enfermagem, totalizando 38 participantes. A discussão dos resultados foi organizada de acordo com a ordem de apresentação das tabelas e gráficos, relacionando os achados obtidos aos estudos utilizados no referencial teórico.

Tabela 1. Dados Sociodemográficos dos Profissionais de Enfermagem das 16 Unidades de Estratégia de Saúde da Família, n° 38, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Variáveis

Valor Absoluto

Valor Relativo

Idade

18 a 29 anos

/

/

30 a 39 anos

06

17,14%

40 a 49 anos

19

50,00%

> 50 anos

16

37,15%

Sexo

Feminino

34

89,47%

Masculino

04

10,53%

Categoria Profissional

Enfermeiro(a)

14

36,84%

Técnico em Enfermagem

24

63,16%

Tempo de Atuação

Menos de 1 ano

/

/

1 a 5 anos

05

13,16%

6 a 10 anos

04

10,53%

11 a 20 anos

12

31,58%

> 21 anos

17

44,73%

Fonte: Dados da pesquisa (2026).

Em relação à faixa etária dos participantes da pesquisa, observou-se que a maior concentração ocorreu entre aqueles com idade de 40 a 49 anos, correspondendo a 50,00% (19) participantes. Em seguida, (6) participantes apresentaram idade entre 30 e 39 anos que corresponde a 17,14%, enquanto (16) participantes tinham 50 anos ou mais que corresponde a 37,15%. Não foram identificados participantes na faixa etária de 18 a 29 anos. Dessa forma, verifica-se uma predominância de participantes com idade entre 40 e 49 anos na população estudada.

No que se refere à categoria profissional, constatou-se a predominância de técnicos de enfermagem, correspondendo a 63,16% (24) dos profissionais enquanto os enfermeiros representaram 36,84% (14) da amostra. Quanto ao tempo de atuação, a maior parte dos profissionais possui 21 ou mais anos de experiência, totalizando 44,73% (17) dos participantes. Em seguida, destacam-se aqueles com tempo de atuação entre 11 e 20 anos, representando 31,58% (12). Os grupos com menor tempo de serviço englobam 5 profissionais com 1 a 5 anos de atuação (13,16%), 4 profissionais com 6 a 10 anos (10,53%) e nenhum registro no intervalo inferior a 1 ano.

Gráfico 1. Existência do protocolo institucional para avaliação e tratamento de feridas nas Estratégias de Saúde da Família, n.38, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Dados da pesquisa (2026).

Quanto à existência de protocolo institucional para avaliação e tratamento de feridas nas unidades, a maioria dos entrevistados 52% relatou que a unidade possui o documento. Por outro lado, 29% afirmaram não possuir protocolo, 16% indicaram que o documento está em processo de implantação e 3% não souberam informar. A utilização de protocolos e diretrizes pode contribuir para a padronização das condutas, organização da assistência e qualificação do cuidado às pessoas com feridas, embora sua efetividade dependa também da qualidade do documento e de sua implementação na prática assistencial (Bates; Ercolano, 2021; Garcia; Alonso; Borges, 2023; Zhou et al., 2023). Estudos sobre a implementação de diretrizes clínicas apontam que fatores organizacionais, como disponibilidade de recursos e tempo, capacitação profissional, existência de protocolos locais, monitoramento das práticas e apoio da liderança, podem influenciar a incorporação das recomendações à assistência (Cormican; Hirani; McKeown, 2023).

Gráfico 2. Origem do protocolo usado nas Estratégias de Saúde da Família, n.38, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Dados da pesquisa (2026).

Em relação à origem dos protocolos utilizados, a Secretaria Municipal de Saúde destacou-se como a principal fonte 37%, seguida pelo Ministério da Saúde 26%. Uma parcela expressiva declarou que o item não se aplica à sua realidade 24%, enquanto 8% relataram ter protocolo baseado em diretrizes científicas e 5% citaram outras origens. A utilização de protocolos fundamentados em evidências científicas e adaptados à realidade dos serviços pode favorecer a organização e a padronização da assistência, contribuindo para a qualificação do cuidado prestado às pessoas com feridas. A adaptação das diretrizes ao contexto dos serviços de saúde é apontada como um dos aspectos que podem favorecer sua implementação na prática, especialmente quando associada à disponibilidade de recursos e ao suporte organizacional (Wang et al., 2023).

Gráfico 3. O protocolo e sua utilização rotineira na prática assistencial nas Estratégias de Saúde da Família, n.38, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Dados da pesquisa (2026).

Ao avaliar a frequência de utilização do protocolo na prática assistencial, 36% dos profissionais declararam nunca utilizá-lo e 18% afirmaram utilizá-lo ás vezes. Em contrapartida, 25% informaram utilizar o protocolo sempre e 21% frequentemente. A diferença entre a existência de protocolos e sua utilização efetiva evidencia a importância de estratégias de implementação, capacitação profissional e acompanhamento das práticas assistenciais. Estudos demonstram que a utilização de diretrizes associada a ações educativas pode favorecer a adesão às recomendações e qualificar o cuidado de enfermagem (Gallione et al., 2022; Felix et al., 2021). A literatura também aponta que a implementação de diretrizes na prática profissional pode ser influenciada por fatores relacionados ao conhecimento dos profissionais, aos recursos disponíveis e ao contexto organizacional (Gallione et al.,2022).

Gráfico 4. Tipos de feridas com maior incidência nas Estratégias de Saúde da Família, n.38, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Dados da pesquisa (2026).

Quanto à incidência dos tipos de lesões atendidas na Atenção Primária, a úlcera venosa apresentou a maior frequência 26%, seguida pelo pé diabético 24%. As feridas traumáticas e cirúrgicas corresponderam a 11% cada, enquanto as lesões por pressão representaram 22% e as úlceras arteriais, 6%. A presença expressiva de úlceras vasculares e relacionadas ao diabetes evidencia a complexidade do cuidado às feridas crônicas na Atenção Primária, demandando avaliação sistemática, acompanhamento longitudinal e atuação multiprofissional (Júnior; Dantas; Abreu, 2023; Duarte Júnior et al., 2024; Learned et al., 2023).

A classificação e a avaliação das feridas são etapas fundamentais para o planejamento da assistência de enfermagem, pois permitem reconhecer as características das lesões e orientar a escolha de condutas adequadas. Nesse contexto, o conhecimento dos profissionais sobre a avaliação e o tratamento de feridas é essencial para qualificar a assistência prestada e favorecer o desenvolvimento de práticas fundamentadas em conhecimentos científicos (Gomes et al., 2021).

Gráfico 5. Comorbidades associadas nas Estratégias de Saúde da Família, n.38, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Dados da pesquisa (2026).

Em relação às comorbidades associadas aos pacientes atendidos, o Diabetes Mellitus foi a condição mais citada 37%, seguido pela Insuficiência Renal Crônica 35%. A Hipertensão Arterial representou 16% das citações, enquanto a Doença Arterial Periférica correspondeu a 13%. A presença de doenças crônicas e alterações vasculares pode influenciar o desenvolvimento e a evolução das feridas, especialmente em pessoas com diabetes, nas quais a neuropatia e a doença arterial periférica estão relacionadas ao risco de ulceração e às dificuldades de cicatrização (Duarte Júnior et al., 2024; Bonnet; Sultan, 2022).

Gráfico 6. Quanto à capacitação para avaliação e manejo de feridas nas Estratégias de Saúde da Família, n.38, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Dados da pesquisa (2026).

Na autoavaliação sobre a capacitação para o manejo de feridas, 37% dos participantes afirmaram sentir-se totalmente capacitados e 29% parcialmente capacitados. Entretanto, 32% declararam necessitar de atualização na área e 3% relataram não se sentir capacitados para a atividade assistencial. Esses resultados evidenciam a importância da educação permanente e da atualização profissional para o aprimoramento das competências relacionadas à avaliação e ao manejo de feridas. Estudos realizados com profissionais de enfermagem demonstram que intervenções educativas podem ampliar conhecimentos relacionados ao cuidado com feridas, especialmente no contexto da Atenção Primária. A realização de atividades educativas específicas sobre o cuidado com feridas tem sido associada à ampliação do conhecimento e da confiança dos profissionais para a avaliação e o manejo dessas condições (Felix et al., 2021; França et al., 2024; Parker; Finlayson; Johnston, 2024).

Além disso, a atuação da equipe multidisciplinar é fundamental para o cuidado integral às pessoas com feridas, especialmente nos casos mais complexos. Miranda, Amado e Alves (2023) destacam a importância da integração entre diferentes profissionais no tratamento de feridas complexas, favorecendo uma abordagem abrangente e individualizada. Nesse sentido, o trabalho colaborativo, associado à educação permanente, pode contribuir para o aprimoramento das práticas assistenciais e para a qualificação do cuidado prestado na Atenção Primária à Saúde.

4. CONCLUSÃO

O estudo evidencia que a assistência de enfermagem às pessoas com feridas na Atenção Primária à Saúde requer conhecimento técnico-científico, avaliação sistematizada e utilização adequada de protocolos para orientar as condutas profissionais. Os objetivos propostos foram alcançados ao possibilitar a análise da atuação dos profissionais de enfermagem no cuidado às pessoas com feridas, considerando as características das lesões atendidas, as condições associadas, a utilização de protocolos institucionais e a capacitação profissional.

Os resultados demonstraram que as úlceras venosas (31%) e o pé diabético (28%) foram as feridas mais frequentes entre as relatadas pelos profissionais, destacando-se o Diabetes Mellitus como comorbidade associada (37%). Embora 52% dos participantes tenham relatado a existência de protocolos institucionais, 36% afirmaram nunca utilizá-los rotineiramente. Além disso, 31% dos profissionais relataram necessidade de atualização na área, evidenciando oportunidades de melhoria na organização e qualificação da assistência.

Nesse contexto, a utilização de instrumentos que auxiliem na avaliação das lesões e na tomada de decisão pode contribuir para o aprimoramento das práticas assistenciais. Faria et al. (2023) destacam a importância da construção e validação de instrumentos voltados à capacitação de enfermeiros para o manejo de feridas, contemplando aspectos relacionados à classificação, à avaliação e aos cuidados de enfermagem.

Diante desses achados, ressalta-se a necessidade de fortalecer a educação permanente dos profissionais de enfermagem, favorecendo a atualização dos conhecimentos e o aprimoramento das práticas relacionadas à avaliação e ao manejo de feridas. Evidências científicas demonstram que estratégias de capacitação podem contribuir para melhorar o conhecimento e as habilidades dos enfermeiros no cuidado de pessoas com lesões, reforçando a importância de programas educativos permanentes (Yuan; Ye; Yang, 2022). Ademais, a utilização efetiva de protocolos institucionais, associada à capacitação profissional e à avaliação sistematizada, pode favorecer a padronização das condutas e a oferta de uma assistência fundamentada em evidências científicas, com foco na qualidade e na segurança do cuidado.

Como limitação, destaca-se a realização da pesquisa em um único município e com número restrito de participantes, o que limita a generalização dos achados para outras realidades. Dessa forma, conclui-se que o aprimoramento da assistência às pessoas com feridas na Atenção Primária à Saúde depende do fortalecimento da educação permanente e da utilização efetiva dos protocolos, contribuindo para um cuidado de enfermagem mais qualificado e seguro.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANJOS, Mayara da Silva dos et al. Análise Técnico Científico do Enfermeiro no Tratamento de Feridas: Relato de Experiência. Research, Society andDevelopment; v.11, n.17, p.:e86111737331, 2022. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v11i17.37331. Acesso em: 12 fev. 2026.

AZEVEDO, Charles; SANTOS, Renato. O Médico de Família no Cuidado Integrado de Feridas Crônicas na APS: Um Relato de Experiência. Revista da Rede APS; v.4, n.2, p.:156-163, 2022. DOI: 10.14295/aps.v4i2.223. Acesso em: 13 fev. 2026.

BATES, Alexandra Nicole; ERCOLANO, Elizabeth. Development and implementation of a simple wound care guideline for minor skin lesions: a quality improvement project. Journal of Wound, Ostomy and Continence Nursing, v. 48, n. 4, p. 285-291, 2021. DOI: 10.1097/WON.0000000000000778. Acesso em: 24 set. 2026.

BICALHO, Cleide Straub da Silva et al. Estratégias de coping utilizadas pelos enfermeiros diante do stress no gerenciamento da crise da Covid-19. Nursing Edição Brasileira, v. 25, n. 286, p. 7436-7445, 2022. DOI: 10.36489/nursing.2022v25i286p7436-7445.

BONNET, Jean-Baptiste; SULTAN, Ariane. Narrative review of the relationship between CKD and diabetic foot ulcer. Kidney International Reports, v. 7, n. 3, p. 381-388, 2022. DOI: 10.1016/j.ekir.2021.12.018. Acesso em:29 set. 2026.

BORGES, Eliane Lima; LIMA, Vera Lúcia de Araújo Nogueira. Feridas: como tratar. 3. ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2024. Disponível em: https://share.google/YkFt09Heqy40mGagx. Acesso em: 02 mar. 2026.

BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN nº 787, de 21 de agosto de 2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas. Brasília, DF: COFEN, 2025. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-787-de-21-de-agosto-de-2025/. Acesso em: 01 out. 2026.

BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova as seguintes diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos-normativos/resolucoes/2012/resolucao-no-466.pdf/view. Acesso em: 01 out. 2026.

BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atos-normativos/resolucoes/2016/resolucao-no-510.pdf/view. Acesso em: 01 out. 2026.

BRASIL. Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024. Dispõe sobre a pesquisa com seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Brasília, DF, 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14874.htm. Acesso em: 01 out. 2026.

CORMICAN, Adrienne; HIRANI, Shashivadan P.; McKEOWN, Eamonn. Healthcare professionals’ perceived barriers and facilitators of implementing clinical practice guidelines for stroke rehabilitation: a systematic review. Clinical Rehabilitation, v. 37, n. 5, p. 701–712, 2023. DOI: https\://doi.org/10.1177/02692155221141036. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10041573/. Acesso em: 16 out. 2026.

COSTA, Julia Aparecida Silveira da et al. Conhecimentos dos Enfermeiros sobre Tratamento de Feridas Crônicas na Atenção Primária à Saúde. Revista Enfermagem Atual In Derme, Juiz de Fora, v. 96, n. 37, p. e-021199, 2022. DOI: https://doi.org/10.31011/reaid-2022-v.96-n.37-art.1282. Acesso em: 03 mar. 2026.

CRUZ, Diego Alves da. Prevalência de Lesões Crônicas e Dor Associada em Pacientes da Atenção Primária de Município da Região Central de Minas Gerais. Monografia (Curso de Especialização em Estomoterapia) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023. Orientadora: Célia Maria de Oliveira. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/items/71314981-a612-4e5c-8721-fabb4bf6f51. Acesso em: 03 mar. 2026.

DUARTE JÚNIOR, Eliud Garcia et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular sobre o pé diabético 2023. Jornal Vascular Brasileiro, v. 23, e20230087, 2024. DOI: 10.1590/1677-5449.202300871. Acesso em: 29 set. 2026.

FARIA, Renata Penha; FULY, Patricia dos Santos Claro. Construção e validação de um instrumento sobre manejo de ferida neoplásica para capacitação de enfermeiros. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 28, e87628, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/ce.v28i0.87628. Acesso em: 01 out. 2026.

FELIX, Lidiany Galdino et al. Knowledge of primary care nurses before and after educational intervention on diabetic foot. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 42, e20200452, 2021. DOI: 10.1590/1983-1447.2021.20200452. Acesso em: 24 set. 2026.

FRANÇA, Bruna Dias et al. Educational actions conducted during the pandemic with primary health care professionals: a scoping review. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, supl. 1, e20230352, 2024. DOI: 10.1590/0034-7167-2023-0352. Acesso em: 24 set. 2026.

GALLIONE, Chiara et al. Extrinsic and intrinsic factors acting as barriers or facilitators in nurses’ implementation of clinical practice guidelines: a mixed-method systematic review. Acta Biomedica, v. 93, n. 3, e2022252, 2022. DOI: 10.23750/abm.v93i3.12942. Acesso em: 29 set. 2026.

GARCIA, Taysa de Fátima; ALONSO, Claudiomiro da Silva; BORGES, Eline Lima. Processo de enfermagem no paciente com ferida crônica na atenção primária e secundária: revisão de escopo. Enfermagem Brasil, v. 22, n. 3, p. 395-408, 2023. DOI: 10.33233/eb.v22i3.5423. Acesso em: 24 set. 2026.

GOMES, Karla Katariny Nitão Loureiro Benedito et al. Validação de livro educativo: tecnologia educacional para o ensino de feridas. Research, Society and Development, v. 10, n. 13, p. e162101320935, 2021. Acesso em: 15 out. 2026.

JÚNIOR, José Antonio da Silva; DANTAS, Maiara Bezerra; ABREU, Roberta Amador de. Assistência de enfermagem a pessoas com feridas crônicas: uma experiência na Atenção Primária à Saúde. Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde, v. 12, n. 3, e2023104, 2023. DOI: 10.18554/reas.v12i3.6102. Acesso em: 24 set. 2026.

LEARNED, Allison; ROBINSON, Sudie-Ann; NGUYEN, Tammy T. Comprehensive care of lower-extremity wounds. Surgical Clinics of North America, v. 103, n. 4, p. 745-765, 2023. DOI: 10.1016/j.suc.2023.04.015. Acesso em: 29 set. 2026.

MIRANDA, Liliana Sofia Grilo; AMADO, João Daniel Neves; ALVES, Paulo Jorge Pereira. Feridas complexas: abordagem por equipa multidisciplinar. Uma scoping review. Nursing (São Paulo), v. 26, n. 306, p. 10030–10037, 2023. DOI: https://doi.org/10.36489/nursing.2023v26i306p10030-10037. Acesso em: 15 out. 2026.

PARKER, Christina N.; FINLAYSON, Kathleen; JOHNSTON, Sandra. A dedicated wound care module for third-year baccalaureate nurses: does it increase their knowledge and confidence? Journal of Wound Care, v. 33, n. 11, p. 876-882, 2024. DOI: 10.12968/jowc.2024.0092. Acesso em: 29 set. 2026. Acesso em: 29 set. 2026.

SANTOS, Martha Cavalcanti dos et al. Aspectos sobre as infecções de sítio cirúrgico durante cirurgias limpas: revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar RECIMA21, v. 3, n. 9, p. e391743, 2022. DOI: https://doi.org/10.47820/recima21.v3i9.1743. Acesso em: 09 abr. 2026.

SILVA, Emanuela Cardoso da. Perfil de Pessoas com Feridas Crônicas Acompanhadas por uma Unidade de Saúde da Família. BrazilianJournalofDevelopment; Curitiba, v.7, n.8, p.:77388-77400, 2021. DOI: 10.34117/bjdv7n8-111. Acesso em: 16 fev. 2026.

SILVA, Makcine Timm da; KREMER, Thais Sberse; COSTA, Suelen Piasecki da; RUIZ, Luciana da Silva; GANDRA, Rinaldo Ferreira; AULER, Marcos Ereno. Os desafios na conduta terapêutica em pacientes acometidos com feridas crônicas. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, Umuarama, v. 27, n. 3, p. 1242–1268, 2023. DOI: https://doi.org/10.25110/arqsaude.v27i3.2023-013. Acesso em: 03 mar. 2026.

WANG, Tao; TAN, Jing-Yu Benjamin; LIU, Xian-Liang; ZHAO, Isabella. Barriers and enablers to implementing clinical practice guidelines in primary care: an overview of systematic reviews. BMJ Open, v. 13, n. 1, e062158, 2023. DOI: 10.1136/bmjopen-2022-062158. Acesso em: 29 set. 2026.

YUAN, Liqiong; YE, Maoting; YANG, Ting. Effect of educational training on nurses' ability to care for patients with pressure injuries: a meta-analysis. Advances in Skin & Wound Care, v. 35, n. 11, p. 1-6, 2022. DOI: https://doi.org/10.1097/01.ASW.0000855736.29047.b7. Acesso em: 01 out. 2026.

ZHOU, Pengxiang; CHEN, Lu; WU, Ziyang; WANG, Ente; YAN, Yingying; GUAN, Xiaodong; ZHAI, Suodi; YANG, Kehu. The barriers and facilitators for the implementation of clinical practice guidelines in healthcare: an umbrella review of qualitative and quantitative literature. Journal of Clinical Epidemiology, v. 162, p. 169-181, 2023. DOI: 10.1016/j.jclinepi.2023.08.017. Acesso em: 29 set. 2026.


1 Discente do Curso do Curso de Enfermagem do Centro Universitário UninCor – UNINCOR, Campus Três Corações – MG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Discente do Curso do Curso de Enfermagem do Centro Universitário UninCor – UNINCOR, Campus Três Corações - MG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Discente do Curso do Curso de Enfermagem do Centro Universitário UninCor – UNINCOR, Campus Três Corações - MG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Discente do Curso do Curso de Enfermagem do Centro Universitário UninCor – UNINCOR, Campus Três Corações - MG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Discente do Curso do Curso de Enfermagem do Centro Universitário UninCor – UNINCOR, Campus Três Corações - MG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail