REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/784954675
RESUMO
INTRODUÇÃO: A traumatologia forense é um ramo da medicina legal que analisa o ponto de vista jurídico para determinar a causa da morte, em casos de corpos carbonizados ela é fundamental para determinar se o trauma ocorreu antes, durante ou depois da exposição ao calor. OBJETIVO: Investigar a relevância da traumatologia forense na identificação de corpos carbonizados, com ênfase em como essa área contribui para solucionar casos em que técnicas tradicionais de reconhecimento não podem ser aplicadas. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de revisão integrativa, de caráter qualitativo, onde foram selecionados artigos entre os anos de 2017 a 2025. Para a formação deste estudo foram utilizados 22 artigos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No Brasil, estima-se que cerca de 30% dos casos de mortes violentas utilizem exames de imagem, especialmente tomografia computadorizada e a radiografia convencional, como ferramentas auxiliares na determinação da causa da morte e na identificação de lesões traumáticas, sobretudo em situações de decomposição avançada, nas quais é necessário preservar a integridade dos restos mortais. CONCLUSÃO: Observou-se que a identificação humana pode ser realizada por meio de diferentes modalidades de imagem, como a tomografia computadorizada em reconstruções bidimensionais e tridimensionais, a radiografia odontológica comparativa ante-mortem e post-mortem e, em situações específicas, a radiografia digital com potencial para identificação de impressões digitais. A identificação de corpos carbonizados representa um desafio relevante no contexto do instituto médico-legal, exigindo abordagens técnicas especializadas. Os avanços contínuos das tecnologias de imagem e o desenvolvimento de estudos na área da traumatologia forense têm proporcionado aprimoramento progressivo das metodologias, ampliando a capacidade de identificação e a precisão dos resultados em casos envolvendo vítimas expostas ao calor extremo.
Palavras-chave: Corpos carbonizados; Forense; Odontologia; Radiologia; Traumatologia.
ABSTRACT
INTRODUCTION: Forensic traumatology is a branch of legal medicine that analyzes the legal perspective to determine the cause of death. In cases of charred bodies, it is fundamental to determine whether the trauma occurred before, during, or after exposure to heat. OBJECTIVE: To investigate the relevance of forensic traumatology in the identification of charred bodies, with emphasis on how this area contributes to solving cases where traditional recognition techniques cannot be applied. METHODOLOGY: This is an integrative review study of a qualitative nature, where articles published between 2017 and 2025 were selected. 22 articles were used for this study. RESULTS AND DISCUSSION: In Brazil, it is estimated that approximately 30% of violent death cases utilize imaging exams, especially computed tomography and conventional radiography, as auxiliary tools in determining the cause of death and identifying traumatic injuries, particularly in situations of advanced decomposition, where it is necessary to reserve the integrity of the remains. CONCLUSION: It has been observed that human identification can be performed through various imaging modalities, such as computed tomography in 2D and 3D reconstructions, comparativo ante-mortem and post-mortem dental radiography and, in specific situations, digital radiography with the potencial for fingerprint identification. The identification of charred bodies represents a significant challenge within the context of foresinc medical institutes, requiring specialized technical approaches. Continuous advancements in imaging technologies and the development of studies in the field of foresinc traumatology have provided a progressive improvement in methodologies, expanding the identification capacity and the precision of results in cases involving victims esposed to extreme heat.
Keywords: Charred bodies; Forensic; Dentistry; Radiology; Traumatology.
1. INTRODUÇÃO
A Traumatologia Forense é um ramo da Medicina Legal que analisa o ponto de vista jurídico para determinar a causa da morte, em casos de corpos carbonizados ela é fundamental para determinar se o trauma ocorreu antes, durante ou depois da exposição ao calor. Desse modo, a radiologia forense atua realizando exames de imagem com o objetivo de identificar vítimas que foram expostas a altas temperaturas. Esses corpos podem estar presentes em desastres de massa, caracterizado pelo alto índice de vítimas, bem como em situações acidentais ou intencionais (Moreira; Rocha, 2025).
A radiologia teve sua aplicabilidade na Medicina legal a partir do século XIX, com a descoberta dos Raios X pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen, em 8 de novembro de 1895. A radiologia forense teve sua grande atuação com Arthur Schuster o qual foi responsável por documentar, radiologicamente, um homicídio em decorrência de uma arma de fogo, em abril de 1986, ajudando a desvendar o culpado pelo homicídio. Nesse contexto, a radiologia associada à medicina legal tem se desenvolvido de forma significativa no âmbito forense, auxiliando na investigação forense e na elucidação de crimes de complexidade (Ramos et al., 2025). Dessa forma, a utilização de exames de imagens como, a tomografia computadorizada e radiografia convencional na identificação e manejo de corpos que se encontram carbonizados torna-se um recurso indispensável.
Para Santos et al. (2022) os equipamentos de imagem evoluíram com o passar dos anos, em recursos tecnológicos, viabilizando métodos de imagem mais detalhados e com mais nitidez. Além disso, com após quatro anos de surgimento, em 1972, a tomografia computadorizada começou a ser utilizada em estudos de imagem post-mortem, sendo uma grande aliada da medicina legal, auxiliando no manejo de perícias forenses.
Segundo a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de número 661/2022, determina que todos os serviços de radiologia devem ser realizados por profissionais legalmente habilitados, como técnicos e tecnólogos em radiologia. Estabelece que todos os exames de imagem incluindo, tomografia e radiografia devem ser realizados por profissionais da área da radiologia registrados no conselho profissional CRTs (conselhos regionais), realizando todos os exames de imagem com compromisso e responsabilidade (AVISA).
Por sua vez, a utilização da odontologia legal na identificação de corpos carbonizados é fundamental, pois os dentes e os ossos se apresentam bastante resistentes, entretanto, somente os dentes contém características individualizadoras, capazes de realizar a identificação do corpo pela arcada dentária, local que se tem um padrão único de dentes pelo número, formato, restaurações e até mesmo o aparelho ortodôntico (Oliveira, 2025). Além disso, a odontologia e a radiologia caminham juntas para que seja capaz o reconhecimento de vítimas expostas a uma determinada temperatura.
Para Oliveira (2025), um corpo em estado de carbonização deu entrada na perícia forense do Estado do Ceará (PEFOCE), onde foi realizada a coleta de dados por meio do sistema de laudos, seguindo três etapas distintas. Na primeira, ocorreu a coleta post mortem (pós-morte) odontológico, utilizando radiografias dos arcos dentários e o odontograma. Na segunda etapa, foi realizada a coleta ante mortem (ante-morte), com base em uma radiografia panorâmica fornecida pela família da vítima. Na terceira etapa realizou-se a comparação entre os registros ante mortem e post mortem, permitindo assim a identificação da vítima.
Observando os aspectos abordados, a escolha deste tema decorre da necessidade de ampliar a visibilidade e o reconhecimento da radiologia forense dentro do campo radiológico, incentivando a produção científica e fortalecendo sua relevância acadêmica e profissional. Sabendo-se disso, o presente estudo teve como objetivo, investigar a relevância da traumatologia forense na identificação de corpos carbonizados, com ênfase em como essa área contribui para solucionar casos em que técnicas tradicionais de reconhecimento não podem ser aplicadas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Radiologia Forense
A radiologia forense constitui uma especialidade da medicina legal que integra conhecimentos físicos e de diagnóstico por imagem à esfera jurídica. Esse campo é amplamente empregado na investigação de óbitos decorrentes de ação térmica, auxiliando tanto na identificação antropológica quanto na detecção de projéteis ou fraturas mascaradas pela destruição dos tecidos moles (Ferreira et al., 2025). Historicamente, a consolidação desse ramo remonta aos experimentos pioneiros de Arthur Schuster, cujas descobertas científicas abriram caminho para a evolução tecnológica contemporânea, que hoje conta com aparelhos de alta resolução espacial e tomografia computadorizada (Sá et al., 2022). Nesse cenário, a atuação do técnico ou tecnólogo em radiologia nos Institutos Médico-Legais é indispensável. Esse profissional assegura que a aquisição das imagens siga parâmetros éticos e rigorosos padrões de qualidade, fornecendo subsídios técnicos fundamentais para o trabalho conjunto de médicos legistas, peritos e de toda a equipe de saúde envolvida (Costa; Parente Filho, 2025). Adicionalmente, as aplicações desses métodos de imagem transcendem os casos de mortes violentas e carbonização; a literatura aponta que a radiologia forense desempenha um papel proeminente na identificação de padrões de lesões esqueléticas e de tecidos moles em investigações de violência doméstica, demandando uma atuação multiprofissional integrada (Fragoso et al., 2026).
2.2. Fundamentos da Traumatologia Forense
A traumatologia forense é o campo da medicina legal dedicado ao estudo das lesões corporais decorrentes de traumatismos, compreendidos como as alterações estruturais ou funcionais provocadas pela transferência de energia sobre o organismo (Neto, 2025). A classificação jurídica e pericial de um evento violento depende diretamente do diagnóstico da lesão identificada no corpo da vítima. Distingue-se, nesse contexto, o evento causal que representa a energia física ou química aplicada do evento lesional, caracterizado como a consequência direta e o dano biológico resultante desse impacto (Manjinski Júnior; Manjinski, 2025). A análise pericial fundamenta-se na determinação da natureza do agente vulnerante, classificando-o conforme o mecanismo de ação exercido sobre o corpo, seja ele de caráter mecânico (instrumentos cortantes, contundentes ou perfurantes), químico ou físico, como o calor extremo observado nos casos de carbonização (Manjinski Júnior; Manjinski, 2025).
2.3. Práticas e Protocolos no Instituto Médico-Legal
Os métodos periciais empregados nos Institutos Médico-Legais representam a base técnica para a elucidação de óbitos violentos ou suspeitos. Procedimentos como a necropsia, a análise papiloscópica e o exame detalhado das lesões traumáticas são essenciais para estabelecer a causa jurídica da morte (Santos; Rocha, 2024). A complexidade do exame necroscópico varia de acordo com o estado de conservação do cadáver. Enquanto corpos íntegros permitem análises macroscópicas diretas, cadáveres em estágio avançado de carbonização ou esqueletização impõem severos desafios à equipe pericial, exigindo protocolos específicos e exames complementares para a determinação da identidade e da causa do óbito (Brasil; Pereira; Leite, 2021). O amparo legal para essas intervenções está disposto nos artigos 158 a 184 do Código de Processo Penal brasileiro, que determinam a obrigatoriedade do exame de corpo de delito em infrações que deixam vestígios materiais (Teixeira; Meireles, 2025). Sob essa perspectiva legal e ética, a atuação do perito frequentemente se depara com crimes complexos, nos quais o fogo é utilizado intencionalmente como meio para ocultar outros delitos prévios, como a violência sexual. Diante de cenários complexos, a literatura científica reforça a necessidade de abordagens integradas entre a saúde pública e as ciências forenses (Fragoso et al., 2026), destacando a importância da cooperação técnica de equipes multiprofissionais compostas por enfermeiros e cirurgiões-dentistas para a identificação de vestígios de abusos e na própria identificação humana por meio de registros odontolegais (Fragoso et al., 2026).
2.4. Diagnóstico Diferencial de Lesões Térmicas e Mecânicas
Um dos principais desafios postos à traumatologia forense no exame de corpos carbonizados reside na distinção entre lesões produzidas em vida (antemortem) e aquelas decorrentes da própria ação do calor (post-mortem). A ação térmica extrema provoca a retração de tecidos, fraturas ósseas térmicas frequentemente caracterizadas por linhas de fratura longitudinais ou em formato de "casca de cebola" e a postura pugilística, resultante da desidratação e encurtamento muscular (França, 2021). Nesse sentido, o perito legista deve analisar minuciosamente a integridade estrutural das fraturas e a presença de hemorragias associadas, visto que traumas mecânicos prévios, como ferimentos por projéteis de arma de fogo ou instrumentos contundentes, podem ser mascarados ou simulados pelas alterações físicas induzidas pelo fogo (Galvão, 2022).
2.5. Pesquisa de Reações Vitais
Para a determinação da causa e das circunstâncias da morte, o diagnóstico de reação vital constitui um elemento de grande relevância no exame traumatológico. A presença de fuligem nas vias aéreas inferiores (sinal de Montalti) e níveis elevados de carboxihemoglobina no sangue periférico indicam que o indivíduo respirou em ambiente saturado por gases de combustão, confirmando a vitalidade no momento do início do sinistro (Vanrell, 2019). Por outro lado, a ausência desses marcadores sugere que a carbonização ocorreu após o óbito, levantando a hipótese de homicídio seguido de ocultação de cadáver, o que exige uma investigação integrada com outras disciplinas das ciências periciais.
2.6. O Papel da Antropologia e Odontologia Forense na Identificação
Quando a destruição dos tecidos moles impede o reconhecimento visual ou a coleta de impressões digitais, a identificação humana passa a depender substancialmente dos métodos osteológicos e odontolegais. A traumatologia forense atua de forma coordenada com a antropologia física e a odontologia legal para estimar o sexo, a idade e a estatura a partir de fragmentos ósseos e elementos dentários remanescentes, os quais apresentam alta resistência térmica (Silva, 2020). O confronto entre dados clínicos e radiográficos obtidos antes do óbito (antemortem) com os achados do exame necroscópico (post-mortem) viabiliza a identificação precisa das vítimas, garantindo a segurança jurídica e o encerramento do processo para os familiares.
3. METODOLOGIA
A pesquisa realizada é de caráter qualitativo do tipo descritiva, caracterizando-se como uma Revisão Integrativa. O objetivo principal é reunir e analisar de forma crítica os estudos existentes sobre a aplicação da radiologia forense na medicina legal com ênfase em corpos carbonizados.
A inclusão dos artigos apresentados abordam estudos que relatam a importância da traumatologia forense para identificação de corpos carbonizados. Foram utilizados artigos entre os anos de 2020 a 2025, utilizando os seguintes descritores: Corpos carbonizados; Forense; Odontologia; Radiologia; Traumatologia. Foram utilizados apenas artigos da língua portuguesa, consultados nas plataformas: SciELO, PubMed e Revistas Criminalísticas. Para critério de exclusão não foram utilizados os artigos por não corresponderem à temática deste trabalho e por não apresentarem alinhamento metodológico com os objetivos específicos deste estudo, foram excluídos 7 artigos que não correspondiam ao desempenho deste estudo. Na ocasião foram selecionados 23 artigos para construção desse estudo.
A partir dessa seleção, foram extraídos dados sobre metodologias, técnicas radiográficas empregadas, resultados e contribuição para a traumatologia forense na identificação de corpos carbonizados. As limitações deste estudo estavam relacionadas à dificuldade de acesso a publicações mais recentes, uma vez que alguns trabalhos são de caráter privado e possuem restrição para o acesso.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A partir da análise da literatura, verifica-se que os exames radiológicos, como a tomografia computadorizada e a radiografia comum, na radiologia forense desempenham papel relevante na identificação humana em contextos de carbonização, configuram-se como uma ferramenta complementar na análise pericial de corpos submetidos a altas temperaturas (Bordoni et al., 2021). Além disso, a tomografia computadorizada revolucionou a pesquisa médica post mortem (pós-morte) ao oferecer uma alternativa menos invasiva e mais eficiente com reconstrução em 2D, 3D e a utilização de softwares, permitindo a identificação das vítimas (Heleno et al., 2024).
Conforme destacam Moreira e Rocha (2025), a traumatologia forense constitui um ramo da medicina legal voltado à análise das lesões corporais sob a perspectiva jurídico-legal, com a finalidade de determinar a causa da morte e esclarecer de forma objetiva as circunstâncias do evento. Nesse mesmo sentido, Manjinski Júnior e Manjinski (2025) complementam que a traumatologia forense busca identificar e analisar a natureza do agente causador, verificando se o fato ocorreu de forma acidental, suicidio ou uma ação intencional, bem como se houve a utilização de algum instrumento, cortante, contundente ou perfurante que possa ter antecedido a morte da vítima.
No Brasil, estima-se que cerca de 30% dos casos de mortes violentas utilizem exames de imagem, especialmente tomografia computadorizada e a radiografia convencional, como ferramentas auxiliares na determinação da causa da morte e na identificação de lesões traumáticas, sobretudo em situações de decomposição avançada, nas quais é necessário preservar a integridade dos restos mortais. Esses métodos permitem a obtenção de informações anatômicas relevantes de forma não invasiva, contribuindo para a cadeia de custódia e para a precisão pericial (Heleno et al. 2024).
Nesse contexto, a identificação humana pode ser realizada por diferentes modalidades imagiológicas, como radiografia odontológica (exames ante-mortem e post-mortem), radiografia digitalizada (digitais) e tomografia computadorizada, aplicáveis tanto em cadáveres íntegros quanto em restos esqueletizados e, quando necessário, em indivíduos vivos para fins comparativos, consolidando a importância da radiologia forense na produção de evidências técnico científicas (Heleno et al., 2024).
No contexto da Odontologia Legal, a integração com a Radiologia Forense constitui um recurso essencial na elucidação de casos periciais, especialmente em situações que envolvem corpos submetidos à ação térmica. Evidências científicas demonstram que tecidos mineralizados, como dentes e ossos, apresentam maior resistência ao calor quando comparados aos tecidos moles, preservando características morfológicas relevantes para identificação. Em casos de carbonização, essa resistência estrutural torna as arcadas dentárias e estruturas ósseas elementos centrais na análise pericial (Santos et al., 2024).
As estruturas dentárias e ósseas preservam padrões anatômicos passíveis de comparação com registros ante mortem, ou seja, os dentes apresentam maior resistência e possibilidade de se manter íntegros quando comparados aos tecidos moles. Diante disso, a aplicação de exames radiológicos permite uma visualização detalhada dessas características, a associação entre a Radiologia Forense e Odontologia Legal amplia a acurácia diagnóstica. Consequentemente, fortalece os processos de identificação humana em contextos forenses complexos (Oliveira, 2025).
Embora os exames de imagem desempenhem papel relevante na identificação de corpos carbonizados, essa área ainda permanece subexplorada, refletindo-se na limitada produção científica sobre o tema. A radiologia forense, inserida no campo da investigação médico-legal, utiliza métodos de imagem como ferramentas auxiliares na análise de evidências em contextos judiciais. Quando integrada à medicina legal, essa abordagem contribui significativamente para a identificação de indivíduos, por meio da comparação de arcadas dentárias, análise de fraturas prévias e estimativa da idade óssea. Além disso, sua aplicação mostra-se particularmente relevante na elucidação de casos complexos, incluindo situações de violência, ao fornecer suporte objetivo para a reconstrução dos eventos e a produção da prova pericial(Almeida et al., 2023).
Na radiologia forense, os métodos de identificação de corpos carbonizados é feito por meio de técnicas de imagem que preservam estruturas internas mesmo quando há destruição de tecidos moles. O corpo pode chegar em cardinalidade de composição até a radiologia, mas as especialidades das técnicas radiológicas são eficazes para desvendar o início de uma morte, um bom desempenho se dá através das imagens de TC em 2D e 3D (Santos et al., 2024).
A análise das técnicas aplicadas no Instituto de Medicina Legal (IML) é realizada por meio de exames diretos e indiretos, que contribuem para a determinação da idade e do sexo do indivíduo. Entre os métodos utilizados, destacam-se as radiografias intrabucais e extrabucais, especialmente empregadas na avaliação da mineralização dentária. Nesse contexto, a atuação de uma equipe multidisciplinar torna-se essencial dentro do Instituto de Medicina Legal, pois a identificação humana e a investigação pericial depende da atuação de diferentes áreas do conhecimento (Trevisol et al., 2021).
Em exames de necropsia de vítimas de incêndio, a dosagem de carboxiemoglobina (COHb) no sangue constitui um importante parâmetro na investigação tanatológica. A quantificação desse marcador permite inferir a exposição da vítima à fumaça durante o evento, contribuindo para a distinção entre morte ocorrida antes ou durante o incêndio. Níveis elevados de COHb indicam inalação de monóxido de carbono em vida, sugerindo que a vítima estava viva no momento da combustão, enquanto concentrações reduzidas são compatíveis com óbito prévio ao início do fogo. Dessa forma, a análise do COHb representa um elemento pericial relevante na reconstrução da dinâmica do evento e na determinação da causa e circunstâncias da morte (Andrade et al., 2017).
Como é ilustrado no gráfico abaixo, pode-se observar que a concentração de CO predomina na faixa de 0-9% (33,2%), posteriormente a faixa de 10-20% (12,6%). Houve muitos casos sem análise da COHab (34,1%) por amostragem prejudicada para essa análise (Andrade et al., 2017).
Gráfico 1. Distribuição em porcentagem com relação à concentração de COHb das vítimas carbonizadas necropsiados entre 2010 e 2015 pelo IML de São Paulo
No gráfico, observa-se que no processo de investigação forense, a falta de provas de um corpo são fatores que podem dificultar a confirmação da causa da morte. Sendo assim, é fundamental a utilização de técnicas e métodos que possam contribuir para identificação da vítima, a COHb significa carboxi-hemoglobina que está diretamente ligada à hemoglobina do sangue ligada ao monóxido de carbono (CO), ou seja, quando uma pessoa inalar monóxido de carbono, o CO se liga à hemoglobina no lugar do oxigênio formando assim a COHb que impede o transporte de oxigênio no corpo. Peritos utilizam a medição de COHb para identificar se a vítima morreu antes ou durante o incêndio.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como objetivo analisar a relevância da traumatologia forense na identificação de corpos carbonizados, com ênfase em sua contribuição para elucidação de casos nos quais os métodos tradicionais de reconhecimento não são aplicáveis. A partir da análise realizada, evidenciou-se que essa área desempenha papel fundamental na identificação de vítimas expostas a altas temperaturas, oferecendo suporte técnico-científico para a resolução desses casos.
Observou-se que a identificação humana pode ser realizada por meio de diferentes modalidades de imagem, como a tomografia computadorizada em reconstruções bidimensionais e tridimensionais, a radiografia odontológica comparativa ante-mortem e post-mortem e, em situações específicas, a radiografia digital com potencial para identificação de impressões digitais. Esses métodos contribuem de forma significativa para o processo de identificação, mesmo diante de condições adversas como a carbonização.
A identificação de corpos carbonizados representa um desafio relevante no contexto do instituto médico-legal, exigindo abordagens técnicas especializadas. Conclui-se que, os avanços contínuos das tecnologias de imagem e o desenvolvimento de estudos na área da traumatologia forense têm proporcionado aprimoramento progressivo das metodologias, ampliando a capacidade de identificação e a precisão dos resultados em casos envolvendo vítimas expostas ao calor extremo.
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1 Graduada em Tecnologia em Radiologia, Centro Universitário de Patos (UNIFIP), Brasil E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Tecnólogo em Radiologia pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-1357-3250
3 Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-6992-7739
4 Discente do curso de Medicina pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-7975-296X
5 Médico pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4801-4423
6 Graduando em Medicina pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-0607-8994
7 graduanda em Medicina pela UNIFIP, ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2154-7788. E-mail [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
8 Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo / UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9182-9233
9 Mestre pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-7328-9640
10 Graduanda pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-0478-5410
11 Graduada em Enfermagem pela UNIG Campus V. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-7906-0142
12 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário de Patos — UNIFIP. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
13 CREDENCIAIS TATIANA: outora em Psicologia SocialInstituição: Universidad Kennedy(UK)Endereço:Bu ennos Aires, Argentina. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0003-2186-414X
14 médica especialista em Diagnóstico por Imagem, com residência médica realizada na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2222645683463830
15 Mestre em Inovação Terapêutica pela Universidade Federal de Pernambuco — UFPE. Tecnólogo em Radiologia pelo Centro Universitário de Patos — UNIFIP. Especialista em Radioterapia pela Faculdade de Tecnologia do Amapá — FATAP e especialista em Metodologias Ativas, Saúde Pública e Saúde Coletiva pela FACEMINAS. Docente e pesquisador vinculado ao Centro Universitário de Patos — UNIFIP. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8888-0932.