ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS EM PACIENTES COM DTM E CEFALEIA

PHYSIOTHERAPEUTIC APPROACHES IN PATIENTS WITH TMD AND HEADACHE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793855992

RESUMO
Introdução: A Disfunção Temporomandibular (DTM) é um conjunto de problemas clínicos que envolvem os músculos mastigatórios e a articulação temporomandibular (ATM), frequentemente associada a manifestações de cefaleia devido ao compartilhamento de vias de condução da dor e sensibilização trigeminal. Objetivo: Analisar os efeitos das intervenções fisioterapêuticas em pacientes com DTM associada à cefaleia, identificando técnicas e avaliando seus impactos na redução da dor e restauração funcional. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura realizada nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed/MEDLINE, contemplando artigos publicados entre 2018 e 2026, com foco em adultos com DTM dolorosa e cefaleia, avaliando intervenções conservadoras e fisioterapêuticas. Resultados: A análise de dez estudos clínicos (oito ensaios randomizados, uma análise secundária de ensaio randomizado e um estudo de coorte) evidenciou que condutas multimodais, terapia manual, agulhamento seco, fotobiomodulação (LED/Laser) e reabilitação da coluna cervical proporcionam redução significativa da dor orofacial, melhora da amplitude de movimento mandibular e diminuição da frequência e intensidade das cefaleias. Conclusão: As intervenções fisioterapêuticas mostram-se seguras, viáveis e eficazes no manejo clínico da DTM e cefaleia, sendo superiores quando aplicadas de forma integrada e combinada, embora sejam recomendados novos ensaios clínicos com rigor metodológico elevado.
Palavras-chave: Disfunção Temporomandibular; Cefaleia; Articulação Temporomandibular.

ABSTRACT
Introduction: Temporomandibular Disorder (TMD) is a set of clinical conditions involving the masticatory muscles and the temporomandibular joint (TMJ), frequently associated with headache manifestations due to shared pain pathways and trigeminal sensitization. Objective: To analyze the effects of physiotherapeutic interventions in patients with TMD associated with headache, identifying techniques and assessing their impact on pain reduction and functional restoration. Methods: This is an integrative literature review conducted in the SciELO, LILACS, and PubMed/MEDLINE databases, including articles published between 2018 and 2026, focusing on adults with painful TMD and headache and evaluating conservative and physiotherapeutic interventions. Results: The analysis of ten clinical studies (eight randomized trials, one secondary analysis of a randomized trial, and one cohort study) showed that multimodal approaches, manual therapy, dry needling, photobiomodulation (LED/laser), and cervical spine rehabilitation provide a significant reduction in orofacial pain, improved mandibular range of motion, and decreased headache frequency and intensity. Conclusion: Physiotherapeutic interventions appear to be safe, feasible, and effective in the clinical management of TMD and headache, with better outcomes when applied in an integrated and combined manner, although new clinical trials with high methodological rigor are recommended.
Keywords: Temporomandibular Joint Disorders; Headache; Temporomandibular Joint.

1. INTRODUÇÃO

A articulação temporomandibular (ATM) é uma das articulações mais importantes do corpo humano, responsável pelos movimentos da fala, mastigação e deglutição. A sua funcionalidade é maior em comparação a outras articulações, e realiza em torno de 2.000 movimentos por dia. Para esta articulação funcionar de forma equilibrada, é importante que exista um bom fechamento oclusal, e músculos funcionantes em perfeito equilíbrio, pois se assim não ocorrer, instala-se as disfunções temporomandibulares (DTM) [1].

A Disfunção temporomandibular (DTM) é definida pela Academia Americana de Dor Orofacial como um conjunto de vários problemas clínicos que envolve os músculos mastigatórios, a ATM e as estruturas associadas. Tem como principais sintomatologias: a dor na região da articulação e nos músculos mastigatórios, diminuição da amplitude de movimento e sons articulares. A etiologia é multifatorial, e pode estar relacionada às alterações musculoesqueléticas, comportamentos parafuncionais, deslocamento do disco articular, condições autoimunes inflamatórias como artrite reumatoide e espondilite anquilosante, alterações posturais, má oclusão, problemas psicossociais e traumas [2].

A DTM possui causa multifatorial, além de estar associada a fatores biológicos, sociais e emocionais como: doenças psiquiátricas, distúrbios autoimunes e apneia do sono. Esta disfunção, atinge 85% da população e possui maior prevalência no sexo feminino. As manifestações são dores na região dos côndilos que podem propagar para uma cefaleia, zumbido e vertigens. O tratamento é individualizado, conforme a queixa do paciente. Os recursos terapêuticos desse transtorno são diversos, tais como: tratamento ortodôntico, protético, psicoterapias, uso de placas miorrelaxantes e até mesmo cirurgias na ATM [3].

A cefaleia é definida como uma dor localizada acima da linha orbitomeatal, enquanto a dor facial encontra-se abaixo da linha orbitomeatal e acima do pescoço e anterior ao pavilhão auricular. Entretanto, a precisão das descrições fornecidas pelos pacientes em relação à localização precisa frequentemente carece de clareza. Essa correlação pode ser explicada pela possibilidade de compartilharem vias de condução da dor, sendo influenciadas por mecanismos de sensibilização periférica e central [4].

Diante desse cenário e da expressiva associação da DTM e cefaleia a fatores biológicos, psicossociais e emocionais (como o estresse), surge o seguinte problema de pesquisa: Quais são os principais fatores etiológicos e as manifestações clínicas associados às Disfunções Temporomandibulares e cefaleia e de que maneira a sobreposição sintomatológica dificulta a diferenciação entre dor facial e cefaleias na prática clínica? Quais são os efeitos da fisioterapia no alívio da dor e na restauração funcional de pacientes com DTM e cefaleia?

A realização deste estudo justifica-se pelos efeitos benéficos em pacientes com Disfunção Temporomandibular (DTM) e cefaleia. Devido à sua etiologia multifatorial e à frequente sobreposição sintomática com as cefaleias decorrente do compartilhamento de vias dolorosas, o diagnóstico diferencial torna-se complexo. Assim, a sistematização do conhecimento sobre suas manifestações e recursos terapêuticos contribui para o aprimoramento do diagnóstico precoce e a escolha de condutas mais eficazes e personalizadas [2].

A Fisioterapia tem o papel fundamental para o alívio destes incômodos musculoesqueléticos, reduzir as inflamações e em curto tempo já proporciona grau de ADM eficiente para que consiga realizar mínimos movimentos sem sentir incômodos, reestabilizando a função motora [5].

Este estudo tem como objetivo geral analisar os efeitos das intervenções fisioterapêuticas em pacientes com Disfunção Temporomandibular (DTM) associada à cefaleia. Como objetivos específicos, busca-se identificar, na literatura científica, as principais técnicas fisioterapêuticas utilizadas no tratamento de pacientes com DTM e cefaleia; avaliar os efeitos dessas intervenções na redução dos sinais e sintomas relacionados à condição; e analisar seus efeitos no alívio da dor orofacial apresentada por essa população.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Anatomia e Funcionalidade da Articulação Temporomandibular

A porção óssea da articulação temporomandibular (ATM) é composta por um componente do osso temporal e por outro mandibular, que consiste no côndilo craniano, sendo ambos envolvidos por uma cápsula sinovial [6]. Segundo Oliveira [7], compreende-se que a estrutura óssea da ATM depende da união harmônica entre a mandíbula e o crânio, ocorrendo especificamente pela junção do côndilo à fossa mandibular do osso temporal. Para que essa união funcione sem o desgaste direto dos tecidos ósseos, a articulação conta com a proteção e lubrificação dessa cápsula.

O sistema estomatognático compreende diversas estruturas anatômicas responsáveis pela abertura da boca, deglutição, respiração, fonação, sucção e múltiplas expressões faciais [6]. Segundo os preceitos de Bordoni [6], esse conjunto funcional atua de forma coordenada na execução dessas atividades biológicas essenciais. O autor destaca ainda a relevância desse sistema na manifestação das expressões faciais, evidenciando sua forte ligação com a comunicação não verbal e a psicomotricidade do indivíduo.

As variações anatômicas podem ocorrer em várias formas, incluindo alterações no formato e tamanho do côndilo mandibular e da eminência articular, na morfologia do disco e nas superfícies articulares [8]. De acordo com as considerações de Lima [8], essas modificações morfológicas abrangem tanto o dimensionamento quanto o contorno do osso temporal. Adicionalmente, tais inconstâncias não se limitam aos componentes ósseos, afetando também a arquitetura interna do disco articular e o perfil das superfícies que entram em contato durante os movimentos mandibulares.

2.2. Etiologia e Manifestações Clínicas das Disfunções Temporomandibulares

A etiologia das Disfunções Temporomandibulares (DTM) é considerada multifatorial, envolvendo uma complexa interação entre fatores anatômicos, funcionais, psicológicos e comportamentais. Não há, geralmente, uma única causa isolada responsável pelo surgimento do distúrbio, mas sim um conjunto de fatores predisponentes, desencadeantes e perpetuadores [9]. De acordo com Alves [9], a origem das Disfunções Temporomandibulares (DTM) é reconhecidamente multifatorial, resultante de uma complexa associação entre componentes psicológicos, anatômicos, funcionais e comportamentais. O desencadeamento dessa patologia não costuma estar atrelado a uma causa isolada, manifestando-se por meio do somatório de fatores predisponentes, determinantes e perpetuadores do distúrbio.

Os fatores que aumentam o risco de distúrbios temporomandibulares são chamados de predisponentes, os que deflagram o início do quadro são denominados iniciadores e os que interferem na cura ou aumentam a progressão da patologia são classificados como perpetuadores [10]. Alinhado a esse conceito, Sharma [10] reitera que as condições que elevam a vulnerabilidade do paciente agem como elementos predisponentes, enquanto os gatilhos disparam o surgimento da doença. Por fim, o autor destaca que os componentes perpetuadores englobam tudo aquilo que dificulta o processo de recuperação ou acelera a gravidade do quadro clínico.

Agrega fatores anatômicos, fisiológicos e psicossociais, os quais envolvem a análise de sinais físicos, alterações de comportamento e perspectivas emocionais [11]. Segundo Suzuki [11], a investigação da etiologia dessas condições não deve se restringir apenas aos aspectos estruturais, precisando considerar a inter-relação entre as características anatômicas e os processos fisiológicos do paciente.

Esses distúrbios estão frequentemente relacionados a alterações oclusais, lesões traumáticas ou degenerativas de doenças sistêmicas, sendo caracterizados por sinais e sintomas que incluem dor ou desconforto na articulação temporomandibular (ATM), dor facial e dor na musculatura mastigatória e cervical, apresentando-se de forma uni ou bilateral [12]. Conforme apontado por Aleixo [12], esses problemas sofrem forte influência de processos degenerativos sistêmicos, e o diagnóstico baseia-se em um conjunto de indícios característicos, destacando-se a presença de sensibilidade dolorosa que tende a se estender para a face e para a região cervical.

2.3. Fisiopatologia da DTM e Cefaleia

A Disfunção Temporomandibular (DTM) e a cefaleia são condições complexas que envolvem processos inflamatórios, estresse e hiperatividade muscular na região craniofacial. Como ambas afetam nervos, articulações e músculos adjacentes, os estímulos dolorosos frequentemente se confundem, resultando em dores referidas na cabeça que tornam difícil a distinção exata da origem dos sintomas [13]. De acordo com Albrecht [13], a sobrecarga dos músculos mastigatórios e da articulação decorrente de processos inflamatórios ou degenerativos da DTM gera impulsos dolorosos constantes que convergem na mesma inervação do nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face, dentes, músculos e da própria articulação temporomandibular (ATM).

Clinicamente, as cefaleias são segmentadas em manifestações primárias e secundárias. Os episódios primários englobam as situações em que a dor constitui a própria patologia principal, sem a existência de uma doença oculta como gatilho; por outro lado, o caráter secundário decorre diretamente de outras disfunções preexistentes no organismo [4]. Desse modo, Mesquita [4] cita que as dores de cabeça secundárias costumam estar associadas a distúrbios localizados em estruturas específicas da região cefálica e cervical, englobando o crânio, o pescoço, os olhos, as orelhas, o nariz e os seios paranasais.

Nesse cenário, as dores na região orofacial e a cefaleia são as manifestações clínicas mais frequentemente associadas à DTM, destacando-se como o reflexo físico de maior prevalência e recorrência nas queixas dos pacientes [14]. De acordo com Fehrenbach [14], a intensidade e o incômodo provocados por esses sintomas assumem um papel de destaque no cenário clínico, consolidando-se como o principal fator motivador que direciona os indivíduos afetados a buscarem por assistência, diagnóstico e tratamento profissional em serviços especializados de saúde.

2.4. A Abordagem Fisioterapêutica e Recursos de Eletrotermofototerapia

O tratamento conservador constitui a principal abordagem terapêutica para o manejo das disfunções temporomandibulares, englobando o uso de fármacos, a confecção de dispositivos oclusais estabilizadores e as intervenções fisioterapêuticas [15]. Nesse cenário, de acordo com Araújo [15], o suporte fisioterapêutico ganha relevância por intervir de forma direta no alívio do quadro álgico, na devolução da mobilidade articular adequada e na restauração da função mandibular. Os autores reforçam que esse processo de reeducação do sistema musculoesquelético é viabilizado por meio de um plano terapêutico interdisciplinar que combina técnicas de terapia manual, a aplicação de recursos eletroterapêuticos e a prescrição direcionada de exercícios cinesioterapêuticos.

A terapia manual da ATM pode restaurar a amplitude de movimento, reduzir a isquemia local, estimular a propriocepção, romper aderências, aumentar a produção de líquido sinovial e aliviar a dor. Além disso, os exercícios para a ATM podem melhorar a força, a mobilidade e a coordenação, aliviando a dor articular e muscular [16]. Segundo Lin [16], a aplicação da terapia manual na articulação temporomandibular promove a restauração do movimento e o incremento do fluxo sanguíneo, além de combater aderências teciduais e estimular a lubrificação sinovial.

Dentre as diversas abordagens disponíveis com agentes físicos, vários tipos de correntes elétricas são amplamente aplicados devido ao seu baixo custo, facilidade de aplicação e poucos efeitos adversos. As mais utilizadas são a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), a estimulação por microcorrente, a estimulação elétrica contingente (CES) e as correntes interferenciais [17]. De acordo com Serrano-Muñoz [17], a utilização de recursos eletroterapêuticos destaca-se na prática clínica por sua viabilidade econômica, manuseio simplificado e segurança biológica. Entre as opções mais difundidas, encontram-se a TENS, as microcorrentes, a estimulação contingente e as correntes interferenciais, cujos efeitos fisiológicos visam à modulação dolorosa, relaxamento muscular, melhora circulatória e incremento da mobilidade tecidual.

3. METODOLOGIA

3.1. Tipo de Pesquisa

O presente estudo adotou uma abordagem na forma de revisão de literatura com o objetivo de identificar evidências científicas acerca das abordagens da fisioterapia em pacientes com DTM e cefaleia.

3.2. Bases de Dados Consultadas

Foram consultadas as bases de dados da Scientific Electronic Library Online (SciELO), a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e National Library of Medicine (PubMed/MEDLINE), com artigos publicados nos últimos 8 anos (2018 a 2026).

3.3. Estratégias de Busca

Na busca dos artigos e demais materiais, foram utilizados descritores controlados obtidos nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), além de palavras-chave relacionadas à temática; com o objetivo de ampliar a sensibilidade da busca; Entre os descritores utilizados; destacam-se: (“disfunção” OR “temporomandibular”) AND (“articulação” OR “temporomandibular”) AND (“cefaleia” OR “dor orofacial”).

Para as bases de dados internacionais, foram utilizados os correspondentes em língua inglesa dos descritores selecionados: “physiotherapy”, “temporomandibular disorders”, “headache”, “physical therapy” e “temporomandibular joint”. A questão de pesquisa foi estruturada pela estratégia PICO (População, Intervenção, Comparador e Desfechos), conforme o Quadro 1.

Quadro 1. Descrição da estratégia de PICO para construção da questão de pesquisa.

Componente

Definição

Descrição

P

População

Adultos com DTM, especialmente DTM dolorosa crônica, DTM miogênica e cefaleia associada à DTM.

I

Intervenção

Terapia manual, mobilização mandibular, exercícios mandibulares e posturais, ultrassom terapêutico, laser de baixa intensidade, educação e tratamento multimodal.

C

Comparador

Placebo, cuidado usual, placa oclusal isolada, aconselhamento, medicação ou outras terapias conservadoras.

O

Desfechos

Redução da dor, aumento da abertura bucal máxima, melhora da amplitude de movimento mandibular, redução da cefaleia e melhora funcional.

Fonte: Autores, 2026.

3.4. Critérios de Inclusão e Exclusão

Foram adotados como critérios de inclusão artigos publicados entre 2018 e 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português e inglês, que mostrassem as abordagens da fisioterapia em pacientes com DTM e cefaleia, e apresentassem intervenções fisioterapêuticas.

Como critérios de exclusão, aqueles que não apresentavam os descritores adequados, estudos de revisão, estudos não disponíveis de forma gratuita, editoriais, teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso, estudos incompletos e pesquisas que não abordassem a questão norteadora. Foram encontrados inicialmente 296 artigos que, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, resultaram em 10 artigos selecionados para a análise (Figura 1).

Figura 1. Roteiro de pesquisa (fluxograma do processo de seleção dos artigos).

Fonte: Autores, 2026.

4. DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO

4.1. Resultados

Após esta etapa, permaneceram no estudo os 10 estudos científicos que atendiam aos critérios de inclusão citados acima (Tabela 1).

Tabela 1. Artigos selecionados para os resultados.

Tema

Autor

Métodos

Principais achados

Fotobiomodulação com LED na DTM e mobilidade cervical/mandibular.

Trindade et al. [18]

Ensaio clínico randomizado, controlado e cego com 29 pacientes. PBM aplicada com clusters de LED (infravermelho 850nm e vermelho 660nm) nas regiões da ATM e músculos cervicais/mastigatórios em 6 sessões por 2 semanas, comparado ao grupo placebo.

O grupo LED ativo apresentou uma redução significativa da dor pós-intervenção (medida pela EVA), enquanto o grupo placebo não mudou. Houve aumento na lateralidade cervical esquerda no grupo LED, mas sem diferenças significativas na abertura de boca entre os grupos.

Agulhamento seco e kinesio taping no tratamento da disfunção temporomandibular.

Duran et al. [19]

Ensaio clínico randomizado, realizado em dois centros, com 90 participantes com DTM miogênica, divididos em três grupos: agulhamento seco, kinesio taping e controle. Foram avaliados dor, depressão, qualidade do sono e mobilidade mandibular durante 6 semanas.

Os grupos submetidos ao agulhamento seco e kinesio taping apresentaram melhora da dor, amplitude de movimento mandibular e qualidade do sono. O agulhamento seco apresentou resultados superiores para dor e função mandibular.

Tratamiento multimodal (Placa de estabilización e Laser) no manejo da DTM. Ensaio clínico controlado randomizado piloto com 30 pacientes com DTM. Divididos em 3 grupos de 10: Placa Estabilizadora (SST), Laser de Baixa Potência (LLLT) e Tratamento Combinado (CT). Avaliados durante 4 semanas.

Afshari et al. [20]

Ensaio clínico randomizado com 61 adultos com DTM crônica divididos em grupo experimental (técnica de energia muscular mandibular) e grupo controle (simulação de inibição suboccipital).

O Tratamento Combinado (CT) foi significativamente superior na redução da dor em comparação com o Laser ou a Placa isolados. Os pacientes do grupo combinado demonstraram os maiores níveis de satisfação com o tratamento.

Efeitos imediatos da técnica de energia muscular mandibular.

Márquez-Vera et al. [21]

Análise secundária de ensaio clínico randomizado com 96 participantes com cefaleia tensional. Avaliou o impacto de 6 semanas de Acupuntura, Exercício Terapêutico, a combinação de ambos, ou cuidados habituais, com acompanhamento de até 6 meses.

A técnica de energia muscular mandibular produziu melhora imediata e significativa no limiar de dor à pressão (LDP), na mobilidade mandibular e na redução da cinesiofobia, demonstrando ser uma opção segura e eficaz no curto prazo.

Efeitos da acupuntura e exercícios terapêuticos na DTM e cefaleia tensional.

Schiller et al. [22]

Estudo experimental randomizado com 30 pacientes com cefaleia associada à DTM. O Grupo A recebeu agulhamento a seco nos músculos orofaciais e suboccipitais + placa oclusal noturna. O Grupo B recebeu medicação + placa oclusal. Intervenção por 3 semanas.

Todas as intervenções melhoraram os escores de DTM aos 3 meses. Aos 6 meses, apenas o grupo de acupuntura manteve uma melhora significativa e duradoura nos sintomas de DTM. Patologias dentárias severas reduziram a eficácia da acupuntura.

Efeito do agulhamento seco nos músculos suboccipitais e orofaciais na cefaleia relacionada à DTM.

Mahakul et al. [23]

Ensaio clínico randomizado duplocego com 60 pacientes com dor miofascial por DTM. Divididos em: Grupo A (Placebo), Grupo B (LED Vermelho 660nm por 5 min) e Grupo C (Laser Diodo 810nm por 30s) ao longo de 4 consultas semanais.

O grupo tratado com agulhamento a seco (DN) exibiu melhora significativamente maior na redução da dor (EVA), eliminação de pontos-gatilho ativos e redução do índice de cefaleia em comparação ao tratamento medicamentoso.

Fotobiomodulação com LED e LASER na redução da dor em pacientes com DTM.

Al-Quisi et al. [24]

Estudo de coorte unicêntrico com 34 pacientes, divididos em grupo experimental (17) e controle (17). O grupo experimental recebeu terapia manual direcionada à coluna cervical e alongamentos, além da fisioterapia convencional; o controle recebeu apenas fisioterapia convencional. Foram realizadas 10 sessões, uma vez por semana, com avaliações no início, em 5 e 10 semanas.

Tanto o LED quanto o Laser proporcionaram redução estatisticamente significativa e semelhante na intensidade da dor. Os autores concluíram que o LED vermelho é uma alternativa eficaz, biossegura e de menor custo em relação ao Laser.

Terapia manual e alongamento cervical em pacientes com DTM miofascial acompanhada de cefaleia.

Lee e Kim [25]

Ensaio clínico randomizado com 50 indivíduos com DTM com mialgia, comparando 4 sessões de HVLAT (manipulação de alta velocidade e baixa amplitude) versus sham, associados a educação, mobilização de tecidos moles e exercícios, de maior percepção de sucesso terapêutico (GROC).

O grupo experimental apresentou redução significativa do impacto da cefaleia, dor cervical, dor na ATM, incapacidade cervical e limitação funcional mandibular, além de alterações no ângulo cervical, quando comparado ao grupo controle.

Adição de thrust cervical à educação, mobilização e exercício na DTM apresentou reduções mais precoces na limitação funcional (JFLS) e menor medo de movimento (TSK-TMD) às 4 semanas, além de maior percepção de sucesso terapêutico (GROC).

Reynolds et al. [26]

Ensaio clínico randomizado e cego com 45 pacientes com enxaqueca crônica e DTM, comparando um grupo com tratamento exclusivamente cervical (CG) versus tratamento cervical e orofacial combinado (COG) por 6 sessões.

Ambos os grupos melhoraram ao longo do tempo. O grupo HVLAT... [texto cortado na imagem]

Efeitos da terapia física combinada (cervical e orofacial) na enxaqueca crônica e DTM.

Garrigós-Pedrón et al. [27]

Ensaio clínico randomizado e cego com 45 pacientes com enxaqueca crônica e DTM, comparando um grupo com tratamento exclusivamente cervical (CG) versus tratamento cervical e orofacial combinado (COG) por 6 sessões.

Ambos os grupos melhoraram na dor e incapacidade. Contudo, o tratamento combinado (cervical e orofacial) foi superior para aumentar o limiar de dor à pressão no trigêmeo e produzir abertura bucal indolor, mostrando que tratar ambas as regiões potencializa os resultados.

Fonte: Autores, 2026.

4.2. Discussão

A análise dos resultados compilados na tabela evidencia que o manejo das disfunções temporomandibulares (DTM) e de suas comorbidades dolorosas, como cefaleias e enxaquecas, tem avançado em direção a condutas terapêuticas cada vez mais integradas, multimodais e centradas na interação entre o sistema craniomandibular e a coluna cervical. No que tange aos recursos eletrotermofototerápicos, as evidências recentes destacam o papel da fotobiomodulação (PBM) na redução da dor miofascial e na melhora funcional.

Trindade et al. [18] demonstraram que a aplicação de clusters de LED (infravermelho e vermelho) nas regiões da articulação temporomandibular (ATM) e nos músculos cervicais e mastigatórios proporciona uma diminuição expressiva da dor mensurada pela escala visual analógica (EVA), além de incrementar a mobilidade cervical lateral. No mesmo sentido, Al-Quisi et al. [24] comprovaram que o LED vermelho produz reduções na intensidade da dor equivalentes às do laser de diodo de baixa potência, consolidando-se como uma alternativa terapêutica altamente viável, de menor custo e biossegura.

A eficácia da fototerapia ganha ainda mais força quando inserida em estratégias multimodais; Afshari et al. [20] observaram que a associação entre o laser de baixa potência e a placa de estabilização promoveu resultados superiores e níveis mais elevados de satisfação nos pacientes quando comparada ao uso isolado de qualquer uma das intervenções.

Paralelamente às terapias biofísicas, as intervenções manuais e as técnicas invasivas de tecidos moles demonstram eficácia marcante no controle álgico e na restauração da biomecânica mandibular. Duran et al. [19] relataram que tanto o agulhamento seco quanto o uso de kinesio taping trazem benefícios clínicos consideráveis para a dor, a amplitude de movimento e a qualidade do sono, destacando-se a superioridade do agulhamento seco no alívio da dor e na recuperação da função mandibular.

Em termos de terapia manual específica, Márquez-Vera et al. [21] evidenciaram os efeitos imediatos da técnica de energia muscular mandibular, que elevou o limiar de dor à pressão, melhorou a mobilidade e reduziu a cinesiofobia de forma segura no curto prazo.

Outro aspecto de expressiva relevância clínica evidenciado na literatura é a forte conexão entre a DTM e as dores de cabeça tensionais ou crônicas, mediada pela convergência trigeminocervical. Abordagens que extrapolam o escopo puramente local da mandíbula mostram-se altamente eficazes.

Schiller et al. [22] apontaram que, embora a acupuntura e os exercícios terapêuticos gerem melhorias sintomáticas a médio prazo, a acupuntura destaca-se pela durabilidade dos efeitos na DTM aos seis meses. De maneira complementar, Mahakul et al. [23] verificaram que o agulhamento seco aplicado em músculos orofaciais e suboccipitais associado ao uso de placa oclusal superou o tratamento medicamentoso tradicional na eliminação de pontosgatilho e na redução do índice de cefaleia.

Corroborando a necessidade de uma abordagem integrada da coluna cervical na reabilitação estomatognática, Reynolds et al. [26] demonstraram que a inclusão de manipulações de alta velocidade e baixa amplitude (HVLAT) na coluna cervical — combinada a exercícios e educação — acelera a recuperação funcional e reduz o medo do movimento em pacientes com DTM miálgica. Esses achados alinham-se aos de Lee e Kim [25], que confirmaram que a adição de terapia manual e alongamentos cervicais à fisioterapia convencional mitiga significativamente a dor cervical e mandibular, a incapacidade e o impacto da cefaleia.

Por fim, Garrigós-Pedrón et al. [27] reforçaram essa premissa ao demonstrarem que o tratamento combinado focado simultaneamente nas regiões cervical e orofacial é superior à abordagem puramente cervical em pacientes com enxaqueca crônica e DTM, potencializando o aumento do limiar de dor à pressão no trigêmeo e restabelecendo uma abertura bucal indolor. Diante do exposto, conclui-se que o tratamento da DTM e de suas manifestações concomitantes atinge maior êxito clínico quando se abandonam abordagens puramente isoladas. A literatura fundamenta a escolha por condutas integradas, que combinam recursos de fotobioestimulação, técnicas manuais precisas, agulhamento e a reabilitação da coluna cervical, assegurando um prognóstico superior, alívio duradouro e melhoria global da qualidade de vida dos pacientes.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo analisou os efeitos das intervenções fisioterapêuticas em pacientes com Disfunção Temporomandibular (DTM) associada à cefaleia. Os resultados demonstraram que a fisioterapia apresenta efeitos positivos no tratamento dessas condições. As intervenções contribuem para a redução da dor orofacial e da intensidade das cefaleias. Também favorecem a melhora da amplitude de movimento e da funcionalidade do sistema estomatognático.

Dessa forma, é importante realizar uma avaliação ampla, considerando também a região cervical. A fisioterapia mostra-se uma abordagem segura e viável para esses pacientes. Seus benefícios incluem redução da dor, melhora funcional e contribuição para a qualidade de vida. Assim, as intervenções fisioterapêuticas são importantes no processo de reabilitação. Entretanto, ainda são necessários estudos clínicos com maior rigor metodológico. Novas pesquisas devem buscar protocolos mais padronizados e maior nível de evidência científica. Dessa maneira, será possível fortalecer a utilização da fisioterapia na prática clínica baseada em evidências.

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1 Graduando do Curso de Fisioterapia, Faculdade Estácio, São Luís, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente do Curso de Fisioterapia, Faculdade Estácio, São Luís, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail