REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/788491694
RESUMO
A criação do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS) foi marco na forma de pensar a Vigilância Sanitária (VISA) no Brasil. Este trabalho é um mapeamento da estruturação e atuação do Programa e um estudo sobre a sua contribuição na formação acadêmica e profissional dos seus egressos para o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). Faz parte do estudo, identificar o perfil desses egressos e fazer um levantamento da produção dos mesmos. Para isso, foi realizada a aplicação de um questionário aos egressos do Programa, um levantamento bibliográfico no acervo da biblioteca do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), nos arquivos da secretaria da Pós-Graduação, assim como pesquisas na Plataforma Lattes, em busca dos currículos dos egressos do PPGVS. Esse é um Programa único para formação de profissionais da área em nível stricto sensu e a mensuração de sua qualidade, segundo os egressos, é importante para a verificação da atividade do mesmo e sua contribuição para o cenário profissional e acadêmico do SNVS. Em 15 anos o PPGVS formou 299 egressos, que produziram diversos trabalhos e desempenharam várias atividades na área, como: Publicações Científicas; Produções Técnicas; Inovações Tecnológicas; Cursos Ministrados; Outras Publicações e Publicações Acadêmicas. A abrangência do PPGVS o torna um Programa inclusivo que forma profissionais e/ou pesquisadores capacitados a suprir as necessidades em VISA existentes em todos os campos do conhecimento, contribuindo para a capacitação, especialização e profissionalização da área dentro do SNVS.
Palavras-chave: Pós-Graduação em Vigilância Sanitária; Egressos; Formação Profissional em Vigilância Sanitária.
ABSTRACT
The creation of the Post-Graduation Program in Sanitary Surveillance (PPGVS) was a milestone in the way of thinking about Sanitary Surveillance (VISA) in Brazil. This work is a mapping of the structuring and performance of the Program and a study about its contribution in the academic and professional training of its graduates to the National Health Surveillance System (SNVS). It is part of the study, to identify the profile of these graduates and to make a survey of their production. For that, a questionnaire was applied to graduates of the Program, a bibliographical survey in the collection of the library of the National Institute of Quality Control in Health (INCQS), in the archives of the postgraduate secretariat and in the state of the art of the area , as well as researches in the Lattes Platform, in search of the curricula of the PPGVS graduates. This is a unique program for the training of professionals in the area at stricto sensu level and the measurement of their quality according to the graduates is important for the verification of the activity of the same and their contribution to the professional and academic scenario of the SNVS. In 15 years the PPGVS formed 299 graduates, who produced several works and performed various activities in the area, such as: Activities Performed; Scientific publications; Technical Productions; Technological Innovations; Courses taught; Other Publications and Academic Publications. The scope of the PPGVS makes it an inclusive program that enables trained professionals and / or researchers to meet existing VISA needs in all fields of knowledge, contributing to the training, specialization and professionalization of the area within SNVS.
Keywords: Post-graduation in Sanitary Surveillance; College education; Professional Training in Sanitary Surveillance.
1. INTRODUÇÃO
Na década de 1980 havia uma necessidade de afirmação da Vigilância Sanitária (Visa) na Saúde Coletiva. Neste cenário surgiram preocupações com a integração entre as ações de Visa nas esferas federal, estadual e municipal e com a capacitação dos trabalhadores da área. Nesta época a profissionalização dos trabalhadores de Visa era realizada por alguns cursos de atualização e especialização da área que aperfeiçoavam trabalhadores de estados e municípios (Costa, Fernandes, Pimenta, 2008).
Costa, Fernandes e Pimenta (2008) relataram que nos anos 90 essa necessidade de afirmação se tornou indispensável para a identidade dos trabalhadores da área. E com isso, os cursos de atualização e especialização existentes já não atendiam essa necessidade no âmbito da regulação em vigilância sanitária, o que acarretou maiores exigências técnico–científicas e políticas. Neste contexto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) resolveu investir na formação e qualificação de seus profissionais e no fomento de debates a respeito dos requisitos na formação desses profissionais.
Ao longo dos anos e com esse movimento da Anvisa, instituições ligadas a ela, como a Universidade de Brasília, a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal da Bahia e a Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz e, posteriormente, outras instituições formadoras desenvolveram e colocaram em prática cursos de especialização em Visa.
Os esforços no desenvolvimento de cursos na área apresentaram um significativo resultado da Visa no país, viabilizando avanços na organização e implementação dos serviços e fortalecendo a identidade desse profissional.
O Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) dentro do cenário de Visa no Brasil, além de manter-se atuante diretamente em atividades técnicas e de desenvolvimento científico, ampliou esse caráter institucional técnico-científico e de pesquisa, desenvolvendo ramificações para o campo do ensino originando o Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS).
Conforme a Resolução nº 10, de 09/11/2001, o PPGVS foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do INCQS, em 16 de abril de 2001, e credenciado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para os cursos de mestrado e doutorado acadêmicos, na área Interdisciplinar. A sua missão é promover o pensamento crítico em pesquisa e a formação humanística em ciência e tecnologia na área de Visa.
Como fruto de uma política de priorização do ensino e da pesquisa por parte do INCQS, o seu objetivo passou a ser, além de qualificar profissionais para funções especializadas relacionadas ao controle da qualidade e seus impactos sobre a saúde da população, formar especialistas, mestres e doutores na área.
O PPGVS apresenta um perfil multidisciplinar devido à abrangência da Vigilância Sanitária, que abarca vários campos de atuação. Sendo assim, é um programa aberto a graduados em diversas áreas do conhecimento. Seguindo esse mesmo raciocínio, o Programa foi inserido na área multidisciplinar da Capes, levando em consideração também o campo de atuação do INCQS, cujas atividades estão inseridas em diferentes áreas de concentração (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, 2001).
O Programa tem como objetivo formar profissionais, mestres e doutores, habilitados a assumir cargos de professores em instituições de ensino superior, de pesquisador em institutos de pesquisas e profissionais e agentes de Visa em diversas atividades relativas à área, baseando-os em conhecimentos teóricos/experimentais/laboratoriais. O Programa se propõe a oferecer aos alunos conhecimentos concretos que os capacitem a dominar o método científico, proporcionando além dos conhecimentos técnicos, uma formação humanística em Visa (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, 2002).
Inicialmente, o PPGVS, contou com os cursos Mestrado Acadêmico (MA) e Doutorado (DO) em Visa. Em 2006 foi credenciado o Mestrado Profissional (MP) no mesmo Programa. O PPGVS iniciou suas atividades direcionadas a duas linhas de pesquisa, vigentes até o presente momento: (1) Desenvolvimento e avaliação interdisciplinares dos produtos, serviços e ambientes vinculados à vigilância sanitária e (2) Avaliação de contaminantes, poluentes e resíduos, e seus impactos sobre a saúde da população.
Na atualidade o Programa subdivide-se em ensino lato sensu - oferecido nas modalidades de Especialização e Residência - e stricto sensu - oferecido nas modalidades de DO, MA e MP.
O PPGVS do INCQS foi uma iniciativa pioneira e ainda hoje é o único na modalidade stricto sensu em Visa no Brasil.
Em 2016, o Programa completou 15 anos. Pensando nessa trajetória surgiram algumas questões sobre sua atuação: quantos egressos foram formados pelo Programa? Esses egressos prosseguiram atuando na área da Visa? Até que ponto os conhecimentos adquiridos no curso foram de valia para a vida acadêmica ou profissional dos egressos? Que tipo de profissional o Programa formou? Qual a contribuição da produção acadêmica dos egressos para o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS)?
Pensando nestes questionamentos, a proposta deste estudo foi de identificar os egressos dos cursos stricto sensu do PPGVS do INCQS e mapear as áreas do conhecimento que compõe o público-alvo do Programa identificando a influência, relevância e contribuição do PPGVS para a formação acadêmica e profissional desses egressos, assim como resgatar a memória da Pós-Graduação nesses 15 anos de existência.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Vigilância Sanitária (Visa) é um campo da Saúde Pública caracterizado pela integração de diferentes áreas do conhecimento em torno da proteção da saúde da população. Sua constituição histórica no Brasil acompanha as mudanças ocorridas nas práticas sanitárias e na organização dos serviços de saúde, incorporando, ao longo do tempo, novas formas de compreender a regulação, a prevenção de riscos e a garantia do direito à saúde.
De acordo com Eduardo (1998), a Vigilância Sanitária tem suas origens vinculadas ao conceito de "polícia sanitária". Naquele contexto, suas ações envolviam a regulamentação do exercício profissional, o saneamento das cidades, a fiscalização de embarcações, cemitérios e estabelecimentos comerciais, especialmente aqueles relacionados à alimentação, buscando evitar a propagação de doenças. Com o passar do tempo, as transformações científicas, sociais e sanitárias ampliaram a abrangência desse campo, culminando na concepção expressa pela Lei Orgânica da Saúde, Lei nº 8.080/1990.
Tomando como referência essa legislação, Rozenfeld (2000) define a Vigilância Sanitária como o conjunto de ações destinadas a eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde, além de intervir nos problemas sanitários relacionados ao meio ambiente, à produção e circulação de bens e à prestação de serviços de interesse da saúde. Para Costa (2008), a Visa deve ser entendida como um campo de práticas inserido em uma concepção social da saúde. A autora destaca que a ampliação dos riscos sanitários em escala global, o fortalecimento da consciência sanitária e o reconhecimento da saúde como direito de cidadania contribuíram para ampliar a relevância de seus saberes e práticas. Dallari (2008), por sua vez, relaciona a Vigilância Sanitária à forma como a sociedade brasileira organiza o conhecimento e as intervenções voltadas aos impactos que produtos, serviços, tecnologias e alterações ambientais podem produzir sobre a saúde humana e o ambiente.
Essas diferentes contribuições permitem compreender a Vigilância Sanitária como uma área da Saúde Pública voltada à prevenção e à redução de riscos por meio de ações de regulação, monitoramento e fiscalização. Seu objeto de atuação é amplo e envolve uma diversidade de problemas sanitários que exigem a mobilização de conhecimentos oriundos de campos como as ciências biológicas, a química, a farmacologia, a epidemiologia, as engenharias, a administração, o planejamento, a biossegurança e a bioética.
A abrangência de suas atribuições confere à Visa um caráter eminentemente multidisciplinar. Além das atividades de controle e fiscalização, suas ações possuem importante dimensão educativa, voltada à orientação da população e dos profissionais de saúde sobre temas relacionados à prevenção de riscos e à proteção da saúde. Ao mesmo tempo, cabe à Vigilância Sanitária exercer o poder de polícia sanitária do Estado, por meio da fiscalização e da adoção de medidas destinadas a prevenir ou corrigir situações que possam comprometer a saúde coletiva.
2.1. Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e Formação Profissional
No Brasil, as ações de Vigilância Sanitária são desenvolvidas no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), que integra o Sistema Único de Saúde (SUS). Sua estrutura reúne instituições das esferas federal, estadual e municipal, organizadas de forma descentralizada e articulada para executar ações voltadas à prevenção e redução de riscos sanitários e ao controle de produtos e serviços de interesse da saúde (Portal, 2014).
Compõem o SNVS instituições como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os órgãos estaduais e municipais de Vigilância Sanitária, os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), entre outros organismos responsáveis pela implementação e coordenação das ações sanitárias no país (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, 2005).
Nesse conjunto de instituições, o INCQS desempenha papel estratégico ao desenvolver atividades técnico-científicas voltadas ao controle da qualidade de produtos e insumos que podem representar riscos à saúde. Como unidade da Fiocruz, atua tanto na produção científica quanto na realização de análises laboratoriais que subsidiam as ações do SNVS, contribuindo também para a geração e disseminação de conhecimentos na área.
A complexidade das atividades desenvolvidas pela Vigilância Sanitária evidencia a necessidade de profissionais qualificados para atuar nesse campo. Diferentemente de outras áreas, a Visa não possui uma graduação específica que conduza diretamente ao exercício profissional. Seus trabalhadores têm origens acadêmicas diversas e constroem sua especialização por meio de cursos de atualização, aperfeiçoamento, especialização e programas de pós-graduação.
Costa, Fernandes e Pimenta (2008) observam que, durante a década de 1980, o processo de consolidação da Vigilância Sanitária no campo da Saúde Coletiva esteve acompanhado por preocupações relacionadas à integração das ações realizadas nas diferentes esferas governamentais e à qualificação dos trabalhadores. Naquele período, a formação ocorria principalmente por meio de cursos de atualização e especialização direcionados aos profissionais dos estados e municípios.
Com o aumento das exigências técnicas, científicas e políticas observado na década de 1990, tornou-se evidente a necessidade de ampliar e aperfeiçoar os processos formativos. Os cursos então existentes já não eram suficientes para responder às novas demandas do setor, o que estimulou investimentos mais consistentes na qualificação profissional e aprofundou as discussões sobre as competências necessárias para atuar na área (Costa; Fernandes; Pimenta, 2008).
Nesse contexto, a formação de recursos humanos passou a ocupar posição estratégica para o fortalecimento da Vigilância Sanitária. Bernardo (2014) destaca a singularidade de um campo profissional composto por trabalhadores oriundos de diferentes áreas de formação, ressaltando a importância da pós-graduação para a constituição de uma base qualificada de especialistas. Além de aprofundar conhecimentos técnico-científicos, a pós-graduação favorece a formação de pesquisadores e a produção de conhecimentos capazes de responder às necessidades da área.
2.2. Interdisciplinaridade e Pós-Graduação em Vigilância Sanitária
O caráter multidisciplinar da Vigilância Sanitária também se reflete na organização de sua formação em nível de pós-graduação. Ao discutirem os programas interdisciplinares stricto sensu, Rubin-Oliveira e Franco (2015) destacam o processo de aproximação entre diferentes campos científicos, que possibilita a construção de conhecimentos para além dos limites tradicionalmente estabelecidos pelas disciplinas acadêmicas.
Essa perspectiva dialoga diretamente com a realidade da Vigilância Sanitária, uma vez que seus objetos de estudo e intervenção exigem a articulação de diferentes áreas do conhecimento. A interdisciplinaridade favorece o encontro entre distintos saberes profissionais e cria condições para a compreensão de problemas sanitários complexos, contribuindo para o desenvolvimento de novos conhecimentos, práticas, processos e tecnologias.
É nesse contexto que se insere o Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (PPGVS/INCQS). Criado em 2001, o programa resultou da ampliação das atividades de pesquisa e desenvolvimento científico realizadas pelo INCQS para o campo do ensino. Sua missão foi definida com o objetivo de promover o pensamento crítico em pesquisa e contribuir para uma formação humanística em ciência e tecnologia voltada à Vigilância Sanitária (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, 2001).
O perfil multidisciplinar do PPGVS está alinhado à própria natureza da Vigilância Sanitária, acolhendo profissionais graduados em diferentes áreas do conhecimento. Sua vinculação à área Interdisciplinar da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também reflete a diversidade de atividades desenvolvidas pelo INCQS e a necessidade de integrar distintos saberes na formação dos profissionais da área.
A proposta formativa do Programa busca conciliar sólida formação técnico-científica, domínio do método científico e formação humanística em Vigilância Sanitária. Com isso, pretende capacitar profissionais para o exercício da pesquisa, do ensino e das atividades técnicas, além de estimular o desenvolvimento de processos, produtos e metodologias voltados às demandas do campo (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, 2002).
Assim, a interdisciplinaridade não se apresenta apenas como uma característica da Vigilância Sanitária, mas também como um princípio estruturante da formação oferecida pelo PPGVS. Conforme destacam Rubin-Oliveira e Franco (2015), os programas interdisciplinares configuram espaços de produção de conhecimento capazes de ultrapassar fronteiras disciplinares. No caso da Vigilância Sanitária, essa característica permite reunir profissionais de diferentes trajetórias acadêmicas em torno de desafios comuns relacionados à proteção da saúde e à prevenção de riscos.
2.3. Avaliação da Pós-Graduação e Contribuição dos Egressos
A avaliação dos programas de pós-graduação constitui uma importante ferramenta para compreender sua qualidade, seu desenvolvimento e sua contribuição para a sociedade e para o avanço do conhecimento científico. Moreira, Hortale e Hartz (2004) destacam diferentes experiências de avaliação do ensino superior e da pós-graduação no Brasil, entre as quais se destaca o sistema conduzido pela Capes.
Sob a perspectiva institucional, a avaliação também pode ser compreendida como parte de um processo de diagnóstico organizacional. Almeida (2005, p. 53) define esse diagnóstico como um "processo sistematizado, com tempo e espaço definidos, de avaliação de serviços em organizações". Tal abordagem permite identificar características, potencialidades e fragilidades institucionais, produzindo informações relevantes para o aperfeiçoamento de suas práticas e de sua gestão.
Quando aplicada aos programas de pós-graduação, a avaliação extrapola os aspectos relacionados à estrutura e ao funcionamento interno. A trajetória dos egressos e a produção científica e tecnológica resultante do processo formativo constituem elementos fundamentais para compreender os impactos da pós-graduação em determinado campo científico e profissional.
Nesse sentido, o estudo dos egressos permite relacionar formação, inserção profissional e produção de conhecimento. Os currículos acadêmicos representam importante fonte de informação para análises sobre programas de pós-graduação, desenvolvimento de áreas do conhecimento e produção científica. Ferraz (2014) destaca a relevância dessas informações tanto para análises individuais de pesquisadores quanto para estudos voltados à produção científica, técnica e tecnológica.
A produção acadêmica dos egressos também pode ser entendida como um indicador da capacidade dos programas de contribuir para o desenvolvimento de suas áreas de atuação. Dario et al. (2016), ao analisarem a contribuição da produção de um programa de pós-graduação para a ampliação do conhecimento científico multi e interdisciplinar, ressaltam a importância de examinar os produtos gerados a partir da formação recebida e sua relação com o avanço científico.
No campo da Vigilância Sanitária, Araújo (2014) evidencia a relevância de investigar e quantificar a produção científica nacional, incluindo artigos, dissertações e teses. Além de refletir o amadurecimento científico da área, essa produção amplia a base de conhecimentos disponível para subsidiar práticas, decisões e intervenções sanitárias.
Dessa forma, a formação stricto sensu em Vigilância Sanitária pode ser compreendida como um componente estratégico tanto para a qualificação dos recursos humanos quanto para a produção de conhecimentos científicos, técnicos e tecnológicos voltados às necessidades do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. A análise do PPGVS e da trajetória de seus egressos insere-se nessa perspectiva ao articular três dimensões que se complementam: a Vigilância Sanitária como campo multidisciplinar da Saúde Pública, a formação pós-graduada e interdisciplinar de seus profissionais e a contribuição acadêmica, científica e profissional dos egressos para o fortalecimento da área e do SNVS.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa foi desenvolvida em 3 etapas.
3.1. Levantamento de Dados do PPGVS e Identificação dos Egressos
Foi realizada uma pesquisa da história do PPGVS e de seus egressos em material impresso e eletrônico disponíveis nos arquivos e acervo da biblioteca do INCQS e nos arquivos da secretaria acadêmica. Foi estudado como aconteceu a organização e estruturação da Pós-Graduação, assim como foram identificados os egressos e coletadas informações relacionadas às suas atividades no Programa no período estabelecido (março de 2001 a dezembro de 2016). Também foram analisados formulários de “Avaliação do Desenvolvimento da Disciplina” fornecidos pela secretaria acadêmica do Programa. Esses formulários foram aplicados aos alunos ao fim de cada disciplina com o intuito de conferir a opinião dos mesmos a respeito dos conteúdos e dos professores e conhecer suas sugestões. Estes eram constituídos de perguntas e opções de resposta como: ótimo, bom, regular e ruim e um campo para sugestões. As perguntas descritas nos formulários para as disciplinas cursadas foram: Atendeu às suas expectativas?, Será útil para sua atuação profissional?, Os temas foram apresentados na profundidade adequada?, A carga horária prevista foi suficiente?, O material didático foi adequado?, A organização foi satisfatória?, Houve adequação do local ao número de participantes?, O local de realização do curso estava adequado? (Laboratório, sala de aula/treinamento), O professor domina o tema abordado?, O professor abordou o conteúdo de modo esclarecedor?, O professor cumpriu os prazos com os quais se comprometeu?, Houve interação entre o professor e participantes?, O professor estava disposto a ajudar quando necessário?, O professor atendeu ao programa (horários de início e término das atividades)?, Sugestões (opcional).
Bases documentais e bibliográficas que puderam fornecer informações relevantes também foram consultadas, como: o Portal da Transparência do Governo Federal e a intranet do INCQS. Banco de Teses da Capes, a base de dados da Biblioteca do INCQS (PHL) e a Plataforma Sucupira da Capes, são exemplos de bases que foram consultadas.
3.2. Elaboração e Aplicação do Questionário
Para o desenvolvimento desta pesquisa elaborou-se um questionário contemplando alguns aspectos, como: formação acadêmica; identificação do curso do PPGVS; produção técnico-cientifica durante e após o curso; participação em eventos; atuação profissional; opinião do egresso quanto a relevância do curso para a sua formação profissional; satisfação do mesmo quanto ao curso e informações sobre publicações.
Após aprovação do questionário pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Fiocruz (1.502.933/2016), esse questionário foi aplicado aos egressos do PPGVS através de correios eletrônicos, fornecidos pela secretaria acadêmica do Programa. Foi estipulado o período de um mês para a devolução dos questionários preenchidos, os quais foram posteriormente avaliados.
3.3. Pesquisa na Plataforma Lattes
Foram coletados dados no site da Plataforma Lattes afim de obter informações acadêmicas e profissionais dos egressos do Programa.
O total de currículos pesquisados na plataforma foi de 280 e em cada um foi necessário verificar cerca de 51 itens que se desdobravam em diversas informações a serem coletadas. Diante da grande quantidade de dados e ao intenso trabalho na coleta dos mesmos, foi decidido realizar a busca destes itens pelo campo “Indicadores da Produção” de cada currículo, o que reduziria o tempo para o término da pesquisa. No entanto, após o início da coleta dos dados na Plataforma Lattes através deste campo, foi percebido disparidades dos dados encontrados, optando-se por realizar a busca de item por item e de currículo por currículo de cada egresso cadastrado na Plataforma Lattes. Essa metodologia foi efetivamente mais demorada e trabalhosa, porém foi a opção mais confiável para uma coleta fidedigna. Durante as buscas foi percebida a ausência de alguns dados pertinentes. Sendo assim, tais dados foram pesquisados diretamente na página eletrônica do Portal da Transparência - para obter os dados relativos a área profissional dos egressos atuantes no setor público e no Linkedin - para dados dos egressos atuantes no setor privado.
Após as buscas nos currículos e nas páginas eletrônicas citadas acima, os dados foram armazenados em planilhas do Excel® 2010, programa utilizado para gerar os gráficos para avaliação dos dados. Nas análises desses dados foram verificadas as informações pertinentes ao desempenho acadêmico, profissional e da produção científica de cada egresso no campo da Visa. Essa análise serviu ainda para o levantamento da produção individual dos egressos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A Visa é uma área cuja profissionalização não possui um curso de graduação. No entanto, o profissional da área é formado por diversas áreas do conhecimento e capacitado por cursos de atualizações, aperfeiçoamento, especializações e pós-graduação stricto sensu. Esse tipo de profissionalização suscita trabalhos de análise sobre a formação acadêmica dos recursos humano em Visa. Bernardo (2014) sinaliza que os profissionais nessas condições, sem uma graduação formadora, estão sendo formados nas mais distintas áreas do conhecimento e assim, somente a pós-graduação poderia criar uma massa crítica de futuros profissionais na área. Nesse contexto, o universo da pós-graduação é o reduto da formação de profissionais qualificados e especializados, e não agentes, que como nas palavras do autor: “sejam meros reprodutores das suas práticas de forma acrítica e sem o sentimento de emancipação que oferta possibilidade para práticas alternativas.”
Assim se enquadra a atuação do PPGVS na profissionalização dos recursos humanos em Visa no cenário do SNVS.
Neste trabalho buscou-se analisar a organização e atuação do PPGVS no período de 2001 a 2016 a fim de realizar um diagnóstico da situação organizacional e de seu desempenho, possibilitando o apontamento de possíveis propostas ao Programa.
Segundo Almeida (2005, p. 53), o diagnóstico organizacional é definido como: “o processo sistematizado, com tempo e espaço definidos, de avaliação de serviços em organizações”. Então, diagnosticar é conhecer a situação em que a organização se encontra. Isso é fundamental para o processo de avaliação de um sistema organizacional a fim de reconhecer seus pontos fracos e fortes, e que almeja constantes melhorias em seu desempenho. Ao abordar o diagnóstico da situação vigente no PPGVS pretendeu-se analisar a organização do Programa por meio dos regulamentos, manuais e arquivos da secretaria acadêmica, juntamente com questionários de avaliação respondidos pelos egressos e seus currículos Lattes.
4.1. Levantamento de Dados do PPGVS e Identificação dos Egressos
No período de 2001 a 2016, o PPGVS formou 299 egressos. Deste total, 144 se formaram em MA, 82 em MP e 73 em DO, sendo uma turma de MP, ministrada no Amapá, com 14 egressos.
Os manuais de seleção do PPGVS definem o ingresso de 10 alunos por ano para o MA e MP e de 5 para o DO. Porém no período estudado, a média de ingressos por ano foi de 11 no MA, 9 no MP de 7 no DO, total de ingressos satisfatório com relação ao número de docentes permanentes.
Segundo as avaliações da Capes, durante esses 15 anos, o Programa demonstrou crescimento em termos de conceitos. Os cursos de MA e DO já começaram recebendo conceitos de bom desempenho, com nota 4 e progredindo para nota 5, que traduzem alto nível de desempenho ao longo dos anos. Já o MP iniciou com nota 3, o que expressa desempenho regular, sendo remodelado e aprimorado no decorrer dos anos alcançando nota 5, de alto nível de desempenho, como os cursos da modalidade acadêmica. Vale ressaltar que 7 é o conceito máximo para os cursos acadêmicos, enquanto que para o profissional, 5 é a nota máxima. Isso significa que a o Programa alcançou nível de excelência nacional em todos os cursos oferecidos.
A avaliação quadrienal da Capes mais recente foi a do período de 2013 a 2016. Segundo esta última avaliação, o Programa manteve uma atuação de excelência nos cursos de MA e DO. Na ficha de avaliação, a comissão relata que: “A proposta do Programa é coerente e bem apresentada, com disciplinas pertinentes, com boa distribuição de projetos nas linhas de pesquisa” e “O programa apresenta inserção social e tem impacto na região e no país”. Importante destacar, que dentre os 243 cursos avaliados pela área Interdisciplinar da Capes, somente cerca de 15% apresentaram notas 5, 6 ou 7, que são os estratos mais altos da modalidade acadêmica. A nota 5 - nessa modalidade - significa manter a classificação de excelência nacional. O MP alcançou a progressão da nota 4 para o mais alto padrão de excelência da modalidade, atingindo nota 5. Cabe destacar que dentre os 92 cursos avaliados pela área Interdisciplinar, apenas 2 receberam a nota máxima (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 2017).
4.2. Avaliação das Disciplinas
Os formulários analisados corresponderam aos anos de 2015 e 2016, pois os mesmos só foram implantados no PPGVS a partir de 2015, e têm por finalidade avaliar o desenvolvimento do curso através das disciplinas ministradas.
Foram avaliadas 15 disciplinas de 2015 com as respostas de 151 formulários, que deram conceito ótimo para a maioria das disciplinas ministradas. Foram obtidos a seguinte pontuação por conceitos: ótimo (83,3%), bom (13,2%), regular (3,2%) e ruim (0,3%).
Em 2016, apenas 8 disciplinas foram avaliadas, com as respostas de 74 formulários, pois foram analisados apenas os formulários das disciplinas do primeiro semestre devido ao período estipulado para a abrangência deste trabalho, e os alunos mantiveram a opinião em relação ao ano de 2015, com conceito ótimo para a maioria das disciplinas cursadas: ótimo (80,6%), bom (16,5%), regular (2,1%) e ruim (0,8%).
Apesar de considerarem a maioria dos critérios de avaliação das disciplinas como ótimos, os alunos apontaram algumas sugestões visando a e melhor aproveitamento das mesmas. As sugestões mais recorrentes relacionadas aos formulários das 23 disciplinas foram: melhoria dos computadores e de acesso à internet; inclusão de novos assuntos dentro das disciplinas oferecidas; acréscimo de aulas práticas para melhor aproveitamento do conteúdo e aumento de carga horária de algumas disciplinas.
Como não há outro Programa de pós-graduação stricto sensu na área de Visa foram observados os trabalhos de alguns autores que se empenharam em desenvolver estudos avaliativos de programas de pós-graduação no Brasil em diferentes campos do conhecimento. Rubin-Oliveira e Franco (2015, p. 15) estudaram 8 programas de pós-graduação (stricto sensu) interdisciplinares reconhecidos e recomendados pela Capes. Os autores defendem a ideia de que as fronteiras entre as disciplinas nas que se desenvolve o pensamento científico estão se alargando e até mesmo convergindo, o que contribui para o crescimento da interdisciplinaridade.
Essa visão sobre a interdisciplinaridade é importante, pois apresentam os programas de pós-graduação interdisciplinares como espaço de produção de conhecimento que ultrapassam os limites da organização acadêmica historicamente estabelecidos. O PPGVS não só se encaixa nessa visão inclusiva, como sendo um programa único na área, como é necessário conhecer a abrangência de sua atuação e limites para criar parâmetros de desenvolvimento e aperfeiçoamento.
4.3. Avaliação dos Questionários e Currículos Lattes
A internet vem mudando o modo de como os seres humanos se comunicam e tem sido utilizada como instrumento de comunicação nesse processo de pesquisa, permitindo o diálogo entre um grande número de pessoas em escala global e desprendida de tempo determinado. Uma das formas de exploração da Internet para fins de realização de pesquisa é o uso do correio eletrônico, ferramenta bastante versátil que possibilita a comunicação por mensagens de qualquer tamanho e o envio de documentos a baixo custo e grande rapidez (Vieira; Castro; Schuch Júnior, 2010).
Segundo Vieira, Castro e Schuch Júnior (2010) apud Malhotra (2006) as pesquisas realizadas com auxílio da Internet são bastante populares entre os pesquisadores porque possuem capacidade de atingir populações específicas, além de possibilitar aos participantes responder da maneira que lhe for mais conveniente, no tempo e local de cada um. Uma ferramenta bastante comum e simples para a utilização desse tipo de pesquisa é a aplicação de questionários através de correios eletrônicos. Esse tipo de pesquisa possibilita o envio dos questionários várias vezes, conforme for necessário, e com maior velocidade de envio e de resposta, além de contemplarem outras vantagens citadas anteriormente. Foi devido a essas vantagens que a decisão da aplicação de questionários por correio eletrônico apresentou-se apropriada para lograr os objetivos deste trabalho. No entanto, Gonçalves (2008) aponta como principal desvantagem desse tipo de pesquisas a baixa taxa de resposta aos questionários.
Hortale e colaboradores (2014) relatam que sua experiência com questionários de preenchimento on-line teve uma taxa de resposta de 20%, mas que, no entanto, esse valor não desmerece o método de pesquisa escolhido, pois além de possibilitar alcance com baixo custo é um tipo de metodologia que apresenta rapidez e abrangência de dimensões geográficas. Para Marconi e Lakatos (2003) questionários enviados para os entrevistados alcançam em média 25% de devolução.
A pesquisa realizada mediante questionários enviados aos 299 egressos do PPGVS recebeu uma taxa de resposta de 12,9%, com algumas respostas em branco.
De acordo com as respostas em relação aos cursos realizados, 20 responderam que estavam “muito satisfeitos”, 15 que estavam “satisfeitos” e 1 participante não respondeu à questão. Sobre a relevância do curso na vida profissional, 34 egressos responderam “sim”, enquanto 2 não responderam à questão, sendo que 26 (72%) já atuavam na área e 4 (11%) passaram a atuar após o curso.
Em comparação com a taxa de resposta obtida por Hortale e colaboradores (2014), assim como por Marconi e Lakatos (2003), 12,9% foi um valor abaixo da média.
Devido a esse baixo número de questionários respondidos, e alguns incompletos, e com o intuito de alcançar maior abrangência na pesquisa, foram consultados os currículos disponibilizados na Plataforma Lattes, que apesar de ser complexa, como sinalizado por Ferraz (2014, p. 366), os mesmos compõem uma ampla fonte de informação para análise individualizada dos pesquisadores e egressos. Também podem ser uma vasta fonte para estudos de programas de pós-graduação, de desenvolvimento de áreas do conhecimento, levantamento bibliográfico e, como no presente trabalho, de mapeamento do perfil do público do PPGVS, levantamento de produção científica em Visa e contribuição científica dos egressos do Programa para o SNVS.
Apesar de serem 299 egressos ao longo de 15 anos do PPGVS, apenas 280 currículos foram pesquisados na Plataforma Lattes, pois 19 cursaram dois cursos, MA e DO (16) ou MP e DO (3).
Durante a análise dos currículos observou-se que 107 (38%) não estavam atualizados e 11 (4%) não foram encontrados na Plataforma Lattes, o mesmo foi relatado por Rodrigues (p. 79, 2014) no processo de desenvolvimento de sua pesquisa de doutorado.
O quantitativo de egressos por modalidades dos cursos do PPGVS durante seus 15 primeiros anos de atuação foi de 24% do curso de DO (73 egressos), 48% do MA (144 egressos) e 28% do MP (68 egressos no Rio de Janeiro e 14 no Amapá).
Na pesquisa foi constatado que os egressos dos PPGVS são oriundos de 25 graduações distintas, com o maior número de representantes das Ciências da Saúde (Biologia, Farmácia, Nutrição, Medicina Veterinária). No entanto, também foi possível perceber, mesmo que em menor escala, egressos de Química, Engenharia, Microbiologia, Pedagogia, Direito e Administração de Empresas; e são oriundos de 49 instituições de ensino superior, sendo os graduados pela UFRJ e UFF os que buscaram o PPGVS para dar continuidade a formação acadêmica, com 56 e 55 egressos respectivamente. Esse resultado pode ser de valia para programar possíveis colaborações entre o PPGVS e as diversas universidades, visando a divulgação da Pós-Graduação e parcerias para desenvolvimento de projetos de pesquisa.
Conforme o gráfico 1, dos 280 egressos, 103 trabalham na esfera pública (16 na Fiocruz e 87 em outras instituições públicas) e 11 no setor privado. É importante destacar que não foi possível identificar os locais de trabalho de 41 egressos, pois alguns desses currículos não foram encontrados (11) ou não possuíam essa descrição (28), um egresso estava aposentado e um falecido.
Gráfico 1. Identificação dos egressos do PPGVS no período de 2001 a 2016
Além de identificar os egressos do PPGVS, este trabalho mapeou o quantitativo de produções, as atividades desempenhadas e a participação dos mesmos em eventos da área durante e após o curso, selecionados segundo os critérios de organização da Plataforma Lattes.
Para facilitar o levantamento das produções/publicações, estas foram divididas em 5 tipos: Publicações Científicas, Publicações Técnicas, Produções Acadêmicas, Publicações de Inovação Tecnológica e Outras Publicações. Esses tipos de publicações foram definidas como: (i) Publicação Científica: artigos publicados em periódicos, artigos publicados em jornais, resumos publicados em anais, trabalhos publicados em anais; (ii) Produção Técnica: ensaios de proficiência, material de referência, Procedimentos Operacionais Padrão, relatórios técnicos, desenvolvimento de técnicas, validação de métodos; (iii) Produções Acadêmicas: teses e dissertações desenvolvidas no PPGVS; (iv) Publicações de Inovação Tecnológica: registros, patentes e (v) Outras Publicações: livros, capítulos de livros, textos para jornal e site, entrevistas, material didático para cursos e treinamentos.
Conforme apresentado no gráfico 2, o maior quantitativo de contribuições para o SNVS foram as Publicações Científicas, se concentrando em resumos publicados em anais de eventos da área.
Gráfico 2. Publicações Científicas dos egressos do PPGVS de 2001 a 2016
As Produções Técnicas representaram 17% da contribuição dos egressos para o SNVS. As Produção Acadêmicas representaram especificamente a quantidade de egressos formados pelo Programa com o quantitativo de 299 trabalhos acadêmicos produzidos pelos egressos, divididos em 226 dissertações (144 provenientes do MA e 82 do MP) e 73 teses.
Além dos tipos de contribuições científicas, por parte dos egressos para o SNVS, já explicitado anteriormente, foi definido ainda: Atividades Desempenhadas, como sendo: cursos ministrados (pelos egressos); participações em bancas acadêmicas e/ou julgadoras; orientação acadêmica; assessoria/consultoria; apresentação de trabalhos não publicados; organização de eventos e entrevistas.
Em relação às atividades desempenhadas pelos egressos, houve uma contribuição bem significativa, com um total de 3.679 atividades. Apesar de ser um tipo de contribuição que compreende diversos tipos de atividades, esse valor é um número expressivo, visto que o total de produções/publicações foi de 3.824. O número de atividades observadas deve-se ao fato da diversidade de atividades dentro da área de Visa. Quanto ao total de Cursos Ministrados pelos egressos o SNVS recebeu uma contribuição de 287 cursos.
O gráfico 3 representa o total dos diversos tipos de contribuições dos egressos do PPGVS para o SNVS. O total dessas contribuições expressam um significativo valor de subsídios científicos na área de Visa. Foram 7.790 contribuições dos egressos do PPGVS ao longo de 15 anos de atuação, expressos através de: 3.679 atividades desempenhadas; 2.056 Publicações Científicas; 659 Produções Técnicas; 359 Inovações Tecnológicas; 287 Cursos Ministrados; 451 Outras Publicações diversas e 299 produções acadêmicas. Um número expressivo tendo em mente que este foi o fruto de 299 egressos do PPGVS.
Gráfico 3. Contribuições científicas e tecnológicas dos egressos do PPGVS de 2001 a 2016
Discutindo a produção científica em Visa no Brasil em termos numéricos, Araújo (p. 16, 2014) relatou em seu artigo os resultados de sua pesquisa referente a produção científica no período de 1999 a 2009. De acordo com a autora, nesse período de 10 anos, foram publicados 1.032 artigos científicos indexados com o termo “Vigilância Sanitária”, segundo sua pesquisa realizada especificamente na Base da Biblioteca Virtual de Saúde.
O artigo de Araújo (p. 18, 2014), expõe ainda o quantitativo de produções acadêmicas, dissertações e teses, elaboradas no Brasil na área de Visa. Os dados foram coletados no Banco de Dissertações e Teses organizado pela Capes, no mesmo período citado anteriormente. A pesquisa de Araújo (2014) encontrou 632 dissertações e teses na área de Visa, enquanto os egressos do PPGVS produziram 299 dissertações e teses. No entanto, é importante salientar que, além da variável tempo, a autora especifica que os programas de pós-graduação stricto sensu pesquisados por ela possuíam a Visa como uma das suas áreas de concentração, visto que alguns programas não eram específicos no ensino em Visa, exceto o PPGVS que consta em sua pesquisa. Araújo (2014) salienta que os programas são de Saúde Coletiva, Saúde Pública e Ciências da Saúde, tendo a Visa apenas como uma das diversas áreas de concentração.
Foi interessante salientar o trabalho de Araújo (2014) mesmo com suas distinções, pois demonstra o interesse em estudar, quantificar, pensar e repensar a produção científica brasileira na área de Visa.
Conforme a figura 1, o PPGVS contribuiu na continuidade da formação acadêmica de 299 egressos em diversos estados brasileiros, demonstrando sua inserção nacional.
Figura 1. Egressos do PPGVS por estados brasileiros e distrito federal no período de 2001 a 2016
De acordo com dados do Censo Visa 2004 (censo da área mais atualizado e disponível para consulta), o Brasil contava com 32.135 trabalhadores de Visa. Esse dado aponta que 5% desses profissionais possuíam algum tipo de pós-graduação stricto sensu, o que significa que 95% desse universo é um público em potencial como possíveis ingressos no PPGVS. Isso aponta que o PPGVS pode contribuir muito para a capacitação profissional dos trabalhadores que constituem o SNVS.
Diante de tal fato seria indicado que o PPGVS pensasse em um projeto de divulgação mais amplo e abrangente, como a divulgação em diversos eventos, não só de Visa, mas nas áreas da saúde em geral; em universidades, públicas e privadas e em setores, unidades e instituições de Visa.
Buscando alcançar esse público que está distante territorialmente, o PPGVS poderia criar parcerias com programas de pós-graduação de outros estados, visando a capacitação profissional e o fortalecimento/consolidação de programas que possuem notas regulares pela Capes. Segundo os dados do Censo Visa 2004, 2.050 trabalhadores estão na região norte do Brasil, 7.622 no nordeste, 2.958 no centro-oeste e 4.101 no sul. Isso implica em uma grande quantidade de trabalhadores de Visa que poderiam se beneficiar com esse tipo de parceria.
Uma dessas parcerias seria a elaboração de um projeto para turmas de Mestrado e/ou Doutorado Interinstitucional (Minter/Dinter). Essas turmas são conhecidas como turmas fora de sede e são autorizadas pela Capes e regulamentadas pela Portaria nº 45, de 11 de março de 2016 (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 2018).
Assim, o PPGVS poderia ampliar seu alcance e fortalecer seu caráter inclusivo.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
No espaço científico, onde a saúde pública e a Visa se inserem, há lugar para diagnosticar, analisar, refletir e propor práticas que busquem mudanças em seu fazer e pensar. Sendo assim, tornou-se interessante a realização desse tipo de trabalho diagnóstico e avaliativo do único e pioneiro Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Visa.
Em 15 anos de atuação o PPGVS do INCQS formou 299 egressos capacitados para realizar pesquisas e desenvolver processos, produtos e metodologias em áreas específicas no universo da Visa.
A partir do grupo utilizado como universo da pesquisa foi possível mapear o perfil do público que constituiu o corpo discente do Programa. O PPGVS é um Programa de caráter multidisciplinar, aberto a todo público graduado com interesse na área e em uma de suas linhas de pesquisa.
O Programa teve em sua maioria, egressos graduados na área de Ciências Biológicas. No entanto, devido a sua multidisciplinaridade, foi constatado que o PPGVS também teve egressos de diferentes áreas do conhecimento, tais como: Ciências Exatas e da Terra, Ciências da Saúde, Engenharias, Ciências Agrárias e Ciências Sociais Aplicadas e outras.
A verificação do público do PPGVS demonstrou que o mesmo ainda não alcançou totalmente sua missão em nível nacional, pois sua atuação ainda se concentra em grande parte no estado do Rio de Janeiro, com 86,6% dos egressos.
A produção total dos egressos do PPGVS apresenta um significativo valor de subsídios científicos na área de Visa. Foram 7.790 contribuições dos egressos do PPGVS ao longo de 15 anos de atuação, expressos através de: 3.679 atividades desempenhadas; 2.056 Publicações Científicas; 659 Produções Técnicas; 359 Inovações Tecnológicas; 287 Cursos Ministrados; 451 Outras Publicações diversas e 299 produções acadêmicas (teses e dissertações). Um número expressivo tendo em mente que este foi o fruto de 299 egressos.
Essa contribuição do Programa para o SNVS traduz uma geração de conhecimentos científicos e tecnológicos retratados através das teses, dissertações, artigos e produtos tecnológicos, com potencial de modificação e desenvolvimento científico no cenário nacional de Visa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Censo Visa 2004: censo nacional dos trabalhadores da vigilância sanitária. Brasília, 2005.
ALMEIDA, Maria Cristina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços de informações. 2. ed. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2005. 112 p.
ARAÚJO, Daniella Guimarães de. Produção científica brasileira em Vigilância Sanitária. Visa em Debate, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 14-21, 2014. https://visaemdebate.incqs.fiocruz.br/index.php/visaemdebate/article/view/51/85. Acesso em: 01 mar. 2018.
BERNARDO, Cristiane Hengler Corrêa. Programas de pós-graduação: um espaço para discussões críticas sobre a formação e o exercício profissional do jornalista. RBPG, Brasília, v. 11, n. 24, p. 515 - 528, 2014. Disponível em: https://rbpg.capes.gov.br/rbpg/article/view/511/pdf. Acesso em: 06 mar. 2018.
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Ficha de avaliação de programas acadêmicos. Brasília, 2017. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br//sucupira/public/consultas/avaliacao/viewPreenchimentoFicha.jsf?idFicha=6626&popup=true. Acesso em: 06 mar. 2018.
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Portaria nº 45, de 11 de março de 2016. Regulamentar a sistemática de apresentação de projetos, avaliação de mérito e início de atividades de turmas de Mestrado Interinstitucional (Minter) e de Doutorado Interinstitucional (Dinter), Nacionais e Internacionais. Diário Oficial [da] república Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 12 abr. 2016. Número 69, seção 1, p. 10.
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Relatório de avaliação interdisciplinar: avaliação quadrienal 2017. Brasília, 2017. Disponível em: https://capes.gov.br/images/documentos/Relatorios_quadrienal_2017/20122017-Psicologia_relatorio-de-avaliacao-2017_final.pdf. Acesso em: 06 mar. 2018.
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Turmas Minter e/ou Dinter e Fora de Sede. Brasília, 2018. Disponível em: http://capes.gov.br/avaliacao/projeto-minter-e-ou-dinter. Acesso em: 06 mar. 2018.
COSTA, Ediná Alves (org.). Vigilância sanitária: desvendando o enigma. Salvador: EDUFBA, 2008. 179 p.
COSTA, Ediná Alves; FERNANDES, Tania Maria; PIMENTA, Tânia Salgado. A vigilância sanitária nas políticas de saúde no Brasil e a construção da identidade de seus trabalhadores (1976–1999). Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.13, n. 3, p. 995-1004, 2008.
DALLARI, Sueli Gandolfi. Vigilância sanitária: responsabilidade pública na proteção e promoção da saúde. In: COSTA, Ediná Alves (org.). Vigilância sanitária: desvendando o enigma. Salvador: EDUFBA, 2008. 179 p.
DARIO, F. et al. Contribuições do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação na geração de conhecimento científico promotor do desenvolvimento regional e conservação dos ecossistemas costeiros do norte do estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Pós-Graduação, Brasília, DF, v. 13, n. 32, 2017. DOI: 10.21713/2358-2332.2016.v13.1012. Disponível em: https://rbpg.capes.gov.br/rbpg/article/view/1012. Acesso em: 05 mar. 2018.
EDUARDO, Maria Bernadete de Paula. Vigilância sanitária. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998. 465 p.
FERRAZ, Renato Ribeiro Nogueira; QUONIAM, Luc Marie; MACCARI, Emerson Antonio. A utilização da ferramenta Scriptlattes para extração e disponibilização on-line da produção acadêmica de um programa de pós-graduação stricto sensu em Administração. RBPG, v. 11, n. 24, p. 361 - 389, 2014. Disponível em: https://rbpg.capes.gov.br/rbpg/article/view/445/pdf. Acesso em: 14 out. 2017.
GONÇALVES, Daniel Infante Ferreira. Pesquisas de marketing pela internet: as percepções sob a ótica dos entrevistados. Revista de Administração Mackenzie, v. 9, n. 7, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ram/a/hpBjKqjrzymKGyMh6TCJDYM/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR. Acesso em: 16 out. 2017.
HORTALE, Virginia Alonso et al. Trajetória profissional de egressos de cursos de doutorado nas áreas da saúde e biociências. Rev Saúde Pública, v. 48, n. 1, p. 1-9, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/SfzxPSMvqZmTx8mQbZ4hbvw/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR. Acesso em: 16 out. 2017.
INSTITUTO NACIONAL DE CONTROLE DE QUALIDADE EM SAÚDE (Brasil). Atividades institucionais: 1999, 2000, 2001. Rio de Janeiro, 2002. 110 p.
INSTITUTO NACIONAL DE CONTROLE DE QUALIDADE EM SAÚDE (Brasil). Atividades institucionais: 2001/2004. Rio de Janeiro, 2005. 108 p.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 311 p.
MOREIRA, C. O. F.; HORTALE, V. A.; HARTZ, Z. de A. Avaliação da pós-graduação: buscando consenso. Revista Brasileira de Pós-Graduação, Brasília, DF, v. 1, n. 1, 2011. DOI: 10.21713/2358-2332.2004.v1.20. Disponível em: https://rbpg.capes.gov.br/rbpg/article/view/20. Acesso em: 05 mar. 2018.
PORTAL RESIDUOS SÓLIDOS. SNVS – O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil. 2014. Disponível em http://www.portalresiduossolidos.com/snvs-o-sistema-nacional-de-vigilancia-sanitaria-brasil/. Acesso em: 20 jun. 2015.
RODRIGUES, Thiago Magela. Adoção da plataforma lattes como fonte de dados para caracterização de redes científicas. Revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, v. 21, n. 47, p. 16-26, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/1518-2924.2016v21n47p16/32330. Acesso em: 20 mar. 2016.
ROZENFELD, Suely. Fundamentos da vigilância sanitária. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2000. 301 p.
RUBIN-OLIVEIRA, Marlize; FRANCO, Maria Estela Dal Pai. Produção de conhecimento interdisciplinar: contextos e pretextos em programa de pós-graduação. RBPG, v. 12, n. 27, p. 15-35, 2015. Disponível em: https://rbpg.capes.gov.br/rbpg/article/view/558/pdf_3. Acesso em: 20 mar. 2016.
SANTOS, Lenir. Justificativa legal para a filiação dos municípios ao COSEMS. São Paulo: CSMSSP, [2015-]. Disponível em: http://www.cosemssp.org.br/downloads/Justificativa-do-Termo.pdf. Acesso em: 20 mar. 2016.
VIEIRA, Herique Corrêa; CASTRO, Aline Eggres de; SCHUCH JÚNIOR, Victor Francisco. O uso de questionários via e-mail em pesquisa acadêmica sob a ótica dos respondentes. In: SEMINÁRIOS EM ADMINISTRAÇÃO, 13., 2010, São Paulo: SEMEAD, 2010. p. 1-13. Disponível em: http://www.pucrs.br/famat/viali/tic_literatura/artigos/outros/questionarios.pdf. Acesso em: 16 out. 2017.
1 Mestre em Vigilância Sanitária (Programa de pós-Graduação em Vigilância Sanitária do INCQS/Fiocruz). Especialista em Biblioteconomia (Faculdade Jacarepaguá. Graduada em Biblioteconomia e Documentação (Universidade Federal Fluminense). Bibliotecária vinculada ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) / Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2947-4181. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.