REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790783138
RESUMO
Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares, são a principal causa de morbimortalidade no mundo, e a Atenção Primária à Saúde (APS) é o nível de cuidado mais próximo da população para preveni-las e controlá-las. Objetivo: Sintetizar as evidências científicas publicadas entre 2021 e 2026 sobre o papel da APS na prevenção e no controle das DCNT. Metodologia: Revisão sistemática conduzida conforme as recomendações PRISMA 2020, com busca na base PubMed/MEDLINE por meio de estratégia booleana combinando descritores MeSH e termos livres relacionados à atenção primária, às DCNT e às ações de prevenção e controle. Dos 6.218 registros identificados, 67 estudos publicados entre 2021 e 2026 foram incluídos. Resultados: Os estudos foram agrupados em quatro eixos: manejo e prevenção da obesidade na APS; organização dos serviços de APS e resposta às DCNT; hipertensão, diabetes e risco cardiometabólico; e promoção da saúde, estilo de vida e autocuidado. A obesidade foi o agravo mais estudado, com destaque para intervenções comportamentais, programas de navegação e apoio entre pares, abordagem pediátrica e novas terapias farmacológicas. Experiências em diferentes países mostraram que a integração do cuidado, o rastreamento e o monitoramento de indicadores fortalecem a resposta da APS às DCNT. Conclusão: A APS é estratégica para a prevenção e o controle das DCNT quando articula rastreamento, manejo contínuo, promoção de hábitos saudáveis, letramento em saúde e cuidado centrado na pessoa e na família, com atenção às desigualdades sociais.
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Doenças não Transmissíveis; Doença Crônica; Prevenção Primária; Promoção da Saúde.
ABSTRACT
Introduction: Noncommunicable chronic diseases (NCDs), such as hypertension, diabetes, obesity and cardiovascular diseases, are the leading cause of morbidity and mortality worldwide, and Primary Health Care (PHC) is the level of care closest to the population for preventing and controlling them. Objective: To synthesize the scientific evidence published between 2021 and 2026 on the role of PHC in the prevention and control of NCDs. Methods: Systematic review conducted according to PRISMA 2020 guidelines, with a search in PubMed/MEDLINE using a Boolean strategy combining MeSH descriptors and free-text terms related to primary care, NCDs and prevention and control actions. Of the 6,218 records identified, 67 studies published between 2021 and 2026 were included. Results: Studies were grouped into four axes: obesity management and prevention in PHC; organization of PHC services and response to NCDs; hypertension, diabetes and cardiometabolic risk; and health promotion, lifestyle and self-care. Obesity was the most studied condition, with emphasis on behavioral interventions, navigation and peer-support programs, pediatric approaches and new pharmacological therapies. Experiences in different countries showed that care integration, screening and indicator monitoring strengthen the PHC response to NCDs. Conclusion: PHC is strategic for NCD prevention and control when it combines screening, continuous management, promotion of healthy habits, health literacy and person- and family-centered care, with attention to social inequalities.
Keywords: Primary Health Care; Noncommunicable Diseases; Chronic Disease; Primary Prevention; Health Promotion.
1. INTRODUÇÃO
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) incluem principalmente as doenças cardiovasculares, o diabetes mellitus, a obesidade, as doenças respiratórias crônicas e o câncer. Elas compartilham fatores de risco modificáveis, como tabagismo, alimentação inadequada, inatividade física e consumo de álcool, e respondem pela maior parte das mortes e da carga de doença no mundo (Salzberg, 2022; Rutters et al., 2024). Em escala global, a presença dos principais fatores de risco cardiovascular está associada a menor expectativa de vida livre de doença cardiovascular (Magnussen et al., 2025).
A Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica nesse cenário, por ser o primeiro contato das pessoas com o sistema de saúde e por oferecer cuidado longitudinal, integral e coordenado. Nesse nível de atenção são realizados o rastreamento, o diagnóstico precoce, o acompanhamento contínuo e as ações de promoção da saúde voltadas às DCNT (Liss et al., 2021; Fisher et al., 2022).
A obesidade passou a ser reconhecida como doença crônica que exige manejo contínuo, e não apenas como fator de risco (Gossmann; Butsch; Jastreboff, 2021; Jrolf, 2021). Paralelamente, diretrizes recentes atualizaram as recomendações para prevenção, detecção e manejo da hipertensão arterial e para o uso de terapias farmacológicas contra a obesidade (Jones et al., 2025a; Pedersen et al., 2025; Celletti; Farrar; De Regil, 2026).
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) organiza a APS por meio da Estratégia Saúde da Família, e iniciativas de saúde digital vêm sendo incorporadas para reduzir a carga das DCNT (Rodrigues et al., 2021). Diante desse contexto, esta revisão sistemática teve como objetivo sintetizar as evidências publicadas entre 2021 e 2026 sobre o papel da APS na prevenção e no controle das DCNT.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, elaborada de acordo com as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). A pergunta norteadora foi: qual é o papel da Atenção Primária à Saúde na prevenção e no controle das doenças crônicas não transmissíveis, segundo as evidências recentes?
A busca foi realizada na base PubMed/MEDLINE, com a seguinte estratégia booleana, combinando descritores do Medical Subject Headings (MeSH) e termos livres:
("Primary Health Care"[MeSH] OR "primary care" OR "Family Health Strategy" OR "family health") AND ("Noncommunicable Diseases"[MeSH] OR "Chronic Disease"[MeSH] OR NCD OR "Hypertension"[MeSH] OR "Diabetes Mellitus"[MeSH] OR "Obesity"[MeSH]) AND ("Primary Prevention"[MeSH] OR "Health Promotion"[MeSH] OR prevention OR control OR "Disease Management"[MeSH])
Foram adotados como critérios de inclusão: artigos publicados entre 2021 e 2026; estudos originais, revisões, ensaios clínicos, estudos qualitativos, avaliações de programas e diretrizes clínicas; e abordagem da prevenção, do rastreamento, do manejo ou do controle das DCNT no âmbito da atenção primária ou comunitária. Foram excluídos estudos duplicados, publicações fora do recorte temporal e trabalhos sem relação com as DCNT ou com a atenção primária.
A seleção ocorreu em duas etapas: leitura de títulos e resumos, seguida da leitura na íntegra dos textos elegíveis. A busca, aplicada ao período de 2021 a 2026, identificou 6.218 registros. Após a remoção de duplicatas e a aplicação dos critérios de elegibilidade, 6.151 registros foram excluídos, e 67 estudos (1,1% do total identificado) compuseram a amostra final, conforme a Figura 1.
Figura 1. Fluxograma de seleção dos estudos, adaptado do PRISMA 2020
De cada estudo, foram extraídos autoria, ano, periódico, país ou contexto, delineamento e principais achados. Os resultados foram organizados em quatro eixos temáticos por análise de conteúdo: (1) manejo e prevenção da obesidade na APS; (2) organização dos serviços de APS e resposta às DCNT; (3) hipertensão, diabetes e risco cardiometabólico; e (4) promoção da saúde, estilo de vida e autocuidado. Por se tratar de pesquisa com dados secundários de domínio público, não houve necessidade de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa.
3. RESULTADOS
Dos 6.218 registros identificados, 67 estudos publicados entre 2021 e 2026 foram incluídos, com maior concentração em 2025 (n = 16) e 2024 (n = 14). O eixo com mais publicações foi o de manejo e prevenção da obesidade na APS (n = 25), seguido pela organização dos serviços de APS (n = 15). A diretriz norte-americana de hipertensão de 2025 foi publicada simultaneamente em dois periódicos, e ambas as versões foram mantidas por constarem da amostra (Jones et al., 2025a; Jones et al., 2025b).
Tabela 1. Distribuição dos estudos incluídos por ano de publicação
Ano | Número de estudos | % |
2021 | 13 | 19,4 |
2022 | 13 | 19,4 |
2023 | 6 | 9,0 |
2024 | 14 | 20,9 |
2025 | 16 | 23,9 |
2026 | 5 | 7,5 |
Total | 67 | 100 |
Fonte: Elaborada pelos autores (2026).
Tabela 2. Distribuição dos estudos por eixo temático
Eixo temático | Número de estudos | % |
Manejo e prevenção da obesidade na APS | 25 | 37,3 |
Organização dos serviços de APS e resposta às DCNT | 15 | 22,4 |
Hipertensão, diabetes e risco cardiometabólico | 14 | 20,9 |
Promoção da saúde, estilo de vida e autocuidado | 13 | 19,4 |
Total | 67 | 100 |
Fonte: Elaborada pelos autores (2026).
3.1. Manejo e Prevenção da Obesidade na APS
A obesidade foi tratada como doença crônica que exige avaliação clínica estruturada e acompanhamento de longo prazo na atenção primária (Elmaleh-Sachs et al., 2023; Gossmann; Butsch; Jastreboff, 2021; Jrolf, 2021; Scott et al., 2026). A APS foi apontada como porta de entrada para o manejo da obesidade, inclusive em países de renda média (Diab et al., 2025).
No campo farmacológico, a atualização da diretriz canadense e a diretriz da Organização Mundial da Saúde sobre as terapias com agonistas do receptor de GLP-1 ampliaram as opções terapêuticas para adultos (Pedersen et al., 2025; Celletti; Farrar; De Regil, 2026). Mesmo nesse cenário, a medicina do estilo de vida e redes de apoio multiprofissional continuam necessárias para sustentar mudanças de comportamento (Sannidhi et al., 2025; Bantham; Hosking; Rogers, 2025; Nodelman et al., 2026).
Diversas intervenções foram testadas na própria APS: programas de navegação para o tratamento do peso (Griauzde et al., 2024), apoio entre pares (Wittleder et al., 2025), intervenções orientadas pelo letramento em saúde (Davis et al., 2024), tratamento on-line totalmente automatizado (Thomas et al., 2022) e automonitoramento diário do peso (Dutton et al., 2021). Entre veteranos norte-americanos, o uso de programas comportamentais variou conforme características sociodemográficas e de saúde (Breland et al., 2024). As perspectivas das pessoas que vivem com obesidade e as necessidades de formação dos médicos generalistas também foram descritas como pontos a melhorar (Lau et al., 2024; Nanda et al., 2021).
Na infância, destacaram-se a intervenção digital Greenlight Plus para prevenir a obesidade desde os primeiros meses de vida (Heerman et al., 2024), as intervenções conduzidas por enfermeiros (Cheng et al., 2021), a sustentabilidade de programas centrados na família integrados à APS (Else et al., 2022) e a proposta de registrar a obesidade infantil como sinal vital pediátrico (Eneli et al., 2025). Estudos com profissionais mostraram dificuldades para iniciar a conversa sobre o peso e lacunas de preparo no manejo pediátrico (Hersch et al., 2021; Mandelbaum; Harrison, 2022; Biggs et al., 2025).
3.2. Organização dos Serviços de APS e Resposta Às DCNT
A cobertura universal com foco na equidade foi apresentada como condição para uma resposta efetiva às DCNT, a partir da experiência australiana (Fisher et al., 2022). Em países de renda baixa e média, avaliações de clínicas de bem-estar em Gana e de centros de saúde e bem-estar na Índia descreveram avanços e limitações na oferta de cuidados às DCNT (Kushitor et al., 2024; Tripathi et al., 2024). Em Bangladesh, foram identificados desafios de organização dos serviços na APS (Kabir; Karim; Billah, 2022).
Intervenções breves no Uzbequistão, bancos de dados eletrônicos nacionais no Quirguistão e pontos de acesso comunitários para rastreamento na Ucrânia mostraram caminhos para fortalecer a APS em sistemas em transição (Alonge et al., 2024; Laatikainen et al., 2022; Darahan et al., 2026). A continuidade do cuidado às DCNT após desastres naturais também foi analisada (Ganeshkumar et al., 2022).
A gestão de doenças crônicas na APS rural chinesa produziu efeitos positivos avaliados sob a ótica econômica (Ding et al., 2021). Nos Estados Unidos, foram descritas as tendências da qualidade da atenção primária e o efeito de intervenções populacionais sobre a qualidade do cuidado a veteranos (Saxena et al., 2022; Wheat et al., 2025). No México, avaliou-se o conhecimento dos usuários sobre o programa preventivo PrevenIMSS (López-Bucio et al., 2022).
O cuidado comunitário foi apontado como estratégia de prevenção coletiva em populações que envelhecem (Kuppen et al., 2023), e a perspectiva familiar e comunitária foi aplicada também ao cuidado pediátrico durante a pandemia de COVID-19 (Merino-Navarro; Díaz-Periáñez, 2021). No Brasil, iniciativas de saúde digital foram descritas como apoio à redução da carga das DCNT no sistema público (Rodrigues et al., 2021).
3.3. Hipertensão, Diabetes e Risco Cardiometabólico
A diretriz de 2025 do American College of Cardiology e da American Heart Association atualizou as recomendações de prevenção, detecção, avaliação e manejo da hipertensão em adultos (Jones et al., 2025a; Jones et al., 2025b). A iniciativa HEARTS 2.0 propôs intervenções para integrar o cuidado da hipertensão e das condições cardiovasculares, renais e metabólicas nos serviços de APS (Rosende et al., 2025).
O consórcio global de risco cardiovascular estimou o efeito dos fatores de risco clássicos sobre a expectativa de vida (Magnussen et al., 2025), e a equação PREVENT foi aplicada para estimar o risco cardiovascular em pessoas com pré-diabetes e diabetes (Li et al., 2025). Os resultados de estudos de desfechos cardiovasculares, renais e metabólicos foram sintetizados em relatório internacional (Schnell et al., 2024).
Na prevenção do diabetes, um programa nacional foi avaliado por delineamento quase-experimental (Lemp et al., 2023), e a transferência desses programas para o ambiente de trabalho revelou barreiras e facilitadores de adesão (Tsai et al., 2024). A associação entre diabetes, hipertensão e obesidade variou conforme idade e sexo (El-Metwally et al., 2023).
Outros estudos abordaram o controle de fatores de risco cardiovascular em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (Hawkins et al., 2022), o cuidado integrado na fibrilação atrial com comorbidades (Proietti; Vitolo; Lip, 2021), o diagnóstico oportunista de doenças crônicas em jovens atendidos por trauma (Adams et al., 2024), a estimativa da população-alvo para prevenção da demência na APS (Bohlken et al., 2021) e a relação entre a vacinação contra rotavírus e o diabetes tipo 1 em crianças (Inns et al., 2021).
3.4. Promoção da Saúde, Estilo de Vida e Autocuidado
As intervenções sobre fatores de risco e estilo de vida foram reafirmadas como base da prevenção cardiometabólica (Salzberg, 2022; Rutters et al., 2024), e foi proposta uma agenda de pesquisa para implementar a medicina do estilo de vida na prática clínica (Vos et al., 2025). Em Omã, um ensaio clínico randomizado por conglomerados avaliou intervenção comportamental para alimentação saudável e atividade física em adultos com diabetes e excesso de peso atendidos na APS (Al Ghafri et al., 2025).
O papel dos check-ups gerais de saúde em adultos foi revisado criticamente (Liss et al., 2021). O desenvolvimento do letramento em saúde foi considerado central para a prevenção e o controle das DCNT (Osborne et al., 2022), e o modelo 5A foi proposto para a defesa de políticas voltadas a essas doenças (Kalra; Verma; Sahay, 2023).
A medicina minimamente disruptiva, que busca reduzir a sobrecarga do tratamento para pessoas com múltiplas condições crônicas, completou dez anos de desenvolvimento (Boehmer et al., 2022). O engajamento do paciente no manejo das condições crônicas depende de fatores individuais, organizacionais e comunitários (Miller-Rosales et al., 2023), e a equidade em saúde da família foi apontada como dimensão necessária da prevenção (Ellis; Young; Langford, 2024). A terapia breve focada em soluções foi testada para depressão e comorbidades em cenário de cuidado integrado (Cooper et al., 2024). Por fim, ferramentas digitais, como modelos de inteligência artificial e recursos inspirados em redes sociais, foram propostas para a predição e a prevenção das DCNT (Clarós et al., 2025; Hirani; Keshavjee, 2026).
4. DISCUSSÃO
Os achados desta revisão confirmam que a APS reúne as condições necessárias para enfrentar as DCNT: é o nível do sistema com maior capacidade de rastreamento, vínculo e acompanhamento contínuo. Os estudos mostram que essa capacidade se concretiza quando o cuidado é organizado de forma integrada, com metas claras e monitoramento de indicadores (Fisher et al., 2022; Rosende et al., 2025; Laatikainen et al., 2022).
A predominância de estudos sobre obesidade reflete a mudança de paradigma que passou a tratá-la como doença crônica. O surgimento de terapias farmacológicas mais eficazes não reduz a importância da APS; ao contrário, amplia sua responsabilidade na indicação, no acompanhamento e na manutenção das mudanças de estilo de vida (Celletti; Farrar; De Regil, 2026; Sannidhi et al., 2025; Bantham; Hosking; Rogers, 2025). As dificuldades relatadas por profissionais para abordar o peso, especialmente na infância, indicam a necessidade de formação continuada (Hersch et al., 2021; Nanda et al., 2021; Biggs et al., 2025).
As intervenções de menor custo, como navegação, apoio entre pares, ferramentas on-line e automonitoramento, mostraram-se viáveis no cotidiano da APS e podem ser adaptadas à realidade brasileira, na qual agentes comunitários de saúde já atuam como elo entre os serviços e a comunidade (Griauzde et al., 2024; Wittleder et al., 2025; Thomas et al., 2022).
As experiências de países de renda baixa e média são particularmente relevantes para o SUS. Elas revelam desafios comuns, como falta de insumos, sobrecarga das equipes e fragilidade dos sistemas de informação, mas também demonstram que intervenções breves e o uso de dados eletrônicos podem fortalecer a resposta às DCNT (Kabir; Karim; Billah, 2022; Kushitor et al., 2024; Alonge et al., 2024). Iniciativas brasileiras de saúde digital seguem essa mesma direção (Rodrigues et al., 2021).
A promoção da saúde e o letramento em saúde aparecem como eixos transversais. Sem que o usuário compreenda sua condição e participe das decisões, as metas terapêuticas dificilmente são alcançadas (Osborne et al., 2022; Miller-Rosales et al., 2023). A abordagem minimamente disruptiva e a atenção à equidade familiar reforçam que o cuidado deve considerar o contexto de vida das pessoas, e não apenas os parâmetros clínicos (Boehmer et al., 2022; Ellis; Young; Langford, 2024).
Esta revisão apresenta limitações. A busca restringiu-se a uma única base de dados, e a maior parte dos estudos foi produzida em países de alta renda, o que limita a generalização para o contexto brasileiro. Os estudos são heterogêneos em delineamento e população, e não foi realizada avaliação formal do risco de viés nem síntese quantitativa. A elevada proporção de registros excluídos (6.151 de 6.218) reflete a sensibilidade ampla da estratégia de busca, que recuperou muitos estudos fora do escopo da atenção primária.
5. CONCLUSÃO
A literatura publicada entre 2021 e 2026 confirma a Atenção Primária à Saúde como estratégia central para a prevenção e o controle das doenças crônicas não transmissíveis. Seu potencial se realiza quando o rastreamento, o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo são combinados com ações de promoção da saúde e de mudança do estilo de vida.
A obesidade destacou-se como o principal desafio recente, exigindo da APS tanto intervenções comportamentais quanto preparo para o uso das novas terapias farmacológicas. Na hipertensão e no diabetes, a integração do cuidado cardiovascular, renal e metabólico e os programas estruturados de prevenção mostraram-se caminhos promissores.
Para o SUS, os resultados reforçam a importância de fortalecer a Estratégia Saúde da Família, qualificar as equipes, investir em sistemas de informação e saúde digital, e ampliar o letramento em saúde da população, com atenção às desigualdades sociais. Recomenda-se que estudos futuros incluam múltiplas bases de dados, avaliação do risco de viés e maior produção de evidências nacionais.
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1 Especialização em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais Faculdade Unibf. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Especialista em Saúde Pública. UNIMAIS - Faculdade Educamais. São João da Baliza/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-3425-5717
3 Mestranda em Gestão de Cuidados da Saúde. Must University. Santa Helena/Paraná/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2307-9551
4 Mestrando em Gestão de Cuidados da Saúde. Must University. Santa Helena/Paraná/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7045-1880
5 Graduada em Medicina. Universidade Federal de Roraima - UFRR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
6 Doutorando em Biodiversidade e Biotecnologia. Rede BIONORTE/UFRR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-9003-773X
7 Especialista em Pediatria. Universidade Estadual de Roraima – UERR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-4700-1411