A SÍNDROME DE BURNOUT ENTRE PROFISSIONAIS DA SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18331066


Weider Silva Pinheiro1
Simone Fraga Mota2
Valdir Barbosa da Silva Junior3


RESUMO
A síndrome de Burnout, reconhecida como um estado de exaustão física e emocional relacionado ao ambiente laboral, tem se tornado uma preocupação crescente entre os profissionais de saúde, especialmente diante das demandas e jornadas intensificadas. Objetiva-se analisar, por meio de uma revisão integrativa, as principais características, fatores associados e estratégias de enfrentamento relacionadas à síndrome de Burnout em profissionais de saúde. A pesquisa foi conduzida nas bases de dados SciELO Brasil e Portal Periódicos CAPES, considerando publicações dos últimos anos (2020-2024). A seleção dos estudos seguiu critérios de inclusão, exclusão e qualidade, totalizando 14 artigos analisados. Os resultados destacam que os fatores mais comuns associados ao Burnout incluem carga horária excessiva, falta de suporte institucional e pressões emocionais intensas. Estratégias de enfrentamento como programas de suporte psicológico, redução de jornadas de trabalho e treinamento em gestão de estresse mostram-se eficazes para minimizar os impactos. Conclui-se que, embora as intervenções sejam promissoras, a prevenção da síndrome de Burnout exige esforços integrados entre políticas institucionais e apoio contínuo aos profissionais de saúde. Estudos futuros podem explorar novas abordagens para promover a qualidade de vida e o bem-estar desses trabalhadores.
Palavras-chave: Burnout. Profissionais de Saúde. Assistência Psicológica. Estratégias de Enfrentamento.

ABSTRACT
Burnout syndrome, recognized as a state of physical and emotional exhaustion related to the work environment, has become an increasing concern among healthcare professionals, especially given the intensified demands and workloads. This study aims to analyze, through an integrative review, the main characteristics, associated factors, and coping strategies related to Burnout syndrome in healthcare professionals. The research was conducted using the SciELO Brasil and CAPES Periodicals Portal databases, considering publications from recent years (2020–2024). The selection of studies followed inclusion, exclusion, and quality criteria, totaling 14 articles analyzed. The results highlight that the most common factors associated with Burnout include excessive working hours, lack of institutional support, and intense emotional pressures. Coping strategies such as psychological support programs, workload reduction, and stress management training have proven effective in minimizing its impacts. It is concluded that, although these interventions are promising, the prevention of Burnout syndrome requires integrated efforts between institutional policies and continuous support for healthcare professionals. Future studies may explore new approaches to promote quality of life and well-being for these workers.
Keywords: Burnout; Healthcare Professionals; Psychological Support; Coping Strategies.

1. INTRODUÇÃO

A síndrome de Burnout, caracterizada por um estado de exaustão física, emocional e mental, é amplamente reconhecida como um problema associado a ambientes de trabalho desafiadores e exigentes. Maslach e Leiter (2016) destacam que, quando o conceito de burnout foi introduzido na década de 1970, houve debates sobre se ele representava um fenômeno realmente distinto ou apenas um novo rótulo para estados já conhecidos, como insatisfação no trabalho, anomia, estresse ocupacional, ansiedade, raiva, depressão ou uma combinação desses fatores. Perspectivas psicanalíticas, por exemplo, argumentaram que o burnout não se diferenciava do estresse ou da depressão, mas sim de um fracasso em alcançar a satisfação narcísica na busca de ideais. Em resposta a essas críticas, estudos subsequentes buscaram validar empiricamente o burnout como um construto distinto, principalmente em relação à depressão, apontando que o burnout é específico ao contexto de trabalho, enquanto a depressão é mais abrangente.

Entre os profissionais de saúde, essa condição tem recebido atenção significativa, especialmente em razão da crescente complexidade das demandas laborais, jornadas extensas e das condições frequentemente adversas enfrentadas no exercício de suas funções. O impacto do Burnout transcende a saúde individual do trabalhador, afetando a qualidade do atendimento prestado e a sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Nos últimos anos, a pandemia de COVID-19 intensificou as pressões sobre os profissionais de saúde, agravando a prevalência de Burnout nesse grupo. Tal contexto destaca a relevância de compreender os fatores associados a essa síndrome, bem como identificar estratégias de enfrentamento que possam mitigar seus efeitos. A literatura aponta que fatores como sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos institucionais e elevada demanda emocional são os principais desencadeadores, enquanto iniciativas como suporte psicológico, gestão de estresse e redução da carga horária têm demonstrado eficácia na redução dos impactos.

A questão de pesquisa que orienta este estudo é: quais são as principais características, fatores associados e estratégias de enfrentamento da síndrome de Burnout em profissionais de saúde? A relevância dessa investigação reside na necessidade urgente de identificar intervenções baseadas em evidências que possam subsidiar práticas institucionais e políticas públicas voltadas para a promoção da qualidade de vida no trabalho.

Com base nisso, este artigo tem como objetivo geral analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os principais aspectos relacionados à síndrome de Burnout entre profissionais de saúde. Especificamente, pretende-se: (i) descrever as características predominantes dessa síndrome nesse grupo profissional; (ii) identificar os fatores que mais contribuem para o seu desenvolvimento; e (iii) sintetizar as estratégias de enfrentamento propostas na literatura recente (2020-2024).

Essa pesquisa busca contribuir para a ampliação do conhecimento sobre o Burnout em contextos laborais da saúde, fornecendo subsídios para a elaboração de intervenções eficazes e para o fortalecimento do suporte aos profissionais que atuam em um dos setores mais essenciais à sociedade.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Conforme Maslach e Leiter (2016), o burnout é uma síndrome psicológica que surge como uma resposta prolongada a estressores interpessoais crônicos no ambiente de trabalho. Essa condição é caracterizada por três dimensões principais: exaustão intensa, sentimentos de cinismo e distanciamento em relação ao trabalho, além de uma sensação de ineficácia e falta de realização. O modelo tridimensional destaca a experiência de estresse individual dentro de um contexto social, envolvendo a percepção que a pessoa tem de si mesma e dos outros.

Os profissionais de saúde, especialmente os da área de enfermagem, estão entre os grupos mais vulneráveis ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout. Relatos apontam que essa vulnerabilidade está associada às condições laborais, como trabalhar sob pressão, em turnos noturnos ou em unidades de terapia intensiva, o que contribui para um desgaste físico e mental relacionado à atividade profissional. Ademais, observa-se que o esgotamento decorrente do burnout é causado pelo excesso de trabalho, estresse ambiental e acúmulo de tarefas, fatores que também resultam de déficits de profissionais e jornadas prolongadas (Vitorino et al., 2018).

Durante a pandemia de COVID-19, essas condições foram intensificadas. Horta et al. (2022) destacam que a linha de frente enfrentou níveis alarmantes de estresse, associados ao medo de contaminação, ao aumento das demandas assistenciais e à escassez de recursos. Esse cenário agravou a prevalência de Burnout, evidenciando a necessidade de suporte psicológico e intervenções institucionais.

A literatura revisada sugere que a mitigação do Burnout depende de abordagens multifacetadas. Programas de suporte psicológico, treinamento em gestão de estresse e a criação de condições de trabalho mais saudáveis têm se mostrado eficazes. Além disso, iniciativas como grupos terapêuticos e políticas de valorização profissional são apontadas como estratégias importantes (Ferreira e Anderson, 2020; Souza et al., 2023).

Outra abordagem relevante é a promoção do bem-estar emocional por meio da formação em habilidades interpessoais, como a empatia. Pinheiro, Sbicigo e Remor (2020) sugerem que a empatia desempenha um papel protetor, reduzindo os efeitos do estresse ocupacional e favorecendo relações interpessoais mais saudáveis no ambiente de trabalho.

O Burnout não afeta apenas os profissionais de saúde, mas também compromete a qualidade do atendimento prestado, aumentando a incidência de erros, absenteísmo e rotatividade de pessoal. Costa et al. (2020) destacam que a insatisfação laboral e os níveis de esgotamento impactam diretamente na sustentabilidade dos sistemas de saúde, reforçando a importância de intervenções preventivas e de suporte contínuo.

Dessa forma, a compreensão dos fatores associados ao Burnout e a implementação de estratégias de enfrentamento eficazes são essenciais para promover a saúde mental dos trabalhadores, melhorar a qualidade dos serviços e assegurar a integridade dos sistemas de saúde.

3. METODOLOGIA

A revisão integrativa foi conduzida com o objetivo de sintetizar o conhecimento sobre a Síndrome de Burnout em profissionais da saúde no período de 2020 a 2024.

A busca foi realizada nas bases SciELO Brasil e Portal de Periódicos CAPES, utilizando a string: “burnout” AND “profissionais da saúde”. O processo incluiu etapas de seleção e avaliação, baseadas em critérios de inclusão, exclusão e qualidade.

Os critérios de inclusão foram definidos para garantir a relevância e a atualidade dos estudos analisados, conforme o Quadro 1.

Quadro 1: Critérios de Inclusão.

Id

Critério

CI1

Estudos publicados entre 2020 e 2024.

CI2

Estudos disponíveis nas bases SciELO Brasil e Portal Periódicos CAPES.

CI3

Pesquisas em português.

CI4

Artigos originais que investiguem a Síndrome de Burnout em profissionais da saúde.

CI5

Estudos que utilizem métodos quantitativos, qualitativos ou mistos.

CI6

Estudos com acesso ao texto completo.

Fonte: Elaboração própria.

Para refinar os resultados e excluir estudos não pertinentes, foram adotados os critérios de exclusão descritos no Quadro 2.

Quadro 2: Critérios de Exclusão.

Id

Critério

CE1

Publicações anteriores a 2020 ou após 2024.

CE2

Estudos fora do contexto de saúde ou que abordem outros temas sem foco no Burnout.

CE3

Trabalhos como resumos de congressos, editoriais ou cartas ao editor.

CE4

Artigos sem acesso ao texto completo.

CE5

Estudos duplicados entre as bases consultadas.

Fonte: Elaboração própria.

A avaliação da qualidade metodológica dos artigos foi baseada em critérios que asseguram a robustez científica, conforme o Quadro 3.

Quadro 3: Critérios de Qualidade

Id

Critério

CQ1

Clareza nos objetivos do estudo e hipóteses investigadas.

CQ2

Descrição detalhada do método de coleta e análise de dados.

CQ3

Adequação e justificativa para a amostra e o contexto investigado.

CQ4

Discussão bem fundamentada dos resultados em relação à literatura existente.

CQ5

Apresentação de limitações e implicações práticas.

Fonte: Elaboração própria.

A aplicação dos critérios descritos resultou no refinamento dos artigos identificados inicialmente. O processo está detalhado no Quadro 4.

Quadro 4: Aplicação dos Critérios de Inclusão, Exclusão e Qualidade

Etapa

Descrição

Identificação

Foram encontrados 241 artigos (192 na CAPES e 49 na SciELO Brasil).

Triagem

Após leitura de títulos e resumos, 78 artigos foram excluídos por irrelevância.

Seleção

Aplicados os critérios de inclusão, resultando em 38 artigos para leitura completa.

Qualidade

Com os critérios de qualidade, 14 artigos foram incluídos na análise final.

Fonte: Elaboração própria.

Esses critérios e o rigor metodológico buscaram garantir a seleção de estudos relevantes para responder à questão de pesquisa e atingir os objetivos propostos por este estudo.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Após a aplicação dos critérios de inclusão, exclusão e qualidade, foram selecionados 14 artigos que atenderam aos objetivos desta revisão. Esses estudos abordaram diversos aspectos relacionados à Síndrome de Burnout entre profissionais da saúde, como prevalência, fatores associados e estratégias de enfrentamento.

O Quadro 5 apresenta uma síntese dos artigos selecionados, destacando os principais dados, como título, autores e ano de publicação.

Quadro 5: Artigos Selecionados

Id

Título

Autores

Ano

A1

Síndrome de Burnout em profissionais de saúde da linha de frente contra a Covid-19

Mattos et al

2022

A2

Associação da empatia e do estresse ocupacional com o burnout em profissionais da APS

Pinheiro, Sbicigo e Remor

2020

A3

Síndrome de Burnout em profissionais da saúde e as principais manifestações: uma revisão bibliográfica

Libânio e Carballo

2022

A4

Ocorrência de Síndrome de Burnout em profissionais da saúde no Brasil

Costa et al

2020

A5

Mapeamento dos determinantes causadores de Burnout nos profissionais de saúde no contexto da Covid-19

Tonole et al

2022

A6

Síndrome de Burnout em profissionais da área da saúde: uma revisão integrativa da literatura

Tibola et al

2023

A7

Sobrecarga de trabalho e estresse: relato sobre um grupo de apoio à saúde do trabalhador

Ferreira e Anderson

2020

A8

Burnout em profissionais de saúde brasileiros na pandemia da Covid-19

Souza, Bezerra Tavares e Sombra Neto

2023

A9

Fatores que desencadeiam o desenvolvimento da síndrome de Burnout em profissionais da saúde nos serviços de urgência

Alves et al

2022

A10

Qualidade de vida e síndrome de Burnout nos profissionais de saúde da atenção básica

Hirschheiter et al.

2023

A11

"Infectando a mente": Burnout em profissionais de saúde da linha de frente de atendimento da Covid-19

Santos et al

2022

A12

Síndrome de Burnout em profissionais da saúde na pandemia Covid-19

Alberton et al

2022

A13

Prevalência da síndrome de Burnout entre profissionais de saúde que atuam em UTIs

Oliveira e Silva

2023

A14

Síndrome de Burnout e ansiedade em trabalhadores em saúde mental

Nascimento Filho, Fernandes Vital e Gonçalves de Oliveira

2021

Fonte: Elaborado pelos autores.

O estudo de Mattos et al. (2022) investiga a Síndrome de Burnout em 48 profissionais de saúde atuantes na linha de frente contra a Covid-19 em Minas Gerais. Utilizando a escala Oldenburg Burnout Inventory (OLBI), constatou-se que 54,2% apresentaram sinais da síndrome, com maior prevalência em mulheres. Apesar de não haver associações estatisticamente significativas, o estudo destaca a importância de políticas institucionais para mitigar os efeitos do estresse crônico na saúde mental dos colaboradores.

Pinheiro, Sbicigo e Remor (2020) analisam a relação entre empatia, estresse ocupacional e Burnout em 348 trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS). O estudo revela que a empatia e o estresse ocupacional influenciam significativamente os níveis de Burnout, com diferentes fatores atuando como preditores para níveis mais leves ou severos da síndrome. Os autores sugerem intervenções para reduzir estressores no trabalho e fortalecer as habilidades empáticas dos profissionais.

Libânio e Carballo (2022) apresentam uma revisão bibliográfica sobre a Síndrome de Burnout em profissionais da saúde, analisando publicações entre 2015 e 2021. O estudo aponta que cargas de trabalho elevadas, alta demanda de pacientes e plantões noturnos são fatores de risco. Ressalta-se a necessidade de ações preventivas que considerem os fatores biopsicossociais e as condições de trabalho para melhorar a saúde mental desses profissionais.

Costa et al. (2020) realizam uma revisão de literatura sobre a ocorrência de Burnout em profissionais de saúde no Brasil, analisando 19 estudos publicados entre 2011 e 2019. Os resultados mostram prevalências de Burnout variando de 2,7% a 58,3%, destacando o impacto de longas jornadas e intenso contato emocional no ambiente de trabalho. O estudo reforça a importância de conhecer a síndrome para implementar medidas preventivas e terapêuticas.

Tonole et al. (2022) realizam uma revisão de escopo sobre os determinantes de Burnout em profissionais de saúde no contexto da Covid-19. Os principais fatores encontrados incluem excesso de carga de trabalho, jornadas longas e medo de contaminação. Os autores defendem a criação de condições laborais salubres, programas educacionais e suporte psicológico para reduzir o impacto da pandemia na saúde mental dos profissionais.

O trabalho de Tibola et al. (2023) realiza uma revisão integrativa para compreender como a Síndrome de Burnout afeta a qualidade de vida dos profissionais da saúde. A pesquisa inclui 31 estudos e evidencia que o Burnout gera desgastes físicos e emocionais, prejudicando a qualidade de vida dos trabalhadores. O estudo destaca a necessidade de identificar os fatores causadores para promover intervenções efetivas.

Ferreira e Anderson (2020) relatam a experiência de um grupo terapêutico voltado para profissionais da Atenção Primária à Saúde no Rio de Janeiro, focado em reduzir o estresse e promover suporte mútuo. O grupo foi bem recebido e os participantes relataram diminuição do estresse e melhora no ambiente de trabalho, destacando o papel dessas iniciativas no enfrentamento da sobrecarga laboral.

Souza, Bezerra Tavares e Sombra Neto (2023) analisam a prevalência de Burnout em profissionais de saúde brasileiros durante a pandemia de Covid-19. A revisão integrativa revela níveis significativos de esgotamento profissional (31,6% a 65,5%), associados a sobrecarga de trabalho e preocupações com autocontaminação. O estudo reforça a necessidade de maior atenção ao adoecimento mental desses profissionais, especialmente em situações de crise.

Alves et al. (2022) investigam os fatores desencadeadores do Burnout em profissionais da saúde atuantes em serviços de urgência. A revisão integrativa aponta que cargas horárias excessivas, ambientes estressantes e falta de reconhecimento são fatores críticos. O estudo sugere que o trabalho em emergências cria condições favoráveis ao desenvolvimento da síndrome, demandando estratégias específicas de enfrentamento.

Hirschheiter et al. (2023) avaliam a qualidade de vida e o nível de esgotamento físico em profissionais da Atenção Básica de Serra Talhada, PE. O estudo transversal revelou que metade dos participantes apresentava alto nível de exaustão e despersonalização, e todos manifestaram insatisfação com o trabalho. Os autores associam esses resultados à pandemia de Covid-19, destacando a importância de medidas para melhorar o bem-estar no trabalho.

A pesquisa de Santos et al. (2022) sistematiza evidências sobre Burnout em profissionais da linha de frente da Covid-19 no Brasil. A revisão destaca altos níveis de estresse, fadiga e ansiedade, associados a condições de trabalho adversas durante a pandemia. Os autores sugerem a necessidade de pesquisas sobre estratégias para melhorar o bem-estar desses profissionais e lidar com o esgotamento mental.

Alberton et al. (2022) apresentam uma revisão sistemática sobre Burnout em profissionais da linha de frente da Covid-19 no Brasil. A pesquisa identificou desgaste físico e emocional, com prevalência significativa da síndrome entre os trabalhadores. O estudo enfatiza a urgência de estratégias para manejar os impactos do estresse no ambiente laboral.

Oliveira e Silva (2023) avaliam a prevalência de Burnout em profissionais de saúde que atuam em UTIs. Com base em questionários aplicados a 43 profissionais, os resultados mostram que 40% apresentaram níveis médios da síndrome, sendo a falta de realização profissional o aspecto mais frequente. O estudo destaca a necessidade de abordar questões como jornadas duplas e sintomas físicos associados à síndrome.

O estudo conduzido por Nascimento Filho, Fernandes Vital e Gonçalves de Oliveira (2021) analisa a relação entre Burnout e ansiedade em trabalhadores de um hospital psiquiátrico. A pesquisa transversal com 142 participantes encontrou altas taxas de Burnout e ansiedade, evidenciando a necessidade de estratégias para melhorar a saúde mental e o bem-estar emocional desses profissionais.

A análise dos artigos selecionados permitiu identificar a diversidade metodológica adotada nos estudos sobre a Síndrome de Burnout entre profissionais de saúde. O Gráfico 1, a seguir, apresenta a distribuição das metodologias empregadas, destacando-se o predomínio de estudos transversais quantitativos (4 artigos) e revisões integrativas (3 artigos). Evidenciando-se a ampla utilização de abordagens quantitativas e revisões teóricas.

Gráfico 1: Quantidade de artigos por tipo de metodologia.

Gráfico 1, Elemento de gráfico
Fonte: Elaboração própria.

De maneira geral, os resultados reafirmam a relevância da Síndrome de Burnout como um problema significativo no contexto da saúde pública, especialmente entre os profissionais da saúde. Os estudos analisados apontam que os fatores mais prevalentes associados ao desenvolvimento da síndrome incluem a carga horária excessiva, o estresse crônico no ambiente de trabalho, a falta de suporte institucional e as pressões emocionais intensas enfrentadas diariamente. Além disso, o impacto da pandemia de Covid-19 amplificou esses fatores, evidenciando ainda mais a vulnerabilidade dessa categoria profissional.

Entre os principais aspectos identificados, destaca-se a relação entre sobrecarregamento laboral e altos índices de exaustão emocional, despersonalização e falta de realização profissional, dimensões que configuram o Burnout segundo o modelo Maslach. Diversos estudos, como A8 e A11, mostram que a atuação na linha de frente durante a pandemia intensificou os desafios, gerando preocupações com autocontaminação, jornadas de trabalho prolongadas e um elevado nível de estresse.

Por outro lado, revisões como A5 e A6 destacam que intervenções estruturadas podem ser eficazes na mitigação dos impactos do Burnout. Entre as estratégias mencionadas estão a redução da carga horária, a implantação de programas de suporte psicológico e a valorização profissional por meio de políticas institucionais que garantam condições adequadas de trabalho. Adicionalmente, a adoção de grupos terapêuticos, conforme relatado por A7, apresentou resultados promissores no alívio do estresse e no fortalecimento da resiliência emocional dos trabalhadores.

Outro ponto importante é a necessidade de suporte emocional contínuo e treinamento em gestão de estresse, que podem preparar os profissionais para lidar melhor com as demandas diárias, conforme sugere A2. A implementação de estratégias como programas educacionais sobre saúde mental e condições laborais salubres também é essencial para prevenir a síndrome.

Embora os estudos incluídos apresentem avanços importantes, alguns apontam limitações, como amostras reduzidas (por exemplo, A10) ou a escassez de pesquisas específicas em determinadas áreas, como a saúde mental de trabalhadores em UTIs e serviços de emergência (A13; A9). Assim, torna-se fundamental ampliar as investigações para cobrir lacunas e propor intervenções mais abrangentes.

Conclui-se que, apesar de existirem estratégias eficazes para mitigar os impactos do Burnout, a prevenção da síndrome requer esforços integrados entre políticas institucionais, apoio governamental e iniciativas individuais dos profissionais de saúde. Apenas por meio de um trabalho conjunto será possível melhorar o bem-estar desses trabalhadores e, consequentemente, a qualidade dos serviços de saúde prestados.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão analisou as principais características, fatores associados e estratégias de enfrentamento da Síndrome de Burnout entre profissionais da saúde no período de 2020 a 2024. Os resultados destacam que essa síndrome permanece como um problema significativo no contexto laboral, especialmente em razão das exigências intensificadas pela pandemia de COVID-19.

Os fatores mais prevalentes incluem carga horária excessiva, elevado nível de pressão emocional, ausência de suporte institucional adequado e condições adversas de trabalho. Esses elementos não apenas comprometem a saúde física e mental dos profissionais, mas também impactam diretamente a qualidade do atendimento prestado aos pacientes e a sustentabilidade dos sistemas de saúde.

As estratégias identificadas na literatura sugerem que intervenções integradas podem minimizar os efeitos do Burnout. Entre as práticas mais promissoras estão a implementação de programas de suporte psicológico, a redução da carga horária, a criação de condições laborais mais salubres e a valorização profissional. Ademais, a formação em gestão de estresse e o fortalecimento das habilidades interpessoais, como a empatia, são apontados como abordagens complementares importantes.

No entanto, a análise também revelou limitações nos estudos incluídos, como a restrição de amostras e a escassez de investigações aprofundadas em contextos específicos, como unidades de terapia intensiva e serviços de emergência. Essas lacunas evidenciam a necessidade de pesquisas futuras mais abrangentes e diversificadas, que considerem diferentes contextos laborais, perspectivas interdisciplinares e metodologias robustas.

Conclui-se que a prevenção e o enfrentamento da Síndrome de Burnout requerem esforços coordenados entre os profissionais, instituições de saúde e políticas públicas. Apenas com intervenções estruturadas, suporte contínuo e promoção de condições de trabalho adequadas será possível melhorar o bem-estar dos profissionais de saúde e, consequentemente, a qualidade dos serviços prestados à sociedade. Este estudo busca, assim, contribuir para o debate acadêmico e prático, ao sintetizar evidências que podem subsidiar novas políticas e intervenções voltadas à promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.

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1 Doutor em Business Administration. Logos University International (UNILOGOS). E-mail: [email protected].

2 Doutora em Saúde Interdisciplinaridade e Reabilitação. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E-mail: [email protected].

3 Especialista em Suicidologia. Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). E-mail: [email protected].