REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779813400
RESUMO
A saúde mental de médicos veterinários é um tema de crescente interesse devido às particularidades da profissão, que envolvem alta carga emocional, exposição constante a situações de sofrimento animal, pressões éticas e demandas intensas de trabalho. Este estudo parte do questionamento: Como se apresenta na literatura científica a temática da saúde mental de médicos veterinários? Tendo como objetivos revisar através de uma revisão integrativa da literatura recente sobre a saúde mental dos profissionais médicos em medicina veterinária, destacando fatores de risco, a prevalência de distúrbios psicológicos e as intervenções aplicadas para promover o bem-estar; bem como, discutir os desafios de saúde mental enfrentados por esses profissionais e quais fatores podem levar a esses problemas, além de possíveis abordagens de prevenção e apoio que podem ser adotadas para mitigar o problema e melhorar seu bem-estar psicológico. A busca de literatura foi realizada em bases de dados confiáveis, através de descritores em artigos publicados nos anos de 2023 a 2025. Tendo como resultados, o reconhecimento dos muitos problemas e a busca de métodos de intervenção podem ajudar todos os membros da nossa sociedade. Além disso, são discutidas estratégias de enfrentamento adotadas pelos veterinários e a importância de políticas institucionais para promover a saúde mental no ambiente de trabalho. Conclui-se que a valorização do suporte psicológico, o desenvolvimento de programas de prevenção e a criação de redes de apoio são essenciais para melhorar a qualidade de vida desses profissionais, garantindo sua saúde mental e, consequentemente, a excelência no cuidado animal.
Palavras-chave: Saúde Mental; Médicos; Medicina Veterinária.
ABSTRACT
The mental health of veterinarians is a topic of growing interest due to the particularities of the profession, which involve high emotional load, constant exposure to situations of animal suffering, ethical pressures and intense work demands. This study starts from the question: How is the theme of mental health of veterinarians presented in the scientific literature? Objectively, to review through an integrative review of the recent literature on the mental health of medical professionals in veterinary medicine, highlighting risk factors, the prevalence of psychological disorders and the interventions applied to promote well-being; as well as, discuss the mental health challenges faced by these professionals and what factors can lead to these problems, as well as possible prevention and support approaches that can be adopted to mitigate the problem and improve their psychological well-being. The literature search was carried out in reliable databases, through descriptors in articles published in the years 2023 to 2025. As a result, the recognition of the many problems and the search for methods of intervention can help all members of our society. In addition, coping strategies adopted by veterinarians and the importance of institutional policies to promote mental health in the workplace are discussed. It is concluded that valuing psychological support, developing prevention programs and creating support networks are essential to improve the quality of life of these professionals, ensuring their mental health and, consequently, excellence in animal care.
Keywords: Mental Health; Doctors; Veterinary Medicine.
1. INTRODUÇÃO
Cada vez mais importante, a saúde mental dos profissionais de medicina veterinária é uma questão de preocupação, especialmente à medida que a demanda por serviços veterinários cresce. Os profissionais em medicina veterinária enfrentam desafios físicos e emocionais intensos diariamente devido às especificidades da profissão, que envolvem a responsabilidade pela saúde e bem-estar dos animais. A constante interação com situações de sofrimento e morte, além da necessidade de realizar procedimentos difíceis, combinada com a pressão de um mercado de trabalho competitivo e longas jornadas de trabalho, cria um ambiente propício ao desenvolvimento de distúrbios emocionais (Bartram, 2022; Nett, 2020).
Embora a saúde física da categoria seja amplamente estudada, a saúde mental ainda constitui uma área que demanda maior atenção, dados os crescentes relatos de ansiedade, depressão, burnout e suicídio entre veterinários (Russi; Silva; Pereira, 2021). Há também um estigma cultural que limita a busca por apoio psicológico, dificultando a implementação de estratégias preventivas (Newton, 2021).
A justificativa para o tema da presente pesquisa dar-se devido às características e desafios distintos associados à profissão veterinária, a saúde mental dos profissionais de medicina veterinária é uma questão vital de considerável importância no âmbito da saúde ocupacional. No entanto, apesar de sua importância, existem poucos estudos abrangentes abordando a saúde mental de veterinários do Brasil e de outros lugares, o que está obstruindo o desenvolvimento de políticas e estratégias para prevenir e otimizar o bem-estar mental dessa população. Com base nisso, a pesquisa sobre a saúde mental veterinária é importante para avaliar os principais fatores de risco, compreender quais são as demandas da categoria e recomendar intervenções terapêuticas relevantes para promover uma qualidade de vida positiva no contexto profissional.
Dada essa situação preocupante, é essencial que os profissionais médicos em medicina veterinária sejam considerados em sua totalidade em relação à sua saúde mental. Sendo assim, buscou-se como questão norteadora para o presente estudo, respostas para o seguinte questionamento: “Como se apresenta na literatura científica a temática da saúde mental de médicos veterinários?”
Este trabalho tem como objetivo geral realizar uma revisão integrativa da literatura recente sobre a saúde mental dos profissionais médicos em medicina veterinária, destacando fatores de risco, a prevalência de distúrbios psicológicos e as intervenções aplicadas para promover o bem-estar; bem como, discutir os desafios de saúde mental enfrentados por esses profissionais e quais fatores podem levar a esses problemas, além de possíveis abordagens de prevenção e apoio que podem ser adotadas para mitigar o problema e melhorar seu bem-estar psicológico.
Para tal, utilizou-se como metodologia para a realização deste, a revisão integrativa com a busca de literatura realizada em bases de dados confiáveis, através de descritores em artigos publicados nos anos de 2023 a 2025. Tendo como resultados, o reconhecimento dos muitos problemas e a busca de métodos de intervenção podem ajudar todos os membros da nossa sociedade. Acredita-se que isso promoverá mais conscientização e criará um ambiente de trabalho mais saudável na medicina veterinária.
A pesquisa sugere que os veterinários são vulneráveis a sentimentos como alto estresse, por exemplo, fadiga, ansiedade, o que pode afetar seriamente a própria saúde e bem-estar do corpo; e até mesmo, em certa medida, o padrão de cuidado que os profissionais veterinários oferecem. Sendo importante investir na saúde mental desses profissionais é fundamental para assegurar não apenas o bem-estar individual, mas também a qualidade dos serviços prestados e a sustentabilidade da profissão.
2. MEDICINA VETERINÁRIA E SAÚDE MENTAL: UM BREVE COMENTÁRIO SOBRE AS CAUSAS E OS DESAFIOS
2.1. Desafios de Saúde Mental na Medicina Veterinária
A saúde mental dos profissionais de medicina veterinária tem recebido crescente atenção nas últimas décadas, face ao aumento da demanda por cuidados veterinários e à complexidade emocional inerente à profissão. Veterinários enfrentam desafios singulares que podem impactar significativamente sua saúde mental e emocional (Bartram & Baldwin, 2010; Nett, 2015). A seguir, destacam-se alguns dos principais desafios:
estresse e Ansiedade
O estresse e a ansiedade são prevalentes entre veterinários, decorrentes das longas jornadas de trabalho, horários irregulares e a necessidade constante de decisões rápidas e críticas, frequentemente em contextos de alta pressão (Morrison, 2019 p. 8). Além disso, a preocupação constante com o bem-estar animal e as exigências de proprietários e da sociedade podem intensificar sintomas ansiosos (Kipperman, 2018 p. 12). Estudos demonstram que esta combinação pode instaurar um ciclo vicioso, onde o estresse compromete não apenas a saúde mental do profissional, mas também a qualidade do atendimento aos pacientes (Morrison, 2019).
esgotamento e Exaustão Profissional (Burnout)
O burnout é caracterizado pela exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização pessoal no trabalho (Maslach & Leiter, 2016 p. 109). Na medicina veterinária, a intensidade emocional do trabalho, incluindo procedimentos como a eutanásia — contribui muito para esse esgotamento (Bartram, 2022 p. 14). Pesquisas indicam que uma proporção significativa de veterinários apresenta sintomas de burnout, afetando sua saúde física e emocional, suas relações interpessoais e seu desempenho profissional (Maslach & Leiter, 2022).
desafios relacionados à perda de animais
A perda de pacientes é uma constante na medicina veterinária, representando um impacto emocional prolongado (Sansone, 2018 p. 13). Veterinários muitas vezes compartilham a dor dos proprietários e precisam gerir suas próprias emoções diante do luto, o que pode gerar sentimentos de impotência, tristeza e sofrimento emocional (Kramer, 2018 p. 134). A pressão para manter desempenho elevado mesmo em situações emocionalmente desgastantes pode agravar esses efeitos (Nett., 2015).
2.2. Questões de Saúde Mental: Causas
Diversos fatores contribuem para a vulnerabilidade dos profissionais veterinários a transtornos mentais. Reconhecer esses fatores favorece a criação de estratégias efetivas de prevenção e suporte (Weston, 2020).
carga de trabalho excessiva
Altas cargas de trabalho e jornadas extensas são uma das principais causas de adoecimento mental na profissão (Morrison, 2019 p. 187). Atender um volume grande de pacientes, a escassez de pessoal de apoio e o funcionamento em turnos de emergência, muitas vezes além do horário comercial, mantém os profissionais sob pressão constante (Kipperman, 2018 p. 345), elevando o risco de burnout e ansiedade.
falta de Apoio Social
Aquele isolamento profissional, inerente à prática veterinária, dificulta o compartilhamento de emoções e o pedido de ajuda. A competitividade e a cultura de resiliência podem aumentar a sensação de solidão e estigmatizar a vulnerabilidade, retardando o acesso a redes de suporte adequadas (Rohlf, 2017 p. 183).
pressão e expectativas sociais
Veterinários estão submetidos à pressão para manter altos padrões de cuidado, muitas vezes sentindo-se insuficientes diante de resultados insatisfatórios (García, 2020 p. 52). O impacto emocional da dor e do luto dos proprietários, o medo de julgamento social e a responsabilidade ética colocam uma carga significativa sobre sua saúde psicológica (Kramer, 2018 p. 136). Essa combinação pode desencadear quadros de exaustão emocional e depressão.
3. METODOLOGIA
Este estudo utiliza uma revisão integrativa para explorar profundamente o impacto da saúde mental dos médicos veterinários. A revisão integrativa, conforme descrito por Souza (2020, p. 102), abrange uma ampla gama de metodologias de revisão, permitindo a síntese de estudos experimentais e não-experimentais para uma compreensão abrangente do tema. Essa abordagem facilita a combinação de dados teóricos e empíricos de múltiplas fontes, além de uma compreensão mais completa acerca da temática (Mendes, 2018).
As etapas incluíram: formulação da questão de pesquisa, busca bibliográfica (busca e coleta de dados), seleção dos estudos através dos critérios de inclusão e critérios de exclusão, análise crítica e síntese dos resultados.
3.1. Etapas do Estudo
formulação da questão de pesquisa
A fim de encaminhar o estudo, buscou-se responder à pergunta norteadora: “Como se apresenta na literatura científica a temática da saúde mental de médicos veterinários?”
busca bibliográfica (Coleta de dados)
Os dados foram buscados virtualmente pelas plataformas PubMed, sciELO e Google Acadêmico. Foi realizada uma busca dos últimos 3 anos, do período de 2023 a 2026, acerca da saúde mental de médicos veterinários. Seguindo as orientações dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH), sendo levantadas bibliografias utilizando os termos: “saúde mental”, “veterinária” e “médicos”, bem como suas variantes em língua espanhola e inglesa.
seleção dos estudos (Critérios de Inclusão e Critérios de Exclusão)
Os critérios para inclusão dos artigos foram: serem trabalhos originais, publicados entre os anos de 2023 a 2026 e possuírem as palavras “saúde mental”, “veterinária” e “médicos” ou suas variantes em língua inglesa e espanhola. Os descritores utilizados foram escolhidos seguindo as diretrizes dos Descritores em Ciência da Saúde (DeCS). Como mostra o quadro 1, a quantidade de artigos encontrados com base nos critérios de inclusão.
De tal modo, foram empregadas para os critérios de exclusão: folhetim, notícias, artigos/trabalhos que não se encontravam no período dos últimos 3 anos, que não possuíam as palavras “saúde mental”, “veterinária” e “médicos” em conjunto, que não estivessem disponíveis de forma completa e artigos/trabalhos sobre outros temas. Inicialmente, foram analisados apenas os títulos e os respectivos resumos dos artigos encontrados, a fim de identificar se respondiam à pergunta norteadora previamente estabelecida. Conforme, o Quadro 1 evidencia todos os artigos encontrados nas plataformas buscadas, antes da aplicação dos critérios de inclusão e exclusão.
Quadro 1 – Estratégia de busca e artigos encontrados por base de dados
Base de dados | Palavras-chave | Artigos encontrados |
PubMed | “mental health” AND “veterinary professionals” AND “doctors” | 7 |
SciELO | “mental health” AND “veterinary professionals” AND “doctors” | 9 |
Google Acadêmico | “mental health” AND “veterinary professionals” AND “doctors” | 11 |
Fonte: Elaborado pela autora, 2026
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Através da busca eletrônica realizada em três plataformas de dados (PubMed, sciELO, e Google Acadêmico), foram alcançados 27 trabalhos, onde apenas 8 (oito) foram incluídos na pesquisa com base nos critérios de inclusão e exclusão aplicados e já mencionados. A figura 1 explica como transcorreu a seleção dos artigos:
Figura 1 – Diagrama de fluxo para seleção de artigos nas diferentes fases de revisão
Abaixo serão listados, no Quadro 2, os artigos que compõem a amostra deste estudo:
Quadro 2 – Artigos selecionados como amostra do estudo
Autor/ano publicação | Título do artigo | Objetivos | Resultados/Conclusões |
DE ASSIS AGUIAR, A. N.; 2023 | Avaliação da autopercepção de saúde mental do médico veterinário do estado de Minas Gerais | Avaliar a autopercepção de saúde mental do profissional médico veterinário do estado de Minas Gerais, verificando a existência de diferenças entre as áreas de atuação. | Destaca-se a importância da elaboração de políticas para motivar a participação desses profissionais em pesquisas como essas, para auxiliar na construção melhora de condições como: ambiente de trabalho, valorização profissional, renda mensal, evitando o desgaste mental, insônia, dores de cabeça, uso de medicações psicoativas, tensão e sentimentos de inutilidade, que influenciaram na saúde mental destes profissionais. |
GRESELE, B. S.; 2024 | Fatores de risco para saúde mental de médicos veterinários clínicos | Investigar os fatores de risco para a saúde mental de veterinários de pequenos animais no Brasil. | Constatou-se que os veterinários com maiores taxas de síndrome de burnout, fadiga por compaixão e ideação suicida são mulheres, jovens, sem especialização e que atuam na área de clínica geral. |
LEITE, A. K. B; PEIXOTO, V. H. V. da C.; DE ABREU, A. D.; 2024 | Síndrome Burnout Em Médicos Veterinários No Brasil | Abranger sobre os principais fatores que influenciam para o surgimento da Síndrome de Burnout nos profissionais veterinários e a partir dessa perspectiva transmitir a importância e fidedignidade de uma prática médica veterinária mais humanizada, responsável e atenta às questões de saúde mental; | Explanação da condição especificamente na Medicina Veterinária, apresentando os fatores de maior relevância para o acometimento da condição em profissionais veterinários, na intenção de adquirir melhores perspectivas preventivas para esse problema de saúde pública. |
DOS SANTOS, B. A.; 2024 | Entretenipet: Projeto do grupo PET Medicina Veterinária voltado para a promoção da saúde mental | Mostrar a relevância de medidas que possam minimizar a pressão induzida pelas responsabilidades da área da saúde, através do “EntreteniPET”, um projeto criado pelo grupo PET Medicina Veterinária, que busca por meio de suas atividades “Clube do livro” e “CinePET”, incentivar a reflexão social através da leitura com temas atuais, como também proporcionar momentos de lazer e descontração. | É notória a necessidade dos alunos de graduação em cuidar da saúde mental e realizar atividades que promovam o bem-estar e as interações interpessoais, como foi realizado pelo projeto EntreteniPET desenvolvido pelo grupo PET Medicina Veterinária da UFRRJ, pode determinar emoções positivas entre os discentes, reduzindo os níveis de ansiedade e proporcionando um ambiente acadêmico mais saudável. |
PINTO, L. S.; 2024 | Saúde mental na prática de médicos veterinários: uma revisão integrativa | Analisar a forma com a qual a saúde mental, na prática de médicos veterinários, é explorada e abordada por autores nos últimos 10 anos e a importância da busca por suporte profissional nessa área. | A pesquisa também contribui para a academia, sugerindo a implementação de disciplinas focadas no preparo mental e a criação de departamentos de apoio nas universidades, visando uma formação equilibrada dos futuros profissionais e fortalecendo as pesquisas locais. |
DE JESUS PAULISTA, A.; DE PAULA, L. A. O.; 2024 | Fatores intrínsecos e extrínsecos que interferem na saúde mental de médicos veterinários | Avaliar fatores que podem afetar a saúde mental de médicos veterinários atuantes em Ponta Grossa-PR e na região dos Campos Gerais; | Destaca-se a importância de implementar medidas de cuidado com a saúde mental e emocional dos veterinários, além de buscar um equilíbrio entre vida profissional e pessoal, a fim de garantir seu bem-estar e qualidade de vida. |
TEIXEIRA, E. S.; 2025 | Saúde mental de profissionais na área da medicina veterinária | Analisar os impactos da saúde mental na atuação do médico veterinário, especialmente diante do aumento da demanda no mercado pet, e discutir os principais fatores relacionados à síndrome de Burnout, esgotamento emocional e risco de suicídio na profissão; | A pesquisa ressalta a necessidade urgente de apoio psicológico, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e políticas de bem-estar voltadas à categoria. |
Fonte: A autora, 2026
Mediante a amostra da pesquisa, a saúde mental dos profissionais da medicina veterinária necessita de estratégias de prevenção e apoio dada a urgência em tratar da saúde mental veterinária, diversas abordagens preventivas e terapêuticas vêm sendo propostas e implementadas (Weston, 2020). A seguir, elencamos algumas estratégias de prevenção e apoio:
4.1. Estratégias de Prevenção e Apoio
4.1.1. Programas de Bem-estar nas Instituições
É consenso entre os autores pesquisados a integração de programas de promoção do bem-estar psíquico em ambientes de trabalho; e tem mostrado benefícios, com atividades que incluem exercícios físicos e técnicas de relaxamento (Teixeira, 2025). Segundo o autor, criar uma cultura organizacional que valorize o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é fundamental para reduzir o estresse crônico (Teixeira, 2025).
Diante desse contexto, a implementação de Programas de bem-estar nos ambientes de trabalho veterinários se mostra fundamental. Tais programas devem contemplar estratégias de promoção à saúde mental, com foco na prevenção do Burnout e na oferta de suporte psicológico acessível e contínuo. Além disso, a promoção do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional deve ser priorizada, por meio de políticas que incentivem jornadas de trabalho adequadas, momentos de descanso e atividades que promovam a resiliência emocional (Pinto, 2024).
A integração de tecnologias voltadas à redução do estresse, como aplicativos de meditação, plataformas para acompanhamento psicológico online e ferramentas de gestão de tempo, também pode contribuir significativamente para o bem-estar dos veterinários. Contudo, essas iniciativas precisam ser acompanhadas de uma mudança cultural institucional, que valorize a saúde mental como parte integrante da formação e da prática profissional (De Jesus Paulista; De Paula (2024).
De acordo com a literatura lida, cabe ressaltar que a eficácia dos Programas de bem-estar depende da participação ativa dos próprios profissionais e da sensibilização dos gestores quanto à importância dessa pauta. Investir na saúde mental dos médicos veterinários não apenas protege os indivíduos, mas também fortalece a profissão, garantindo atendimento de qualidade e sustentabilidade no âmbito do mercado pet e da medicina veterinária em geral (De Assis Aguiar, 2023).
4.1.2. Acesso a Terapia e Aconselhamento
A oferta de serviços psicológicos acessíveis para veterinários é essencial. A terapia permite que o profissional reconheça, expresse e processe suas emoções e dificuldades. Difundir a ideia de que buscar ajuda é um ato de coragem e cuidado pessoal ajuda a diminuir o estigma associado (Dos Santos, 2024).
Segundo os autores lidos nesta pesquisa evidenciam que o acesso a serviços de terapia e aconselhamento psicológico constitui um elemento fundamental para a preservação da saúde mental dos profissionais da medicina veterinária. No entanto, observa-se através da literatura lida que, grande parte dos profissionais da medicina veterinária têm dificuldades significativas em acessar esses recursos, o que potencializa o risco de agravamento dos sintomas relacionados ao estresse ocupacional, ansiedade e burnout, condições frequentemente associadas à prática veterinária (Dos Santos; Rafaine, 2024).
Essa barreira ao acesso pode ser compreendida a partir de múltiplos fatores, entre eles o estigma ainda vigente em torno da saúde mental, a sobrecarga de trabalho que limita o tempo disponível para cuidados pessoais, bem como a escassez de serviços especializados direcionados às demandas específicas desses profissionais (Gresele, 2024). A cultura da profissão veterinária, que frequentemente valoriza a resiliência e a capacidade de autossuficiência, pode contribuir para que os indivíduos posterguem a busca por apoio psicológico, mesmo diante de sinais claros de sofrimento emocional (Leite; Peixoto; De Abreu, 2024).
Além disso, a ausência de políticas institucionais eficazes que promovam o suporte psicológico no ambiente de trabalho ressalta um gap relevante na estrutura organizacional dos serviços veterinários. A implementação de programas internos de aconselhamento, com atendimento confidencial e facilitado, poderia propiciar a identificação precoce das necessidades emocionais, possibilitando intervenções preventivas e suporte contínuo, resultando em benefícios tanto para o bem-estar individual quanto para a qualidade da atenção veterinária prestada (De Assis Aguiar, 2023).
Outro aspecto importante, de acordo com os autores lidos refere-se à necessidade de iniciativas educativas voltadas à sensibilização sobre a importância da saúde mental, tanto em cursos de formação quanto em ambientes profissionais. A capacitação para o reconhecimento de sinais de sofrimento psicológico e o incentivo à busca por ajuda são estratégias que podem contribuir para diminuir o estigma e aumentar a adesão a tratamentos terapêuticos (Dos Santos, 2024).
Em síntese, os resultados indicam que o acesso facilitado e desestigmatizado a serviços de terapia e aconselhamento é um componente imprescindível para a promoção da saúde mental dos médicos veterinários. Dessa forma, a articulação entre políticas institucionais, mudança cultural e oferta qualificada de serviços deve ser priorizada para constituir um ambiente profissional mais saudável e sustentável (Leite; Peixoto; De Abreu, 2024).
4.1.3. Redes de Apoio Entre Profissionais e a Promoção da Saúde Mental
Grupos de apoio e redes informais entre profissionais promovem resiliência, empatia e compartilhamento de estratégias para lidar com a pressão da profissão. Esses espaços fortalecem o senso de comunidade e pertencimento, reduzindo o isolamento e melhorando a saúde mental coletiva (Dos Santos, 2024).
De acordo com os autores que compõem a amostra deste estudo, a saúde mental dos profissionais da medicina veterinária tem sido objeto de crescente atenção acadêmica e institucional, em virtude das particularidades emocionais e psicológicas associadas à prática clínica veterinária. Estudos indicam que esses profissionais estão suscetíveis a elevados níveis de estresse, burnout e ideação suicida, fatores que comprometem não somente seu bem-estar pessoal, mas também a qualidade do atendimento oferecido (De Jesus Paulista; De Paula, 2024).
Nessa perspectiva, as redes de apoio entre profissionais englobam um mecanismo crucial para a promoção da resiliência e a mitigação dos impactos negativos dessa realidade. Uma vez em que estas são entendidas como sistemas de suporte social que envolvem relações interpessoais de confiança, empatia e colaboração, exercem papel fundamental no enfrentamento dos desafios psíquicos enfrentados por veterinários. A complexidade do cotidiano veterinário, que inclui lidar com animais em sofrimento, pressão por resultados, exigências emocionais dos tutores e dilemas éticos frequentes pode levar a sentimentos de isolamento e sobrecarga emocional, fenômenos atenuados quando há forte suporte profissional (Dos Santos, 2024; Teixeira, 2025).
As evidências reforçam que a existência de redes estruturadas, tais como grupos de discussão, mentorias e encontros periódicos entre profissionais, contribui significativamente para reduzir o estresse ocupacional. Tais espaços permitem a expressão de emoções, o compartilhamento de experiências, o fomento à solidariedade entre profissionais. Ademais, as redes facilitam a disseminação de informações sobre recursos de apoio formal, incluindo serviços psicológicos e programas de assistência ao profissional, o que amplia o acesso ao cuidado adequado (Gresele, 2024).
Em suma, é consenso entre a literatura em estudo que, as redes de apoio entre profissionais da medicina veterinária constituem um recurso essencial para promover a saúde mental, sendo imprescindível que sua formação e manutenção sejam incentivadas e incorporadas às práticas organizacionais, potencializando a resiliência e prevenindo o adoecimento psíquico.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A complexidade da saúde mental dos profissionais da medicina veterinária está relacionada à natureza das tarefas diárias e ao contexto organizacional disfuncional em muitos locais de trabalho. As amostras do presente estudo revelam que, além dos fatores externos, há barreiras internas e culturais que impedem o cuidado psicológico. Este artigo explorou desafios centrais, além dos fatores que amplificam esses problemas, como carga excessiva de trabalho e pressões externas. Empregadores devem implementar estratégias de prevenção e apoio, incluindo programas de bem-estar, tratamento psicológico e redes de suporte, visando um ambiente de trabalho sustentável e saudável.
Evidenciou-se que os profissionais da medicina veterinária possuem alta vulnerabilidade a transtornos psicológicos decorrentes de fatores ocupacionais intrínsecos à profissão. Esta revisão integrativa evidencia a necessidade premente de implementação de políticas de saúde mental, programas de apoio psicológico e a valorização da cultura do autocuidado.
Investir na saúde mental desses profissionais é fundamental para assegurar não apenas o bem-estar individual, mas também a qualidade dos serviços prestados e a sustentabilidade da profissão. Uma abordagem integrada entre gestores e profissionais da saúde pública é vital para garantir que profissionais da medicina veterinária possam exercer suas funções com saúde emocional e comprometimento, refletindo em cuidados de qualidade para os animais e satisfação dos proprietários.
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Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, apresentado à disciplina de metodologia do trabalho científico do Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Medicina Veterinária. Orientadora: Ma. Liana Dantas da Costa e Silva Barbosa.